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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Completa sem ser: LIVRE!


Audição. Teste. Geralmente essas palavras me apavoram e se eu pudesse dizer que existe um lado ruim na profissão, é este! Ontem, em mais um dia de ensaio na Companhia, passei por uma audição interna. E foi de longe uma das melhores experiências que tive na minha carreira, junto com as apresentações internas que já tive a oportunidade e o prazer de apresentar, que pra mim foram um show à parte! Comigo, acontece isso: toda vez que apresento o que seja do musical principal da Companhia, quando participo do ensaio, seja lá do ano passado quando fui standing em gerais ou ontem compondo um ensaio de núcleo, é como palco pra mim, é palco pra mim!
Enfim, depois desse momento que foi tão incrível pra mim, me veio a tensão e a ansiedade de estar à prova, me colocar pra teste. Fácil, nunca é.... mas dessa vez, eu resolvi correr um risco maior: mudei meu script poucas horas antes de fazer a audição. Tive uma inspiração – o meu dia ontem foi literalmente inspirado, desde a manhã  e senti que devia fazer mudanças no que estava pretendendo apresentar e criei algo novo em cima do novo que já tinha inventado em cima do que já existia e estava usando – UFA! No fim, acabei usando muito do meu instinto – mais do que eu acho que já usei na minha vida – e improvisei – algo que me sinto bem e confortável fazendo – mas foi DIFERENTE, não sei se dou conta de colocar em palavras: eu estava consciente do que queria usar, mas me coloquei aberta, literalmente eu me permitir VIVER O MOMENTO, tecnicamente, eu não pensei em como marcar o que assumi de novo, não pensei na voz, só me concentrei em não me perder nas palavras novas – que não eram tão novas, eu já conhecia de cor mesmo sem ter trabalhado com elas – e ter uma intenção X. Eu improvisei consciente, fui consciente e fui instintiva.
Eu só queria ser e me mostrar presente, colocar o que eu pudesse ter de talento – eis a hora de me revelar se eu tinha mesmo um, porque não adianta ter quem diga, enquanto você mesmo não sente de verdade o que faz, não parece ter – foi mais uma oportunidade de me provar se tenho – e é uma conclusão que acho que nunca vou chegar e talvez a busca dela, perseguir ela seja o caminho e o verdadeiro objetivo, graça e delícia desse ofício, que não se define nunca, mas revela tudo de dentro pra fora e de fora pra dentro – e compensar o que faltaria e eu me revelar – eu me REVELEI pra mim de uma forma que não imaginava....
Mexeu comigo. E mexeu no melhor de todos os sentidos. Se tem algo que tenho certeza é que não disse uma palavra vazia – o que pra mim é lei – e nenhum movimento em vão – o que já é estratosfera – meu corpo trabalhou e se expressou em acordo, fui coerente, analisando tudo de fora agora e estou maravilhada de pensar que na hora ainda tinha a preocupação de não escorregar nas palavras que eu decidi usar de repente, vacilar no conhecido que era desconhecido cenicamente pra mim e conseguir desafiar pontos não tão fortes pra mim...
E eu me desafiei, atravessei fronteiras que nunca imaginei. Porque das novidades, a dança já é uma paixão antiga, cheia de vícios de uma aprendizagem nada ortodoxa – lambada e zouk direto no salão desde os 10/11 anos, beijo amigo da minha mãe com os CDs do Beto Barbosa debaixo do braço me flagrando em casa com as roupas da minha mãe, numa época em que uma blusa era um vestido no meu corpo, que decidiu que ia me ensinar a dançar e assim transformou meu mundo – o que me faz conflitar a aprender me colocar tecnicamente como se deve e CANTAR hein... cantar é o desafio da vida, aquilo que eu admiro as pessoas fazerem e que há pouquíssimo tempo venho me trabalhando a querer fazer um dia quem sabe e NÃO ERA algo que eu pretendia fazer na audição, e acabei fazendo porque senti que era pra fazer e fiz.
Essa liberdade e o que eu senti ontem, eu não sei nem colocar em palavras nem sei se eu vou conseguir dar conta de me fazer entender: dá pra dizer que fui livre mesmo, fiz arte mesmo que nem criança que vai se divertir e se diverte – até porque eu saí correndo, pulando e sorrindo, literalmente como uma  claro que teve um clima: eu ainda sim lá dentro estive nervosa, mas me senti solta no meio disso e do racional tentando equilibrar tudo.
A moral deve ser essa e eu gostaria muito que todos os testes da minha vida fossem assim e tudo que eu sinto agora é gratidão: MUITO OBRIGADA à todo mundo que eu já abracei ontem que já sabem, à Cia Grito como um todo oficialmente por me abraçar, me transformar e me desafiar, me completar!
Por causa de vocês – Grito – ontem eu descobri o que é ser livre e me permitir de verdade, me olhava e me via e o melhor: gostava do que via, me amei e senti que foi pra isso que nasci e como é bom poder sentir isso e todo o BEM que vocês me fizeram ontem, parece que todo um mundo caiu e outro se abriu!
Além da audição, muito antes dela ontem tive meus momentos de aprender a me trabalhar com o espelho e de ser MUITO FELIZ com ele. E se deu pra entender um pouco mais de como funciono, é mais ou menos assim: se eu tiver alguma personalidade pra assumir e tiver diante de alguém a mágica acontece... agora é ir atrás da segurança que só uma boa dose de técnica pode dar pra eu deixar de mascarar com o que sei fazer, aquilo que eu preciso fazer além da minha zona de conforto – pensando bem, eu  tinha descoberto isso, mas  ontem eu realizei e assumi pra mim....

Independente de tudo e qualquer coisa, OBRIGADA! Por tudo que experimentei, VIVI e eu só quero poder prolongar e multiplicar isso tudo, que este primeiro gostinho que senti ontem tenha bis, ganhe uma forma, propriedade e uma alma!
domingo, 18 de janeiro de 2015

Quase 1.0 #padrãoGrito


Dá pra acreditar?

E parece que foi ontem – sim, aqui pro blog foi... – que eu fiz a minha e estava comemorando a dita cuja! Pois é... muita água rolou debaixo da ponte – e bota água e bota ponte nisso...
Meu último ano correu, correu tanto que me escapou pelas mãos... no que se refere à Companhia – Cia Grito – foi um turbilhão imenso, a começar pelo musical que já estava em pré-produção, prestes a estrear, que eu tive a honra e o prazer de participar nos ensaios, aprender a ser standing – substituta, espécie de atriz-reserva – e o que é contrarregragem e produção de verdade... o significado de rodas, semi-rodas, de ir pro fogo, tudo....
Estar por trás das cortinas no Broadway – com o perdão do bom trocadilho me deu a dimensão real de como é estar dentro de um sonho – literalmente : ver tudo e não assistir nada, mas saber que em cada canto tinha um detalhe, a mão de mais de um alguém pra que acontecesse – inclusive a minha... 
Vai muito além de cabelo, maquiagem, cenário e adereços que devem entrar em cena, é toda uma organização desde cada pequeno objeto que vai entrar e não pode ser esquecido fora as estruturas que a gente vê.... vai muito além do que os olhos alcançam, você já imaginou na manutenção dos figurinos? Assim como nas botiques, eles são passadinhos na hora, porque não saem lisos da mala, não é mesmo? Tem quem precise de uma assessoria especial pra poder trocar de roupa umas trocentas vezes, simplesmente porque trocar de roupa em menos de 3 minutos vai um pouco além das nossas habilidades comuns, inclusive testar no cronômetro como fazer isso, também faz parte da produção de um bom espetáculo. 
Mínimos detalhes, tantos.... é como ver uma fábrica de sonhos funcionando e fabricando mesmo – sim, eu sei que essa é a famosa expressão que se usa pra Globo, Projac, mas quem disse que os sonhos são feitos só na TV? Ela tem o jeito dela de fazer e o palco também ;)
E como é maior que a gente, que eu e ao mesmo tempo cabe em cada gesto, cada coisinha mínima que se pode fazer que faz a diferença: como ajudar a secar alguém repleto de suor que precisa trocar de roupa urgente, descabelar a bailarina que precisa entrar em modo trash em cena e assim fazer parte dela mesmo sem estar..... – tão poético... romântico, né? 
No meio do caminho, me vi escalada para um projeto paralelo que traçaria a participação da Cia no “McDia Feliz”, nascia o Animal Show, o pocket encantado que abraçava a campanha e a causa do câncer infantil e que foi abraçado, porque o que eram pra ser 3 apresentações em 3 shoppings simultaneamente – sim, no MESMO DIA – virou 5, pois recebemos o convite para mais 2 shoppings, logo veio a proposta de um flashmob para divulgar a campanha e lá se foi a bicharada toda invadir o McDonalds!



5 shoppings em 1 dia... 5 SHOPPINGS EM 1 DIA.... quase nem eu acredito que fiz tudo isso e fiz.... e no meio disso tudo, ainda veio o convite pra fazer mais uma apresentação no dia das crianças do Hospital Infantil e mais a surpresa de ir parar no Aeroporto para mais uma apresentação-relâmpago no saguão!
E sabe quem eu fui? De todos os bichinhos, o menos provável, o que ninguém pensaria ou lembraria de cara e que ia tender mais a assustar as crianças.... – sim, as crianças, meu primeiro infantil! 


Jacaré, quem diria hein


Mas não é que no Hospital Infantil, eu encontrei um mini-fã de Jacaré? Pra ver como as aparências enganam e se houver a intenção certa combinada com a energia certa, tudo se ajeita! Com carinho tudo se arranja e foi o CARINHO e a ENERGIA DO AMOR, que norteou esse projeto, criação de ninguém mais ninguém menos que Jamil Vigano, direção dele e do Seu Leandro Batz, por isso que foi assim: além do ouro, de diamante à vera! Consegui em uma oportunidade só, matar duas vontades: matar minha curiosidade imensa em ser dirigida pelo meu braço direito e pelo Leandro, que eu já vinha namorando de observar no Broadway – o musical em pré-produção da Grito na época, agora em produção.... Mas enfim, não é por isso que ia ser fácil, deu UM trabalho: porque como criar um corpo de jacaré? Emitir um som de jacaré? Soar jacaré e não parecer um sapo refletido no espelho? Como não deixar o ornamento aparecer mais que o próprio rosto? Como sentir e se emocionar como animal, se animal que é animal não sente? – aí vai dose poética de criação....

Tiery (Thiery?) de 3 anos, o pequeno nada secreto admirador do Jacaré  http://ricmais.com.br/sc/ver-mais/videos/personagens-de-historias-em-quadrinhos-divertem-criancas-no-hospital-infantil-de-florianopolis/
Todas essas perguntas se encontram em todo processo de construção e preparação que tive junto com todo o elenco para construir esse encantado pocket show, para virar um jacaré, que se constrói e se desconstrói, que dança, que canta, que sorri mesmo quando está morrendo ou quase sem fôlego e que se mantém firme e forte mesmo quase perdendo a cabeça – aí literalmente... #falhanossa
Ah! E eu não posso deixar de dizer como foi exatamente no Hospital: eu me senti um brinquedo vivo e aí morou a magia do negócio pra mim, inclusive de não sucumbir, marejar os olhos com os pequenos doentes e diante dos quartos –  flores nas janelas dos quartos inacessíveis e pequenos shows exclusivos em outros  corredores – me fazendo de estátua diante de uma menina e deixar ela sentir o gosto do poder de me descongelar com os olhos brilhando, dançar-virar estátua com "Eu me remexo muito" parando a recepção da emergência –  e ainda conseguir sentir que aliviamos a tensão do rosto de algumas mães e arrancar sorrisos delas e de alguns pequenos foi um presente que não se encontra em loja nenhuma, que não cabe em nenhuma caixa, do tipo que invade a gente por dentro, aquece o coração e faz a alma vibrar! 
Eu realizei um sonho, sonhos: fui além de sessões no plural, maratona, flashmob, todos foram importantes, cada um tão especial e lindo de viver, mas essa experiência de ir ao Hospital me realizou algo que eu guardava bem no fundo e que não sabia quando ia poder realizar, mas a Grito me fez viver: MUITO OBRIGADA!
Carão, postura, jogo de cintura, disposição, energia e força pra encarar qualquer desafio, ultrapassar qualquer limite ou barreira, é isso que a Grito tatuou em mim... e em tempos de tatuagens por livre e espontânea pressão que ganhei, veio uma nova proposta de trabalho: 2 esquetes temáticas para um belo hotel fazenda numa cidade aqui pertinho, temas bem fáceis de fazer: as nacionalidades alemã e italiana – fácil foi só força de expressão viuuuu...
Imagina cantar em alemão? – só imagina MESMO... hahahahaha
Realiza a situação de memorizar uma música alemã em dias.... criar e pegar todo o espírito universal da coisa em pouquíssimas semanas? Incluindo histórias, falas, improvisos regados à interação, coreografias.... #padrãoGritonaveia
E assim, quando menos esperava me tornei uma Frida e uma autêntica Mama #madeinGrito e fiz minha primeira passagem de som no estilo batatinha quando nasce – UHUM – , o primeiro microfone que coloquei na vida e o impacto de ver o próprio reflexo com ele no espelho – tinha cochia de espelho por lá, coisa de outro mundo – de fato, é de outro mundo quando você se vê pela primeira vez com um headset encaixado e acoplado no rosto: você muda, parece maior, parece além de você, é como se desdobrar sem sair de si e ficar admirado e chocado... – eu confesso que fiquei entre os dois e sem acreditar no que estava vendo pra variar – não bastando também o peso de estar com a camisa da Companhia.... – outro sonho secreto cultivado por anos....
Quantos anos em praticamente 1 ano? Porque ele está se fechando sim em um, meu primeiro de Companhia. Longe de me sentir veterana, mais ou menos menos caloura, para sempre um peixe fora d’água e EM família, porque no fim, é nisso que a Companhia Grito se resume e define: uma nova família que te abraça, a segunda casa que te recebe e te transforma: me transformou....
Pude ir além, me sentir aquém, mas ir definitivamente além do que eu entendia por horizonte e limite... não é fácil resumir isso tudo, esse meu primeiro ano, aqui de uma vez – até porque parece que começou ontem e que se passou um século – mas vai ter que ser assim porque não tem outro jeito, ele já está terminando e recomeçando – seguindo a lógica dos anos, já viramos de... vou ficar devendo os mínimos detalhes, mas aqui está tudo que mais me marcou, que minha memória gravou, minhas tatuagens...
Estar dentro da Cia é de longe a experiência mais surreal e real: de longe ela é imensa, as pessoas são extraordinárias e você olha pra elas da plateia e de repente do seu lado e pensa “meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?”, mas aí é que está: se você está no meio dessas pessoas, é porque você você é como elas, vocês tem algo em comum, só estão em graus de evolução profissional diferente. Não achem que eu sou extremamente evoluída porque acabei de dizer isso, pois racionalmente, aqui escrevendo, funciona, faz sentido, mas pessoalmente, na flor da pele dá vontade de sair correndo; mas junto da vontade de sair correndo, vem outra de fazer igual, que eu vou te contar! Você se auto-motiva, se inspira e se desafia a fazer como quem faz mais que você e isso é de um efeito muito efervescente, não demora muito!
Muito suor, muita lágrima, mas muita inspiração envolvida e tcharam: VOCÊ CRESCE! Eu posso dizer que cresci muito, mesmo que só de olhar e me sinto engatinhar e se eu cresci, você também pode, caso esteja interessado, curioso e deseje, vou te esperar pra dar os primeiros passinhos e espacates comigo! o/
domingo, 2 de março de 2014

#50 Como eu sonhei e ainda custo a acreditar!


Além da Joana, tem mais, muito mais que eu PRECISO CONFESSAR e vai ser agora na minha confissão número 50, que eu anuncio com modéstia e estardalhaço: daqui a 7 dias, exatamente no próximo dia como de hoje – no PRÓXIMO DOMINGO –  eu vou estar no meu PRIMEIRO ENSAIO NA COMPANHIA GRITO DE TEATRO DE SANTA CATARINA! 
Traduzindo: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, EU SOU DA GRITO!!!!!
– ACREDITAM?... eu nem tanto...
Como eu sonhei e até custei à acreditar.... – e quem disse que eu acredito que SOU DA GRITO?
Passaram dias e dias... e, mesmo assim, a ficha não compensa.... 2 anos – são 2 ANOS – me preparando psicologicamente, fisicamente, voltas e mais voltas cantando e ficando sem ar, tremendo e chorando pra cantar, exercícios e mais exercícios, aquecimentos e mais aquecimentos – meus vizinhos e minha rua que o digam.... –  tudo calculado premeditadamente pra isso... e cadê que eu acredito?
Que um sonho que começou despretensiosamente numa comemoração íntima “invadida” e que se instalou em mim assim que pude assistir The Best of Broadway, acabou de se realizar?
minipausa dramática + miniflashback
Era uma vez na época em que o Jamil e o Jull fizeram a audição para a Grito. Nesse dia, tínhamos marcado de nos reunir assim que acabasse e eles vieram ao meu encontro com a notícia de que os dois haviam passado, então partimos pra comemoração, tudo muito bom, muito bem, quando o improvável acontece: simplesmente o diretor da Companhia – Rodrigo Marques em pessoa – passa pela nossa mesa, reconhece os dois e SENTA CONOSCO. Dali por diante a noite ganhou contornos de contos de fadas, se envolveu de uma magia repentina e conversamos, conversamos, não nos separamos mais, até carona pra casa eu ganhei, além da proposta pra fazer a audição – que ainda teria no dia seguinte....
Mas como eu, que nunca tinha visto um musical na vida – até então – e não tinha o mínimo de preparo, ia me jogar assim... no escuro? Não podia... meu perfeccionismo me freou na hora, recusei delicadamente... – mas já estava mordida e nem sabia....

A prova do CRIME nº1
A prova do CRIME nº2

Meses passaram e o musical que eles estavam produzindo The Best Of Broadway – do qual já falei aqui não foi só uma vez.... vide retrospectiva 2012  enfim estreou e lá fui eu prestigiar obviamente, aproveitando pra ter minha primeira experiência com o universo musical e ME ENCANTEI!
Quis eu ter feito como a protagonista que levantou de uma das poltronas da platéia dizendo que era aquilo que ela queria pra ela e subiu ao palco se juntando ao espetáculo, aquele era meu desejo interior, sair da minha poltrona e me tornar parte do show.... eu me vi naquele figurino, com aquela caracterização inteira – cabelo, maquiagem – EU ME VI ALI!
Saí de lá com um brilho novo tão incrível, que chamou atenção de uma conhecida que encontrei por acaso quando voltava pra casa, tanto que ela fez questão de me elogiar, dizendo que eu estava mais bela sem saber dizer o que era, com um brilho diferente – era o efeito The Best em mim.
Depois daquela noite, eu sabia que era aquilo que eu queria, se tornou minha maior ambição – mesmo que eu não fosse atriz de musical, não tivesse desde pequenininha mergulhada no universo dos musicais, nem fosse cantora, muito menos bailarina, no máximo uma dançarina de Zouk amadora bem entusiasmada além de atriz de dramaturgia comum – e eu fui me condicionando pra isso, todos os treinos, preparações, tudo que eu fiz foi com esse objetivo.
Cheguei a abortar a ideia por insegurança, motivos pessoais de altíssima relevância e gravidade, mas eu NUNCA DESISTI e diante dos imprevistos, tracei a meta: antes dos 30, eu entro na Grito. – duvida? Pergunta pro Jamil Vigano!
O tempo passou, me veio Marroco, Lucicreide, Joana e no meio do turbilhão todo dela e das duas noites de apresentação que ainda estavam por vir, eu decidi dar o primeiro passo e finalmente tentar pela primeira vez a audição.  – porque se dei conta de Joana com todos os impedimentos, eu podia administrar o que fosse nessa vida. 
E eu fui, me dividi, quase pirei, mas consegui criar nos detalhes algo apresentável em cima da proposta de cena que me deram e arrisquei em cima de um gênero completamente oposto ao que estava trabalhando, avesso da Joana.
TREMI. TREMI. TREMI. Saí sem saber o que esperar.... e.... antes de sair do camarim pra partir pra minha marca e fazer a abertura dos três sinais da primeira noite de apresentação da Gota, eu peguei meu celular pela última vez, para olhar as mensagens na expectativa de ler "MERDA" e li “BEM VINDA À FAMÍLIA GRITO”, mal pude respirar nem pensar, guardei o celular e não me demorei muito a sair....
Fui pro foco e lá fiquei incrédula, perdida, feliz.... e perdida e incrédula.... – COMO PODIA?
Tão surreal, tão surreal.... me agarrei naquilo firme como se fosse o último, pensando bem, o primeiro fôlego, porque me sentia nascendo de novo....
EU SOU DA GRITO.... 
EU SOU ATRIZ DA GRITO...
Ecoava na minha cabeça.... me dava forças.... mas depois de passadas as primeiras impressões, minha concentração e ambas as apresentações de Joana, me bateu uma sensação de incredulidade absurda: eu não consigo acreditar, por mais que olhe várias vezes meu nome na lista de aprovados nem que veja e reveja mil vezes os melhores momentos do The Best – vide abaixo – eu não acredito que possa fazer parte daquilo, parece tão maior que eu.... 


Assisto e dou play e mais play e mais play e me arrepio, começo a suar, é coisa de outro mundo.... é outro UNIVERSO!
E ao mesmo tempo, é um êxtase, um orgulho tão grande que mal cabe no meu peito, me sinto uma criança prestes a entrar numa nova escola, num novo mundo.... um bebê diante do vermelho, hipnotizada!
É demais acreditar que eu conquistei tanto assim em tão pouco tempo: Joana foi meu primeiro papel em cima de um palco depois do meu registro profissional, JOANA, aquela da Bibi.... – sem esquecer da Lucicreide, que mora no meu coração e de fato foi meu primeiro papel pós-DRT, mas não me deixou passar do saguão do TAC, né... – depois isso? Enfrento a audição da Grito e passo de primeira? COMO ASSIM? Nada que eu concorri na vida, consegui passar assim, como pode, produção? 
Eu nem acreditava que tinha feito o suficiente, tremendo mais do que tremi na estreia com a Joana – a mesma perna direita, só que de repente virada num vibrador... literalmente.... 
Ai.... ai.... o que pensar? Tremor, adrenalina à parte, devo ter sido cabeluda o suficiente.... só pode ser... – e só quem estava na banca, vai entender agora.... eis a minha primeira piada interna padrão Grito, #orgulho!
Agora é tentar não tremer lá.... será que eu consigo? – é nessas horas que me sinto pequena, praticamente microscópica, independente do que já fiz e conquistei, foi exatamente assim que me senti na audição, é como se zerasse o jogo, a vida e fosse começar tudo de novo... e vai.... 
Cruzem os dedos junto comigo, porque foi dada a largada – inicialmente de extrema ansiedade até domingo que vem – que me tornará de fato uma ARTISTA COMPLETA.

...
E esse excesso de capslock? É o efeito GRITO em mim!

sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora  o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Caiu.... DESPENCOU!




fotografia de Elizandro Souza


É, eu esperei mais do que os três sinais que não terminavam nunca com aquele soluço que não findava nunca, passar todo o suspense, o drama por trás do drama, o flash de tudo se passando, a ressaca de tudo – dela – e a ficha cair.... e enfim, depois de esperar isso tudo, nada caiu nem as palavras parecem se encontrar direito no meu pensamento, mas o instinto pede que meus dedos se movimentem e cá estou.

fotografia de Rafael Fernandes

Confesso em primeiro lugar que não me reconheço nem nas fotos – vide acima – nem com a imagem em movimento, muito menos nas palavras que recebi, nas reações que decifrei nos rostos que se aproximaram de mim.  Ao mesmo tempo que sei que falam de mim, parece não ser de mim que estão falando... é estranho... porque se sonha em ter reconhecimento e quando ele vem é tão surreal, tão intimidador e tão intrigante.... parece uma teia que te envolve e quer te sufocar  – seja no bom ou no mau sentido....
Sei que mereço, tenho meu merecimento: fui além de mim, das minhas forças – literalmente , tanto que retornei ao treino físico por conta de um dos ensaios – fui além do que achava que era capaz de fazer  – cantar é o exemplo, fiz, mas não acredito que... se me perguntarem, respondo que interpretei as canções, não vão me escutar dizer eu cantei, por não me considero cantando – incluindo, inclusive, além dos meus limites físicos, os emocionais, toda uma preparação que tive que ter, uma estrutura – técnica – que precisei adquirir em tempo recorde, consegui chegar no que estava lá na cabeça do gênio-criador-excêntrico-louco-maravilhoso que eu chamo de meu diretor – o recém imortalizado Carlos Marroco – e eis aí a missão mais impossível de todas que cumpri e custo a acreditar que – mesmo com o próprio me informando do feito – consegui dosar o tanto de instinto e o tanto de técnica, mesmo me sentindo como me senti na penumbra, no escuro até o breu total...


fotografia de Manuella Pelegrinello


Desse breu todo ao breu do teatro, das pessoas entrando, do calor do foco, das luzes pra marcar, de toda a batalha pra fazer do meu cabelo mais uma obra à parte, do meu rosto uma máscara, do meu corpo um instrumento tocado por fora: por espasmos, por falta de movimento, de som, o desespero, a agonia de tudo... do tempo que parecia ter parado nas minhas mãos e como administrar na base do soluço, tapas e socos, do mais puro improviso.... assim tudo começou....
Daí pro novo breu, me erguer de sobressalto pra me revelar no mais completo caos, alimentado por tudo aquilo que acabei de dizer, combustível que pude abastecer no tempos dos 3 sinais – aqueles mesmos famosos e tão ansiados 3 sinais que anunciam a entrada do público e a contagem regressiva para o início de fato de um espetáculo – e dessa explosão toda eis eu a ruir de novo, antes é claro, trombando em algum coleguinha de elenco e me arrastando literalmente para chegar no foco – pra quê mesmo fiquei contando os passos?

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Passada essa louca transição entre parar, conter, crescer, explodir e ruir pra depois explodir.... e ter que ouvir e sentir tudo que falavam ao meu respeito em cena e só poder reagir respirando até enfim a deixa pra poder crescer, explodir e ruir.... depois conter pra explodir e tentar não me perder no timbre da voz – até agora espero ter sido no mínimo coerente – do início ao fim, construir uma unidade, alguém mesmo e não várias em um...

fotografia de Manuella Pelegrinello
fotografia de Manuella Pelegrinello


fotografia de Manuella Pelegrinello



A única dó que tive foi de sair de cena – eu não queria sair mais – em contrapartida, se não houvesse saído, não existiria minha cena favorita onde o ego e o alter ego – Joana e Medéia ou Medéia e Joana – se encontravam e juntos se fortaleciam para atacar o inimigo e havia ali uma enlevação da “minha” pessoa e o conjunto todo da obra que por isso ficou prima – eleito o clímax da noite!

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Foi complexo, tudo tão complexo, tão intenso, que desconfio que nem esteja conseguindo me expressar direito nem me fazendo entender, muito disso é culpa também de como me senti, como tudo está se processando em mim AINDA, se passou tão rápido.... – tirando o início de tudo que me veio de presente e que pareceu durar uma eternidade –  numa agilidade, na velocidade da luz e eu fui no limite do meu fôlego, senti as pernas tremerem, os pensamentos se esvaírem, sumirem no ar, vivi literalmente aqueles momentos, e só tinha cabeça funcionando pra saber quando devia falar e tudo saía da minha boca como se nem tivesse que pensar nem respirar, mas respirava e tinha os pés bem fincados no chão.
Olhando de longe, não reconheci nem humanidade ali, é como se fosse uma criatura, algo perdido de algum documentário, do tempo, que saiu das cavernas, era uma força da natureza, um grito, um desespero... Joana foi meu inferno, meu céu.... paraíso desejado e calculado, purgatório de todos os pecados... foi tudo, foi nada... combustível, me fez eu me sentir viva, sobreviver... meu maior desejo de todos!
Foi “alguém” e alguém por quem fui longe, por quem arrisquei, passando inclusive da linha da racionalidade, tomada de uma paixão minha pela personagem e por uma boa dose de coragem não propriamente minha, enfim, resolvi bancar a cega e passional.
Eu sei que arrisquei muito, corri o risco de encerrar a carreira tentando começar, porque com “Gota” não existiria um meio termo: ou era sucesso ou fracasso. Não digo isso pelo volume e a densidade do texto que me era familiar e queira ou não eu tinha fresco na minha memória, mas era pela densidade orgânica de dramaticidade – tentando traduzir o que seria o método próprio do Marroco – que me foi exigida, da linha de concepção da direção e por conta dela como tive que me preparar, fora as músicas que de início me amedrontaram, mas que aos poucos senti e percebi que não seriam minhas nem cantadas por mim, muito menos cantadas, elas foram dramatizadas, interpretadas, talvez por isso tenha conseguido dar conta – aparentemente – do recado, sem passar vergonha – esse era o meu grande objetivo... – não envergonhar ninguém, muito menos à mim diante de mim e da minha exigência fora dos padrões, encontrar a minha linha, a minha expressividade sem ser caricata nem esbarrar em toda teoria que investi em aprender pra TV, enfim, me descobrir como uma atriz, como uma profissional de fato...

Se sou, não realizei – mesmo sendo – mas sei que estou muito perto disso – de sentir e realizar –, pelo menos o maior desafio de todos eu venci – ele e todos os outros que me foram feitos em forma de proposta de cena, em poucos termos: imobilidade, queda, altura, intensidade, força, fraqueza, sedução... – que era ousar passear na montanha-russa de Chico Buarque e Carlos Marroco....

Por pouco – medo – não deixo em exibição as imagens e que elas falassem por mil palavras nas linhas e entrelinhas.... mas ao mesmo tempo, precisava vir aqui, precisava me abrir pra filosofar à minha maneira, mesmo que confusa, abstrata e até poética, porque é desse turbilhão de emoções e intenções que sou feita e é desse mesmo turbilhão de intensidades que foi feita a MINHA Joana.....

fotografia de Manuella Pelegrinello


domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre  em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história  começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ela vai cair de novo...


Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...

A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero....  – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação  porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai despencar no mais puro estilo marroquino!  
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque... adiviiiinhaaa... –, eu dei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50%  Eu mesma! E como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças, não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem, deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....

Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...

Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!

Agora sim, mais no clima...


Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna – , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro  fez o favor de estourar meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações... sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas, digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti, quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana – desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo, todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito feio, eu sei...

Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino....  mais tarde, eu conto.... 
terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes que acabe, preciso confessar....



Confessar que corri um campo inteiro de futebol, corri cantando sem repertório, corri cantando o hino nacional, corri ao redor de um chafariz cantando Mundo Ideal, cantei em público pela primeira vez na vida, e pela primeira vez de novo, peguei num microfone pra cantar de verdade, eu atingi um agudo! – praticamente lírico , eu juro....
Mas antes do agudo, entre ele e tanto correr, eu aprendi a respirar de novo, a me equilibrar numa base nova, a pegar coreografia de verdade! Fui do céu ao inferno, em todos os sentidos, me arrastei num limbo de berros desesperados e berrei – como berrei – fiz de três pontos um conto tragicômico, trabalhei panturrilha, fiz flexão, até abdominal inverti!
Cantei, dancei, atuei de uma só vez, fiz musical – mesmo que rudimentalmente – pela primeira vez... eu dirigi, aprendi a rir dos meus erros e a deixar meus devaneios de perfeccionista de lado pra variar....


Eu me preparei... me preparei pra um grande sonho, que começou no sonho de alguém e no encanto que se fez quando assisti The Best Of Broadway, meu primeiro musical, estou me preparando: teatro físico, clown, pequena sereia na pedra, sapatilhas mágicas, saltos do tamanho do mundo! Por que sim, agora eu tenho! Sapatos de dança me dei, pra riscar meus novos passos.....
Passos de uma base firme, de pés bem colados ao chão, distanciados pela largura dos ombros, firmes, cabeça ereta no ar e olhar ao horizonte, e toda a tensão do mundo que vá pra coxa, pés, chão, fuja de mim!
Apoio, respirar, puxar ar pela boca, guardar nas costelas pra cutucar os cotovelos, fazer o ar dançar, fazer miséria, virar nota, bater no peito, na nuca, no alto da cabeça, juntinho do nariz, e sair em forma de canção..... eu fiz.... lições de canto até isso eu fiz....
Passei por poucas e boas, boas e poucas.... estou inspirada, bastante inspirada, avançando.... saltando entre ensinamentos, aprendizados e mestres – entre eles o meu galã – para hoje estar de volta ao berço, à JP Talentos, ser uma das crias de Gringo Starr, de novo um bebê em frente às câmeras, além de um bebê de palco – depois de um convite daqueles – .... um bebê da Broadway..... eu confesso!
As primeiras palmadas já foram, o primeiro chorinho e o primeiro berro também... tudo que tinha de primeiro e intenso pra ser feito, e que eu nunca me imaginaria fazendo, eu fiz.... e confesso que vou continuar fazendo..... – a não ser que acabe realmente tudo de vez! 
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aiiiii... NÃOOOOOOOOOOOOOOO... ME FLAGRARAM, PRODUÇÃO?


E quando eu paro pra pensar no que foi essa segunda noite de preparação... UAU... no quanto esperavam e no quanto eu esperei pra finalmente colocá-la em palavras...
MAIS UAU AINDA!!!
Mas o espanto não mora só nessa expectativa tão minha, quanto sua: nossa... de começar logo... mas já vem pelo começo em si: quando chegamos vimos estranhos, pessoas estranhas e logo um burburinho se formou no ar... teorias das mais conspiratórias e delírios de toda sorte... – e azar...
No fim das contas, não vou precisar com exatidão os momentos, de um jeito que diga o que aconteceu antes do que, então sintam-se livres pra imaginar e ir além junto comigo dessa vez... preparados?
Lá vou eu!... Depois desse primeiro impacto diante de estranhos – que eu vou explicar lááá na frente quem são, o que são e pra quê estão aqui... o que realmente importa saber é: estavam lá pra nos flagrar e não eram paparazzi – e de alguma conversinha preliminar com o Jeam, fui colocada em trio com dois grandes amigos e colegas de cena mais um ser inédito – alguém com quem estudo, mas nunca estudei... deu pra entender?... não?... um colega, que nunca chegou a ser de cena... agora posso voltar? – e formamos o que era pra ser alguém condenado entre aspas com dois algozes e um defensor.... na primeira levantada – por livre e espontânea pressão e vontade – de mão se escolhia o condenado – personagem contador da grande história, personagem do texto – e eu que posso dizer... hesitei e o ser inédito levantou a mão.... ele se tornou o alvo da roda que formaríamos entre nós. Numa segunda chance – que parecia ser oportunidade – eu levantei a minha mão de imediato e me tornei a defensora – que graça... porque eu não fiquei quieta hein?... agora alguém duvida da minha alma de vilã indomável?... preciso aprender a me domar e a ser mocinha... mas enquanto isso não acontece... – e os outros dois – queridos – colegas se tornaram algozes – muito mais divertido... tá, parei – e enfim, começamos a brincar pra valer: de policial e bandido – e sem trocadilhos, mesmo tendo um realmente oficial entre nós – numa caçada divertida, tentando fazer o pobre diabo se trair e se confessar dando o maior passo de todos que alguém no mundo podia dar... e francamente?
Fiquei um tanto desapontada com nosso pobre diabo na roda... ele estava muito engessado, parecia uma múmia enfaixada no texto, era como se uma folha de papel fizesse parte dele, como se a vida dele dependesse de escapar o rabo do olho pra aquelas linhas impressas cheias de letrinhas – era muito desespero pra pouca causa... e eu como advogada e defensora, imagina como ficava?... não ficava, EXATAMENTE!.... brochava...  – mas enfim... entre mortos e feridos – e, inclusive, a passadinha de diabinho do Jeam pra fazer o menino construir uma relação, um passado e a peça mais importante do jogo mais as nossas instruções pra chegar à esse tesouro – salvaram-se todos!... eu acho...
Passamos dessa pra uma melhor, fomos pro chão... agora? Fomos... só não sei se agora... mas é agora que vai, eu vou: sentei no chão – eu e geral – primeiro pra ouvir o Jeam cantar trechos do texto em nossos ouvidos feito música, que nós tínhamos que dançar – traduzir no corpo em movimento as palavras, as pequenas histórias de cada trecho – e sabe como eu fiz?... dancei?... pensa numa mulher se contorcendo, indo da posição fetal à posições que eu nem me atrevo a dar um nome – nem sei se tem um – agora eleva isso ao cubo e abra bem seus olhos, para encarar a realidade – capturada da que capturaram...




Sentiram?... e em segundo, paramos pra ver o Jeam demonstrar uma tática muito da engenhosa de se preparar um ser para se atingir uma intensidade além do que podem imaginar em alguns instantes, vai parecer um tanto polishop ou personal trainner da minha parte, já vou avisando que só dá pra ser assim, só lamento, prestem atenção: é só ficar de quatro no chão e ir se esticando aos poucos no chão, como quem quer se deitar de bruços – sem nunca chegar à – porque o segredo é justamente é viver essa tortura, essa agonia de sentir até o cotovelo espraguejar – no seu pensamento – e quando você não suportar mais e quiser se libertar – literalmente – do sofrimento físico – deixo bem claro – existe uma única palavra mágica que pode te soltar dessas amarras que a técnica e a preparação diabólica do Jeam te impõem... três letras e uma única sílaba... aquela que você quando era bebê aprendeu antes do que qualquer outra e sem ela jamais aprenderia nada nem começaria a cena de agora: NÃO. Mas não era qualquer não, era um não que traduzisse em som toda a dor e o sofrimento que seu corpo passou por culpa do esforço sacana que você fez ele passar, era esse o propósito... e nós vimos o Jeam servir de modelo, de cobaia... de exemplo – quem diria.... brincadeirinha... nunca deixou de ser...
E, depois dele, era a nossa vez... detalhe pequenininho pra uns e enoooooooorme pra outros: estávamos sendo filmados – e nada daquele sorria... sob pena de ser degolado pelo preparador – no pior e melhor momento.... dependendo do ângulo de quem vê.. ou não... estava eu de quatro, querendo me esticar.... quase me esticando.... esperando a dor chegar, praticamente uma grávida esperando a contração e quando ela vem, sabendo, porque alguém sempre diz, que tem que fazer força, toda a força que tem e que não tem... Aqui a minha contração era a traição dos meus músculos do braço, podiam ser os joelhos, mas foram os braços, definitivamente eles... e quando eles não me suportassem, não me agüentassem mais – meu peso – eu iria fazer uma força... a força tamanha de um NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO só meu: esgoelado, arranhado, berrado, doído, sofriiiiiiiido... era um monólogo inteiro cabendo em um som – assim como meu grande amigo e galã Jamil Vigano sabiamente disse no fim...
Mas não chegamos nem nos aplausos.... portanto, preparem-se para fortes emoções – mais fortes ainda do que as que eu já confessei – voltamos a formar uma grande roda e em mais um momento altamente inspirado, nosso preparador mor e mestre Pierre acenou com um simples pedido com requintes de intimação – oportunidade – de ter alguém no centro das atenções da roda imediatamente e eu já sei o que vocês estão pensando e eu também pensei nisso... pensei em me levantar, mas a prudência me segurou no pedaço de chão que ocupava e lá se foi a Bella, mais um ser foi convocado e lá se foi o Tiago – meu fiel leitor – e mais uma vez alguém foi chamado e eu já estava a postos e fui de uma vez – aleluuuuuia.... é, eu escutei daqui, seus exageradinhos!... E enfim, mais um, o último – um dos meus companheiros de cena prediletos, o Everson – se juntou à nós... pra quem se perdeu nas contas, fechamos em quatro seres abomináveis no centro das atenções.
O primeiro casal formado – não com essa intenção, se acalmem aí, porque a cena não pedia – pela Bella e o Tiago que seriam os acusados – os pobres diabos culpados, cada um no seu quadrado – por mim e pelo meu companheiro Everson, respectivamente – pra vocês verem que nem tudo é o que parece, os casais se desdobraram em duplas invertidas e do mesmo sexo, como ninguém previa... e quando é que a gente prevê alguma coisa?
Enfim, inicialmente era pra eu provocar a Bella, fazer ela confessar um crime quer ela tenha cometido ou não – dentro do script, vale dizer – fazer ela se trair.... e eu não poupei ela nem esforços meus e fui pegando ela pelo braço, sacodi, desafiei – excelente – e eu não via mais ninguém além dela e da minha sede de fazer ela cair do cavalo... – isso quer dizer que eu desconfio que os meninos do lado foram pelo mesmo caminho.... só desconfio... – até que o Jeam mandou partir pra cima e ninguém sabia o que fazer.... ele foi e desenhou que era pra ficar por cima da pessoa, de quatro, com chance de imobilizar – eu nem preciso dizer que adorei, preciso?...praticamente uma campeã de MMA falando, se sentindo no octógono... – os meninos – nessa hora de receber as instruções eu vi – que eram os mais envergonhados e constrangidos, perderam pra nós, donzelas, quem diria? Eu me aproveitei da situação, queria mais era ver o circo pegar fogo e quando eu recebi o aval – porque eu perguntei com todas as letras o limite – do Jeam, que disse que só não queria ver arranhão e puxão de cabelo, eu me realizei: parti pra cima da Bella como ele mandou, agarrei ela pelos pulsos e fuzilando com o olhar, metralhando com as palavras, fazendo questão de não deixar ela sequer ter tempo de pensar no que ia falar ou dizer, querendo que ela se traísse.... e ela podia revidar, mas teve medo de me machucar – bonitinha ela né gente... e eu que antes cravei as unhas nos braços dela e fiquei sacudindo, nem pensei em poupar.... sou uma ogra mesmo.... – e no fim, ela realmente não conseguia mais pensar, não sabia mais como reagir, eu fui a arma, o Jack Bauer, o Capitão Nascimento em forma de gente e foi revigorante pra mim, esses instantes, essa cena, essa tática de....
Pressionar, qualquer estúpido consegue, mas fazer isso sem perder as estribeiras, isso requer um nível um pouco acima... e se permitir pressionar, níveis além também! Quer dizer que o que eu fiz não teria sido a metade sem o que eu recebi de volta da Bella – em mais uma parceria sensacional – claro que eu tive o estímulo – não tive medo de partir pra cima – e eu abracei o desafio, e, quis desafiar, mas um desafio não é nada sem o outro lado: o desafiado. Ali era tudo muito claro – agora que estou aqui, óbvio, que não ali no calor do momento – que a intenção era se sentir acuado ao ponto da verdade vir à tona, fosse ela qual fosse... era gerar um campo de pressão, onde até o pensamento fosse barrado, qualquer capacidade mínima de se racionalizar uma maneira de se defender, tudo passava a ser nosso, físico, parte a parte, extremamente natural, desde a frieza do chão contra as costas até o peso de quem estivesse por cima – creio eu que foi muito bem calculado e pensado, pra causar a pressão física, a sensação fiel de realidade ao que estávamos experimentando... todos os pontos ao Jeam, por isso... realmente genial da parte dele, ou de quem ele aprendeu com.... enfim... – e pra quem estivesse por cima, a sensação de pesar, e, por, pesar de sentir o poder, se sentir poderoso, por saber que está sob controle, controlando a vontade e a ação do outro a seu favor, se a intenção era fazer com que se traísse, era só pressionar com precisão, entupir os ouvidos e os olhos de informação, que nunca cessa, acusação que nunca termina, tendo razão ou não....
E sabem no fim, o mais me impressionou? Quando tudo se acabou, até o Jeam já tinha passado por nós, tentado arrancar o texto da Bella e ela não conseguia nem falar nem pensar, e tudo já tinha passado, já estávamos sentados conversando sobre como tinha sido tudo e ela me disse, sentadinha do meu lado, já não sei se antes ou depois, ela falou – desconfio que antes, porque agora me lembrei que foi depois disso que ela sentiu que devia falar – falou pra mim... – é estou repetindo, pra ver se eu, mesmo hoje, ainda acredito que escutei mesmo essas palavras – "sem você, eu não teria conseguido naquela hora" e isso vale mais que mil feedbacks... eu me senti grande, enorme, importante, alguém de verdade... uma atriz de verdade.... uma companheira de cena de verdade...
E depois eu falei à câmera como tinha sido tudo e ela capturou... na verdade tudo que eu senti... e foi ao ar... nem tudo que capturaram de nós em ação, é verdade... mas fomos parte de um programa que iria, como eu, mostrar o que o Jeam é capaz de fazer pra formar quem quer ser – ou acha que é – em ator... atriz como eu, de verdade!
domingo, 12 de fevereiro de 2012

...E eu... me lixei, sem me lixar.


Declaro o fim do festival saliva e agora vou contar como gravei no estilo nem se lixando... nem se lixando pro drama, nem se lixando pro texto – cacos à la vantè, pra desespero de uns, né Jeam Pierre – e pra personagem na minha frente. Considerei desconsiderar ela muito mais interessante e natural, como se fosse respirar. E nem foi só aí que minha consideração foi posta em cheque: todo o entendimento de cena que tínhamos construído, toda a dinâmica, todo o engenho foi pro ralo... – encurralado na dimensão dos ensaios.... – a lixa estava banida do set.
Porquê? Simples: minha casa não ia ser invadida, a intrusa não ia entrar porta a dentro, eu é que ia chegar em casa e constatar que ela já estava lá, de braços cruzados à minha espera. Me desapontei por um lado e não me abalei por outro – quem sabe já estava na personagem e não sabia...?... nada disso!... – fui chegando à conclusão mais racional – o que, pra mim é uma raridaaade – de que não adiantava me desgastar diante do imutável, dar murros em ponta de faca, não ia fazer o Jeam aceitar nosso raciocínio, tendo em vista, que nos equivocamos, então.... se é pra se virar nos 30.... eu me virei!
Com platéia – colaboração de um convidado especial, integrante da equipe do Jeam, produtor dele, que fez as honras de cameraman e nos deu... pra variar... um oooutro ângulo de captura – fui leviana, deslumbrada, cega, má... ruim... péssima! Fiz questão de provocar a Taís o tempo todo – assim como eu já tinha feito durante os nossos ensaios – de fazer ela querer me fuzilar com os olhos, desejar me pegar e me fazer perder o rumo de casa – como eu tive a oportunidade de fazer, quando o texto me permitia e eu ainda me dei a honra de transgredir e ultrapassar todos os limites, pegando ela pelos braços e sacudindo ela firme, pra depois largar e deixar ela completamente perdida, sem chão e tremendo... uma delícia – porém, contudo, entretanto, todavia.... o texto não dava à ela a menor deixa – que peninha.... mentiiiraaaa... nenhuma!... e não, eu não estou na personagem agora.
O prazer de saber que abalava as estruturas dela, a ponto dela começar a me empurrar, querendo me derrubar – e quase conseguindo, porque isso não estava combinado – era meu, da minha personagem, uma coisa muito louca.... e difícil de explicar! Ser má é ser livre, sem pudores, sem cesura, é a personagem mais libertadora que existe, com ela – a maldade – se brinca de verdade, se toca nos pontos mais cruciais, se traça o conflito e o clímax de qualquer história, traz reflexão.... sem ela, não há história... graça. E pra mim, encaixa como uma luva, me dêem só um parêntese, uma indicação mínima ou o mínimo de liberdade que eu me transfiguro com o maior prazer do mundo, porque prefiro trabalhar com as minhas sombras à sofrer – mesmo que esse seja meu maior desafio....
Confesso que estava na minha zona de conforto ali, queria – tinha plena consciência – abalar, destruir, trazer pro chão e eu trouxe o coração dela, a esperança eu fiz questão de matar, fazendo ela não me reconhecer nem como eu... nem como o grande amor que eu – enquanto personagem – fui pra ela um dia, eu era outra mulher. Uma mulher que desesperava ela, que fazia mal, causava repulsa. Eu inventava, criei a partir de uma personalidade que eu construí, linhas que fugiam e ultrapassavam as linhas delimitadas do texto, porque cabiam nos lábios dela – a minha personagem – e as outras eram limitadas demais.
Limites foram realmente discutíveis nessa gravação. Errada ou não, eu fiz a minha colega de cena tremer em cena, e isso, meus amigos, é de um desprendimento que poucos são capazes: demonstrar fraqueza – e seja ela como for e porque for...
Eu adorei sentir o prazer extra-cena – além da... – quando fui atravessar a fiação da camera e recebi o feedback do meu primeiro expectador – o cameraman, aquele amigo do Advogado do Diabo meu preparador querido – dizendo sarcááááásssssstica hein e me deixando boba... mal sabia ele que era tudo que eu queria ouvir e quando a platéia aumentou, paramos pra assistir – eu na posição de diaba, do lado esquerdo do Jeam – e aquele sussurro de quem se deu conta de que eu criei em cima do texto – arrisquei, porque quis dar e dei voz à minha personagem – entrecortado pelo grito final que me chamava – enquanto personagem – de VAAAAAAAACA... foi música para os meus ouvidos!
Ali, pra mim, eu já tinha atingido exatamente o que queria: minha concepção de sucesso. Contrariando, e sem pedir licenças para roubar as suas palavras, mestre Pierre, CAGUEI... ela cagou, minha personagem... cagou pro seu texto, ela se arriscou com a própria voz – fazer o quê? – além do meu aval, e deixou explícitas as suas próprias vontades, a sua verdade. Eu me arrisquei, confesso, mas não me arrependo nem um pouquinho, e sabe.... sabem por quê? É partindo dele, do risco e do erro, que alguém se torna capaz de acertar, não perseguindo os acertos freneticamente, porque assim eles não se deixam alcançar, fogem. E a razão mais importante de todas: ela foi feliz, eu fui, nós duas fomos juntas!
Em cada passo, em cada quadro, em cada reação, em cada retorno que recebi, dentro e fora de cena. Fui vista pelo meu neném – pra quem não sabe, é assim que eu chamo carinhosamente ao Jull Vigano, o irmão do Jamil, que já dispensa apresentações, né messssssmo*?
*lê-se o original, recuse imitações....
.... e não só vista, como reconhecida por ele e pelo cameraman, e sinto muito – naaada – mas eu ganhei a minha noite: me lixando... e sem me lixar hein. 
Um dos meus maiores e melhores momentos dos últimos – todos – os tempos!

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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