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sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora  o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre  em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história  começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Definitivamente Marroquinizada!



Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir.... 
Me tornar uma profissional devidamente registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto tão à vontade pra usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....  
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade: JP Talentos.
Não vou perder a graça juro nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!

Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogada e até gralha metida à corvo; além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem – "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!


Oficina de Monólogos com o Marroco




Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning


Elisabeth versus Magdalen



















Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...

Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!! Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar, mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo acertado e combinado! Daí se seguiram dias de pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!


A inspiração

E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – ,  no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....

Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!

Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...

E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....


Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC


Matei muita gente de susto – vide foto ao lado  , e pasmém: ganhei dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite , quem tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide – ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste, sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta : continuar distraindo a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!


Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?

Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela, não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes – na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco! 
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra ficarem com água na boca!

MUAHAHAHAHAH

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As cortinas fecham, abrem e vem a luz.... Aquela gota que faltava....





E tudo começou com uma bacia, depois virou um foco de luz... mentiiiiiiiiira!
Começou mesmo aprendendo a andar e caminhar, montando na sela no cavalo – maneira meiga de associar rapidamente o andar cênico no teatro. Temperaturas e mais temperaturas de voz e movimento.... Alongamento, Absurdo, Brecht, Stanislavski, teste e reviravolta na vida pessoal, provocando meu afastamento por um mês – eu disse UM MÊS FORA DOS ENSAIOS.
Um processo completamente avesso à tudo que já vivi no teatro antes, um tanto enlouquecedor com um fundo de enriquecimento – não posso negar – mais requintes de uma estranha solidão – independente da minha ausência em si – já que o teatro é em essência uma arte de grupo, coletiva por natureza. Sensação de falta de comunicação, direção e marcação. Proposital, sei que não foi – até porque isso foi me dito com todas as letras – mas teve um propósito bastante intrigante, que eu não sei se entendi até agora.
No fim, ensaiar sozinha, por minha conta, adiantava o meu processo.... e um processo que, vou contar pra vocês, que foi uma montanha-russa..... montanha-russa de direção, marcação e cena – porque não?
O que era só uma cena de água com bacia, virou bacia e água, várias nuances, até chegar na bacia com água e música! Num misto de Iemanjá e Samara (O Chamado), eu – repito – quase enlouqueci tentando acompanhar o raciocínio da diretora, tentando me encontrar dentro do espetáculo que ela via na cabeça dela.
Nos apresentamos duas vezes – ao menos, eu considero assim – uma bastante intimista só pra calouro ver, numa das salas do Doze e a outra no palco do Pedro Ivo – mas dessa eu vou falar já já....
Quero falar da primeira, primeiro – que oficialmente só foi um ensaio geral com público – pois pra mim foi a mais intensa, a que mais bateu fundo, era como se eu estivesse no palco, eu sentia como se aquele chão de sempre, tivesse se transformado, e mesmo com tudo improvisado – sem cenário, luz, maquiagem – foi extremamente profissional e me marcou por eu ter trabalhado minha voz como nunca trabalhei antes, fui pro grave – não me pergunte como – e cantei – continue sem fazer perguntas – e dei meu texto, fiz minha cena com uma paixão, que eu nunca tinha encontrado antes!


Não consegui agradar muito minha diretora – não agradei mesmo – com toda essa performance que fugiu de tudo que ela queria, mas fui notada, percebida e elogiada por uma das presentes, o que me surpreendeu de um jeito e me envaideceu ao ponto de fazer meu olho brilhar diferente, me fazer iluminar de dentro pra fora – sem perder a linha.
Mesmo assim, a maior interessada não estava feliz, e como pra atriz aqui, autoridade máxima é a direção, dei meu jeito de desconstruir toda a cena uma semana antes de ir ao palco – sendo que num ensaio extra as marcações e a cena em si se transformou completamente 2 dias antes...
Enfim, cheguei ao Pedro Ivo..... passei lá com meus colegas de cena e palco um dia inteiro até finalmente cair a noite e soarem os três sinais – intermináááááveis  numa escuridão dos infernos entre reclames da JP – chamadas mais chamadas sem fim....
E no fim, entre a tensão muscular e distensão – no sentido de relaxar mesmo – finalmente a cortina se abriu ao som do samba que abriu nosso espetáculo e a luz que faltava atrás das cortinas se revelou na ribalta fulminante – não querendo quebrar seu encanto, mas já quebrando, se você me viu chorando no início da peça, não foi emoção, foi a luz mesmo que me feriu os olhos. 
Foi diferente.... diferente daquela primeira apresentação.... diferente de todas as vezes que já pisei num palco.... eu estava calma.... estranhamente calma.... fria....
Antes, me encantei com o teatro que era lindo, com a marcação de luzes – que não me lembrava de já ter feito – me dando conta que ia ter um foco todo em cima de mim – efeito inédito na vida, que dirá na carreira.....


Na hora h, pra valer, enchi minha bacia além da conta necessária, e quando saí, tinha um peso muito maior pra carregar até a minha marca, o que se traduz num rastro molhado da coxia – bastidor, lateral de palco, por onde atores entram e saem, meus queridos – isso tudo, com meu cabelo completamente na cara – como a foto mostra – no meu melhor estilo Samara saindo do poço, repousei minha bacia lindamente – nem sei se foi tão lindo assim – e lá fui eu me lavar – estranhamente quase sem me molhar – cantando o samba que me deram, abri os cabelos e encarei o vulto de imensa escuridão na minha frente – sentindo pouco calor humano bem próximo e imaginando no fundo da minha consciência que o teatro estava completamente vazio...
Num dado ponto do monólogo – também primeiro da minha vida num palco – começaram a rir e não era por mim, era pelo estilo Samara adentrando o palco, mas na hora eu encarei como se estivessem achando graça do meu drama – ao menos na minha cabeça era isso que eu estava fazendo e aí eu fiquei com raiva e o resto todo saiu espumando pela boca..... – e eu de tanto levar a sério o que dizia, não percebi a graça que tinha na desgraça de texto que eu anunciava com os lábios.... – sentiram a sutileza?


Queriam que eu assustasse, acabou que saiu ao natural – o objetivo da cena era fazer quem me visse se sentir mal... horrorizado consegui um efeito beeeeeem significativo, quando me levantei e fiquei de pé, realizando toda a energia raivosa que estava – vide foto de cima senti o ar pesar e parar de expectativa e até um suspiro alto eu escutei e aí tudo se encaminhou pro fim da minha participação solando.
Depois voltei à cena para fazer composição de cenário – cenas que pedem mais gente pra dar credibilidade ao que está acontecendo ou aonde está acontecendo, nosso caso era o que estava acontecendo: barraco – e voltei ativamente para fazer a cena da macumba – ahhhh a cena da macumba – de desfecho da nossa história, agora eu era praticamente a vingança da minha personagem – porque voltava ainda nela, só que em pleno terreiro – mudei a postura, o “penteado” – taquei o cabelo todo pro lado – e fui tacando pétala de rosa vermelha pelo palco, finalmente resolvi destoar do “coro” – de coral – das macumbeiras e dei vida à um daqueles gritinhos clássicos “Valei-me meu pai” e riram.... e eu me espantei – estranhamente e de novo, só que dessa vez, não tive acesso de raiva – cheguei a pensar em repetir a dose, só que ponderei se ficaria de bom tom e me auto-sabotei, me dei uma censurada básica....
Muito mais tarde, descobri que minha colega, que era a última a entrar jogando as flores e cantando, voltou pra trás – pra coxia – pra respirar fundo por conta do bendito gritinho e eu morri de rir, mais ainda quando finalmente descobriram que fui eu a autora do grande caco da noite – improviso, texto que surge na hora, que não tava no script...
As cortinas tinham se fechado, a gota que faltava finalmente caiu, o copinho transbordou.... fomos aplaudidos de pé pelo público e pela crítica – de quem mais? Advogado do Diabo e a Luz que era nossa diretora – sobrevivemos, enfim....
Eu sobrevivi, mesmo achando que estava mergulhada no caos – e realmente estava profissionalmente e pessoalmente falando – mas eu consegui segurar as pontas, não desistir, arranjar forças, inspiração – na Joana de Ana, na Ana enfim. 
Conquistei meu espaço sem saber que tinha conquistado um de fato, quando me revelaram que jamais pensaram em me cortar do elenco pelas minhas faltas, pois eu conquistei um artigo de luxo durante o processo: respeito.
Senti meu espaço aumentar e curti cada instante que me confiaram, me senti honrada com as palavras que escutei na nossa última noite de feedback final e eu vi a Luz brilhar.... até nas últimas palavras de feedback do Advogado do Diabo, que viriam logo depois, vieram calmas e extremamente coerentes.
Agora eu sei.... devo ir além... muito mais além!
quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Partindo pros finalmente...


Assistam ...de um lado ele, imenso e veterano de temporadas-luz – eles, mais de um: os nossos....
Do outro, ela, linda, loira e terrível, nada mais, nada menos que uma caloura da temporada atual – nós, os abomináveis de hoje, do amanhã... menos né? ... hummm... me auto-contrariando: eu e minha turma.
Em uma noite de duelo e espetáculo, com ares e poeira de faroeste.... – se perdeu, bebê? Segue aqui a tia.... em mais um, do meu, do seu, do nosso....
MINIFLASHBACK!!!!!
TAAAAAAN –TAAAAN-TAAAAAAAAAAN....
A luta do século, o grande duelo surgiu do nosso convidado especial.... – eu disse que ia ter, não disse? Só não sabia que ele viria ao avesso e o oposto do esperado.
E como se isso, não bastasse, ele veio em série, de bando: eram os veteranos abomináveis, abomináveis veteranos – ainda estou tentando decidir....
E falando em decidir, pra começar a dar o rumo desse faroeste em forma de confissão, serve de começo, pra começar, que veio deles – os alunos que se formam esse final de ano em sabedoria Pierre para Interpretação – a decisão de vir assistir à uma das nossas aulas – dividir, fazer com a gente, pra ser mais exata – tudo idéia, caraminhola, lançada por ele, o grande W... Marcão – ahhhha achou que era mais uma piadinha de gordo né? TE PEGUEI!!!
Acabou, acabando, que todos que se juntaram à ele e arregaçaram as manguinhas da camisa da JP Talentos – ok, eu sei que não dá pra arregaçar, porque não tem manga suficiente, mas me dá a licença poética de dramatizar? Brigada, afinal isso aqui é, ou, não é um blog de atriz, neim? – foram postos, a postos, para contracenar conosco.
A princípio, em uma fila, e, nós ganhamos a preferência, pra se candidatar a fazer o sacrifício, e de escolher com quem duelar uma contracena.... digo contracenar um duelo.... NÃOOO... contracenar.. fazer cena – ai, ufa! 
Nada mais justo, já que o dia era nosso, o pedaço também – ai juro que me senti bandida e mafiosa falando assim – e acabava aí.... A partir do momento em que se fechava o cerco e eram definidos os nomes, vinha a intervenção – com cara e corpo de direção – do nosso Advogado do Diabo, disfarçado de preparador, com pretensões de explorar todos os nossos tendões de Aquiles....
E quando eu digo tendões de Aquiles – pontos cruciais e fatais, que se atingidos, podem quebrar as pernas de um – , eu digo de cadeira, porque fui testemunha dali em diante de lutas-cenas de todos os naipes, indo desde rinha de galo à briga de pitbull, passando por uma zebra que deu, que me arrepiou a alma – atriz falando...
E falando assim, até parece jogo do bicho, de azar né.... mas deu uma sorte... me deu uma sorte.... – pensaram que eu fugi da raia, né? Nem morta.
Enquanto eu assisti, tinha quem – vulgo Cris de Moura, Cris Moura – ficasse me cutucando e cutucando, num cutuque estimulante até... porque ele queria que eu fosse pra arena, lutar, encenar, contracenar... e eu... prolongava a agonia e a ansiedade do meu amigo, só estudando o terreno, analisando o território, sabem como é...
No fim, eu escolhi fazer da minha entrada, triunfal, na hora exata para escolher como meu ‘adversário’-parceiro de cena, aquele com quem eu sempre quis contracenar, desde que a brincadeira começou: o Meeedooooo – simplesmente Lucas Machado, os créditos, seus créditos.
Eu fiz da vez, a minha, me colocando prontamente a postos ao lado do Jeam e escolhendo sem titubear o Lucas e então.... era aguardar... aguardar.... e aguardar mais um pouquinho.... até que finalmente, o Advogado do Diabo terminou de dirigir meu ‘rival’. Foi dada a congada – juro que também pensei a largada, mas nem encaixava aqui... então, vejam a figurante de figurino (estilo pano de bunda) a passar com a plaquinha de primeiro round.... aí sim, cabe no imaginário de vocês e no meu, no nosso contexto... – e enfim, a minha cena começou, óbvia que precedida do ritual do cumprimento mais tradicional da espécie abominável – o abraço – , assim, quebra-se o gelo – entre dois desconhecidos que vão contracenar – antes de se ousar tentar quebrar as pernas; Acabadas as tradições, cena, enfim, e surpresa, surpresa: o meu calcanhar de Aquiles não era mais meu, agora era do meu ‘adversário-parceiro e rival’, ele era meu reflexo e eu era sua maior vilã – ainda mantendo a mesma personagem de antes, time que ganha... não... eu estava sendo coerente e fazendo de verdade meu sonho de consumo em forma de personagem.
A estratégia de me colocar diante do meu reflexo, demonstrando todos os meus piores traços – toda a minha insegurança e meu medo perfeccionistas que me fazem me atacar e sofrer de perseguição de mim mesma... ufa – que me impediam de brilhar e me tornavam um zumbi desgarrado e que fugiu de Thriller, com a única e exclusiva intenção de minar as minhas forças, foi muito inteligente – realmente –, mas não chegou ao fracasso – já que esse nunca foi o seu intento pois foi meu combustível para ser mais quem eu mais quis ser: a má de toda aquela história, daquela cena.... 
E eu consegui em alto e bom som.... e foi um prazerrrrr.... imenso e todo meu.... – mentira, funciona assim: prazer meu + prazer que vem de quem contracena comigo + prazer de cada um que assiste = grande prazer de atuar e encenar.
A brincadeira é séria, eu sempre disse isso, não disse? E é.... mais do que pensam.... vive-se uma vida inteira assim, de viver mais de uma vez em cada cena e de se sentir uma vida inteira dentro de um espaço de tempo que se chama.... cena.
Quem venceu?...Quem perdeu?.... Ninguém. Nessa noite, nesse faroeste de elenco, de gerações com um único propósito, se veio pra ganhar e se saiu vencendo. Venceram todos, sem exceção, porque deram a cara a tapa, as pernas a quebrar e no fim, se abraçaram na merda! – pra bom entendedor, a meia piada já basta né?
sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Deja vu... e dos grandes....


E foi além da dor que senti quando faltei, daquela que senti quando a enchente que me fez ficar em silêncio por uma semana... e foi aquém de tudo que eu poderia imaginar...
Não morri, não literalmente, mas sem perdão, vou abusar da licença poética e dizer que morri aos poucos há três quintas atrás, exatamente onde parei....
Na primeira noite do grande close, da primeira gravação com o maior drama de todos...
Eu revivi um dos momentos, que do curso inteiro, eu preferia ter esquecido que vivi algum dia – mas me fizeram questão de lembrar.... Eu revivi tudo de novo, desde o momento que pisei naquela sala, com o coração querendo arrebentar o peito, sangrar e sair vibrando no chão frio – nem estava no clima do texto.... profuuuuunda... passa....
Meu peito estava disparado diante daquele tripé com a câmera a postos e a TV imensa, com as cadeiras de frente, garantindo a platéia, junto com o fato de eu ter eu corrido feito uma condenada – já que estava atrasada... pra variar... e talvez não quebrar meu encanto... vai, pode rir que eu deixo....
Agora, voltando... essa foi uma noite que eu preferia esquecer e que por um triz não manti em silencio só pra mim... as palavras se viraram contra mim e pareciam não existir pra fazer um sentido, que desse a dimensão do que tinha sido e tinha sentido... ou talvez, eu não quisesse fazê-las existir...
No fim – hoje – eu entendo que a inspiração que me deram não foi de escrever, foi de refletir.... refletir... e eu refleti....
Muitos... bastantes foram meus equívocos, meus erros.. lá estava eu, no meu primeiro vídeo de novo – praticamente morrendo por dentro e por fora – sem saber.
Inicialmente eram duplas, tentando se testar.... descobrir no outro, o reflexo das suas intenções... Depois, eram duplas completamente aleatórias, formadas por ele, que vocês sabem bem quem... – se não souber, acabou de chegar agora, estou falando do meu mestre e preparador Jeam Pierre, que eu ainda prefiro chamar... cá entre nós.... de Advogado do Diabo...
E dessas duplas, escolhidas por ele, um só membro ficava exposto à câmera, o outro recebia o texto... foi uma aula extremamente técnica, carregada de conteúdo, sobre posicionamentos e olhares.... era divertido de assistir e observar a teoria e a prática se completando e existindo... mas deixou de ser, a partir do momento em que eu fui convocada à berlinda...
Deja vu.. deja vu... 1000 VEZES DEJA VU: eu de novo me perdi... estava fora de mim.... e não era ninguém... escutei um CORTAAAAAAA estridente, praticamente de cara, me deu um choque... e depois... me perdi de uma vez por todas... e a culpa não era da voz baixa, rouca, intensa demais a ponto de me fazer perder o ar... eu simplesmente passei do ponto... passei longe, milhas além... e não cheguei a lugar nenhum...
Aí, eu, de repente, cheguei aonde não imaginava... um filmeBlack Swan (Cisne Negro) com Natalie Portman e eu recomendo – me ajudou a ver tudo com toda a luz e a escuridão que eu precisava, pra refletir...
Aquele filme perturbador – e que não me saiu da cabeça por dias e que só de escrever, já me faz lembrar – me fez ver e analisar toda a loucura que eu vivi nessa noite... e a analisar, me analisar, eu cheguei à conclusão de que de nada me adianta tentar perseguir o belo cisne se o negro dos diabos, é que me dá a força necessária, para realmente ir além...
A minha força eu reencontrei no fundo... no fundo... no meu próprio filme. Ele passou na minha cabeça, em cenas e porquês.... no porquê de eu ter ido fazer um teste com o Jeam, no porquê que estava em todos os pequenos – grandes – momentos que narrei aqui, dentro e fora das quintas da minha vida.... e um dos traços mais marcantes da minha personalidade se fez presente e latente – senão também latente e decisivo – a minha teimosia.... não dei o braço a torcer antes e não ia dar agora... não inventei ser Atriz, eu sou desde meus 10 anos de idade, estando dentro ou fora do palco – porque eu carrego ele comigo pra onde quer que eu vá...
Mesmo que eu largasse disso e desistisse, ainda sim, seria uma parte de mim....
quinta-feira, 2 de junho de 2011

MUAHAHAHAHAHA....


Demorei. Comecei um zumbi. Não estava em mim. Até que tive que me fazer de morta pra viver. E morrer de olhos abertos, como decidi morrer, achando que tinha encontrado o modelo de morte (fictícia) perfeita, foi pura ilusão, engano meu: prolonguei o sofrimento. Morrer de olhos abertos, te faz enxergar, com os olhos parados, eles precisam morrer antes mesmo de você, e seu corpo morre na medida em que você vai se abandonando, desistindo de lutar por respirar, tentando manter seu máximo de ar no mínimo de movimento aparente e que seja capaz de sentir, ir diminuindo o ritmo, a tensão, ir respirando em slowmotion... tentando deixar a respiração como uma pluma, curta e leve.... E os olhos abertos que veem tudo, te traindo? Eles trapaceam, te passam a perna e te fazem delirar, se enchendo de lágrimas, se fazendo mais fortes do que tudo que você tentou, tentou.... e eu morri na praia! Não consegui morrer com dignidade, não morri... não encontrei uma formula, porque como todos, nunca morremos antes, não sabemos como funciona.... Estávamos mais pra zumbis, levantando ao chamado, e com uma gana de levantar que chegou a duvidar dos meus sentidos, se estava em pé, e o que era que fazia minhas costas pegarem fogo daquele jeito e querer sair correndo... confuso? É foi.... sensações passadas e pessoais que senti raras vezes se iniciaram a uma pequena tontura e um desejo louco de RESPIRAR. Eu já era um zumbi antes de me fingir de morta, nas cenas com princípio e fim do texto que vamos gravar amanhã, eu não me encontrava, não estava ali como devia, fui um zumbi em cena.... E morri sendo um zumbi, ressucitei zumbi. E onde eu ia parar? Descobrindo que tenho mais talento pra matar que ser morta. Minha próxima cena era a chave da técnica da noite, finalmente nela, descobriríamos  como se faz a morte em cena. E não é só o morto, é a morte. E ela presente, nas pessoas envolvidas por ela, como ela os envolve. É isso que mata alguém, tem quem o dê como morto. E para matarmos um colega, sentimos seu peso.... E com ele, eu parti com amor, na minha primeira intenção, mas a voz de um colega começou a me irritar e meu envolvimento com o morto, passou a ser mais passional, passei da irritação ao aborrecimento por não conseguir me concentrar com aquela voz que não se calava e o peso que sentia, não queria mais carregar aquele fardo. Finalmente abandonamos o "corpo" ao chão frio, passei a mão nos cabelos, olhando baixo, olhando pra ele, sem saber o que sentia... até que minha colega de cena, coloca a bala no tambor da arma e eu finalmente puxo o gatilho.... A cena se engatilha, tudo se encaixa, eu estava fria, era uma entre os responsáveis por aquela morte, era uma assassina sem o menor pudor ou arrependimento. Meu deus, nunca senti tanta frieza, queria me safar e ponto. O "corpo" que se livrassem dele e que não deixassem rastros na minha direção. A loucura foi tanta que me perdi de duas colegas de cena, sem me dar conta.... uma delas se apresentou como uma ameaça a mim e ao meu plano B, que tentava traçar depois de tanto caminhar sem sucesso com aquele corpo pesando. Eu não perdoaria uma intrusa, mais uma ameaça ali, já me bastava o remorso pra me tirar do prumo. Então fui de encontro com essa minha colega e a fiz minha refém, ela relutou, mas eu rendi ela, que logo se perdeu..... e não a encontrei mais na cena... a outra alma perdida, surgiu descontrolada, com os nervos à flor da pele e me provocava.. mais até do que a voz masculina inicial, ela era como se fosse o fogo no feno. Então, nosso colega, o dono da voz masculina que me tirou do sério antes, foi o dono da bala certeira e do gatilho que fiz questão de puxar: era ela, a razão para estarmos ali, e eu, arriscando a minha pele, ela era a cabeça por trás de tudo, a mentora do assassinato... com aquele trunfo, eu parti pra cima dela.... e COOOOOOOOORTAAAAAAAAAAAAA!
A ópera, enfim se resume: o assassinato, envolveu o morto em uma trama, que fazia dele um morto, e nosso envolvimento todo nisso tudo nos fez estar numa cena onde havia morte, morte mesmo. Uma morte de mentirinha, mas com uma cara de verdade, que assustou. Nosso mortinho da Silva, quando foi chamado de volta, ressurgiu das cinzas feito Fenix, querendo voar... tamanha agonia que sentiu e nós todos envolvidos com ele na cena, contribuímos pra ele se sentir pior: afinal estávamos brigando sobre como se livrar dele. Loucura? Sem nós, ele não estaria morto, literalmente, na brincadeira toda. E o mais incrível foi de onde eu parti e pra onde eu fui no final? Minhas primeiras intenções amorosas perderam pras intenções de quinta de uma assassina fria, cruel e calculista que se revelou aos poucos pra mim. Ironicamente, essa era a personagem que eu tentei em um teste na semana antes. A personalidade era praticamente alma gêmea da outra, mas essa minha personagem era minha, com todos os direitos reservados, desde a técnica à loucura que me envolveu. Fazê-la me fez ir na sombra, ir mais no fundo.... bem no fundo...  e desejar mais uma vilã....  mais vilãs.....

Eu e meu parceiro do início da noite nos reencontramos e completamente mexida, e sob efeitos colaterais e especiais do exercício da nossa técnica um tanto quanto, fui aos céus, terminei carregada nos braços dele, comemorando, porque finalmente consegui dar de mim o bastante, pra ser as duas partes, que dava o texto e que o recebia, personalidades, personagens opostas e eu consegui até aquele ponto, finalmente, pela primeira vez fazer a virada da sofredora pra vilã e dar a ele as costas.

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

Ibope