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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Reencontro


Vamos escrever 48h aqui... 48h após 48h de observação/maturação.... 48h que valem 2 anos....
Primeiramente? Uma loucura, retomar contato após anos com O cara que me formou e me deu um norte do que era esta minha vocação, de como era uma profissão. Neste momento, eu sabia que já tinha vivido tantas viradas – mas TANTAS – na minha vida pessoal e que a profissional estava querendo perder o rumo, eu senti o alerta e fui de novo na mesma fonte que me tirou de 6 anos de hiato por pura imaturidade – mesmo sendo eu idosa de alma, de nascença – eu sabia que sozinha, eu não iria além da página 20 e como todo mundo sabe – até ele – : eu sempre quis ir além.
Por que além? Primeiro ir além de mim, além de uma vida, além de uma história, tocar além dos que me cercam, poder me doar além, me doar mais, ir além dos meus limites, pensar além e fazer pensar além, fazer as pessoas conversarem além e até brigarem além, mas não queria ser indiferente nem que estivessem indiferentes ao meu redor, e, magicamente, aos 10, instintivamente eu me apaixonei, como se num truque de mágica ao sair de cena pela primeira vez, eu tivesse encontrado a missão da minha vida. Então, aos 21, depois de anos de teimosia e vamos colocar a palavrinha mágica que aprendi há pouco – maturar – eu fui atrás e encontrei a realidade de ser além da sonhadora, uma profissional com o grande mestre abominável Jeam Pierre. Me formei e todo um mar passou, ressacas, dias azuis, conquistas e o mais temido de todos os movimentos: a falta de...
Eu me desconectei com aquela parte de mim que eu só experimentei enquanto me formava pra me registrar profissionalmente, a linguagem que conheci ali na JP Talentos, aquela que desafiava diferente do teatro, que me dava uma adrenalina diferente, uma pulsação de outro gênero...
E eis que com uma boa dose de intuição e conspiração do universo se abriu esta nova oportunidade, estas 48h... mas foi além dessas 48h, porque aconteceu todo um processo comigo desde o estalo de ir atrás, a preparação, vários micro-objetivos que fui alcançando – como gravar de novo e descobrir que instintivamente, eu tinha maturado, FINALMENTE entendido o que era a linguagem, finalmente não fui over, fui right HAHAHAHA – e o planejamento, até finalmente começar a viver as 48h propriamente ditas.
Quando eu falo em preparação, foi um processo à parte, onde eu dando vida ao meu próprio nome mais uma vez: renasci, me encontrei de uma maneira e em um momento, que eu sabia exatamente o que queria e trabalhei todas as ferramentas – TODAS – para me alinhar, abraçando esta oportunidade com toda a minha força.
Semanas de ensaio com direito a trilha sonora estratégica de preparação se passaram e chegou a hora, eu viajei... eu LITERALMENTE viajei.
Em 48h, eu embarquei numa jornada, onde fui expectadora de mim mesma, me perdi de mim mesma, caí em armadilhas que nunca imaginei que cairia – que eu mesma criei – e briguei comigo mesma e ainda estou tentando decifrar enquanto escrevo estas linhas. Magicamente, tudo que eu preparei, evaporou e eu zerei... nasci de novo? Renasci, como se estivesse pequena, frágil e completamente nua e chorando pra dentro, sem conseguir jogar pra fora. Fui chicoteada, nocauteada por mim mesma e minha mente sabotadora ou uma força maior, não sei... E eu renasci de novo, porque essa mesma força cuidou de mim, eu me senti cuidada por várias mãos muito sábias, no momento em que eu me senti mais vulnerável... e renasci de novo ao descobrir e redescobrir conhecimentos, ao ultrapassar o pânico de me expor vocalmente durante uma prática de técnica, ao mesmo em um turbilhão, entorpecida e perdida, eu consegui ouvir, ressignificar ouvir, ouvir outra pessoa, zerei a cabeça, me ausentei de pensamentos, renasci como uma folha em branco...
Eu renasci em palavras que mesmo cercada por dezenas de pessoas, pareciam ter sido pensadas e dirigidas pra mim, foi como se estivessem me espionado nas últimas semanas, e não no sentido de me assistirem, mas de estarem dentro da minha cabeça e confirmando tudo que eu estava sentindo e auto-dirigindo, o que queria – quero – minhas forças, que iria além, simplesmente porque QUERIA e dane-se o que eu tivesse que fazer pra chegar lá e o universo dava – e deu – sinais de que eu estava trilhando o caminho certo e eu segui confiante à frente, eu ouvi isso, eu senti isso e eu vivi isso!
Eu acreditei e me fiz de ímã até chegar nessas 48h, depois que elas chegaram, tive que renascer de novo, sim, de todas maneiras que eu acabei de dizer, e, mais uma vez, quando as palavras não pararam nesta quase narração de todo o processo que eu tinha vivido pra estar ali, elas me persuadiram do para quê eu estava ali e como eu ia continuar, fui estapeada, esbofeteada, deslumbrantemente nocauteada ao sentir que falhava... falhava?
Por mais que eu pudesse ter feito mais, além, diferente da minha parte, no que diz respeito até onde eu podia ir pra talvez chegar no resultado que eu desejava naquele momento, eu só iria até a página 20, não é? Além da 21, não era comigo...
Sim, a perfeccionista dentro de mim me diz que eu poderia ter feito assim ou assado, mas além dela, eu sei e eu sinto que fui cuidada, preservada, poupada... estava sem condições por razões que a minha própria razão desconhece e, muito provavelmente, eu poderia arruinar em outro desfecho e as consequências poderiam ser mais danosas para mim, não me fazer bem profissionalmente... pessoalmente...
É difícil, não é fácil realizar que às vezes, é melhor que não seja do que seja, porque não existe nada que aconteça ou deixe de acontecer que não seja pro nosso bem e eu ACREDITO que tudo que aconteceu, mesmo que estranhamente, foi dirigido e conduzido para o meu bem e é isso que me importa.
Eu definitivamente não saí sem saber o que fazer, não foi um ponto final, muito menos uma interrogação, estou tentando decidir entre reticências ou uma vírgula...
Delas, ou dela, das palavras que eu ouvi, eu tive o meu primeiro contato real com o coaching, este termo que todo mundo  usa, que parece fácil, mas não é e me fez renascer mais uma vez, porque me revelou talvez o segredo de um milhão de dólares, ou – abaixando o meu tom agudo de dramaticidade – da vida: de que você precisa tomar as rédeas, quem manda é você, não é mais ninguém, se você não se cuidar, você desaba, e foi aí a minha falha, mas foi importante falhar aí, pra saber que preciso redobrar a minha atenção e os meus cuidados comigo, sem olhos pros lados mais pra dentro de mim. Não existe sucesso em nenhum sentido se não estiver tudo muito bem aqui dentro.
Daqui de dentro parte o maior encanto de todos, o próprio sucesso, porque se estiver tudo em ordem, equilibrado, com a frequência devidamente sintonizada, você vira uma ímã e você vira um campo de força e você atrai e logo, você forma uma equipe ao seu redor e com você, que acredita no mesmo, em você e te leva além, indo além junto com você.
Eu ainda estou no primeiro passo e meio da jornada e ainda vou além, porque eu ACREDITO.
Queria abraçar todos os profissionais que estiveram comigo nessas 48h, abraçar forte e dizer que eles me fizeram renascer, me deram uma nova vida de consciência, me orientaram e agradecer por isso. Muito obrigada por cuidarem de mim e me colocarem num lugar que eu nunca poderia imaginar. – especialmente você, Jeam Pierre, o grande responsável por tudo, mais 2 anos, 2 anos em 2 dias....
Foi intenso, difícil de entender, de colocar em palavras, mas foi necessário e eu quis traduzir e deixar aqui registrado que foi inspirador, pra que não se perca toda essa imensidão, ressignificação...  
Deram mais de uma vida ao meu nome, a sabedoria de que essa é a minha alma, de tudo que eu faço e que é o que é capaz de me fazer ir pra frente, meu nome e sobrenome: renascer e ser intensa.

Agora, é maturar – melhor palavra dos últimos tempos do último final de semana – e dar mais meio passo, depois mais um passo... outro passo.... outro passo... outro passo... e andar. Andar, caminhar, antes de correr e ir além.


sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora  o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vale a pena cair DE NOVO!



E num é que o ano começou e começou pra valer como NUNCA? Pela primeira vez encerrei o ano, com expectativa de PALCO – sabendo que em fevereiro voltaria com a Joana ao palco da Ubro – e já está aí batendo na porta...

TOC TOC - Saiba mais em www.facebook.com/events/199197863611907 
BASTA UM DIA – literalmente – e na véspera do cabelo armar e ganhar vida própria, de eu deixar de ser dona de mim e das luzes e os três sinais comandarem minha existência – inclusive quando respiro ou não – me deu essa vontade irresistível de vir aqui e escrever!
Porque a experiência pede, é inédito na minha carreira – ok, agora já dá pra chamar assim... só não me questionem se me sinto profissional, porque aí, já são outros quinhentos – retornar a apresentar um espetáculo que já apresentei e apresentar além de um dia – eu até já apresentei 3 sessões num mesmo dia na época da “Partilha”, mas como eu mesma disse foram no MESMO DIA.... e mesmo eu tendo ir apresentar mais uma vez, fora das dependências do Colégio, no Teatro de fato, ainda sim, definitivamente não é a mesma coisa.... –, um dia seguido do outro não.... e retornar aos ensaios? Outro processo à parte...
Parece que é fácil retomar aquilo que você já conhece, reviver o que já viveu? – sendo que isso não se leva tão ao pé da letra, já que sempre se acha o que ajustar, surpresas pra providenciar, principalmente prevendo aquela parcela do público que conquistamos ao ponto de querer bis! 
Não, não é! O buraco passa a ser bem mais embaixo e fundo do que se pensa! As imperfeições ficam evidentes – principalmente depois que você confere aquele cineminha de feedback com todo o elenco e todos reagem junto e além de você, dando a dimensão real de cada uma das cagadas, acertos e improvisos – e as direções mudam, nuances, pequenos detalhes, fora a dança de cadeiras no elenco mesmo, sempre tem quem se vá, quem chegue, como se fosse um trem trocando de interior por parar em uma determinada estação....
Enfim, a ordem é se adaptar aos efeitos colaterais dos que se foram, do que foi feito e revisado, pra que se reinvente e se faça algo novo diante de todas as expectativas já criadas por quem foi e pretende retornar e de quem ouviu falar e já vai com aquela imagem... repetindo: não, NÃO é fácil! Ainda mais quando se tem uma obra tão densa e tão intensa como essa, e alguém como eu tenho pra dar vida, mas não é que se consegue achar forças pra ler e reler, alterar o tom, a intenção, receber novos desafios e com eles novos estímulos e impulso pra recriar e fazer disso um novo espetáculo por um novo ângulo...
E muito – se não tudo – dessa construção vem do sopro de vida que vem com as novas personas que passaram a nos acompanhar – os que vieram e garantiram assento na dança das cadeiras – porque à cada pessoa nova, vem uma carga, uma bagagem, um ângulo de interpretação completamente diferente! Cada um dá a vida de fato, sua essência e isso renova e restaura as nossas habilidades – as minhas pelo menos, que viro de novo uma expectadora, ansiosa pra conferir as novidades...
É tão ou mais suado que o trabalho inicial de uma estreia, a bendita da reestreia vem com peso extra  de no mínimo não decepcionar diante do que já foi e de evoluir....
Ah, evoluir.... 
Da minha parte garanto que haverá sutis mudanças, fiquem atentos!
Bem, enfim, vou-me lá desabar de novo e já já eu volto....

A quem for conferir com seus próprios olhos, não se apresse em deixar o teatro, que eu prometo não me demorar pra ir ao seu encontro... e quem for me acompanhar por aqui mesmo, me aguarde, que quando tudo acabar, é pra cá que eu vou voltar... é pra cá que eu SEMPRE volto! 
domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre  em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história  começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ela vai cair de novo...


Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...

A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero....  – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação  porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai despencar no mais puro estilo marroquino!  
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque... adiviiiinhaaa... –, eu dei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50%  Eu mesma! E como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças, não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem, deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....

Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...

Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!

Agora sim, mais no clima...


Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna – , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro  fez o favor de estourar meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações... sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas, digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti, quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana – desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo, todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito feio, eu sei...

Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino....  mais tarde, eu conto.... 
terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes que acabe, preciso confessar....



Confessar que corri um campo inteiro de futebol, corri cantando sem repertório, corri cantando o hino nacional, corri ao redor de um chafariz cantando Mundo Ideal, cantei em público pela primeira vez na vida, e pela primeira vez de novo, peguei num microfone pra cantar de verdade, eu atingi um agudo! – praticamente lírico , eu juro....
Mas antes do agudo, entre ele e tanto correr, eu aprendi a respirar de novo, a me equilibrar numa base nova, a pegar coreografia de verdade! Fui do céu ao inferno, em todos os sentidos, me arrastei num limbo de berros desesperados e berrei – como berrei – fiz de três pontos um conto tragicômico, trabalhei panturrilha, fiz flexão, até abdominal inverti!
Cantei, dancei, atuei de uma só vez, fiz musical – mesmo que rudimentalmente – pela primeira vez... eu dirigi, aprendi a rir dos meus erros e a deixar meus devaneios de perfeccionista de lado pra variar....


Eu me preparei... me preparei pra um grande sonho, que começou no sonho de alguém e no encanto que se fez quando assisti The Best Of Broadway, meu primeiro musical, estou me preparando: teatro físico, clown, pequena sereia na pedra, sapatilhas mágicas, saltos do tamanho do mundo! Por que sim, agora eu tenho! Sapatos de dança me dei, pra riscar meus novos passos.....
Passos de uma base firme, de pés bem colados ao chão, distanciados pela largura dos ombros, firmes, cabeça ereta no ar e olhar ao horizonte, e toda a tensão do mundo que vá pra coxa, pés, chão, fuja de mim!
Apoio, respirar, puxar ar pela boca, guardar nas costelas pra cutucar os cotovelos, fazer o ar dançar, fazer miséria, virar nota, bater no peito, na nuca, no alto da cabeça, juntinho do nariz, e sair em forma de canção..... eu fiz.... lições de canto até isso eu fiz....
Passei por poucas e boas, boas e poucas.... estou inspirada, bastante inspirada, avançando.... saltando entre ensinamentos, aprendizados e mestres – entre eles o meu galã – para hoje estar de volta ao berço, à JP Talentos, ser uma das crias de Gringo Starr, de novo um bebê em frente às câmeras, além de um bebê de palco – depois de um convite daqueles – .... um bebê da Broadway..... eu confesso!
As primeiras palmadas já foram, o primeiro chorinho e o primeiro berro também... tudo que tinha de primeiro e intenso pra ser feito, e que eu nunca me imaginaria fazendo, eu fiz.... e confesso que vou continuar fazendo..... – a não ser que acabe realmente tudo de vez! 
quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Até que a morte nos separe... e eu fuuuuuui a noiva do Oscar!



É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa noite....  essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional,  numa grande cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e sua supervisão atenta. 
Fomos unidos à profissão por meio de um documento registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava completamente mulherzinha na expectativa.... 
Independentemente disso, meu dia começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e extremamente transparente,  nos separamos e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção? 
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano – topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings – ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... – dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na base da palhaçada, oh que beleza!

 
Concordam? 
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos, sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida  sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era. A nossa era. 
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam, sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis,  preparada por Jeam Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!

Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de parar..... 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A última das moicanas... quem sabe Sócrates explica?



E antes que se esqueçam – ou eu – ainda gravamos depois... e recebemos todo o retorno possível – e impossível – vocês sabem muito bem de quem, pela última vez...
Se me perguntarem como foi... e se eu disser que não sei, vão me chamar de mentirosa... mas dessa noite em especial pouco ficou pra recordar....
Sei que gravamos na frente de todos, que daquela vez – talvez por ser a última – era diferente, se era o ar, o clima, o timing, o feeling, não sei...
Não sei de muita coisa... sei que nada sei – Sócrates nunca fez tanto sentido...
Mas olhando aqui meus rabiscos e me lendo em forma de lembrete – usando e abusando da minha memória emotiva, porque não sou de ferro sei exatamente de tudo que realmente interessa: como me sentia enquanto gravava.
E eu estive lá de pé, diante daquela câmera, respirando fundo... olhando pra baixo e tentando trazer dos pés à cabeça o que o chão me trouxesse, como se fosse capaz de viver uma emoção a partir dali... mas não eram dos meus pés, eu queria que eles puxassem ela pra mim... e nisso, um dos ensinamentos dolorosos da noite anterior me valeu: eu tinha que sentir... e eu senti....
Sabem o que eu senti? Calor.... me subiu – ou desceu – um calor por tudo quanto era lado, costas, nuca.... – geralmente esses dois lugares quando se aquecem, querem me dizer que realmente estou envolvida, estou em cena – e isso com os pés pressionando o chão e as palavras me abandonando os lábios.... ali eu tinha plena consciência de que tudo partia do meu corpo, do contato que ele tinha com a superfície, da pressão que eu provoquei entre os meus dedos e ela.... até minhas mãos buscaram a inspiração do chão – à distância, claro – então tudo parecia fazer sentido, a tal teoria de Pierre que afirmava que o corpo era o verdadeiro condutor das emoções, era uma verdade ali pra mim, naquele momento...
E eu acreditei nisso.... e como sempre, não sabia o que esperar de mim no vídeo.... se passaram as instruções que o Jeam me passou antes de gravar, as apresentações de todos – menos uma – sem que eu sequer gravasse, registrasse na memória... tanto que me resta pouco a dizer, a não ser de alguém que já admirava e passei a admirar mais ainda depois dessa noite: Jamil Vigano.
Se existissem cinco estrelas, um Oscar pra dar, por conta daquele exercício seria dele.... – como realmente foi, porque fazer o Advogado do Diabo tirar as fitas do bolso....
Ele foi sóbrio, limpo e intenso.... soube trabalhar a intensidade como ninguém, num texto que arruinou praticamente todos – inclusive a mim, sem saber – e ele tinha aquele olhar que arrastava multidões, ele era enfim, um galã de verdade – como eu já o chamo carinhosamente nos bastidores.
Chamou – inclusive ele não sabe o tanto – a minha atenção com a dicção e a desenvoltura da cena dele.... algumas outras – uma, pra ser mais exata – me chamou atenção também... tenho esse feeling.... mas lembranças que é bom....
E a gravação se sucedeu pela tradicional sessão de esporros e considerações ala Jeam Pierre. Nos assistimos como sempre, e o feedback veio à cavalo.... e o meu? À galope.
Nem nos meus piores pesadelos, eu me imaginaria em cena como eu me vi e eu murchei.... naquela hora – eu não sabia na hora – eu só sabia que nada sabia.... – Sócrates, explica?
De repente, em poucos de minutos, me convenci que estava vivendo um dejavu dos meus piores momentos de todos aqueles meses de aula – da pior crítica que uma atriz poderia suportar e duvidei do meu aprendizado, da minha capacidade de aprender com os meus próprios erros e enfim, de aprender – por mais redundante que possa parecer...
Na verdade, eu me negava a acreditar que fosse capaz de cair nos meus erros e repetí-los de forma tão estúpida... me senti estúpida e nem um pouco atriz – aliás muito loooonge disso.
E na sequência dessa sucessão de erros repetidos, veio a crítica mais que justa, e também, repetida. Talvez cruel, talvez sei lá mais o quê, talvez... mas foi principalmente: merecida.
Minha gravação correu o risco de não ser exibida naquela noite, por falhas técnicas – ela não constava nos cartões de memória – e eu fui ameaçada de realmente não tê-la exibida e de finalmente ter que gravar tudo de novo – sacrifício?.....
Quase fui sacrificada... – quase no fim, ela estava lá e eu preferia que não estivesse.... preferia que a profecia de bastidor tivesse se cumprido e eu nunca tivesse assistido o que eu assisti.
Senti que foi um erro, assim que terminou, me decepcionei comigo e sabia que não conseguiria me consolar... e até hoje não consigo, se olhar pra trás... mas sei que dali em diante, eu soube exatamente o que não queria ser, o que não suportaria de mim...

O interessante do fracasso, é que por se chamar assim, ele dificilmente é encarado com sobriedade ou como estímulo para se atingir o sucesso, ele é só visto como o seu oposto. Para quem teve o coração aflito como o meu, a garganta embargada, a cabeça atraída pela parede e os olhos se rendendo em lágrimas a ponto de borrar toda uma maquiagem e se entregar frágil, vulnerável, derrotada, como eu me entreguei naquela noite, era impossível.
Eu não me encontrava em posição de me aceitar ali no fim de tudo como quando entrei.... mas me esqueci, no meio de toda a raiva, de todo o turbilhão, de que eu entrei naquele curso pra errar, e eu entrei nele, porque realmente era capaz de dar conta do recado.
Enfim, voltar a ser como eu era, não era ruim, mas era – isso sim impossível, e eu era incapaz de discernir ali no calor do momento.... desmoronei diante do caos que eu mesma me proporcionei, sem ter a consciência de que eu era incapaz – aí, sim – de ter voltado atrás e regredido, porque o tempo nunca volta atrás, muito menos nós....
Podemos até conseguir repetir as atitudes, mas nossa postura nunca... eu caí no mesmo conto, estando plenamente consciente de corpo – coisa que jurava ter vivido, se me perguntassem e ainda juro – sendo que nunca vivi isso antes nem sonhei em.... prova de que tanto na vida como na arte não se pode rebobina a fita....
Conclui finalmente do que eu realmente fui capaz: de errar de novo, inspirada nos meus próprios erros.
Precisei de meses para vislumbrar o fim do túnel, estando no seu fim – porque eu realmente não me senti no fim da jornada com o Jeam, porque ela realmente não começa nem termina nele, mas sim em mim.... porém, contudo, entretanto, todavia, nossos encontros acabavam ali... – eu não senti.... – mesmo agora, eu não sinto – mas cheguei lá, aonde tinha uma luz, que se chamava Ana e não era minha colega de cena.... mas isso é um assunto para o nosso próximo encontro....
sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Deja vu... e dos grandes....


E foi além da dor que senti quando faltei, daquela que senti quando a enchente que me fez ficar em silêncio por uma semana... e foi aquém de tudo que eu poderia imaginar...
Não morri, não literalmente, mas sem perdão, vou abusar da licença poética e dizer que morri aos poucos há três quintas atrás, exatamente onde parei....
Na primeira noite do grande close, da primeira gravação com o maior drama de todos...
Eu revivi um dos momentos, que do curso inteiro, eu preferia ter esquecido que vivi algum dia – mas me fizeram questão de lembrar.... Eu revivi tudo de novo, desde o momento que pisei naquela sala, com o coração querendo arrebentar o peito, sangrar e sair vibrando no chão frio – nem estava no clima do texto.... profuuuuunda... passa....
Meu peito estava disparado diante daquele tripé com a câmera a postos e a TV imensa, com as cadeiras de frente, garantindo a platéia, junto com o fato de eu ter eu corrido feito uma condenada – já que estava atrasada... pra variar... e talvez não quebrar meu encanto... vai, pode rir que eu deixo....
Agora, voltando... essa foi uma noite que eu preferia esquecer e que por um triz não manti em silencio só pra mim... as palavras se viraram contra mim e pareciam não existir pra fazer um sentido, que desse a dimensão do que tinha sido e tinha sentido... ou talvez, eu não quisesse fazê-las existir...
No fim – hoje – eu entendo que a inspiração que me deram não foi de escrever, foi de refletir.... refletir... e eu refleti....
Muitos... bastantes foram meus equívocos, meus erros.. lá estava eu, no meu primeiro vídeo de novo – praticamente morrendo por dentro e por fora – sem saber.
Inicialmente eram duplas, tentando se testar.... descobrir no outro, o reflexo das suas intenções... Depois, eram duplas completamente aleatórias, formadas por ele, que vocês sabem bem quem... – se não souber, acabou de chegar agora, estou falando do meu mestre e preparador Jeam Pierre, que eu ainda prefiro chamar... cá entre nós.... de Advogado do Diabo...
E dessas duplas, escolhidas por ele, um só membro ficava exposto à câmera, o outro recebia o texto... foi uma aula extremamente técnica, carregada de conteúdo, sobre posicionamentos e olhares.... era divertido de assistir e observar a teoria e a prática se completando e existindo... mas deixou de ser, a partir do momento em que eu fui convocada à berlinda...
Deja vu.. deja vu... 1000 VEZES DEJA VU: eu de novo me perdi... estava fora de mim.... e não era ninguém... escutei um CORTAAAAAAA estridente, praticamente de cara, me deu um choque... e depois... me perdi de uma vez por todas... e a culpa não era da voz baixa, rouca, intensa demais a ponto de me fazer perder o ar... eu simplesmente passei do ponto... passei longe, milhas além... e não cheguei a lugar nenhum...
Aí, eu, de repente, cheguei aonde não imaginava... um filmeBlack Swan (Cisne Negro) com Natalie Portman e eu recomendo – me ajudou a ver tudo com toda a luz e a escuridão que eu precisava, pra refletir...
Aquele filme perturbador – e que não me saiu da cabeça por dias e que só de escrever, já me faz lembrar – me fez ver e analisar toda a loucura que eu vivi nessa noite... e a analisar, me analisar, eu cheguei à conclusão de que de nada me adianta tentar perseguir o belo cisne se o negro dos diabos, é que me dá a força necessária, para realmente ir além...
A minha força eu reencontrei no fundo... no fundo... no meu próprio filme. Ele passou na minha cabeça, em cenas e porquês.... no porquê de eu ter ido fazer um teste com o Jeam, no porquê que estava em todos os pequenos – grandes – momentos que narrei aqui, dentro e fora das quintas da minha vida.... e um dos traços mais marcantes da minha personalidade se fez presente e latente – senão também latente e decisivo – a minha teimosia.... não dei o braço a torcer antes e não ia dar agora... não inventei ser Atriz, eu sou desde meus 10 anos de idade, estando dentro ou fora do palco – porque eu carrego ele comigo pra onde quer que eu vá...
Mesmo que eu largasse disso e desistisse, ainda sim, seria uma parte de mim....
quarta-feira, 8 de junho de 2011

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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