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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Até que a morte nos separe... e eu fuuuuuui a noiva do Oscar!



É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa noite....  essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional,  numa grande cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e sua supervisão atenta. 
Fomos unidos à profissão por meio de um documento registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava completamente mulherzinha na expectativa.... 
Independentemente disso, meu dia começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e extremamente transparente,  nos separamos e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção? 
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano – topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings – ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... – dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na base da palhaçada, oh que beleza!

 
Concordam? 
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos, sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida  sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era. A nossa era. 
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam, sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis,  preparada por Jeam Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!

Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de parar..... 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Da onde vêm os bebês.... as emoções?


Agora estávamos entre nós – os mesmos abomináveis-calouros de sempre – e o script não mudou... mas a dinâmica.... quaaanta diferença!
Aquele drama – o maior de todos – ganhou corpo, forma. Agora, partimos com ele pro corpo a corpo – e não é nada do que estão pensando hein.... HAM – divididos em duplas começamos a trazer ele pro nosso corpo – o verdadeiro condutor das emoções que fazem ele surgir, pra começo de conversa, mas vamos com calma, que ela vai ser looonga....
Pra efeito de início dela, começo dizendo que é... simples! É... são elas, as emoções que constroem os castelos de areia com os quais brincamos de viver – interpretar, sermos atores. Atuar é como moldar montinhos de areia para fazer castelos – faz de conta que fazemos de conta que são de verdade, nossas histórias de fazer rir ou chorar... – mas a nossa areia é diferente: ela é feita de emoções. Ao mesmo tempo ela é como a areia de verdade, porque ela também vem do chão, cercado pelo mar... das certezas – que quem controla é a nossa cabeça.
Muitos acreditam que as emoções vêm das nossas memórias, inventaram até uma tal de memória emotiva, um lugar onde teoricamente ficam registradas todas as emoções que já vivemos e da onde podemos tirar inspiração, senão a salvação na hora do aperto, em que você parece estar insensível e precisa se emocionar – afinal, nós, atores, também temos nossas crises, baixos.... E eu não duvido desse lugar, dessa fonte, acredito que só podemos interpretar aquilo que vivemos, e só interpretamos se vivemos, ponto.
Interpretar é viver, viver de novo, viver mais uma vez, entretanto, contudo, porém, todavia não é viver de novo – a não ser que estejamos repetindo uma cena, alterando o plano, mas enfim.... vamos voltar ao que interessa – é uma vida a mais, uma vida além da que se vive, do zero, à parte de você mesmo e tendo você como parte integrante ao mesmo tempo. É um labirinto profundo, onde se sabe como se entra, mas não se sabe como saí.... – até se sabe, quando se tem técnica e auto-controle, mas essa é uma conversa pra já, já....
E nesse nosso labirinto, dessa vez, não buscamos em alguém à frente, mas no toque de alguém, a fonte de inspiração para sentir e se emocionar, trazer pros olhos e a voz, a vida e a verdade que cada palavra queria dizer, todas as suas intenções e o seu drama.
E nessas duplas todas, eu de novo, fiquei com a bella loirinha Bella. E com ela, minha ironia e meu sarcasmo de antes se transformou numa seriedade misturada com agressividade, que deu pra sentir o quanto eu fiquei mexida com a história, vivi ela – se não me engano...
O grande desafio era trabalhar com o que o corpo trazia e como provocar ele e o do outro a trazer algo: o toque. Aprender a tocar e trazer vida à cena. Nos viramos num empurra-empurra – O empurra-empurra. E teve mais duelo, o duelo dos abraços desejados e indesejados, de se afastar e se aproximar sem querer, querendo e querendo, sem querer. Toda uma loucura – que só podia ser patrocinada por quem? – e o mais gostoso disso tudo é que não importava a dimensão ou o tamanho – se era empurrão ou empurrãozinho – funcionava do mesmo jeito que o papai ou a mamãe já fez alguma vez na vida, pra você balançar mais alto, ir mais alto.
Essa era a moral da história e foi daí que a minha ironia deu lugar a uma seriedade, que de tão séria, se tornou agressiva, porque tinha ali dor, mágoa, de ter sido abandonada, esquecida, mesmo diante de uma grande promessa – sentiram o drama?
Parece loucura, mas tudo faz sentido, a provocação faz todo o sentido do mundo, o toque, e a técnica que esteve ali o tempo, por trás dele, disfarçada de provocação, e no fim, toda ela em forma de dinâmica. Deu pra ver com ela o outro lado da moeda de uma tal vilã... que só era assim, porque estava ferida e por se sentir assim, tinha o impulso e a necessidade de ferir.
Por isso, fui quem fui antes, no duelo de abomináveis – velha guarda versus do amanhã – eu acho... não sei... Só sei que minhas intenções se transformaram – as primeiras, segundas, terceiras.... E a personagem se foi a mesma eu não sei... mas se foi, ela ganhou alma e eu, um castelo... lindo!
E nele tinha uma princesa loira dos olhos claros – errr não sei se eram verdes ou azuis, falha nossa – forte e destemida, além de mim, uma aprendiz de bruxa má, quase provando do próprio veneno e mordendo da própria maçã encantada.
Acabaram-se os empurrões, pescotapas, escoriações – mentiiira – e paramos pra discutir a relação. Já estava na hora né? Meses de relacionamento, tanta coisa entalada na garganta, que já não descia mais, então era melhor sentar e conversar, antes de acabar dando um tempo e acabando com tudo de uma vez – dramááática....
Enfim, sentamos pra colocar os pingos nos seus devidos is e não foi na hora, no fim de mais uma dinâmica em uma roda de fim de aula, dessa vez partimos pra mais de meio bloco de capítulo... de aula... em um embate acalorado pra colocar a cabeça no lugar – ou tentar... mais uma vez....
Se passou, portanto, uma semana entre o castelo de areia construído da base do empurrão e do faz de conta e nossa primeira DR prática da teórica. Isso mesmo: nossa DR foi toda de teorias em cima da técnica.
Sentamos dispostos a quebrar todos os tabus – pelo menos o Advogado do Diabo estava, né Jeam Pierre? – foram lançados na mesa: a bendita fonte de emoções – a memória emotiva- das próprias santas emoções e o misterioso subtexto, além de tudo da técnica e das emoções – que eu já falei taaaanto.
Mas afinal de contas: o que era o tal do subtexto? Até onde euuuu sabia, era a historinha por dentro da historinha, que eu criava pra dar vida à vida que tinha que viver. E acho, que aqui, parando e pensando – depois de todo o tempo real que se passou – esse mistério pra mim ainda continua um mistério. Porque ainda fica valendo pra mim, o feeling – a sensação – que tenho quando leio o texto em si, em primeiro lugar como expectadora e em segundo, como atriz – e criança – que busca descobrir o tesouro no meio das palavras, a aventura que ninguém nunca antes imaginou, que simplesmente o autor, diretor e o preparador nos dá aos pouquinhos e em pistas, que devemos perseguir. É brincar de descobrir, descobrir e brincar de sentir.
As emoções – eu sei que já falei demais delas hoje – são necessárias, mas antes de tudo devem ser vivas, e, acima de tudo, devem ser vividas. Nesse dia ou depois, não me lembro muito bem, eu só sei que me foi dito e repetido praticamente com as mesmas palavras, as máximas do Jeam – e eu acredito em todas elas; já acreditava, quando tinha ouvido só da boca dele e só veio à reforçar todas as outras bocas importantes que também disseram... – que no fim, é o corpo e o olhar que nos dão as ferramentas e que são elas.
Nossa alma se reflete através do olhar, e ela se alimenta do nosso espírito, que é espiritual, emocional, enfim.... e o corpo reage, quando não provoca todas as emoções que sentimos, ele prova o tamanho, a cor e a forma das emoções que nos tomam.
Naquela última quinta, partiu do desaforo, um abraço, e esse abraço soou mais desaforado que o próprio desaforo, o impulso de empurrar, de querer afastar ir pra longe, ir pra longe, enquanto no fundo se quer estar perto, tudo isso a história pedia, mas no fim, foram mandamentos da dinâmica, foi o corpo a corpo necessário pra chegar ao desequilíbrio, um desequilíbrio orientado, guiado – santo seja quem inventou a preparação de atores!
No fundo, no fundo, essa é que é a grande moral da história de ser ator/atriz: é aprender a se desequilibrar pra se equilibrar, perder o controle, sabendo se controlar, aprender a viver com script, o que nega todo o nosso natural impulso de viver de um improviso simples de viver... – sem querer ser redundante, mas já sendo...licença poética valei-me – porque todos os passos que você dá, daí em diante, não serão mais seus e serão dados com antecedência, com uma emoção pré-definida, pré-programada – no script.
Sem exagero meu, discutimos o ouro da mina: como encontrar os caminhos – esses caminhos todos que acabei de falar – que se encontram e se perdem na tal da técnica. Ela é famosa – não é atoa – é a grande manha, artimanha e malandragem que faz possível, uma vida ser vivida de forma tão bela, capaz de ser admirada e assistida nos seus mínimos detalhes...
E no fim de tudo, um novo desafio, novas parcerias se firmaram, novas duplas se formaram. E dessa vez, eu pude escolher meu cavalheiro andante, de armadura reluzente e cavalo branco – que já vinha de outros carnavais extra-classe – e minha escolha ser uma ordem – submetida ao poderoso chefão, é claro!
Grandes promessas se fizeram... em forma inédita de texto... aceno de marcação e direção de cena... e tempo.... a mais valiosa de todas as ferramentas, pra se trabalhar...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011

As cenas dos próximos capítulos e um capítulo...


E quem disse que tudo acabou quando as luzes se acenderam e os créditos subiram? 
Rebobina aí o DVD...
Aproveita e faz uma pipoca com guaraná, porque eu te garanto fortes emoções...

Naquela mesma noite que não terminou  não no fim da exibição das últimas gravações  recebemos nosso novo script, que dessa vez era uma missão impossível em forma de texto... – minha primeira impressão depois que li pela primeira vez... e ela permanece...
A história da vez é envolvente e comovente. Um drama em high definition. E eu que achava que já tinha feito drama – culpa do Jeam desde o teste, porque antes eu jurava que era engraçadinha, só tinha feito comédia... que coisa...
Nunca tive um texto tão sério na frente dos meus olhos... e não é exagero, nem dramaticidade minha em excesso – mesmo eu tendo de sobra, pra dar e vender... principalmente na minha vida privada, nada entupida – querem ter uma pequena noção do que eu estou falando e do tamanho da seriedade dessa história? O Advogado do Diabo trouxe um ator pra nos contar uma história que envolvesse o texto como um todo – com início, meio e fim – agora chuta aí quem...
Ele mesmo, o próprio Jeam Pierre Kuhl – recuse imitações.
É... eu juro! Ele resolveu brincar de ser Ator... e se revelou sendo um... – contraditório? Não... é irônico mesmo... e um tanto perturbador...
É que, de cara, eu não achava que estava diante de uma cena... me via diante de uma conversa de preparador pra elenco... Até que chegou um momento em que a história que ele contava foi ficando profunda  tão profunda  que eu cheguei a me perguntar será que ele tá só dando instruções? xequemate!!!
Eu duvidava do que parecia mais lógico e racional, do que era real – eram instruções, só que em forma de espetáculo, que ele dava, sem cobrar um cachê se quer... 
Ver ele atuar foi intrigante, porque ao mesmo tempo em que eu duvidava do que ele dizia, quase acreditava... se não o conhecesse, eu caía feito uma pata – quase caí... se é que não caí.... eis a questão... 
Ele foi interessante – no sentido mais enigmático possível... vide entrelinhas, quem for capaz.... 
E ele foi profundo... profundidade era a palavra de ordem dele, nosso comando principal, nosso AÇÃO de um mês de duração... Ele queria essa profundidade de corpo inteiro, no olhar – sem choro nem vela – e, diante da história dele. Ele exigiu que compuséssemos as nossas próprias histórias e realizássemos a mesma façanha que ele – aí, é que morava o perigo... até pra mim...
Entendam: a história contada pelo Jeam, foi tão bem bolada, que eu ainda fiquei com ela, os dois dias seguintes na cabeça... mas sem coragem, nem audácia, de usar nos meus ensaios – ele deixou isso terminantemente proibido – e não conseguia imaginar uma história melhor... até... a página vinte...
Quando eu menos esperava, a minha história começou a se esboçar pra mim... ela foi se desenvolvendo e terminou em três paginas de ficção... e elas é que me conduzem para o texto oficial... me dão um norte só meu até a minha personagem – que ainda não ousei dar um nome...
Sei que antes das minhas páginas, eu me perdia, me pegava pensando na história do Jeam e lutando pra não construir nada parecido... e eu acabei indo além... além até do que eu imaginava... Esse texto me fez parar pra analisar uma história de um jeito, que eu não fiz antes – eu não ignorava – porque não enxergava com a lucidez e a maturidade de agora. Antes de escrever a minha história de fundo pra história principal, fiquei imaginando – perdida – como eu ia fazer com tudo que eu aprendi com a Alice, pra se encaixar... Depois, com a história, eu descobri – me descobrindo – numa nova forma de encontrar alguém pra ser em cena, e desenvolvendo isso, pensei meu Deus, eu nunca fiz isso de verdade... estou fazendo isso de verdade agora....
Senti isso muito forte... eu nunca tinha de verdade estado numa cena, eu brincava de estar.... era como se só tivesse brincado disso esse tempo todo, agora parecia ser de verdade, coisa de gente grande mesmo e me fez sentir grande. 
Eu era amadora – não que tenha deixado de fazer por amor nem tenha deixado de ser, ou me tornado profissional – eu encarava tudo de uma forma tão intuitiva: era ler o texto, interpretar, captando as primeiras e segundas intenções, e traduzir isso em entonação de voz pra reproduzir. Agora eu sei que é mais... é muito mais... é mais que brincar com a voz diante das linhas: sou eu inteira! E isso só passou a fazer todo o sentido do mundo pra mim agora... a brincadeira ficou séria de verdade... estou fazendo e me envolvendo de verdade, me apoderando da história – texto, porque o dia que eu me apoderar do negócio em si, nem sei se vivo pra contar a história...
E me dividi nesse antes e depois diante da Alice e dessa história... com a Alice eu vivi teatro de verdade e com a da vez, estou vivendo drama pela primeira vez de verdade... e é do jeitinho que foi com o teatro, eu já ensaiei fazer drama antes... e agora, parece que eu estou vivendo um drama de verdade... me sinto debutando...
Debutando no jogo de olhares, no close absoluto... e em me sentir Wagner Moura encontrando Capitão Nascimento, ansiando o saco da verdade... – masoquista? nope
Primeiros efeitos, depois que se passou uma semana entre as intenções e a execução delas – dando a deixa... próximo capítulo agora... – e que me deixaram marcas e traumas pro resto da vida – juuuro... não... eu minto... mas uma raivinha, eu passei... 
Meu problema foi levar o Jeam à sério demais como eu levei. E a seriedade com que eu encaro esse homem é tanta, que eu acredito piamente quando ele diz que vamos gravar, quando não vamos – e é só mais uma pegadinha do Advogado do Diabo metido à malandro – e principalmente quando ele diz que vamos experimentar uma preparação pra Capitão Nascimento nenhum botar defeito, estalando pedaços de pau nos ombros de alguém...
Sofri, confesso.... fiquei rezando por dois algozes em especial e renegando todos os outros... já me imaginei roxa e tendo que improvisar satisfações... – mas pedir pra sair? JAMAIS!
E era maaais uma pegadinha do Advogado do Diabo... incluindo, inclusive, ele alegando falsas escoriações e lesões de almas de abomináveis passados – e eu ali, levando a maior fé...
Mas enfim... os pedaços de pau não eram pra bater, eram cordões umbilicais... funcionariam – e funcionaram – como extensões da ligação entre dois corpos – eu e meu parceiro de cena – que ligados, então, deviam fazer seu cordão dançar e interpretar com o olhar, de acordo com a trilha sonora de fundo – preciso dizer o quanto eu amei isso? Eu sempre tive a minha, pra todas as quintas, todos os personagens... vocês sabem disso... mas ter uma em aula... ahhhhhhhh... E a maior ironia da história toda? Foi o ritmo das músicas do Jeam bater com o ritmo que eu escolhi pra faixa principal da minha...
Com ela, teve também a dança das cadeiras, que não podia faltar e não deu pra enjoar nem entediar... – como se desse... uhum... – foi extremamente dinâmico – como o nome da própria aula dizia...
E houveram momentos... de passar o texto, colocando a boca pra funcionar... de colocar ela em ação de frase em frase, dando continuidade pelo outro – por ele e para ele – de perto, de longe – distaaaaante – de costas, com as palmas das mãos encostadas e separadas, mas sempre como se estivesse de frente com alguém – aquele alguém – e, principalmente, ouvindo.... – até pelas costas...
E eu não estava surda, soube ouvir. Me virei nos trinta... claro que me chateei por não ter ouvido de mercador, mas compreendi sabiamente a sabedoria Pierre... traduzindo: olhos e ouvidos na cena, que o resto é resto!
Minha cena... todas as minhas cenas foram incríveis, cada uma especial de um jeito. Teve quem me surpreendesse e quem não me decepcionasse... me jogasse lá embaixo, no inferno – afinal, era um drama...
Me senti intimidada e refletida num espelho, que me respondia do avesso, me contrariando, me contradizendo... sem ser eu... e eu fiquei sem palavras, elas me fugiram da boca... e acabaram se revelando.... assim como a ameaça de gravação  – aquela – que ameaça se concretizar...
segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não gafearás!


É hora de tirar o pé do acelerador e dar uma freiada... a última quinta foi em clima de talkshow, estilo Altas Horas...
Montamos uma mesa redonda improvisada e começamos a conversar, no que foi nosso primeiro laboratório profissional.... mesmo não sendo para um personagem....
E a minha impressão era de que tinha um quê de orientação de conduta e boas maneiras no ar, me senti numa aula de etiqueta pra atores. Vocês podem até pensar que não, mas nós também precisamos dela, principalmente quando temos um grande encontro à vista. É importante não colocar os cotovelos na mesa, palitar os dentes, fazer barulhos desagradáveis - chupar os dentes, sopa -quando se está nela, equivalendo à nós a sacar a arma poderosa da palavra engatilhada na ponta da língua ou se favorecer da arte de se silenciar...
O que, resumindo, se trata de repertório, pertinência e muito, bastante, desconfiômetro. Existem assuntos entre atores e diretores, e, todos, sem exceção, se classificam entre os extremos: ou proibidos ou interessantes.
Informação é poder, e não se desperdiça. E com esse poder habilmente manuseado, se conquista conhecimento e inteligência. E não existe nada mais abominável que um ator burro, não é? A burrice em si já é abominável.
Daqui, particularmente, eu já garanti as minhas conquistas, e a partir delas, formei um manual de etiqueta, mandamentos, incluindo pecados capitais, aqui na minha cabeça. E ele é, claro, confidencial. Afinal segredo é alma do negócio e pré-requisito pra não se rescindir um contrato. Mas um segredo eu posso revelar: com ele, gafes no more, baby!

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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