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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Reencontro


Vamos escrever 48h aqui... 48h após 48h de observação/maturação.... 48h que valem 2 anos....
Primeiramente? Uma loucura, retomar contato após anos com O cara que me formou e me deu um norte do que era esta minha vocação, de como era uma profissão. Neste momento, eu sabia que já tinha vivido tantas viradas – mas TANTAS – na minha vida pessoal e que a profissional estava querendo perder o rumo, eu senti o alerta e fui de novo na mesma fonte que me tirou de 6 anos de hiato por pura imaturidade – mesmo sendo eu idosa de alma, de nascença – eu sabia que sozinha, eu não iria além da página 20 e como todo mundo sabe – até ele – : eu sempre quis ir além.
Por que além? Primeiro ir além de mim, além de uma vida, além de uma história, tocar além dos que me cercam, poder me doar além, me doar mais, ir além dos meus limites, pensar além e fazer pensar além, fazer as pessoas conversarem além e até brigarem além, mas não queria ser indiferente nem que estivessem indiferentes ao meu redor, e, magicamente, aos 10, instintivamente eu me apaixonei, como se num truque de mágica ao sair de cena pela primeira vez, eu tivesse encontrado a missão da minha vida. Então, aos 21, depois de anos de teimosia e vamos colocar a palavrinha mágica que aprendi há pouco – maturar – eu fui atrás e encontrei a realidade de ser além da sonhadora, uma profissional com o grande mestre abominável Jeam Pierre. Me formei e todo um mar passou, ressacas, dias azuis, conquistas e o mais temido de todos os movimentos: a falta de...
Eu me desconectei com aquela parte de mim que eu só experimentei enquanto me formava pra me registrar profissionalmente, a linguagem que conheci ali na JP Talentos, aquela que desafiava diferente do teatro, que me dava uma adrenalina diferente, uma pulsação de outro gênero...
E eis que com uma boa dose de intuição e conspiração do universo se abriu esta nova oportunidade, estas 48h... mas foi além dessas 48h, porque aconteceu todo um processo comigo desde o estalo de ir atrás, a preparação, vários micro-objetivos que fui alcançando – como gravar de novo e descobrir que instintivamente, eu tinha maturado, FINALMENTE entendido o que era a linguagem, finalmente não fui over, fui right HAHAHAHA – e o planejamento, até finalmente começar a viver as 48h propriamente ditas.
Quando eu falo em preparação, foi um processo à parte, onde eu dando vida ao meu próprio nome mais uma vez: renasci, me encontrei de uma maneira e em um momento, que eu sabia exatamente o que queria e trabalhei todas as ferramentas – TODAS – para me alinhar, abraçando esta oportunidade com toda a minha força.
Semanas de ensaio com direito a trilha sonora estratégica de preparação se passaram e chegou a hora, eu viajei... eu LITERALMENTE viajei.
Em 48h, eu embarquei numa jornada, onde fui expectadora de mim mesma, me perdi de mim mesma, caí em armadilhas que nunca imaginei que cairia – que eu mesma criei – e briguei comigo mesma e ainda estou tentando decifrar enquanto escrevo estas linhas. Magicamente, tudo que eu preparei, evaporou e eu zerei... nasci de novo? Renasci, como se estivesse pequena, frágil e completamente nua e chorando pra dentro, sem conseguir jogar pra fora. Fui chicoteada, nocauteada por mim mesma e minha mente sabotadora ou uma força maior, não sei... E eu renasci de novo, porque essa mesma força cuidou de mim, eu me senti cuidada por várias mãos muito sábias, no momento em que eu me senti mais vulnerável... e renasci de novo ao descobrir e redescobrir conhecimentos, ao ultrapassar o pânico de me expor vocalmente durante uma prática de técnica, ao mesmo em um turbilhão, entorpecida e perdida, eu consegui ouvir, ressignificar ouvir, ouvir outra pessoa, zerei a cabeça, me ausentei de pensamentos, renasci como uma folha em branco...
Eu renasci em palavras que mesmo cercada por dezenas de pessoas, pareciam ter sido pensadas e dirigidas pra mim, foi como se estivessem me espionado nas últimas semanas, e não no sentido de me assistirem, mas de estarem dentro da minha cabeça e confirmando tudo que eu estava sentindo e auto-dirigindo, o que queria – quero – minhas forças, que iria além, simplesmente porque QUERIA e dane-se o que eu tivesse que fazer pra chegar lá e o universo dava – e deu – sinais de que eu estava trilhando o caminho certo e eu segui confiante à frente, eu ouvi isso, eu senti isso e eu vivi isso!
Eu acreditei e me fiz de ímã até chegar nessas 48h, depois que elas chegaram, tive que renascer de novo, sim, de todas maneiras que eu acabei de dizer, e, mais uma vez, quando as palavras não pararam nesta quase narração de todo o processo que eu tinha vivido pra estar ali, elas me persuadiram do para quê eu estava ali e como eu ia continuar, fui estapeada, esbofeteada, deslumbrantemente nocauteada ao sentir que falhava... falhava?
Por mais que eu pudesse ter feito mais, além, diferente da minha parte, no que diz respeito até onde eu podia ir pra talvez chegar no resultado que eu desejava naquele momento, eu só iria até a página 20, não é? Além da 21, não era comigo...
Sim, a perfeccionista dentro de mim me diz que eu poderia ter feito assim ou assado, mas além dela, eu sei e eu sinto que fui cuidada, preservada, poupada... estava sem condições por razões que a minha própria razão desconhece e, muito provavelmente, eu poderia arruinar em outro desfecho e as consequências poderiam ser mais danosas para mim, não me fazer bem profissionalmente... pessoalmente...
É difícil, não é fácil realizar que às vezes, é melhor que não seja do que seja, porque não existe nada que aconteça ou deixe de acontecer que não seja pro nosso bem e eu ACREDITO que tudo que aconteceu, mesmo que estranhamente, foi dirigido e conduzido para o meu bem e é isso que me importa.
Eu definitivamente não saí sem saber o que fazer, não foi um ponto final, muito menos uma interrogação, estou tentando decidir entre reticências ou uma vírgula...
Delas, ou dela, das palavras que eu ouvi, eu tive o meu primeiro contato real com o coaching, este termo que todo mundo  usa, que parece fácil, mas não é e me fez renascer mais uma vez, porque me revelou talvez o segredo de um milhão de dólares, ou – abaixando o meu tom agudo de dramaticidade – da vida: de que você precisa tomar as rédeas, quem manda é você, não é mais ninguém, se você não se cuidar, você desaba, e foi aí a minha falha, mas foi importante falhar aí, pra saber que preciso redobrar a minha atenção e os meus cuidados comigo, sem olhos pros lados mais pra dentro de mim. Não existe sucesso em nenhum sentido se não estiver tudo muito bem aqui dentro.
Daqui de dentro parte o maior encanto de todos, o próprio sucesso, porque se estiver tudo em ordem, equilibrado, com a frequência devidamente sintonizada, você vira uma ímã e você vira um campo de força e você atrai e logo, você forma uma equipe ao seu redor e com você, que acredita no mesmo, em você e te leva além, indo além junto com você.
Eu ainda estou no primeiro passo e meio da jornada e ainda vou além, porque eu ACREDITO.
Queria abraçar todos os profissionais que estiveram comigo nessas 48h, abraçar forte e dizer que eles me fizeram renascer, me deram uma nova vida de consciência, me orientaram e agradecer por isso. Muito obrigada por cuidarem de mim e me colocarem num lugar que eu nunca poderia imaginar. – especialmente você, Jeam Pierre, o grande responsável por tudo, mais 2 anos, 2 anos em 2 dias....
Foi intenso, difícil de entender, de colocar em palavras, mas foi necessário e eu quis traduzir e deixar aqui registrado que foi inspirador, pra que não se perca toda essa imensidão, ressignificação...  
Deram mais de uma vida ao meu nome, a sabedoria de que essa é a minha alma, de tudo que eu faço e que é o que é capaz de me fazer ir pra frente, meu nome e sobrenome: renascer e ser intensa.

Agora, é maturar – melhor palavra dos últimos tempos do último final de semana – e dar mais meio passo, depois mais um passo... outro passo.... outro passo... outro passo... e andar. Andar, caminhar, antes de correr e ir além.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Completa sem ser: LIVRE!


Audição. Teste. Geralmente essas palavras me apavoram e se eu pudesse dizer que existe um lado ruim na profissão, é este! Ontem, em mais um dia de ensaio na Companhia, passei por uma audição interna. E foi de longe uma das melhores experiências que tive na minha carreira, junto com as apresentações internas que já tive a oportunidade e o prazer de apresentar, que pra mim foram um show à parte! Comigo, acontece isso: toda vez que apresento o que seja do musical principal da Companhia, quando participo do ensaio, seja lá do ano passado quando fui standing em gerais ou ontem compondo um ensaio de núcleo, é como palco pra mim, é palco pra mim!
Enfim, depois desse momento que foi tão incrível pra mim, me veio a tensão e a ansiedade de estar à prova, me colocar pra teste. Fácil, nunca é.... mas dessa vez, eu resolvi correr um risco maior: mudei meu script poucas horas antes de fazer a audição. Tive uma inspiração – o meu dia ontem foi literalmente inspirado, desde a manhã  e senti que devia fazer mudanças no que estava pretendendo apresentar e criei algo novo em cima do novo que já tinha inventado em cima do que já existia e estava usando – UFA! No fim, acabei usando muito do meu instinto – mais do que eu acho que já usei na minha vida – e improvisei – algo que me sinto bem e confortável fazendo – mas foi DIFERENTE, não sei se dou conta de colocar em palavras: eu estava consciente do que queria usar, mas me coloquei aberta, literalmente eu me permitir VIVER O MOMENTO, tecnicamente, eu não pensei em como marcar o que assumi de novo, não pensei na voz, só me concentrei em não me perder nas palavras novas – que não eram tão novas, eu já conhecia de cor mesmo sem ter trabalhado com elas – e ter uma intenção X. Eu improvisei consciente, fui consciente e fui instintiva.
Eu só queria ser e me mostrar presente, colocar o que eu pudesse ter de talento – eis a hora de me revelar se eu tinha mesmo um, porque não adianta ter quem diga, enquanto você mesmo não sente de verdade o que faz, não parece ter – foi mais uma oportunidade de me provar se tenho – e é uma conclusão que acho que nunca vou chegar e talvez a busca dela, perseguir ela seja o caminho e o verdadeiro objetivo, graça e delícia desse ofício, que não se define nunca, mas revela tudo de dentro pra fora e de fora pra dentro – e compensar o que faltaria e eu me revelar – eu me REVELEI pra mim de uma forma que não imaginava....
Mexeu comigo. E mexeu no melhor de todos os sentidos. Se tem algo que tenho certeza é que não disse uma palavra vazia – o que pra mim é lei – e nenhum movimento em vão – o que já é estratosfera – meu corpo trabalhou e se expressou em acordo, fui coerente, analisando tudo de fora agora e estou maravilhada de pensar que na hora ainda tinha a preocupação de não escorregar nas palavras que eu decidi usar de repente, vacilar no conhecido que era desconhecido cenicamente pra mim e conseguir desafiar pontos não tão fortes pra mim...
E eu me desafiei, atravessei fronteiras que nunca imaginei. Porque das novidades, a dança já é uma paixão antiga, cheia de vícios de uma aprendizagem nada ortodoxa – lambada e zouk direto no salão desde os 10/11 anos, beijo amigo da minha mãe com os CDs do Beto Barbosa debaixo do braço me flagrando em casa com as roupas da minha mãe, numa época em que uma blusa era um vestido no meu corpo, que decidiu que ia me ensinar a dançar e assim transformou meu mundo – o que me faz conflitar a aprender me colocar tecnicamente como se deve e CANTAR hein... cantar é o desafio da vida, aquilo que eu admiro as pessoas fazerem e que há pouquíssimo tempo venho me trabalhando a querer fazer um dia quem sabe e NÃO ERA algo que eu pretendia fazer na audição, e acabei fazendo porque senti que era pra fazer e fiz.
Essa liberdade e o que eu senti ontem, eu não sei nem colocar em palavras nem sei se eu vou conseguir dar conta de me fazer entender: dá pra dizer que fui livre mesmo, fiz arte mesmo que nem criança que vai se divertir e se diverte – até porque eu saí correndo, pulando e sorrindo, literalmente como uma  claro que teve um clima: eu ainda sim lá dentro estive nervosa, mas me senti solta no meio disso e do racional tentando equilibrar tudo.
A moral deve ser essa e eu gostaria muito que todos os testes da minha vida fossem assim e tudo que eu sinto agora é gratidão: MUITO OBRIGADA à todo mundo que eu já abracei ontem que já sabem, à Cia Grito como um todo oficialmente por me abraçar, me transformar e me desafiar, me completar!
Por causa de vocês – Grito – ontem eu descobri o que é ser livre e me permitir de verdade, me olhava e me via e o melhor: gostava do que via, me amei e senti que foi pra isso que nasci e como é bom poder sentir isso e todo o BEM que vocês me fizeram ontem, parece que todo um mundo caiu e outro se abriu!
Além da audição, muito antes dela ontem tive meus momentos de aprender a me trabalhar com o espelho e de ser MUITO FELIZ com ele. E se deu pra entender um pouco mais de como funciono, é mais ou menos assim: se eu tiver alguma personalidade pra assumir e tiver diante de alguém a mágica acontece... agora é ir atrás da segurança que só uma boa dose de técnica pode dar pra eu deixar de mascarar com o que sei fazer, aquilo que eu preciso fazer além da minha zona de conforto – pensando bem, eu  tinha descoberto isso, mas  ontem eu realizei e assumi pra mim....

Independente de tudo e qualquer coisa, OBRIGADA! Por tudo que experimentei, VIVI e eu só quero poder prolongar e multiplicar isso tudo, que este primeiro gostinho que senti ontem tenha bis, ganhe uma forma, propriedade e uma alma!
sábado, 2 de maio de 2015

A minha ANIMAL primeira vez de 8!


Primeiro dia de maio, um primeiro em muitos sentidos! Primeiro dia do trabalho em que efetivamente trabalho, primeiro dia de trabalho de um projeto em palco, porque mesmo sendo um show - pocket e encantado - nunca tinha ido em um. A primeira vez de 8. 8 Apresentações, 8 OPORTUNIDADES! A primeira depois de todas elas!
Hoje experimentei mudar de lado em um evento - a Feira da Esperança da APAE - que conheci através da Cia Grito​ sim, prestigiando o trabalho do meu galã Jamil Vigano​ - agora meu diretor, com muita honra - e passados 2 anos, cá estou eu mais um time de 11 em um elenco, subindo neste mesmo palco, onde antes eu só sabia estar do lado da platéia! Hoje os papéis se inverteram e eu senti que estava no lugar certo, definitivamente não poderia estar em outro lugar!
Quando na vida imaginaria que fazer um jacaré me traria tanta VIDA! Porque de fato, sou eu quem dá a vida à ele... só que não! É ele quem tem me dado VIDA! Ele me alimenta, a via é de mão dupla! Com ele, eu ganho além de um novo folego sob uma cordunda, a corcunda é um detalhe: eu tenho um novo folego e eu ganho muito carinho!
Hoje encontrei uma princesa, depois várias delas e superhomens, homens-aranha e uma miniatura de oncinha, todos dispostos a passar a mão no "meu" bico sem um pingo de medo, o mais puro amor! Tem como não se derreter?
E o jacaré se derreteu, eu me derreti! Senti que me superei, me senti viva, praticamente enlevada porque ser parte do "Animal Show" é muito maior e mais intenso que se pode imaginar!
Só consigo dizer: MUITO OBRIGADA Jamil, Leandro​ e toda a bicharada e equipe absurdamente profissional que me acompanha e da qual me orgulho muito em fazer parte!
Esta foi e é A oportunidade, meu presente, o maior de todos!
Com este meu mimo em forma de ofício, eu experimentei espaços sortidos para me apresentar, - me virar com todos eles e suas formas e tamanhos - pude me encontrar numa posição de ser coreografada pela primeira vez de verdade na vida e ganhei laboratório de preparação intensiva pra soltar o carão - que não é só uma boca aberta pro mundo, um sorriso vazio no ar: é a felicidade estampada e escancarada, a arma que se aponta para o público e quando puxamos o gatilho o resultado ainda é fazer feliz!
Aprendi a me safar, a sobreviver ao erro, e sublimar ele - tirar do foco e terminar sempre sentindo mais do que julgando... - aprendi a dar atenção ao público, que estar em cena vai além do tempo programado pro palco ou onde quer que você se apresente, montar e não desmontar mais, e montar e desmontar, estar, estar e ESTAR! SER! E eu fui carão, fui brinquedo vivo, fui menos, fui mais, fui jogo de cintura, fui emoção, fui amor, fui o BEM!
Por estas e outras razões, fui dormir mais completa que ontem... - e não é exatamente por isso que entrei na Companhia Grito de Teatro de Santa Catarina?!
Bati metas que não imaginava alcançar, fui mais longe do que poderia pensar, fora o recorde de maior número de apresentações com um projeto na vida, não sou mais a mesma, sou ANIMAL.... SHOOOOOOOOOOOOOOOOOW! o///
- e FINALMENTE consegui parar pra escrever ISSO pro mundo, estava devendo... ME devendo!

sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora  o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vale a pena cair DE NOVO!



E num é que o ano começou e começou pra valer como NUNCA? Pela primeira vez encerrei o ano, com expectativa de PALCO – sabendo que em fevereiro voltaria com a Joana ao palco da Ubro – e já está aí batendo na porta...

TOC TOC - Saiba mais em www.facebook.com/events/199197863611907 
BASTA UM DIA – literalmente – e na véspera do cabelo armar e ganhar vida própria, de eu deixar de ser dona de mim e das luzes e os três sinais comandarem minha existência – inclusive quando respiro ou não – me deu essa vontade irresistível de vir aqui e escrever!
Porque a experiência pede, é inédito na minha carreira – ok, agora já dá pra chamar assim... só não me questionem se me sinto profissional, porque aí, já são outros quinhentos – retornar a apresentar um espetáculo que já apresentei e apresentar além de um dia – eu até já apresentei 3 sessões num mesmo dia na época da “Partilha”, mas como eu mesma disse foram no MESMO DIA.... e mesmo eu tendo ir apresentar mais uma vez, fora das dependências do Colégio, no Teatro de fato, ainda sim, definitivamente não é a mesma coisa.... –, um dia seguido do outro não.... e retornar aos ensaios? Outro processo à parte...
Parece que é fácil retomar aquilo que você já conhece, reviver o que já viveu? – sendo que isso não se leva tão ao pé da letra, já que sempre se acha o que ajustar, surpresas pra providenciar, principalmente prevendo aquela parcela do público que conquistamos ao ponto de querer bis! 
Não, não é! O buraco passa a ser bem mais embaixo e fundo do que se pensa! As imperfeições ficam evidentes – principalmente depois que você confere aquele cineminha de feedback com todo o elenco e todos reagem junto e além de você, dando a dimensão real de cada uma das cagadas, acertos e improvisos – e as direções mudam, nuances, pequenos detalhes, fora a dança de cadeiras no elenco mesmo, sempre tem quem se vá, quem chegue, como se fosse um trem trocando de interior por parar em uma determinada estação....
Enfim, a ordem é se adaptar aos efeitos colaterais dos que se foram, do que foi feito e revisado, pra que se reinvente e se faça algo novo diante de todas as expectativas já criadas por quem foi e pretende retornar e de quem ouviu falar e já vai com aquela imagem... repetindo: não, NÃO é fácil! Ainda mais quando se tem uma obra tão densa e tão intensa como essa, e alguém como eu tenho pra dar vida, mas não é que se consegue achar forças pra ler e reler, alterar o tom, a intenção, receber novos desafios e com eles novos estímulos e impulso pra recriar e fazer disso um novo espetáculo por um novo ângulo...
E muito – se não tudo – dessa construção vem do sopro de vida que vem com as novas personas que passaram a nos acompanhar – os que vieram e garantiram assento na dança das cadeiras – porque à cada pessoa nova, vem uma carga, uma bagagem, um ângulo de interpretação completamente diferente! Cada um dá a vida de fato, sua essência e isso renova e restaura as nossas habilidades – as minhas pelo menos, que viro de novo uma expectadora, ansiosa pra conferir as novidades...
É tão ou mais suado que o trabalho inicial de uma estreia, a bendita da reestreia vem com peso extra  de no mínimo não decepcionar diante do que já foi e de evoluir....
Ah, evoluir.... 
Da minha parte garanto que haverá sutis mudanças, fiquem atentos!
Bem, enfim, vou-me lá desabar de novo e já já eu volto....

A quem for conferir com seus próprios olhos, não se apresse em deixar o teatro, que eu prometo não me demorar pra ir ao seu encontro... e quem for me acompanhar por aqui mesmo, me aguarde, que quando tudo acabar, é pra cá que eu vou voltar... é pra cá que eu SEMPRE volto! 
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Caiu.... DESPENCOU!




fotografia de Elizandro Souza


É, eu esperei mais do que os três sinais que não terminavam nunca com aquele soluço que não findava nunca, passar todo o suspense, o drama por trás do drama, o flash de tudo se passando, a ressaca de tudo – dela – e a ficha cair.... e enfim, depois de esperar isso tudo, nada caiu nem as palavras parecem se encontrar direito no meu pensamento, mas o instinto pede que meus dedos se movimentem e cá estou.

fotografia de Rafael Fernandes

Confesso em primeiro lugar que não me reconheço nem nas fotos – vide acima – nem com a imagem em movimento, muito menos nas palavras que recebi, nas reações que decifrei nos rostos que se aproximaram de mim.  Ao mesmo tempo que sei que falam de mim, parece não ser de mim que estão falando... é estranho... porque se sonha em ter reconhecimento e quando ele vem é tão surreal, tão intimidador e tão intrigante.... parece uma teia que te envolve e quer te sufocar  – seja no bom ou no mau sentido....
Sei que mereço, tenho meu merecimento: fui além de mim, das minhas forças – literalmente , tanto que retornei ao treino físico por conta de um dos ensaios – fui além do que achava que era capaz de fazer  – cantar é o exemplo, fiz, mas não acredito que... se me perguntarem, respondo que interpretei as canções, não vão me escutar dizer eu cantei, por não me considero cantando – incluindo, inclusive, além dos meus limites físicos, os emocionais, toda uma preparação que tive que ter, uma estrutura – técnica – que precisei adquirir em tempo recorde, consegui chegar no que estava lá na cabeça do gênio-criador-excêntrico-louco-maravilhoso que eu chamo de meu diretor – o recém imortalizado Carlos Marroco – e eis aí a missão mais impossível de todas que cumpri e custo a acreditar que – mesmo com o próprio me informando do feito – consegui dosar o tanto de instinto e o tanto de técnica, mesmo me sentindo como me senti na penumbra, no escuro até o breu total...


fotografia de Manuella Pelegrinello


Desse breu todo ao breu do teatro, das pessoas entrando, do calor do foco, das luzes pra marcar, de toda a batalha pra fazer do meu cabelo mais uma obra à parte, do meu rosto uma máscara, do meu corpo um instrumento tocado por fora: por espasmos, por falta de movimento, de som, o desespero, a agonia de tudo... do tempo que parecia ter parado nas minhas mãos e como administrar na base do soluço, tapas e socos, do mais puro improviso.... assim tudo começou....
Daí pro novo breu, me erguer de sobressalto pra me revelar no mais completo caos, alimentado por tudo aquilo que acabei de dizer, combustível que pude abastecer no tempos dos 3 sinais – aqueles mesmos famosos e tão ansiados 3 sinais que anunciam a entrada do público e a contagem regressiva para o início de fato de um espetáculo – e dessa explosão toda eis eu a ruir de novo, antes é claro, trombando em algum coleguinha de elenco e me arrastando literalmente para chegar no foco – pra quê mesmo fiquei contando os passos?

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Passada essa louca transição entre parar, conter, crescer, explodir e ruir pra depois explodir.... e ter que ouvir e sentir tudo que falavam ao meu respeito em cena e só poder reagir respirando até enfim a deixa pra poder crescer, explodir e ruir.... depois conter pra explodir e tentar não me perder no timbre da voz – até agora espero ter sido no mínimo coerente – do início ao fim, construir uma unidade, alguém mesmo e não várias em um...

fotografia de Manuella Pelegrinello
fotografia de Manuella Pelegrinello


fotografia de Manuella Pelegrinello



A única dó que tive foi de sair de cena – eu não queria sair mais – em contrapartida, se não houvesse saído, não existiria minha cena favorita onde o ego e o alter ego – Joana e Medéia ou Medéia e Joana – se encontravam e juntos se fortaleciam para atacar o inimigo e havia ali uma enlevação da “minha” pessoa e o conjunto todo da obra que por isso ficou prima – eleito o clímax da noite!

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Foi complexo, tudo tão complexo, tão intenso, que desconfio que nem esteja conseguindo me expressar direito nem me fazendo entender, muito disso é culpa também de como me senti, como tudo está se processando em mim AINDA, se passou tão rápido.... – tirando o início de tudo que me veio de presente e que pareceu durar uma eternidade –  numa agilidade, na velocidade da luz e eu fui no limite do meu fôlego, senti as pernas tremerem, os pensamentos se esvaírem, sumirem no ar, vivi literalmente aqueles momentos, e só tinha cabeça funcionando pra saber quando devia falar e tudo saía da minha boca como se nem tivesse que pensar nem respirar, mas respirava e tinha os pés bem fincados no chão.
Olhando de longe, não reconheci nem humanidade ali, é como se fosse uma criatura, algo perdido de algum documentário, do tempo, que saiu das cavernas, era uma força da natureza, um grito, um desespero... Joana foi meu inferno, meu céu.... paraíso desejado e calculado, purgatório de todos os pecados... foi tudo, foi nada... combustível, me fez eu me sentir viva, sobreviver... meu maior desejo de todos!
Foi “alguém” e alguém por quem fui longe, por quem arrisquei, passando inclusive da linha da racionalidade, tomada de uma paixão minha pela personagem e por uma boa dose de coragem não propriamente minha, enfim, resolvi bancar a cega e passional.
Eu sei que arrisquei muito, corri o risco de encerrar a carreira tentando começar, porque com “Gota” não existiria um meio termo: ou era sucesso ou fracasso. Não digo isso pelo volume e a densidade do texto que me era familiar e queira ou não eu tinha fresco na minha memória, mas era pela densidade orgânica de dramaticidade – tentando traduzir o que seria o método próprio do Marroco – que me foi exigida, da linha de concepção da direção e por conta dela como tive que me preparar, fora as músicas que de início me amedrontaram, mas que aos poucos senti e percebi que não seriam minhas nem cantadas por mim, muito menos cantadas, elas foram dramatizadas, interpretadas, talvez por isso tenha conseguido dar conta – aparentemente – do recado, sem passar vergonha – esse era o meu grande objetivo... – não envergonhar ninguém, muito menos à mim diante de mim e da minha exigência fora dos padrões, encontrar a minha linha, a minha expressividade sem ser caricata nem esbarrar em toda teoria que investi em aprender pra TV, enfim, me descobrir como uma atriz, como uma profissional de fato...

Se sou, não realizei – mesmo sendo – mas sei que estou muito perto disso – de sentir e realizar –, pelo menos o maior desafio de todos eu venci – ele e todos os outros que me foram feitos em forma de proposta de cena, em poucos termos: imobilidade, queda, altura, intensidade, força, fraqueza, sedução... – que era ousar passear na montanha-russa de Chico Buarque e Carlos Marroco....

Por pouco – medo – não deixo em exibição as imagens e que elas falassem por mil palavras nas linhas e entrelinhas.... mas ao mesmo tempo, precisava vir aqui, precisava me abrir pra filosofar à minha maneira, mesmo que confusa, abstrata e até poética, porque é desse turbilhão de emoções e intenções que sou feita e é desse mesmo turbilhão de intensidades que foi feita a MINHA Joana.....

fotografia de Manuella Pelegrinello


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Definitivamente Marroquinizada!



Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir.... 
Me tornar uma profissional devidamente registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto tão à vontade pra usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....  
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade: JP Talentos.
Não vou perder a graça juro nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!

Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogada e até gralha metida à corvo; além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem – "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!


Oficina de Monólogos com o Marroco




Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning


Elisabeth versus Magdalen



















Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...

Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!! Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar, mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo acertado e combinado! Daí se seguiram dias de pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!


A inspiração

E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – ,  no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....

Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!

Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...

E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....


Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC


Matei muita gente de susto – vide foto ao lado  , e pasmém: ganhei dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite , quem tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide – ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste, sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta : continuar distraindo a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!


Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?

Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela, não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes – na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco! 
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra ficarem com água na boca!

MUAHAHAHAHAH

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Até que a morte nos separe... e eu fuuuuuui a noiva do Oscar!



É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa noite....  essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional,  numa grande cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e sua supervisão atenta. 
Fomos unidos à profissão por meio de um documento registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava completamente mulherzinha na expectativa.... 
Independentemente disso, meu dia começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e extremamente transparente,  nos separamos e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção? 
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano – topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings – ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... – dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na base da palhaçada, oh que beleza!

 
Concordam? 
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos, sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida  sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era. A nossa era. 
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam, sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis,  preparada por Jeam Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!

Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de parar..... 

domingo, 9 de setembro de 2012

Season finale de Pierre, DRT em minha vida.... e mais inspiração.....



Tanto se passou... tudo se passou... finalmente fiz a prova final do Jeam, que de prática não teve nada e foi extremamente intrigante – inteligente, aliás a mais que fiz nos últimos tempos – depois veio a do SATED – Sindicato dos Artistas – que perto da do Jeam até me decepcionou.... mas enfim, como vocês estão de prova – sem trocadilho com as avaliações – meu caminho até o famoso DRT – Registro Profissional de Atriz – foi chorado, suado e sangrado, não foi só de uma ou duas avaliações dissertativas. 
Considero todo o processo, os 18 meses inteirinhos, pra fechar a conta... e eu fechei.... com sucesso! Saí mais consciente e ciente do que realmente é ser uma Atriz e profissional, graças ao choque de realidade que levei do Advogado do Diabo, à ele mesmo!
Tirei meu registro profissional, mas estou longe de ser uma, pessoalmente, sinto que cresci, envelheci e rejuvenesci – nasci de novo. Parece que tudo está começando... e está.... agora virei adulta na profissão mas ainda me sinto uma criança por dentro e por fora.... só vou me sentir grande mesmo, quando conseguir ser completa, uma artista completa.... – interpretando, cantando e dançando....
 Isso quer dizer que a inspiração não terminou.... e recomeça aí – claro que nesse meio tempo me envolvi em um projeto que me trouxe um dia para respirar e relembrar como era de verdade gostoso fazer uma leitura de mesa com direito à saga atrás de comer após.... no fim, terminamos num final precoce porém nada infeliz, já que me envolveu onde estou agora..... e é bom sair dos parênteses, não é mesmo?
Então, hoje estou envolvida em um novo estilo de preparação de atores, de musical! Minha preparadora não tem nada de diabólica, é o extremo oposto: minha fada-madrinha-musical Tina Yoshizato!
Com ela, tudo é mágico.... encantador.... a profissão toma forma, cor... trilha sonora.... tudo se transformou... eu já me transformei em 1 mês, que foi uma loucuuuuuura.... 
E, me lembrar que conversando num passado não muito distante, eu temia o que seria de mim depois do curso.... depois do Jeam.... Hoje não só continuo firme no propósito de ser uma atriz profissional, como ganhei o novo de ser completa – sem querer me repetir, já me repetindo....
Mas não vou estragar a surpresa.... em breve vou revelar passo a passo dessa preparação nova... dessa nova estrada que estou ousando me arriscar a percorrer....  enquanto issooo, fiquem com um pequeno teaser do me inspirou a entrar nesse novo universo – BROADWAAAY....


Foi a partir daí, do primeiro musical que assisti na vida "The Best of Broadway", que eu me vi no palco  –  até aí nenhuma surpresa, isso sempre ocorre quando estou assistindo uma peça  –  mas eu me vi com aquele cabelo, aquele figurino, aquela maquiagem.... dançando..... não precisava estar cantando  –  porque eu tenho bom senso  –  enfim, me vi como a protagonista real da história, que queria abandonar esse mundo pra viver naquele de sonho que se apresentava no palco.... 
E o que antes era só admiração por ver alguém cantar – Jamil Vigano, Tiffy e cia Grito ilimitada – e uma vontade que eu tinha de começar a fazer aulas  –  pentelhando séculos o  próprio Jamil a respeito –  tudo passou a se encaixar numa única performance.... ali naquele palco, tudo passou a fazer sentido.... e o universo conspirou.... agora é só confessar.....
segunda-feira, 30 de abril de 2012

A última das moicanas... quem sabe Sócrates explica?



E antes que se esqueçam – ou eu – ainda gravamos depois... e recebemos todo o retorno possível – e impossível – vocês sabem muito bem de quem, pela última vez...
Se me perguntarem como foi... e se eu disser que não sei, vão me chamar de mentirosa... mas dessa noite em especial pouco ficou pra recordar....
Sei que gravamos na frente de todos, que daquela vez – talvez por ser a última – era diferente, se era o ar, o clima, o timing, o feeling, não sei...
Não sei de muita coisa... sei que nada sei – Sócrates nunca fez tanto sentido...
Mas olhando aqui meus rabiscos e me lendo em forma de lembrete – usando e abusando da minha memória emotiva, porque não sou de ferro sei exatamente de tudo que realmente interessa: como me sentia enquanto gravava.
E eu estive lá de pé, diante daquela câmera, respirando fundo... olhando pra baixo e tentando trazer dos pés à cabeça o que o chão me trouxesse, como se fosse capaz de viver uma emoção a partir dali... mas não eram dos meus pés, eu queria que eles puxassem ela pra mim... e nisso, um dos ensinamentos dolorosos da noite anterior me valeu: eu tinha que sentir... e eu senti....
Sabem o que eu senti? Calor.... me subiu – ou desceu – um calor por tudo quanto era lado, costas, nuca.... – geralmente esses dois lugares quando se aquecem, querem me dizer que realmente estou envolvida, estou em cena – e isso com os pés pressionando o chão e as palavras me abandonando os lábios.... ali eu tinha plena consciência de que tudo partia do meu corpo, do contato que ele tinha com a superfície, da pressão que eu provoquei entre os meus dedos e ela.... até minhas mãos buscaram a inspiração do chão – à distância, claro – então tudo parecia fazer sentido, a tal teoria de Pierre que afirmava que o corpo era o verdadeiro condutor das emoções, era uma verdade ali pra mim, naquele momento...
E eu acreditei nisso.... e como sempre, não sabia o que esperar de mim no vídeo.... se passaram as instruções que o Jeam me passou antes de gravar, as apresentações de todos – menos uma – sem que eu sequer gravasse, registrasse na memória... tanto que me resta pouco a dizer, a não ser de alguém que já admirava e passei a admirar mais ainda depois dessa noite: Jamil Vigano.
Se existissem cinco estrelas, um Oscar pra dar, por conta daquele exercício seria dele.... – como realmente foi, porque fazer o Advogado do Diabo tirar as fitas do bolso....
Ele foi sóbrio, limpo e intenso.... soube trabalhar a intensidade como ninguém, num texto que arruinou praticamente todos – inclusive a mim, sem saber – e ele tinha aquele olhar que arrastava multidões, ele era enfim, um galã de verdade – como eu já o chamo carinhosamente nos bastidores.
Chamou – inclusive ele não sabe o tanto – a minha atenção com a dicção e a desenvoltura da cena dele.... algumas outras – uma, pra ser mais exata – me chamou atenção também... tenho esse feeling.... mas lembranças que é bom....
E a gravação se sucedeu pela tradicional sessão de esporros e considerações ala Jeam Pierre. Nos assistimos como sempre, e o feedback veio à cavalo.... e o meu? À galope.
Nem nos meus piores pesadelos, eu me imaginaria em cena como eu me vi e eu murchei.... naquela hora – eu não sabia na hora – eu só sabia que nada sabia.... – Sócrates, explica?
De repente, em poucos de minutos, me convenci que estava vivendo um dejavu dos meus piores momentos de todos aqueles meses de aula – da pior crítica que uma atriz poderia suportar e duvidei do meu aprendizado, da minha capacidade de aprender com os meus próprios erros e enfim, de aprender – por mais redundante que possa parecer...
Na verdade, eu me negava a acreditar que fosse capaz de cair nos meus erros e repetí-los de forma tão estúpida... me senti estúpida e nem um pouco atriz – aliás muito loooonge disso.
E na sequência dessa sucessão de erros repetidos, veio a crítica mais que justa, e também, repetida. Talvez cruel, talvez sei lá mais o quê, talvez... mas foi principalmente: merecida.
Minha gravação correu o risco de não ser exibida naquela noite, por falhas técnicas – ela não constava nos cartões de memória – e eu fui ameaçada de realmente não tê-la exibida e de finalmente ter que gravar tudo de novo – sacrifício?.....
Quase fui sacrificada... – quase no fim, ela estava lá e eu preferia que não estivesse.... preferia que a profecia de bastidor tivesse se cumprido e eu nunca tivesse assistido o que eu assisti.
Senti que foi um erro, assim que terminou, me decepcionei comigo e sabia que não conseguiria me consolar... e até hoje não consigo, se olhar pra trás... mas sei que dali em diante, eu soube exatamente o que não queria ser, o que não suportaria de mim...

O interessante do fracasso, é que por se chamar assim, ele dificilmente é encarado com sobriedade ou como estímulo para se atingir o sucesso, ele é só visto como o seu oposto. Para quem teve o coração aflito como o meu, a garganta embargada, a cabeça atraída pela parede e os olhos se rendendo em lágrimas a ponto de borrar toda uma maquiagem e se entregar frágil, vulnerável, derrotada, como eu me entreguei naquela noite, era impossível.
Eu não me encontrava em posição de me aceitar ali no fim de tudo como quando entrei.... mas me esqueci, no meio de toda a raiva, de todo o turbilhão, de que eu entrei naquele curso pra errar, e eu entrei nele, porque realmente era capaz de dar conta do recado.
Enfim, voltar a ser como eu era, não era ruim, mas era – isso sim impossível, e eu era incapaz de discernir ali no calor do momento.... desmoronei diante do caos que eu mesma me proporcionei, sem ter a consciência de que eu era incapaz – aí, sim – de ter voltado atrás e regredido, porque o tempo nunca volta atrás, muito menos nós....
Podemos até conseguir repetir as atitudes, mas nossa postura nunca... eu caí no mesmo conto, estando plenamente consciente de corpo – coisa que jurava ter vivido, se me perguntassem e ainda juro – sendo que nunca vivi isso antes nem sonhei em.... prova de que tanto na vida como na arte não se pode rebobina a fita....
Conclui finalmente do que eu realmente fui capaz: de errar de novo, inspirada nos meus próprios erros.
Precisei de meses para vislumbrar o fim do túnel, estando no seu fim – porque eu realmente não me senti no fim da jornada com o Jeam, porque ela realmente não começa nem termina nele, mas sim em mim.... porém, contudo, entretanto, todavia, nossos encontros acabavam ali... – eu não senti.... – mesmo agora, eu não sinto – mas cheguei lá, aonde tinha uma luz, que se chamava Ana e não era minha colega de cena.... mas isso é um assunto para o nosso próximo encontro....
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aiiiii... NÃOOOOOOOOOOOOOOO... ME FLAGRARAM, PRODUÇÃO?


E quando eu paro pra pensar no que foi essa segunda noite de preparação... UAU... no quanto esperavam e no quanto eu esperei pra finalmente colocá-la em palavras...
MAIS UAU AINDA!!!
Mas o espanto não mora só nessa expectativa tão minha, quanto sua: nossa... de começar logo... mas já vem pelo começo em si: quando chegamos vimos estranhos, pessoas estranhas e logo um burburinho se formou no ar... teorias das mais conspiratórias e delírios de toda sorte... – e azar...
No fim das contas, não vou precisar com exatidão os momentos, de um jeito que diga o que aconteceu antes do que, então sintam-se livres pra imaginar e ir além junto comigo dessa vez... preparados?
Lá vou eu!... Depois desse primeiro impacto diante de estranhos – que eu vou explicar lááá na frente quem são, o que são e pra quê estão aqui... o que realmente importa saber é: estavam lá pra nos flagrar e não eram paparazzi – e de alguma conversinha preliminar com o Jeam, fui colocada em trio com dois grandes amigos e colegas de cena mais um ser inédito – alguém com quem estudo, mas nunca estudei... deu pra entender?... não?... um colega, que nunca chegou a ser de cena... agora posso voltar? – e formamos o que era pra ser alguém condenado entre aspas com dois algozes e um defensor.... na primeira levantada – por livre e espontânea pressão e vontade – de mão se escolhia o condenado – personagem contador da grande história, personagem do texto – e eu que posso dizer... hesitei e o ser inédito levantou a mão.... ele se tornou o alvo da roda que formaríamos entre nós. Numa segunda chance – que parecia ser oportunidade – eu levantei a minha mão de imediato e me tornei a defensora – que graça... porque eu não fiquei quieta hein?... agora alguém duvida da minha alma de vilã indomável?... preciso aprender a me domar e a ser mocinha... mas enquanto isso não acontece... – e os outros dois – queridos – colegas se tornaram algozes – muito mais divertido... tá, parei – e enfim, começamos a brincar pra valer: de policial e bandido – e sem trocadilhos, mesmo tendo um realmente oficial entre nós – numa caçada divertida, tentando fazer o pobre diabo se trair e se confessar dando o maior passo de todos que alguém no mundo podia dar... e francamente?
Fiquei um tanto desapontada com nosso pobre diabo na roda... ele estava muito engessado, parecia uma múmia enfaixada no texto, era como se uma folha de papel fizesse parte dele, como se a vida dele dependesse de escapar o rabo do olho pra aquelas linhas impressas cheias de letrinhas – era muito desespero pra pouca causa... e eu como advogada e defensora, imagina como ficava?... não ficava, EXATAMENTE!.... brochava...  – mas enfim... entre mortos e feridos – e, inclusive, a passadinha de diabinho do Jeam pra fazer o menino construir uma relação, um passado e a peça mais importante do jogo mais as nossas instruções pra chegar à esse tesouro – salvaram-se todos!... eu acho...
Passamos dessa pra uma melhor, fomos pro chão... agora? Fomos... só não sei se agora... mas é agora que vai, eu vou: sentei no chão – eu e geral – primeiro pra ouvir o Jeam cantar trechos do texto em nossos ouvidos feito música, que nós tínhamos que dançar – traduzir no corpo em movimento as palavras, as pequenas histórias de cada trecho – e sabe como eu fiz?... dancei?... pensa numa mulher se contorcendo, indo da posição fetal à posições que eu nem me atrevo a dar um nome – nem sei se tem um – agora eleva isso ao cubo e abra bem seus olhos, para encarar a realidade – capturada da que capturaram...




Sentiram?... e em segundo, paramos pra ver o Jeam demonstrar uma tática muito da engenhosa de se preparar um ser para se atingir uma intensidade além do que podem imaginar em alguns instantes, vai parecer um tanto polishop ou personal trainner da minha parte, já vou avisando que só dá pra ser assim, só lamento, prestem atenção: é só ficar de quatro no chão e ir se esticando aos poucos no chão, como quem quer se deitar de bruços – sem nunca chegar à – porque o segredo é justamente é viver essa tortura, essa agonia de sentir até o cotovelo espraguejar – no seu pensamento – e quando você não suportar mais e quiser se libertar – literalmente – do sofrimento físico – deixo bem claro – existe uma única palavra mágica que pode te soltar dessas amarras que a técnica e a preparação diabólica do Jeam te impõem... três letras e uma única sílaba... aquela que você quando era bebê aprendeu antes do que qualquer outra e sem ela jamais aprenderia nada nem começaria a cena de agora: NÃO. Mas não era qualquer não, era um não que traduzisse em som toda a dor e o sofrimento que seu corpo passou por culpa do esforço sacana que você fez ele passar, era esse o propósito... e nós vimos o Jeam servir de modelo, de cobaia... de exemplo – quem diria.... brincadeirinha... nunca deixou de ser...
E, depois dele, era a nossa vez... detalhe pequenininho pra uns e enoooooooorme pra outros: estávamos sendo filmados – e nada daquele sorria... sob pena de ser degolado pelo preparador – no pior e melhor momento.... dependendo do ângulo de quem vê.. ou não... estava eu de quatro, querendo me esticar.... quase me esticando.... esperando a dor chegar, praticamente uma grávida esperando a contração e quando ela vem, sabendo, porque alguém sempre diz, que tem que fazer força, toda a força que tem e que não tem... Aqui a minha contração era a traição dos meus músculos do braço, podiam ser os joelhos, mas foram os braços, definitivamente eles... e quando eles não me suportassem, não me agüentassem mais – meu peso – eu iria fazer uma força... a força tamanha de um NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO só meu: esgoelado, arranhado, berrado, doído, sofriiiiiiiido... era um monólogo inteiro cabendo em um som – assim como meu grande amigo e galã Jamil Vigano sabiamente disse no fim...
Mas não chegamos nem nos aplausos.... portanto, preparem-se para fortes emoções – mais fortes ainda do que as que eu já confessei – voltamos a formar uma grande roda e em mais um momento altamente inspirado, nosso preparador mor e mestre Pierre acenou com um simples pedido com requintes de intimação – oportunidade – de ter alguém no centro das atenções da roda imediatamente e eu já sei o que vocês estão pensando e eu também pensei nisso... pensei em me levantar, mas a prudência me segurou no pedaço de chão que ocupava e lá se foi a Bella, mais um ser foi convocado e lá se foi o Tiago – meu fiel leitor – e mais uma vez alguém foi chamado e eu já estava a postos e fui de uma vez – aleluuuuuia.... é, eu escutei daqui, seus exageradinhos!... E enfim, mais um, o último – um dos meus companheiros de cena prediletos, o Everson – se juntou à nós... pra quem se perdeu nas contas, fechamos em quatro seres abomináveis no centro das atenções.
O primeiro casal formado – não com essa intenção, se acalmem aí, porque a cena não pedia – pela Bella e o Tiago que seriam os acusados – os pobres diabos culpados, cada um no seu quadrado – por mim e pelo meu companheiro Everson, respectivamente – pra vocês verem que nem tudo é o que parece, os casais se desdobraram em duplas invertidas e do mesmo sexo, como ninguém previa... e quando é que a gente prevê alguma coisa?
Enfim, inicialmente era pra eu provocar a Bella, fazer ela confessar um crime quer ela tenha cometido ou não – dentro do script, vale dizer – fazer ela se trair.... e eu não poupei ela nem esforços meus e fui pegando ela pelo braço, sacodi, desafiei – excelente – e eu não via mais ninguém além dela e da minha sede de fazer ela cair do cavalo... – isso quer dizer que eu desconfio que os meninos do lado foram pelo mesmo caminho.... só desconfio... – até que o Jeam mandou partir pra cima e ninguém sabia o que fazer.... ele foi e desenhou que era pra ficar por cima da pessoa, de quatro, com chance de imobilizar – eu nem preciso dizer que adorei, preciso?...praticamente uma campeã de MMA falando, se sentindo no octógono... – os meninos – nessa hora de receber as instruções eu vi – que eram os mais envergonhados e constrangidos, perderam pra nós, donzelas, quem diria? Eu me aproveitei da situação, queria mais era ver o circo pegar fogo e quando eu recebi o aval – porque eu perguntei com todas as letras o limite – do Jeam, que disse que só não queria ver arranhão e puxão de cabelo, eu me realizei: parti pra cima da Bella como ele mandou, agarrei ela pelos pulsos e fuzilando com o olhar, metralhando com as palavras, fazendo questão de não deixar ela sequer ter tempo de pensar no que ia falar ou dizer, querendo que ela se traísse.... e ela podia revidar, mas teve medo de me machucar – bonitinha ela né gente... e eu que antes cravei as unhas nos braços dela e fiquei sacudindo, nem pensei em poupar.... sou uma ogra mesmo.... – e no fim, ela realmente não conseguia mais pensar, não sabia mais como reagir, eu fui a arma, o Jack Bauer, o Capitão Nascimento em forma de gente e foi revigorante pra mim, esses instantes, essa cena, essa tática de....
Pressionar, qualquer estúpido consegue, mas fazer isso sem perder as estribeiras, isso requer um nível um pouco acima... e se permitir pressionar, níveis além também! Quer dizer que o que eu fiz não teria sido a metade sem o que eu recebi de volta da Bella – em mais uma parceria sensacional – claro que eu tive o estímulo – não tive medo de partir pra cima – e eu abracei o desafio, e, quis desafiar, mas um desafio não é nada sem o outro lado: o desafiado. Ali era tudo muito claro – agora que estou aqui, óbvio, que não ali no calor do momento – que a intenção era se sentir acuado ao ponto da verdade vir à tona, fosse ela qual fosse... era gerar um campo de pressão, onde até o pensamento fosse barrado, qualquer capacidade mínima de se racionalizar uma maneira de se defender, tudo passava a ser nosso, físico, parte a parte, extremamente natural, desde a frieza do chão contra as costas até o peso de quem estivesse por cima – creio eu que foi muito bem calculado e pensado, pra causar a pressão física, a sensação fiel de realidade ao que estávamos experimentando... todos os pontos ao Jeam, por isso... realmente genial da parte dele, ou de quem ele aprendeu com.... enfim... – e pra quem estivesse por cima, a sensação de pesar, e, por, pesar de sentir o poder, se sentir poderoso, por saber que está sob controle, controlando a vontade e a ação do outro a seu favor, se a intenção era fazer com que se traísse, era só pressionar com precisão, entupir os ouvidos e os olhos de informação, que nunca cessa, acusação que nunca termina, tendo razão ou não....
E sabem no fim, o mais me impressionou? Quando tudo se acabou, até o Jeam já tinha passado por nós, tentado arrancar o texto da Bella e ela não conseguia nem falar nem pensar, e tudo já tinha passado, já estávamos sentados conversando sobre como tinha sido tudo e ela me disse, sentadinha do meu lado, já não sei se antes ou depois, ela falou – desconfio que antes, porque agora me lembrei que foi depois disso que ela sentiu que devia falar – falou pra mim... – é estou repetindo, pra ver se eu, mesmo hoje, ainda acredito que escutei mesmo essas palavras – "sem você, eu não teria conseguido naquela hora" e isso vale mais que mil feedbacks... eu me senti grande, enorme, importante, alguém de verdade... uma atriz de verdade.... uma companheira de cena de verdade...
E depois eu falei à câmera como tinha sido tudo e ela capturou... na verdade tudo que eu senti... e foi ao ar... nem tudo que capturaram de nós em ação, é verdade... mas fomos parte de um programa que iria, como eu, mostrar o que o Jeam é capaz de fazer pra formar quem quer ser – ou acha que é – em ator... atriz como eu, de verdade!

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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