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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Reencontro


Vamos escrever 48h aqui... 48h após 48h de observação/maturação.... 48h que valem 2 anos....
Primeiramente? Uma loucura, retomar contato após anos com O cara que me formou e me deu um norte do que era esta minha vocação, de como era uma profissão. Neste momento, eu sabia que já tinha vivido tantas viradas – mas TANTAS – na minha vida pessoal e que a profissional estava querendo perder o rumo, eu senti o alerta e fui de novo na mesma fonte que me tirou de 6 anos de hiato por pura imaturidade – mesmo sendo eu idosa de alma, de nascença – eu sabia que sozinha, eu não iria além da página 20 e como todo mundo sabe – até ele – : eu sempre quis ir além.
Por que além? Primeiro ir além de mim, além de uma vida, além de uma história, tocar além dos que me cercam, poder me doar além, me doar mais, ir além dos meus limites, pensar além e fazer pensar além, fazer as pessoas conversarem além e até brigarem além, mas não queria ser indiferente nem que estivessem indiferentes ao meu redor, e, magicamente, aos 10, instintivamente eu me apaixonei, como se num truque de mágica ao sair de cena pela primeira vez, eu tivesse encontrado a missão da minha vida. Então, aos 21, depois de anos de teimosia e vamos colocar a palavrinha mágica que aprendi há pouco – maturar – eu fui atrás e encontrei a realidade de ser além da sonhadora, uma profissional com o grande mestre abominável Jeam Pierre. Me formei e todo um mar passou, ressacas, dias azuis, conquistas e o mais temido de todos os movimentos: a falta de...
Eu me desconectei com aquela parte de mim que eu só experimentei enquanto me formava pra me registrar profissionalmente, a linguagem que conheci ali na JP Talentos, aquela que desafiava diferente do teatro, que me dava uma adrenalina diferente, uma pulsação de outro gênero...
E eis que com uma boa dose de intuição e conspiração do universo se abriu esta nova oportunidade, estas 48h... mas foi além dessas 48h, porque aconteceu todo um processo comigo desde o estalo de ir atrás, a preparação, vários micro-objetivos que fui alcançando – como gravar de novo e descobrir que instintivamente, eu tinha maturado, FINALMENTE entendido o que era a linguagem, finalmente não fui over, fui right HAHAHAHA – e o planejamento, até finalmente começar a viver as 48h propriamente ditas.
Quando eu falo em preparação, foi um processo à parte, onde eu dando vida ao meu próprio nome mais uma vez: renasci, me encontrei de uma maneira e em um momento, que eu sabia exatamente o que queria e trabalhei todas as ferramentas – TODAS – para me alinhar, abraçando esta oportunidade com toda a minha força.
Semanas de ensaio com direito a trilha sonora estratégica de preparação se passaram e chegou a hora, eu viajei... eu LITERALMENTE viajei.
Em 48h, eu embarquei numa jornada, onde fui expectadora de mim mesma, me perdi de mim mesma, caí em armadilhas que nunca imaginei que cairia – que eu mesma criei – e briguei comigo mesma e ainda estou tentando decifrar enquanto escrevo estas linhas. Magicamente, tudo que eu preparei, evaporou e eu zerei... nasci de novo? Renasci, como se estivesse pequena, frágil e completamente nua e chorando pra dentro, sem conseguir jogar pra fora. Fui chicoteada, nocauteada por mim mesma e minha mente sabotadora ou uma força maior, não sei... E eu renasci de novo, porque essa mesma força cuidou de mim, eu me senti cuidada por várias mãos muito sábias, no momento em que eu me senti mais vulnerável... e renasci de novo ao descobrir e redescobrir conhecimentos, ao ultrapassar o pânico de me expor vocalmente durante uma prática de técnica, ao mesmo em um turbilhão, entorpecida e perdida, eu consegui ouvir, ressignificar ouvir, ouvir outra pessoa, zerei a cabeça, me ausentei de pensamentos, renasci como uma folha em branco...
Eu renasci em palavras que mesmo cercada por dezenas de pessoas, pareciam ter sido pensadas e dirigidas pra mim, foi como se estivessem me espionado nas últimas semanas, e não no sentido de me assistirem, mas de estarem dentro da minha cabeça e confirmando tudo que eu estava sentindo e auto-dirigindo, o que queria – quero – minhas forças, que iria além, simplesmente porque QUERIA e dane-se o que eu tivesse que fazer pra chegar lá e o universo dava – e deu – sinais de que eu estava trilhando o caminho certo e eu segui confiante à frente, eu ouvi isso, eu senti isso e eu vivi isso!
Eu acreditei e me fiz de ímã até chegar nessas 48h, depois que elas chegaram, tive que renascer de novo, sim, de todas maneiras que eu acabei de dizer, e, mais uma vez, quando as palavras não pararam nesta quase narração de todo o processo que eu tinha vivido pra estar ali, elas me persuadiram do para quê eu estava ali e como eu ia continuar, fui estapeada, esbofeteada, deslumbrantemente nocauteada ao sentir que falhava... falhava?
Por mais que eu pudesse ter feito mais, além, diferente da minha parte, no que diz respeito até onde eu podia ir pra talvez chegar no resultado que eu desejava naquele momento, eu só iria até a página 20, não é? Além da 21, não era comigo...
Sim, a perfeccionista dentro de mim me diz que eu poderia ter feito assim ou assado, mas além dela, eu sei e eu sinto que fui cuidada, preservada, poupada... estava sem condições por razões que a minha própria razão desconhece e, muito provavelmente, eu poderia arruinar em outro desfecho e as consequências poderiam ser mais danosas para mim, não me fazer bem profissionalmente... pessoalmente...
É difícil, não é fácil realizar que às vezes, é melhor que não seja do que seja, porque não existe nada que aconteça ou deixe de acontecer que não seja pro nosso bem e eu ACREDITO que tudo que aconteceu, mesmo que estranhamente, foi dirigido e conduzido para o meu bem e é isso que me importa.
Eu definitivamente não saí sem saber o que fazer, não foi um ponto final, muito menos uma interrogação, estou tentando decidir entre reticências ou uma vírgula...
Delas, ou dela, das palavras que eu ouvi, eu tive o meu primeiro contato real com o coaching, este termo que todo mundo  usa, que parece fácil, mas não é e me fez renascer mais uma vez, porque me revelou talvez o segredo de um milhão de dólares, ou – abaixando o meu tom agudo de dramaticidade – da vida: de que você precisa tomar as rédeas, quem manda é você, não é mais ninguém, se você não se cuidar, você desaba, e foi aí a minha falha, mas foi importante falhar aí, pra saber que preciso redobrar a minha atenção e os meus cuidados comigo, sem olhos pros lados mais pra dentro de mim. Não existe sucesso em nenhum sentido se não estiver tudo muito bem aqui dentro.
Daqui de dentro parte o maior encanto de todos, o próprio sucesso, porque se estiver tudo em ordem, equilibrado, com a frequência devidamente sintonizada, você vira uma ímã e você vira um campo de força e você atrai e logo, você forma uma equipe ao seu redor e com você, que acredita no mesmo, em você e te leva além, indo além junto com você.
Eu ainda estou no primeiro passo e meio da jornada e ainda vou além, porque eu ACREDITO.
Queria abraçar todos os profissionais que estiveram comigo nessas 48h, abraçar forte e dizer que eles me fizeram renascer, me deram uma nova vida de consciência, me orientaram e agradecer por isso. Muito obrigada por cuidarem de mim e me colocarem num lugar que eu nunca poderia imaginar. – especialmente você, Jeam Pierre, o grande responsável por tudo, mais 2 anos, 2 anos em 2 dias....
Foi intenso, difícil de entender, de colocar em palavras, mas foi necessário e eu quis traduzir e deixar aqui registrado que foi inspirador, pra que não se perca toda essa imensidão, ressignificação...  
Deram mais de uma vida ao meu nome, a sabedoria de que essa é a minha alma, de tudo que eu faço e que é o que é capaz de me fazer ir pra frente, meu nome e sobrenome: renascer e ser intensa.

Agora, é maturar – melhor palavra dos últimos tempos do último final de semana – e dar mais meio passo, depois mais um passo... outro passo.... outro passo... outro passo... e andar. Andar, caminhar, antes de correr e ir além.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

A última das moicanas... quem sabe Sócrates explica?



E antes que se esqueçam – ou eu – ainda gravamos depois... e recebemos todo o retorno possível – e impossível – vocês sabem muito bem de quem, pela última vez...
Se me perguntarem como foi... e se eu disser que não sei, vão me chamar de mentirosa... mas dessa noite em especial pouco ficou pra recordar....
Sei que gravamos na frente de todos, que daquela vez – talvez por ser a última – era diferente, se era o ar, o clima, o timing, o feeling, não sei...
Não sei de muita coisa... sei que nada sei – Sócrates nunca fez tanto sentido...
Mas olhando aqui meus rabiscos e me lendo em forma de lembrete – usando e abusando da minha memória emotiva, porque não sou de ferro sei exatamente de tudo que realmente interessa: como me sentia enquanto gravava.
E eu estive lá de pé, diante daquela câmera, respirando fundo... olhando pra baixo e tentando trazer dos pés à cabeça o que o chão me trouxesse, como se fosse capaz de viver uma emoção a partir dali... mas não eram dos meus pés, eu queria que eles puxassem ela pra mim... e nisso, um dos ensinamentos dolorosos da noite anterior me valeu: eu tinha que sentir... e eu senti....
Sabem o que eu senti? Calor.... me subiu – ou desceu – um calor por tudo quanto era lado, costas, nuca.... – geralmente esses dois lugares quando se aquecem, querem me dizer que realmente estou envolvida, estou em cena – e isso com os pés pressionando o chão e as palavras me abandonando os lábios.... ali eu tinha plena consciência de que tudo partia do meu corpo, do contato que ele tinha com a superfície, da pressão que eu provoquei entre os meus dedos e ela.... até minhas mãos buscaram a inspiração do chão – à distância, claro – então tudo parecia fazer sentido, a tal teoria de Pierre que afirmava que o corpo era o verdadeiro condutor das emoções, era uma verdade ali pra mim, naquele momento...
E eu acreditei nisso.... e como sempre, não sabia o que esperar de mim no vídeo.... se passaram as instruções que o Jeam me passou antes de gravar, as apresentações de todos – menos uma – sem que eu sequer gravasse, registrasse na memória... tanto que me resta pouco a dizer, a não ser de alguém que já admirava e passei a admirar mais ainda depois dessa noite: Jamil Vigano.
Se existissem cinco estrelas, um Oscar pra dar, por conta daquele exercício seria dele.... – como realmente foi, porque fazer o Advogado do Diabo tirar as fitas do bolso....
Ele foi sóbrio, limpo e intenso.... soube trabalhar a intensidade como ninguém, num texto que arruinou praticamente todos – inclusive a mim, sem saber – e ele tinha aquele olhar que arrastava multidões, ele era enfim, um galã de verdade – como eu já o chamo carinhosamente nos bastidores.
Chamou – inclusive ele não sabe o tanto – a minha atenção com a dicção e a desenvoltura da cena dele.... algumas outras – uma, pra ser mais exata – me chamou atenção também... tenho esse feeling.... mas lembranças que é bom....
E a gravação se sucedeu pela tradicional sessão de esporros e considerações ala Jeam Pierre. Nos assistimos como sempre, e o feedback veio à cavalo.... e o meu? À galope.
Nem nos meus piores pesadelos, eu me imaginaria em cena como eu me vi e eu murchei.... naquela hora – eu não sabia na hora – eu só sabia que nada sabia.... – Sócrates, explica?
De repente, em poucos de minutos, me convenci que estava vivendo um dejavu dos meus piores momentos de todos aqueles meses de aula – da pior crítica que uma atriz poderia suportar e duvidei do meu aprendizado, da minha capacidade de aprender com os meus próprios erros e enfim, de aprender – por mais redundante que possa parecer...
Na verdade, eu me negava a acreditar que fosse capaz de cair nos meus erros e repetí-los de forma tão estúpida... me senti estúpida e nem um pouco atriz – aliás muito loooonge disso.
E na sequência dessa sucessão de erros repetidos, veio a crítica mais que justa, e também, repetida. Talvez cruel, talvez sei lá mais o quê, talvez... mas foi principalmente: merecida.
Minha gravação correu o risco de não ser exibida naquela noite, por falhas técnicas – ela não constava nos cartões de memória – e eu fui ameaçada de realmente não tê-la exibida e de finalmente ter que gravar tudo de novo – sacrifício?.....
Quase fui sacrificada... – quase no fim, ela estava lá e eu preferia que não estivesse.... preferia que a profecia de bastidor tivesse se cumprido e eu nunca tivesse assistido o que eu assisti.
Senti que foi um erro, assim que terminou, me decepcionei comigo e sabia que não conseguiria me consolar... e até hoje não consigo, se olhar pra trás... mas sei que dali em diante, eu soube exatamente o que não queria ser, o que não suportaria de mim...

O interessante do fracasso, é que por se chamar assim, ele dificilmente é encarado com sobriedade ou como estímulo para se atingir o sucesso, ele é só visto como o seu oposto. Para quem teve o coração aflito como o meu, a garganta embargada, a cabeça atraída pela parede e os olhos se rendendo em lágrimas a ponto de borrar toda uma maquiagem e se entregar frágil, vulnerável, derrotada, como eu me entreguei naquela noite, era impossível.
Eu não me encontrava em posição de me aceitar ali no fim de tudo como quando entrei.... mas me esqueci, no meio de toda a raiva, de todo o turbilhão, de que eu entrei naquele curso pra errar, e eu entrei nele, porque realmente era capaz de dar conta do recado.
Enfim, voltar a ser como eu era, não era ruim, mas era – isso sim impossível, e eu era incapaz de discernir ali no calor do momento.... desmoronei diante do caos que eu mesma me proporcionei, sem ter a consciência de que eu era incapaz – aí, sim – de ter voltado atrás e regredido, porque o tempo nunca volta atrás, muito menos nós....
Podemos até conseguir repetir as atitudes, mas nossa postura nunca... eu caí no mesmo conto, estando plenamente consciente de corpo – coisa que jurava ter vivido, se me perguntassem e ainda juro – sendo que nunca vivi isso antes nem sonhei em.... prova de que tanto na vida como na arte não se pode rebobina a fita....
Conclui finalmente do que eu realmente fui capaz: de errar de novo, inspirada nos meus próprios erros.
Precisei de meses para vislumbrar o fim do túnel, estando no seu fim – porque eu realmente não me senti no fim da jornada com o Jeam, porque ela realmente não começa nem termina nele, mas sim em mim.... porém, contudo, entretanto, todavia, nossos encontros acabavam ali... – eu não senti.... – mesmo agora, eu não sinto – mas cheguei lá, aonde tinha uma luz, que se chamava Ana e não era minha colega de cena.... mas isso é um assunto para o nosso próximo encontro....
domingo, 12 de fevereiro de 2012

...E eu... me lixei, sem me lixar.


Declaro o fim do festival saliva e agora vou contar como gravei no estilo nem se lixando... nem se lixando pro drama, nem se lixando pro texto – cacos à la vantè, pra desespero de uns, né Jeam Pierre – e pra personagem na minha frente. Considerei desconsiderar ela muito mais interessante e natural, como se fosse respirar. E nem foi só aí que minha consideração foi posta em cheque: todo o entendimento de cena que tínhamos construído, toda a dinâmica, todo o engenho foi pro ralo... – encurralado na dimensão dos ensaios.... – a lixa estava banida do set.
Porquê? Simples: minha casa não ia ser invadida, a intrusa não ia entrar porta a dentro, eu é que ia chegar em casa e constatar que ela já estava lá, de braços cruzados à minha espera. Me desapontei por um lado e não me abalei por outro – quem sabe já estava na personagem e não sabia...?... nada disso!... – fui chegando à conclusão mais racional – o que, pra mim é uma raridaaade – de que não adiantava me desgastar diante do imutável, dar murros em ponta de faca, não ia fazer o Jeam aceitar nosso raciocínio, tendo em vista, que nos equivocamos, então.... se é pra se virar nos 30.... eu me virei!
Com platéia – colaboração de um convidado especial, integrante da equipe do Jeam, produtor dele, que fez as honras de cameraman e nos deu... pra variar... um oooutro ângulo de captura – fui leviana, deslumbrada, cega, má... ruim... péssima! Fiz questão de provocar a Taís o tempo todo – assim como eu já tinha feito durante os nossos ensaios – de fazer ela querer me fuzilar com os olhos, desejar me pegar e me fazer perder o rumo de casa – como eu tive a oportunidade de fazer, quando o texto me permitia e eu ainda me dei a honra de transgredir e ultrapassar todos os limites, pegando ela pelos braços e sacudindo ela firme, pra depois largar e deixar ela completamente perdida, sem chão e tremendo... uma delícia – porém, contudo, entretanto, todavia.... o texto não dava à ela a menor deixa – que peninha.... mentiiiraaaa... nenhuma!... e não, eu não estou na personagem agora.
O prazer de saber que abalava as estruturas dela, a ponto dela começar a me empurrar, querendo me derrubar – e quase conseguindo, porque isso não estava combinado – era meu, da minha personagem, uma coisa muito louca.... e difícil de explicar! Ser má é ser livre, sem pudores, sem cesura, é a personagem mais libertadora que existe, com ela – a maldade – se brinca de verdade, se toca nos pontos mais cruciais, se traça o conflito e o clímax de qualquer história, traz reflexão.... sem ela, não há história... graça. E pra mim, encaixa como uma luva, me dêem só um parêntese, uma indicação mínima ou o mínimo de liberdade que eu me transfiguro com o maior prazer do mundo, porque prefiro trabalhar com as minhas sombras à sofrer – mesmo que esse seja meu maior desafio....
Confesso que estava na minha zona de conforto ali, queria – tinha plena consciência – abalar, destruir, trazer pro chão e eu trouxe o coração dela, a esperança eu fiz questão de matar, fazendo ela não me reconhecer nem como eu... nem como o grande amor que eu – enquanto personagem – fui pra ela um dia, eu era outra mulher. Uma mulher que desesperava ela, que fazia mal, causava repulsa. Eu inventava, criei a partir de uma personalidade que eu construí, linhas que fugiam e ultrapassavam as linhas delimitadas do texto, porque cabiam nos lábios dela – a minha personagem – e as outras eram limitadas demais.
Limites foram realmente discutíveis nessa gravação. Errada ou não, eu fiz a minha colega de cena tremer em cena, e isso, meus amigos, é de um desprendimento que poucos são capazes: demonstrar fraqueza – e seja ela como for e porque for...
Eu adorei sentir o prazer extra-cena – além da... – quando fui atravessar a fiação da camera e recebi o feedback do meu primeiro expectador – o cameraman, aquele amigo do Advogado do Diabo meu preparador querido – dizendo sarcááááásssssstica hein e me deixando boba... mal sabia ele que era tudo que eu queria ouvir e quando a platéia aumentou, paramos pra assistir – eu na posição de diaba, do lado esquerdo do Jeam – e aquele sussurro de quem se deu conta de que eu criei em cima do texto – arrisquei, porque quis dar e dei voz à minha personagem – entrecortado pelo grito final que me chamava – enquanto personagem – de VAAAAAAAACA... foi música para os meus ouvidos!
Ali, pra mim, eu já tinha atingido exatamente o que queria: minha concepção de sucesso. Contrariando, e sem pedir licenças para roubar as suas palavras, mestre Pierre, CAGUEI... ela cagou, minha personagem... cagou pro seu texto, ela se arriscou com a própria voz – fazer o quê? – além do meu aval, e deixou explícitas as suas próprias vontades, a sua verdade. Eu me arrisquei, confesso, mas não me arrependo nem um pouquinho, e sabe.... sabem por quê? É partindo dele, do risco e do erro, que alguém se torna capaz de acertar, não perseguindo os acertos freneticamente, porque assim eles não se deixam alcançar, fogem. E a razão mais importante de todas: ela foi feliz, eu fui, nós duas fomos juntas!
Em cada passo, em cada quadro, em cada reação, em cada retorno que recebi, dentro e fora de cena. Fui vista pelo meu neném – pra quem não sabe, é assim que eu chamo carinhosamente ao Jull Vigano, o irmão do Jamil, que já dispensa apresentações, né messssssmo*?
*lê-se o original, recuse imitações....
.... e não só vista, como reconhecida por ele e pelo cameraman, e sinto muito – naaada – mas eu ganhei a minha noite: me lixando... e sem me lixar hein. 
Um dos meus maiores e melhores momentos dos últimos – todos – os tempos!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sangue, suor e lágrimas... super ultra mega power Atriz ativaaaar!


Por dentro, eu estava contando os dias para poder vir aqui confidenciar o que aconteceu no dia em que fui gravar meu primeiro diálogo, incorporando minha persona insana non grata. Os caminhos que me levaram até esse dia e o que ele representou na minha vida abominável, inclusive o retorno disso tudo, formam o conjunto da minha obra, de maior sucesso – só perdendo pra Alice.... até porque a Alice é or concour!
Antes de tudo, antes de já chegar chegando, gravando, ensaiamos por nossa conta e risco – o Everson e eu – e tentamos construir uma cena, também por nossa conta e risco – porque em se tratando de Jeam Pierre: prepare-se para o impreparável, meu amor – além de enfrentarmos o texto mais desafiador de todos – não por densidade, profundidade – era uma grande pegadinha em forma de.... parecia um cordel... um trava-língua... um enlouquecedor de atores – e eu já era a louca heeeeeeein, oh que sortuda eu!
Decorar uma peça – não, não quis dizer montagem de teatro, daaaaaaar – dessas, realmente foi meu maior desafio, porque as falas eram curtas e completamente sem nexo – aliás pra quê?... num passa de adereço isso né Jeam Pierre? – que pediam a fala do outro, dependiam dela pra existir e era – não, não tem outra palavra... – LOUCURA!
Mas enfim, voltando... ensaiamos nessas duas semanas que tivemos – traduzindo 2 últimas confissões – ai que mentiiiiiiira!.... na realidade da situação, os planos eram lindos, mas o bicho pegou para o meu lado e o que eram duas semanas garantidas de ensaio, de encontros marcados, se resumiu a apenas dois, espremidos em uma única semana, porque na seguinte o bicho pegou pro meu lado!
Comecei a apresentar sinais – sintomas, pra ser mais franca – que me fizeram crer que eu ia dar um tiute: a virose pirou minha cabeça e o coração....? Quis morrer.... – força de expressão, é claro – desmarquei os ensaios com meu companheiro de cena, morrendo de remorso – é, eu sou dessas – e quase matei o homem do coração – ele apavorou, disse que sem mim, ele não era ninguém.... não com ESSAS palavras.... mas quis dizer.... e eu como não posso perder as oportunidades que me dão, já entrego logo.... e foi liiiiiiindo isso!
Minha garganta pegava e o meu pavor não ficava muito atrás... foi se aproximando o dia e nada... o dia chegou e eu decidi procurar um médico e o querido profissional da saúde me fez tomar o fim da picada – a própria – no bumbum mais soro na veia. Saí de lá intimada a descansar e desistir de ir gravar – não pelo médico, mas pela poderosa chefona que eu tenho em casa – e eu batia pé que me sentia bem, que estava em condições, tentava me defender do indefensável... no fim, me rendi.... – e porque estou aqui escrevendo... ainda?
Até a página vinte, foi até aí o limite dos pontinhos – minúsculos – que entreguei... depois de uma ligação e muita reflexão – incluindo a lembrança do que senti na única vez que faltei na vida – e eu já sabia que a dor de ser obrigada – mesmo que pelo bom senso – a ficar era mil vezes mais dilacerante do que a real que eu poderia sentir. Dor real, eu não sentia, mas me sentia apreensiva, e muuuuuuuito impressionada! No fim, vocês já sabem....
Eu me rendi e saí nos 45 do segundo tempo pra correr atrás do prejuízo... e eu não pensei só em mim, no quanto eu sentiria não gravar, ainda mais depois de já ter tido a oportunidade de me apresentar pra galeeeera – feelings de seu boneco, eu confesso – também pesava ter de deixar o meu companheiro na mão, ele estar lá me esperando e terminar abandonado e frustrado, não seria justo com ele, muito menos comigo, e, contra tudo e contra todos: EU FUUUUUUUUUUUUUUI – ooooowooooo.... tá, parei....
Chegando lá, jurava que estava bem e jurava que achavam o mesmo – o que é o pior – mas não era bem assim... e eu só iria descobrir depois.... no meu presente, meu agora, eu tinha um apoio e estava segura do que queria.... segura na minha insegurança – como eu mesma digo – era o meu tudo ou nada!
Deixei as cartas na mesa e fui franca com o meu companheiro, eu não estava em perfeitas condições – crianças não façam isso em casa – não sentia, mas estava impressionada, vulnerável, frágil, não era cem por cento, mas a força que eu não sei de onde eu tirei, era maior.... maior do que eu....
Ele me aceitou, sabendo disso. E a sorte estava lançada para nós dois. Observamos o jogo todo de cena mudar de figura – e não, não era pegadinha do Advogado do Diabo – as marcações mudaram em cima da hora, o cenário virou mais de um e até à figurantes – nós – e holofotes tivemos direito. O negócio era mais dinâmico e ainda engenhava a construção de uma equipe de filmagem – cameraman + apoio do cameraman + caboman+boom – todos unidos com um único objetivo: gravar sem derrubar o Jeam Pierre e passar com o boom na frente da camera.... ihhhhhh, foram dois...
Enfim, de tanta observação e entre ser figurante e parte da “equipe técnica” da coisa – cena – fomos, finaaaaalmente, fazer a coisa engrenar com a nossa cara. Chegou a nossa vez de gravar e.... faiouuuu.... entrada deu errado, fui autorizada a repetir e daí foi só correr pro abraço: cerca daqui, cerca dali, corre atrás, provoca.... e COOOOOORRRRRRRRTAAAAAAAAAAAAA! Acaba de repente e você fica pensando porque passa tão rápido? Passou.... eu não assimilei.... minha ficha não caiu.... eu só senti.... senti a maravilha que era estar ali, ter feito a minha cena, que era poderosa por ter enfrentado um mundo, e, principalmente à mim para estar ali.... que estar ali me provava do que eu era capaz pelo meu sonho de menina, eu era poderosa – super atriiiiiz ativaaaaaaaar.... não resisti...
Nas nuveeeeens... além das incertezas, inseguranças, na segurança de saber, de ser uma atriz de verdade, sem fugir da raia, jamais! Mesmo entupida e entorpecida – como disseram as más línguas por aí – eu estava presente e mais viva do que nunca em cena, eu vi isso! 
Assisti de camarote e ninguém diria, sequer suspeitaria das minhas reais condições.... não antes de um longo discurso de frear qualquer perfeccionismo e estimular o espírito errante – de errar mesmo – de se arriscar sem medo, de desejar o erro, na certeza de que correr em direção à ele, nos fizesse mais humanos, mais atores.... antes que nos tornássemos múmias, enroladas nas faixas que criamos pra nos atar e sufocar no rumo da perfeição, que é de vez em sempre, inatingível.
Fomos convidados – e mais uma vez – desafiados a caçar o que tínhamos de bom, pra variar, já que o que tinha de ruim já estava sempre em pauta e estávamos ficando irritantemente repetitivos e obsessivos autocríticos. Não precisávamos de ninguém pra quebrar nossas pernas, que já tínhamos nos engessado, entendem?
Analisando com menos crueldade a nós mesmos, nos assistimos.... e eu me maravilhei com o que consegui, até minha voz afinou num ponto em que jamais se confundiria como a Alice, eu soava uma retardada completa e estava extasiada!
Ainda escutei as palavras de anjo do Diabo em forma de preparador.... “sem dúvida, esse foi o melhor vídeo da turma... da noite”.... e aí o êxtase foi total e irrestrito, o prazer não caberia nem em cinqüenta páginas – que vocês sabem muito bem que eu seria capaz de escrever.... mas eu não preciso... a felicidade dispensa palavras.... e eu me basto com essas....
Sei que se morresse ali, naquele momento, morreria.... – feliz? – sem um Oscar.... ou no mínimo.... um Melhores do Ano né, Fausto?... um Quiquito.....? Nem morta, santa!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Direto do túnel do tempo...


Difícil negar que eu levei um baque.... que me abalei e que cheguei ao silêncio, pra me encontrar, refletindo diante daquilo tudo que nunca vou me esquecer....
Ficaram marcas, até aqui.... e eu juro que dispensava.... as semanas foram passando e minhas memórias se embaralharam e eu já não tenho mais meus mínimos detalhes, pra brincar.... mas não vou rasgar páginas, colocando elas em branco – porque isso não deixaria de ser...
Quero retomar tudo, as rédeas, desse meu livro aberto, até o ponto em que parei e as reticências que deixei pra trás....
Miniflashback, por favor
...Comecei me inspirando na Beyoncé e essa faixa de trilha sonora dela, me veio de imediato e não foi só pela música em sim, foi pelo clipe – que parece que saiu de dentro do texto – e depois, por ela, que embalava as entrelinhas em que eu acreditava – de negação, hesitação diante do medo de se entregar e se decepcionar.... enfim, incerteza – e dela, eu parti pra dança e encontrei uma, em forma de duelo apresentada pelo Kent, na sétima temporada daquele reality – que vocês conhecem muito bem, e se não vide – uma coreografia contemporânea para dois homens, que tem como fundo a história de dois amigos e uma traição – a punhalada pelas costas – eu me envolvi com o personagem do Kent – o amigo de boa fé, traído.. de camisa branca – porque ele se envolvia com a minha também... e parecia que tudo se encaixava com o maior drama de todos e se envolvia com ele.... com o meu também.... – e eu errei....
Escrevendo, achando que estava seguindo as mais recomendadas instruções, na minha zona de conforto – afinal, eu voltei a escrever.... – eu acabei me desnorteando, pelo norte que eu tentei criar, estabelecer pra mim.... e me arruinei... – até a página vinte....
Diante disso, eu encontrei – como sempre – as forças, a luz e o caminho para me safar, me achar de novo e sobreviver.... Sair dessa posição, dessa inércia, que a minha pretensão, minha falta de preparo e meus nervos me colocaram e me deixaram.... Bateu aquela vontade negra – alimentada pelo meu diabinho interior e o exterior – de fraquejar e abandonar.... mas eu ainda tenho um santo forte, que me ergueu e me levou ao encontro do Cris na noite em que eu gravei esse texto pra valer....
Pra gravar, eu abandonei a minha história, todas as minhas inspirações antigas, desconstruí.... e de repente, não mais que de repente, fui dirigida – antes de tudo, da cena – eu ganhei aquele empurrão, aquele estímulo, que eu precisava, e finalmente vi a luz.... a luz pra construir em cima do que sempre sonhei, mas ainda não tinha a coragem, nem via a oportunidade: ser uma vilã....
E para a minha vilã, requintada de ironia, sarcasmo e doses fartas de ignorância, Adele foi a minha trilha da vez... a música dela era a ideal para embalar essa minha mais nova personalidade, personagem.... e eu não busquei mais dança alguma, porque aquela – do duelo entre os homens – ainda sim, era perfeita para essa minha realidade – subtexto, pra não dizer que nunca usei do termo.... mas vocês só vão entender do que eu estou falando confissões além.... – de traição pelas costas, decepção, dor e mágoa.... 
A diferença dessa vez, é que a “minha” mágoa virava ressentimento e esse ressentimento se tornava ignorância, agressividade, violência em forma de ironia e sarcasmo – a dupla infalível..... 
E eu me aproveitei, tirei vantagem de mim, da minha bagagem  da vilã interior  dos olhos, da força no olhar do Cris e eu consegui.... – com ele, Cristian Moura e sem o boom – nascer de novo.
É.... eu nasci em cena, e sem o tapinha no bumbum, dei meu grito de liberdade e me libertei – soltei a minha voz... ela se desavergonhou, o que, não foi um milagre, já que ela estava trabalhada no sarcasmo....
Eu dei uma sorte imensa, já que foi o Jeam que escolheu nossos parceiros pra cena, e quando ele escolheu o Cris pra mim, eu suspirei – por dentro – e consegui toda a minha desenvoltura.... evolução....
Aliás evolução foi a palavra-chave da nossa noite seguinte, quando sentamos pra receber um feedback – finalmente com cara de retorno – e nos assistir, não necessariamente nessa mesma ordem.... – invertida.
Sentamos pra nos assistir... e eu me vi, no formato de vilã.... uma vilã no início de carreira, cheia de agressividade, amargura e ironia.... – parece repetitivo, mas não dá pra escapar dessa palavra e daquela outra mágica: sarcasmo. Não vi nada de extraordinário, mas eu me ouvi e isso sim, foi extraordinário... minha voz soava em alto e bom som, e não só para o meu eu interior – sendo que nem ele mesmo sequer escutava – as intenções estavam lá, os erros também, mas que se dane... – com o perdão dos maus termos.... 
A perfeição é inatingível, ela está longe, fora do alcance.... é uma mera ilusão e que só faz enlouquecer, quem a persegue... eu quero largar ela de mão – a intenção eu tenho, de resto, só você me vendo de fora pra saber e me dizer se eu reflito ela nas minhas atitudes....
Enfim, ficou mais claro, o Advogado do Diabo resolveu – finalmente – nos dizer tintim por tintim, colocar o preto no branco, todos os pingos nos seus devidos is: fomos alertados para a questão do ritmo, em como trabalhar com a voz para se chegar aonde se quer, e, pra isso, pontuar as intenções, partindo de momentos-chave, que devem atingir quem quer que esteja nos assistindo.... da análise do texto.... como terminar uma frase, entonar e passar batido pelo que não interessa, ser objetivo, enfático, resumindo a ópera: aprendemos a dar ênfase na hora certa, no lugar certo, pra pessoa certa – você, querida platéia, que ainda é a alma do nosso negócio!
Agora aqui, cá entre nós, eu acho que se colocar no lugar da platéia faz a diferença, porque é ignorando todo o processo de criação que te envolve, que você pode saber se está funcionando ou não do jeito que você quer... e que não seja ignorando, mas pedindo uma segunda opinião, que seja, já vai ser valiosa pra você ganhar uma noçãozinha de realidade – coisinha que ator e atriz se desapega.... principalmente quando se envolve demais.... 
Não temos controle – eu não tenho – mas queremos aprender a ter e eu acredito que essa seja uma das formas de se tomar as rédeas....
Voltando aos reclames, tivemos além do aprendizado, as orelhas puxadas uma a uma.... e eu, na minha vez, soube – do que já desconfiava – que precisava de mais ritmo, mais andamento, acabamento no meu gogó de meu Deus – aulas de canto, estou precisada, Jamil... socorro!!!
Ai... e no fim.... – se é que realmente foi no fim e não foi no meio – massagearam o nosso ego – e quando digo nosso, é o meu junto com a minha turma inteira – e a palavrinha mágica saiu dos lábios de Jeam Pierre e nos fez – me fez – ganhar a noite: Evolução.... 
Evoluímos.... quer dizer, que estamos crescendo.... e não queremos mais parar.... – eu não quero.
A noite terminou em uma grande promessa.... a maior de todas..... junto com ela, a palavra do homem voltando atrás.... 
O texto não tinha acabado, íamos gravar mais uma vez.... e com um convidado muito, muito especial....
sábado, 3 de setembro de 2011

Alice in HD-land



Enfim...
Foi encantador, mágico e durou muito pouco a minha Alice na terra da high definition, terras de uma tela de tantas polegadas, que perdi as contas...
Every little thing she does is magic...
traduzindo...
Embora não fosse de contos de fadas a minha Alice, era como se fosse... em mim, ela lançou um encanto tremendo chamado personagem. E eu aprendi do que um personagem era feito e como fazer, com ela – mesmo tendo vivido meu um ano intenso entre 1999-2000 de teatro amador.
Nunca, nem nesse um ano, nem no ano da minha última apresentação em 2006, nunca eu vivi, o que vivi com essa personagem... E nunca pude me assistir assim de camarote – foi uma loucuuuura...
Eu não me vi ali – e não venham me dizer que é assim que o negócio funciona, senão.... enfim... continuando – não me reconheci... mesmo nos momentos em que eu jurava que ia me quebrar, eu não me quebrei – aqueles momentos sem ter texto pra dar, que a Alice se perdia de mim, mas lembram que eu me encontrava com ela pelo olhar?
Isso foi o que me salvou, ela foi quem me salvou. Eu sabia direitinho como fazer ela voltar pra mim... 
AHAAAAAAAAA... e meu remix de vozes? Pra quem não estava lá, não gravou, nem nunca ganhou uma exclusiva da Alice – pessoalmente falando... é... porque eu cedi ela, além dos domínios da aula, Jeam... incluindo o meu Edélcio fajuto... pronto, confessei – vou explicar como funcionou: existiam partes do texto em que a Alice nesse encontro que ela teve com o amor da vida dela aos 16 anos de idade – profundidaaaade, sabem bem como é... quando se tem 16 anos... – ela parava e contava como ele falava com ela.... então... enquanto todas as meninas, falavam no seu próprio tom de voz, a Alice saía de cena e o Felipe entrava – sentiram, como foi bom pra mim? 2 personagens em 1..... sem malícias, gracias....
Enfim.... depois ele saía e ela voltava, e, isso, no texto, se repetia ainda mais uma vez. Esse momento, por algum acaso, me veio a calhar  se não me engano  no meu primeiro trecho de gravação – justo aquele que quase me matou do coração. E esses primeiros momentos de Alice me mataram – e mataram muita gente que eu sei – de rir. Eu ri desde o momento que ela apareceu de relance até o fim...
Mas antes do fim, uma revelação: minha dupla inusitada e incrivelmente bem bolada ao acaso com a Taís. A personagem dela era o o oposto-inverso da minha Alice, enquanto ela era ligada no 220V – se bobiar, 500V – a minha Alice era devagar, quase parando... e quando elas davam as mãos, eu... não... a Alice pegava no tranco. Foi surreal... quem quer que visse  desconhecendo  ia pensar que a dupla dinâmica estava no script. E ela nasceu do improviso – saudável – da Alice, que, enquanto esperava pra gravar seu depoimento – Jeam disse isso à ela – viu a personagem da Taís e achou ela linda, chamou ela de linda e disse que queria ficar linda que nem ela.... – ok, essa foi uma das táticas dela pra puxar conversa com praticamente todas as meninas, mas só nessa, alguma delas deu atenção de verdade...
Nós duas nos completamos em cena – essa conclusão não foi só nossa, né Jeam Pierre – de uma tal forma que só fazíamos graça juntas – aqui, créditos totais à ele – e isso foi inédito pra mim – eu nunca vivi  pra me completar em outra pessoa em cena... e, muitos menos, com isso registrado pra assistir depois...
Também nunca tinha vivido pra ver outros abomináveis em cena, além dos que são da mesma selva que eu – da minha irmandade. Foi interessante... – queriam mais? Lamento, queridos, mas eu tenho uma audiência pra segurar...

Entra o locutor...
Aguardem as cenas do próximo capítulo....
Interrompendo a locução...

Ahhhhhhhhhhhhh.... não poderia me despedir, sem falar dessa cena: foi no segundo tempo de gravação e o Jeam gravava a gente de tudo quanto era ângulo, daquele jeito – consegui ouvi funk, quando escrevi... que loucuuuuura – enfim, Jeam-cinegrafista-Advogado do Diabo de ser... numa hora, ele tava filmando a Alice de canto – ela tava no canto da cena – e ele foi se movimentando, filmando e a Alice, tava se inclinando toda pra ver quem tava falando na cena e com o movimentar da câmera, a cabecinha dela foi se exibindo em slowmotion mode queda livre... Realiza, a pessoa se inclinando, a cabecinha dessa pessoa, ali no meio da linha do lado da tela, de repente, vai se insinuando e caindo... e caindo se insinuando? Essa foi a cena que eu menos esperava e uma das que mais me marcou... durou tudo muito pouco.... como tudo, naquela noite... mas já me disseram um dia – quando resmunguei que tudo que era bom, durava pouco – que dura o tempo necessário pra se tornar inesquecível. E foi inesquecível...

Volta a locução...
Agora podem aguardar as cenas dos próximos capítulos....
domingo, 21 de agosto de 2011

Às mil maravilhas de Alice


Que semana intensa.... antes de me aprofundar em Alice e nas gravações, preciso me confessar em outro sentido... vivi uma situação de cena, que nas entrelinhas, envolveu a razão pela qual esse blog nasceu e me provou que não estou me enganando com essa carreira, nem comigo. Fui feita pra ela, pra crescer com ela, arriscando com ela, me atrevendo com ela, me descobrindo e me revelando com ela. Sendo mais eu, e, muito mais do que eu, de dentro pra fora e além.
No calor do momento, quase me traí, quis fugir... então, era um ultimato pra mim, profissional e pessoal. E, eu cheguei, sim, a pensar na fuga... por quê? Sou humana e diante do inevitável e desconhecido, tendo a me amedrontar. Sou imperfeita e passível de toda a sorte de pensamentos ruins, loucuras, altos e baixos, que possam vir – e vem – me assombrar o juízo e me confundir – as famosas caraminholas ou minhocas, a quem preferir.... Ser fraca, faz parte de tudo que sou, e é sendo fraca, que consigo ser forte. São nessas minhas fraquezas, que encontro as minhas forças e me encontro. E, eu, na minha pele, não cedo assim tão fácil – principalmente quando amo. E não fugir, seria uma prova desse meu amor, ganhar uma aposta de mim mesma, meus limites... E, se não fosse capaz, não seria uma atriz de verdade. E eu sou.... venci essa minha queda de braço solitária. Me recompus e nisso se passaram – praticamente – horas até a minha cena chegar. Me preparei. E quando acabou, me surpreendi, vivendo uma das minhas melhores cenas, desde que voltei à ela, com o aval de Jeam Pierre.
Agora, já posso partir pra minha Alice. Gravei com ela em dois tempos e quase morri do coração no primeiro. Nunca senti meu coração bater como bateu naquela noite, como se batesse no seu primeiro sopro de vida, no ritmo de uma bateria de escola de samba em pleno recuo da Sapucaí. 
A câmera estava distante, mas não foi a distância dela que me deixou tão à flor da pele, que me fez vibrar o sangue e me descompensar ao ponto dos olhos se encherem de lágrimas em plena comédia – e não, eu não chorei... Na minha cabeça, nada se passava, nenhum pensamento – me esvaí – só conseguia me retesar e vibrar por dentro e por fora – eu tremia.
Éramos cortamos numa lógica que só pertencia ao grande advogado do Diabo – Jeam. Ele nos cortava com o comando de troca, e, a partir dele, devíamos continuar o texto do ponto em que a pessoa que foi cortada, parou. Juro, que já nem sei se raciocinava, sei que me contorcia no corpo de Alice, naquela fila em L. Instintivamente, eu procurava apurar meus ouvidos... e mesmo naquela pressão toda... eu devo ter raciocinado, estava treinada e fui usando tudo que me desfavorecia a favor da timidez de menina que devia estampar o rosto da Alice. Inclusive, eu murmurava o texto pelos lábios – e mentalmente  tentando me escutar e escutar a voz da Alice dizendo exatamente o que eu estava escutando ali... se funcionou, eu não sei... mas, me perder, que é bom, eu não me perdi. Eu consegui me manter firme e forte, não me atropelar, mesmo quando recebi o sinal pra continuar – quando dei com os lábios, a última linha da história – continuei, rebobinando a fita e recontando tudo de novo, daquele jeitinho que só a Alice podia, mais ninguém.
Ela era única com aqueles óculos imensos, cabelinho cacheado milimetricamente repartido e preso pra trás num rabo-de-cabelo mal sucedido. Usando pouca maquiagem, moleton do Mickey – com o zíper mal abrindo, revelando parte de um casaquinho recatado de lã negra – jeans claro – caindo desajeitado sobre um all star com detalhes de um xadrez em vários tons de azul, incluindo branco. Ombros elevados, querendo encostar nos ouvidos, mãozinhas e perninhas juntinhas, como se quisesse fugir pra ir pro banheiro... e uma voz melosa, chatinha, infantil, carregada de inocência...
E essa voz foi meu tendão de Aquiles... afinei a minha voz e estava rouca, então ela, além de baixa, ficou falha. Depois gripei – ficando completamente congestionada – e, já não conseguia mais puxar o ar pelas vias certas.... e mesmo conseguindo falar e respirar, ainda, o volume continuava baixo demais... e aquilo me desesperava, porque a Alice sem voz, não era Alice, ela foi toda construída a partir dela... o corpo veio a partir da voz, o olhar, a personalidade dela se entendia, só de ouvir. Mas pra minha salvação, o boom estava lá, junto da câmera. E eu pude respirar aliviada. Na hora h, minha voz não falhou, não me faltou o ar... quem sabe aí, a adrenalina tenha mascarado tudo, mas acima de tudo a minha paixão estava ali, nos meus olhos... pra quem quisesse ver.
Senti muitas chamas ardendo dentro de mim, de tantas naturezas... um vulcão... e depois, pude recuperar o fôlego, assistindo os meninos repetirem o que tinha acabado de viver. Assisti, escondida dentro da Alice, e vi um em particular me surpreender, outro corresponder ao talento, no qual eu já acreditava, e de resto, foram tantas, tantas decepções – que se estenderam à praticamente todos, homens e mulheres... meninos e meninas.... Faltou muito pouco pra eu não me frustrar por completo como expectadora, e, antes que isso acontecesse, fui chamada de volta à cena.
Agora, as regras do jogo tinham mudado, permaneceríamos da mesma forma que antes, só que agora a câmera iria chegar junto da gente, apontar pra nós, junto com o comando de troca, e iria nos flagrar de todas as formas possíveis e, inclusive, inimagináveis. Aí, eu já não estava tão nervosa, estava mais calma, mais fria, o incêndio já era menor... mas a tensão ainda estava ali, me mantendo em alerta. Meus ouvidos começaram a me trair, e, por conta da movimentação da câmera, minha visão periférica resolveu me abandonar e eu me sentia completamente desorientada, sem noção alguma de distância e espaço – agoniada, pra ser mais exata. Cheguei dessa vez a me enrolar nas falas, mas consegui improvisar e me encontrar nas palavras certas. Mas me perder, foi extremamente interessante. E porquê? A minha Alice nascia quando dava sua primeira linha de texto e “morria” se não tivesse texto pra dar. Ela estava presa ao texto, não ensinei outras palavras pra ela, além das decoradas de cor e salteado. A euforia dela, a energia, a vida dela estava naquelas que eu ensinei. Fora delas, ela se perdia da vida, de mim – culpa minha, que não ensinei ela a improvisar, a viver além do texto. Sem ele, ela se amedrontava, pouco falava, e pra eu me encontrar com ela de novo, só pelo olhar.
Não pensem que eu fui a atriz mais concentrada, porque não fui, mas fui, definitivamente, e sem medo de errar: a mais apaixonada pela – minha  personagem. Desde que me imaginei com os óculos imensos do Jamil, que comecei a brincar com a minha voz, a pensar em que moletom poderia vestir – naquele da minha grande amiga... Materializar todos os meus delírios na casa dela e derrubar um armário, me preocupando inclusive com o prendedor de cabelo que devia dar pra Alice usar. Me produzi dos pés à cabeça, me reinventei, quis trazer a minha Alice à vida nos mínimos detalhes, provar que ela existia e que eu podia me esconder nela e não ser descoberta.
Eu consegui... me senti feliz, outra, fora de mim, com aqueles all star nos pés e aquele óculos apoiado no meu nariz – que incluía falsas sardas, que derreteram – era muito calor humano da minha pessoa em pleno dia que queria ficar chuvoso.
Eu me diverti com um texto emblemático, que independente da linha que me apontassem pra trabalhar, seria desafiador, e, abraçado por mim. Mas especialmente, com essa linha que escolhi, de acordo com as instruções que me foram passadas, como eu me diverti... me senti entretida e entreti – acredito eu....
Tudo acabou e eu me acalmei em braços amigos, recebendo feedback imediato, e recebi mais. Teve quem gravasse quais foram os meus melhores momentos, mais divertidos... e isso significa, que consegui cativar, conquistar a atenção de quem me assistia. E, não me importa quantos foram. Se eu consegui prender nem que seja um único alguém no meu ato, já posso me considerar mais que realizada.
E eu me considero, sim, mais, muito mais. Eu me conquistei, eu me cativei, eu me prendi na minha menina... não queria abandonar seus óculos, mesmo que não se encaixassem comigo particularmente – senti a separação. É ruim voltar a si, quando se ama tanto sua personagem – corremos esse risco, ou pelo menos, corro eu – é, como se fosse um filho, que você quer se negar a deixar ir embora. Mas os filhos, assim como os personagens, saem um dia, das nossas asas e ganham o mundo – ou, aqui, pra nós, nosso imaginário.
Juro, que desejei mais falas, mais tempo só pra ela... poder vivê-la mais... mas não posso me queixar, fui muito feliz em cena, em todas as minhas cenas dessa semana, e me descobri segura na insegurança, que é a minha paixão... ser atriz.... 
domingo, 3 de julho de 2011

Me confessando, enfim, feliz....


Demorei pra encontrar as palavras certas pra definir o que foi a segunda gravação pra mim. É difícil definir o que se sente, o que eu senti, só consigo dizer que senti e de repente, meus olhos se encheram de lágrimas e um deles se derrama em uma que cai, rolando pelo meu rosto. Chorei pela primeira vez em cena... e, minha primeira reação foi de querer rir de felicidade, mas me mantive na raiva, na decepção da personagem, que ainda amava e que estava sendo traída, tentando dar um fim em tudo. Assim como ela, eu juntei meus cacos, fui encaixando peça por peça, com trilha sonora e ensaios que se estenderam em duas semanas, desde que terminou a gravação até ir ao inferno e abraçar o capeta, assistindo ali de camarote a minha tragédia...Passaram-se a tempestade do perfeccionismo e do orgulho ferido, e veio a gana de me exibir de verdade, levantar, sacudir a poeira e dar aquela volta por cima. E ela veio do inesperado, desde a dança das cadeiras de parceiro pra entrar no set de gravação até a hierarquia invertida de gravação (deixando meu colega da vez, assumir a marcação).. Me levantei achando que sabia a resposta para a pergunta de 1 milhão de dólares, quando na verdade, fui desafiada a responder uma pergunta que eu mesma já havia me feito aqui um dia e que já tinha respondido... Em frente às câmeras não fugi da raia, e respondi sem fugir do que eu mesma já tive na pontas dos dedos e me perder quando passasse à ponta da língua. O porquê de eu querer ser atriz: viver várias vidas numa só, ir além do que eu sou, ir além... E eu fui, saí do inferno, passei batida pelo purgatório e fui aos céus chorando.... Inesperadamente, sem saber, nem como nem porque, eu chorei, fui além de mim, do que eu esperava, fui atriz.... me senti viva.. estava viva, concentrada desde que me pediram para estar ali de corpo e alma presente, estava ali.... E assistir a tudo isso de camarote, ansiando ver como finalmente surgiu o brilho no meu olhar, como se encheu de lágrimas e como uma delas se derramou e rolou, fez uma outra se derramar de um lado e outra de outro, chorei comigo mesma. Fui feliz como há muito tempo era.... tanto gravando como assistindo à gravação... e finalmente, eu descobri o porque da minha demora para retornar aqui: escrever quando se está triste é muito mais fácil, a tristeza desperta as palavras, e a felicidade, dispensa elas....

Muito antes de ontem...



Essa aí foi a faixa principal da minha trilha sonora das duas semanas de ensaios... por eles e pela faculdade me afastei.. mas também por não encontrar as palavras para confessar o que se passou...
sexta-feira, 10 de junho de 2011

Se fui....


sexta-feira, 3 de junho de 2011

And every second I waste is more than I can take... E cada segundo eu que disperdiço é mais do eu posso suportar...


Estou morrendo de vergonha. E pra quem achava que eu não tinha.... minha vergonha ontem foi tamanha, que tenho vergonha até de postar hoje. Estou dramática? Quem sabe é um efeito colateral com delay de ontem... do que poderia.. deveria ter sido e não foi.... Minha tensão foi anunciada antecipadamente via Twitter, minha noite de sono se perdeu e garantiu mais um post. Minha insônia até me lembrou minhas noites pré-estréia no teatro, que sempre eram assim: eu nunca dormia bem. Mas dessa vez foi diferente: eu simplesmente não dormi. Não ensaiei o quanto queria e devia, e todas as vezes que ensaiei não encontrei uma única vez que desse um feeling do tipo "agora tá ficando bom".... muito menos o bom de verdade... não me sentia boa, me sentia tensa.... minha voz não encaixava num texto que pra mim era redondo, tanto lendo quanto mentalizando.... porque pra ser sincera, eu estudei mais no trajeto casa-faculdade, do que em casa... e nesse tipo de cenário, eu não podia erguer a minha voz. Então, pra não correr o risco do constrangimento em público... desnecessário... Eu lia, e tentava me escutar, dentro da minha cabeça, sussurrando pra mim mesma como se dissesse tudo... mas não dizia nada... No chuveiro, também nada funcionava, nem ele me salvava. E enfim, ontem chegou, e eu pra começar bem, me atrasei... Mais tensa? Impossível. Me senti amedrontada o tempo todo. Um porque? Iria fazer o que nunca fiz: um drama. E diante de uma câmera. Começou a me bater todos os fantasmas. Será que eu vou dar conta do recado? Será que não sou nada do que pensava? Enganei todo mundo esse tempo todo? Ou me enganei? Antes, até as palavras do Joaz me vieram a cabeça, que essa é a profissão da insegurança, um ator sempre vai se sentir inseguro. E não sou eu quem sempre se diz segura na insegurança? Essa frase é minha e eu a honrei por anos, não ontem. Me deixei tomar por tudo que podia haver de ruim, e fui péssima. Minha voz não se encaixava nas palavras, prendi minhas mãos nas minhas costas inicialmente, me prendia inteira, estava fora de mim e ganhei um CORTAAA muito bem merecido, alguns puxões de orelha muito bem dados e um empurrãozinho... numa segunda tomada, já estava um tanto mais solta.. mas esquecia, disfarçava respirando, mas errando as viradas, na hora errada.... puxava o ar, como se o ar fossem as palavras que me escapavam do pensamento... e eu pensava? Não.. Eu sofria... essas foram as palavras do meu grande amigo que me acompanhou sala de gravação a dentro... E não era pra sofrer? Eu não tinha um drama nas mãos? Err... era esse o meu grande problema. Nunca dramatizei antes... em cena... (sentiram a ironia? um pequeno toque de humor...) e pra mim ali podia provar se eu era uma atriz de verdade, daquelas que independem da mídia em que estão, elas bastam, ou se eu era só a palhacinha da coxia, a atriz só pra teatro. Não que eu esteja me colocando contra o teatro, que é uma das minhas maiores paixões e que se não fosse por ele, eu não estaria nem aqui escrevendo hoje... Mas é que o meu desejo ao me colocar nas mãos do Jeam, é eu poder. Isso, ter o poder de me sentir inteira sem faltar nenhum pedaço diante de qualquer câmera, set ou um palco que seja, mas ser completa. Entrei nessas aulas com o intuito de evoluir, só assim posso me chamar de profissional um dia e então ser....
Pulei, mas minhas pernas estavam quebradas... fui péssima... estava fora de mim.... mas de três, a última de todas foi a escolhidas pro feedback de semana que vem. E essa minha ópera termina? Daqui a duas semanas, além feedback, quando vou gravar pela segunda e última vez a mesma história. E pra isso vou precisar renunciar...sono... tempo... porque é ele que me falta... comprometimento e perfeccionismo me sobram... aliás ele, o perfeccionismo me deu um encontrão ontem pela primeira vez tão intenso, como eu nunca senti em onze semanas... preciso controlá-lo e me controlar, a ponto de ensaiar e ensaiar e finalmente poder dizer "agora tá ficando bom"...

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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