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sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... – fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora – o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... – ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável – mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vale a pena cair DE NOVO!



E num é que o ano começou e começou pra valer como NUNCA? Pela primeira vez encerrei o ano, com expectativa de PALCO – sabendo que em fevereiro voltaria com a Joana ao palco da Ubro – e já está aí batendo na porta...

TOC TOC - Saiba mais em www.facebook.com/events/199197863611907 
BASTA UM DIA – literalmente – e na véspera do cabelo armar e ganhar vida própria, de eu deixar de ser dona de mim e das luzes e os três sinais comandarem minha existência – inclusive quando respiro ou não – me deu essa vontade irresistível de vir aqui e escrever!
Porque a experiência pede, é inédito na minha carreira – ok, agora já dá pra chamar assim... só não me questionem se me sinto profissional, porque aí, já são outros quinhentos – retornar a apresentar um espetáculo que já apresentei e apresentar além de um dia – eu até já apresentei 3 sessões num mesmo dia na época da “Partilha”, mas como eu mesma disse foram no MESMO DIA.... e mesmo eu tendo ir apresentar mais uma vez, fora das dependências do Colégio, no Teatro de fato, ainda sim, definitivamente não é a mesma coisa.... –, um dia seguido do outro não.... e retornar aos ensaios? Outro processo à parte...
Parece que é fácil retomar aquilo que você já conhece, reviver o que já viveu? – sendo que isso não se leva tão ao pé da letra, já que sempre se acha o que ajustar, surpresas pra providenciar, principalmente prevendo aquela parcela do público que conquistamos ao ponto de querer bis! 
Não, não é! O buraco passa a ser bem mais embaixo e fundo do que se pensa! As imperfeições ficam evidentes – principalmente depois que você confere aquele cineminha de feedback com todo o elenco e todos reagem junto e além de você, dando a dimensão real de cada uma das cagadas, acertos e improvisos – e as direções mudam, nuances, pequenos detalhes, fora a dança de cadeiras no elenco mesmo, sempre tem quem se vá, quem chegue, como se fosse um trem trocando de interior por parar em uma determinada estação....
Enfim, a ordem é se adaptar aos efeitos colaterais dos que se foram, do que foi feito e revisado, pra que se reinvente e se faça algo novo diante de todas as expectativas já criadas por quem foi e pretende retornar e de quem ouviu falar e já vai com aquela imagem... repetindo: não, NÃO é fácil! Ainda mais quando se tem uma obra tão densa e tão intensa como essa, e alguém como eu tenho pra dar vida, mas não é que se consegue achar forças pra ler e reler, alterar o tom, a intenção, receber novos desafios e com eles novos estímulos e impulso pra recriar e fazer disso um novo espetáculo por um novo ângulo...
E muito – se não tudo – dessa construção vem do sopro de vida que vem com as novas personas que passaram a nos acompanhar – os que vieram e garantiram assento na dança das cadeiras – porque à cada pessoa nova, vem uma carga, uma bagagem, um ângulo de interpretação completamente diferente! Cada um dá a vida de fato, sua essência e isso renova e restaura as nossas habilidades – as minhas pelo menos, que viro de novo uma expectadora, ansiosa pra conferir as novidades...
É tão ou mais suado que o trabalho inicial de uma estreia, a bendita da reestreia vem com peso extra  de no mínimo não decepcionar diante do que já foi e de evoluir....
Ah, evoluir.... 
Da minha parte garanto que haverá sutis mudanças, fiquem atentos!
Bem, enfim, vou-me lá desabar de novo e já já eu volto....

A quem for conferir com seus próprios olhos, não se apresse em deixar o teatro, que eu prometo não me demorar pra ir ao seu encontro... e quem for me acompanhar por aqui mesmo, me aguarde, que quando tudo acabar, é pra cá que eu vou voltar... é pra cá que eu SEMPRE volto! 
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Caiu.... DESPENCOU!




fotografia de Elizandro Souza


É, eu esperei mais do que os três sinais que não terminavam nunca com aquele soluço que não findava nunca, passar todo o suspense, o drama por trás do drama, o flash de tudo se passando, a ressaca de tudo – dela – e a ficha cair.... e enfim, depois de esperar isso tudo, nada caiu nem as palavras parecem se encontrar direito no meu pensamento, mas o instinto pede que meus dedos se movimentem e cá estou.

fotografia de Rafael Fernandes

Confesso em primeiro lugar que não me reconheço nem nas fotos – vide acima – nem com a imagem em movimento, muito menos nas palavras que recebi, nas reações que decifrei nos rostos que se aproximaram de mim.  Ao mesmo tempo que sei que falam de mim, parece não ser de mim que estão falando... é estranho... porque se sonha em ter reconhecimento e quando ele vem é tão surreal, tão intimidador e tão intrigante.... parece uma teia que te envolve e quer te sufocar  – seja no bom ou no mau sentido....
Sei que mereço, tenho meu merecimento: fui além de mim, das minhas forças – literalmente , tanto que retornei ao treino físico por conta de um dos ensaios – fui além do que achava que era capaz de fazer  – cantar é o exemplo, fiz, mas não acredito que... se me perguntarem, respondo que interpretei as canções, não vão me escutar dizer eu cantei, por não me considero cantando – incluindo, inclusive, além dos meus limites físicos, os emocionais, toda uma preparação que tive que ter, uma estrutura – técnica – que precisei adquirir em tempo recorde, consegui chegar no que estava lá na cabeça do gênio-criador-excêntrico-louco-maravilhoso que eu chamo de meu diretor – o recém imortalizado Carlos Marroco – e eis aí a missão mais impossível de todas que cumpri e custo a acreditar que – mesmo com o próprio me informando do feito – consegui dosar o tanto de instinto e o tanto de técnica, mesmo me sentindo como me senti na penumbra, no escuro até o breu total...


fotografia de Manuella Pelegrinello


Desse breu todo ao breu do teatro, das pessoas entrando, do calor do foco, das luzes pra marcar, de toda a batalha pra fazer do meu cabelo mais uma obra à parte, do meu rosto uma máscara, do meu corpo um instrumento tocado por fora: por espasmos, por falta de movimento, de som, o desespero, a agonia de tudo... do tempo que parecia ter parado nas minhas mãos e como administrar na base do soluço, tapas e socos, do mais puro improviso.... assim tudo começou....
Daí pro novo breu, me erguer de sobressalto pra me revelar no mais completo caos, alimentado por tudo aquilo que acabei de dizer, combustível que pude abastecer no tempos dos 3 sinais – aqueles mesmos famosos e tão ansiados 3 sinais que anunciam a entrada do público e a contagem regressiva para o início de fato de um espetáculo – e dessa explosão toda eis eu a ruir de novo, antes é claro, trombando em algum coleguinha de elenco e me arrastando literalmente para chegar no foco – pra quê mesmo fiquei contando os passos?

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Passada essa louca transição entre parar, conter, crescer, explodir e ruir pra depois explodir.... e ter que ouvir e sentir tudo que falavam ao meu respeito em cena e só poder reagir respirando até enfim a deixa pra poder crescer, explodir e ruir.... depois conter pra explodir e tentar não me perder no timbre da voz – até agora espero ter sido no mínimo coerente – do início ao fim, construir uma unidade, alguém mesmo e não várias em um...

fotografia de Manuella Pelegrinello
fotografia de Manuella Pelegrinello


fotografia de Manuella Pelegrinello



A única dó que tive foi de sair de cena – eu não queria sair mais – em contrapartida, se não houvesse saído, não existiria minha cena favorita onde o ego e o alter ego – Joana e Medéia ou Medéia e Joana – se encontravam e juntos se fortaleciam para atacar o inimigo e havia ali uma enlevação da “minha” pessoa e o conjunto todo da obra que por isso ficou prima – eleito o clímax da noite!

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Foi complexo, tudo tão complexo, tão intenso, que desconfio que nem esteja conseguindo me expressar direito nem me fazendo entender, muito disso é culpa também de como me senti, como tudo está se processando em mim AINDA, se passou tão rápido.... – tirando o início de tudo que me veio de presente e que pareceu durar uma eternidade –  numa agilidade, na velocidade da luz e eu fui no limite do meu fôlego, senti as pernas tremerem, os pensamentos se esvaírem, sumirem no ar, vivi literalmente aqueles momentos, e só tinha cabeça funcionando pra saber quando devia falar e tudo saía da minha boca como se nem tivesse que pensar nem respirar, mas respirava e tinha os pés bem fincados no chão.
Olhando de longe, não reconheci nem humanidade ali, é como se fosse uma criatura, algo perdido de algum documentário, do tempo, que saiu das cavernas, era uma força da natureza, um grito, um desespero... Joana foi meu inferno, meu céu.... paraíso desejado e calculado, purgatório de todos os pecados... foi tudo, foi nada... combustível, me fez eu me sentir viva, sobreviver... meu maior desejo de todos!
Foi “alguém” e alguém por quem fui longe, por quem arrisquei, passando inclusive da linha da racionalidade, tomada de uma paixão minha pela personagem e por uma boa dose de coragem não propriamente minha, enfim, resolvi bancar a cega e passional.
Eu sei que arrisquei muito, corri o risco de encerrar a carreira tentando começar, porque com “Gota” não existiria um meio termo: ou era sucesso ou fracasso. Não digo isso pelo volume e a densidade do texto que me era familiar e queira ou não eu tinha fresco na minha memória, mas era pela densidade orgânica de dramaticidade – tentando traduzir o que seria o método próprio do Marroco – que me foi exigida, da linha de concepção da direção e por conta dela como tive que me preparar, fora as músicas que de início me amedrontaram, mas que aos poucos senti e percebi que não seriam minhas nem cantadas por mim, muito menos cantadas, elas foram dramatizadas, interpretadas, talvez por isso tenha conseguido dar conta – aparentemente – do recado, sem passar vergonha – esse era o meu grande objetivo... – não envergonhar ninguém, muito menos à mim diante de mim e da minha exigência fora dos padrões, encontrar a minha linha, a minha expressividade sem ser caricata nem esbarrar em toda teoria que investi em aprender pra TV, enfim, me descobrir como uma atriz, como uma profissional de fato...

Se sou, não realizei – mesmo sendo – mas sei que estou muito perto disso – de sentir e realizar –, pelo menos o maior desafio de todos eu venci – ele e todos os outros que me foram feitos em forma de proposta de cena, em poucos termos: imobilidade, queda, altura, intensidade, força, fraqueza, sedução... – que era ousar passear na montanha-russa de Chico Buarque e Carlos Marroco....

Por pouco – medo – não deixo em exibição as imagens e que elas falassem por mil palavras nas linhas e entrelinhas.... mas ao mesmo tempo, precisava vir aqui, precisava me abrir pra filosofar à minha maneira, mesmo que confusa, abstrata e até poética, porque é desse turbilhão de emoções e intenções que sou feita e é desse mesmo turbilhão de intensidades que foi feita a MINHA Joana.....

fotografia de Manuella Pelegrinello


domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre – em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história – começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada – que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ela vai cair de novo...


Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...

A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero....  – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação – porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai despencar no mais puro estilo marroquino!  
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque... adiviiiinhaaa... –, eu dei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50% – Eu mesma! E como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças, não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem, deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....

Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...

Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!

Agora sim, mais no clima...


Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna – , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro – fez o favor de estourar meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações... sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas, digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti, quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana – desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo, todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito feio, eu sei...

Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino....  mais tarde, eu conto.... 
segunda-feira, 30 de abril de 2012

A última das moicanas... quem sabe Sócrates explica?



E antes que se esqueçam – ou eu – ainda gravamos depois... e recebemos todo o retorno possível – e impossível – vocês sabem muito bem de quem, pela última vez...
Se me perguntarem como foi... e se eu disser que não sei, vão me chamar de mentirosa... mas dessa noite em especial pouco ficou pra recordar....
Sei que gravamos na frente de todos, que daquela vez – talvez por ser a última – era diferente, se era o ar, o clima, o timing, o feeling, não sei...
Não sei de muita coisa... sei que nada sei – Sócrates nunca fez tanto sentido...
Mas olhando aqui meus rabiscos e me lendo em forma de lembrete – usando e abusando da minha memória emotiva, porque não sou de ferro – sei exatamente de tudo que realmente interessa: como me sentia enquanto gravava.
E eu estive lá de pé, diante daquela câmera, respirando fundo... olhando pra baixo e tentando trazer dos pés à cabeça o que o chão me trouxesse, como se fosse capaz de viver uma emoção a partir dali... mas não eram dos meus pés, eu queria que eles puxassem ela pra mim... e nisso, um dos ensinamentos dolorosos da noite anterior me valeu: eu tinha que sentir... e eu senti....
Sabem o que eu senti? Calor.... me subiu – ou desceu – um calor por tudo quanto era lado, costas, nuca.... – geralmente esses dois lugares quando se aquecem, querem me dizer que realmente estou envolvida, estou em cena – e isso com os pés pressionando o chão e as palavras me abandonando os lábios.... ali eu tinha plena consciência de que tudo partia do meu corpo, do contato que ele tinha com a superfície, da pressão que eu provoquei entre os meus dedos e ela.... até minhas mãos buscaram a inspiração do chão – à distância, claro – então tudo parecia fazer sentido, a tal teoria de Pierre que afirmava que o corpo era o verdadeiro condutor das emoções, era uma verdade ali pra mim, naquele momento...
E eu acreditei nisso.... e como sempre, não sabia o que esperar de mim no vídeo.... se passaram as instruções que o Jeam me passou antes de gravar, as apresentações de todos – menos uma – sem que eu sequer gravasse, registrasse na memória... tanto que me resta pouco a dizer, a não ser de alguém que já admirava e passei a admirar mais ainda depois dessa noite: Jamil Vigano.
Se existissem cinco estrelas, um Oscar pra dar, por conta daquele exercício seria dele.... – como realmente foi, porque fazer o Advogado do Diabo tirar as fitas do bolso....
Ele foi sóbrio, limpo e intenso.... soube trabalhar a intensidade como ninguém, num texto que arruinou praticamente todos – inclusive a mim, sem saber – e ele tinha aquele olhar que arrastava multidões, ele era enfim, um galã de verdade – como eu já o chamo carinhosamente nos bastidores.
Chamou – inclusive ele não sabe o tanto – a minha atenção com a dicção e a desenvoltura da cena dele.... algumas outras – uma, pra ser mais exata – me chamou atenção também... tenho esse feeling.... mas lembranças que é bom....
E a gravação se sucedeu pela tradicional sessão de esporros e considerações ala Jeam Pierre. Nos assistimos como sempre, e o feedback veio à cavalo.... e o meu? À galope.
Nem nos meus piores pesadelos, eu me imaginaria em cena como eu me vi e eu murchei.... naquela hora – eu não sabia na hora – eu só sabia que nada sabia.... – Sócrates, explica?
De repente, em poucos de minutos, me convenci que estava vivendo um dejavu dos meus piores momentos de todos aqueles meses de aula – da pior crítica que uma atriz poderia suportar – e duvidei do meu aprendizado, da minha capacidade de aprender com os meus próprios erros e enfim, de aprender – por mais redundante que possa parecer...
Na verdade, eu me negava a acreditar que fosse capaz de cair nos meus erros e repetí-los de forma tão estúpida... me senti estúpida e nem um pouco atriz – aliás muito loooonge disso.
E na sequência dessa sucessão de erros repetidos, veio a crítica mais que justa, e também, repetida. Talvez cruel, talvez sei lá mais o quê, talvez... mas foi principalmente: merecida.
Minha gravação correu o risco de não ser exibida naquela noite, por falhas técnicas – ela não constava nos cartões de memória – e eu fui ameaçada de realmente não tê-la exibida e de finalmente ter que gravar tudo de novo – sacrifício?.....
Quase fui sacrificada... – quase – no fim, ela estava lá e eu preferia que não estivesse.... preferia que a profecia de bastidor tivesse se cumprido e eu nunca tivesse assistido o que eu assisti.
Senti que foi um erro, assim que terminou, me decepcionei comigo e sabia que não conseguiria me consolar... e até hoje não consigo, se olhar pra trás... mas sei que dali em diante, eu soube exatamente o que não queria ser, o que não suportaria de mim...

O interessante do fracasso, é que por se chamar assim, ele dificilmente é encarado com sobriedade ou como estímulo para se atingir o sucesso, ele é só visto como o seu oposto. Para quem teve o coração aflito como o meu, a garganta embargada, a cabeça atraída pela parede e os olhos se rendendo em lágrimas a ponto de borrar toda uma maquiagem e se entregar frágil, vulnerável, derrotada, como eu me entreguei naquela noite, era impossível.
Eu não me encontrava em posição de me aceitar ali no fim de tudo como quando entrei.... mas me esqueci, no meio de toda a raiva, de todo o turbilhão, de que eu entrei naquele curso pra errar, e eu entrei nele, porque realmente era capaz de dar conta do recado.
Enfim, voltar a ser como eu era, não era ruim, mas era – isso sim – impossível, e eu era incapaz de discernir ali no calor do momento.... desmoronei diante do caos que eu mesma me proporcionei, sem ter a consciência de que eu era incapaz – aí, sim – de ter voltado atrás e regredido, porque o tempo nunca volta atrás, muito menos nós....
Podemos até conseguir repetir as atitudes, mas nossa postura nunca... eu caí no mesmo conto, estando plenamente consciente de corpo – coisa que jurava ter vivido, se me perguntassem e ainda juro – sendo que nunca vivi isso antes nem sonhei em.... prova de que tanto na vida como na arte não se pode rebobina a fita....
Conclui finalmente do que eu realmente fui capaz: de errar de novo, inspirada nos meus próprios erros.
Precisei de meses para vislumbrar o fim do túnel, estando no seu fim – porque eu realmente não me senti no fim da jornada com o Jeam, porque ela realmente não começa nem termina nele, mas sim em mim.... porém, contudo, entretanto, todavia, nossos encontros acabavam ali... – eu não senti.... – mesmo agora, eu não sinto – mas cheguei lá, aonde tinha uma luz, que se chamava Ana e não era minha colega de cena.... mas isso é um assunto para o nosso próximo encontro....
quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Direto do túnel do tempo...


Difícil negar que eu levei um baque.... que me abalei e que cheguei ao silêncio, pra me encontrar, refletindo diante daquilo tudo que nunca vou me esquecer....
Ficaram marcas, até aqui.... e eu juro que dispensava.... as semanas foram passando e minhas memórias se embaralharam e eu já não tenho mais meus mínimos detalhes, pra brincar.... mas não vou rasgar páginas, colocando elas em branco – porque isso não deixaria de ser...
Quero retomar tudo, as rédeas, desse meu livro aberto, até o ponto em que parei e as reticências que deixei pra trás....
Miniflashback, por favor
...Comecei me inspirando na Beyoncé e essa faixa de trilha sonora dela, me veio de imediato e não foi só pela música em sim, foi pelo clipe – que parece que saiu de dentro do texto – e depois, por ela, que embalava as entrelinhas em que eu acreditava – de negação, hesitação diante do medo de se entregar e se decepcionar.... enfim, incerteza – e dela, eu parti pra dança e encontrei uma, em forma de duelo apresentada pelo Kent, na sétima temporada daquele reality – que vocês conhecem muito bem, e se não vide – uma coreografia contemporânea para dois homens, que tem como fundo a história de dois amigos e uma traição – a punhalada pelas costas – eu me envolvi com o personagem do Kent – o amigo de boa fé, traído.. de camisa branca – porque ele se envolvia com a minha também... e parecia que tudo se encaixava com o maior drama de todos e se envolvia com ele.... com o meu também.... – e eu errei....
Escrevendo, achando que estava seguindo as mais recomendadas instruções, na minha zona de conforto – afinal, eu voltei a escrever.... – eu acabei me desnorteando, pelo norte que eu tentei criar, estabelecer pra mim.... e me arruinei... – até a página vinte....
Diante disso, eu encontrei – como sempre – as forças, a luz e o caminho para me safar, me achar de novo e sobreviver.... Sair dessa posição, dessa inércia, que a minha pretensão, minha falta de preparo e meus nervos me colocaram e me deixaram.... Bateu aquela vontade negra – alimentada pelo meu diabinho interior e o exterior – de fraquejar e abandonar.... mas eu ainda tenho um santo forte, que me ergueu e me levou ao encontro do Cris na noite em que eu gravei esse texto pra valer....
Pra gravar, eu abandonei a minha história, todas as minhas inspirações antigas, desconstruí.... e de repente, não mais que de repente, fui dirigida – antes de tudo, da cena – eu ganhei aquele empurrão, aquele estímulo, que eu precisava, e finalmente vi a luz.... a luz pra construir em cima do que sempre sonhei, mas ainda não tinha a coragem, nem via a oportunidade: ser uma vilã....
E para a minha vilã, requintada de ironia, sarcasmo e doses fartas de ignorância, Adele foi a minha trilha da vez... a música dela era a ideal para embalar essa minha mais nova personalidade, personagem.... e eu não busquei mais dança alguma, porque aquela – do duelo entre os homens – ainda sim, era perfeita para essa minha realidade – subtexto, pra não dizer que nunca usei do termo.... mas vocês só vão entender do que eu estou falando confissões além.... – de traição pelas costas, decepção, dor e mágoa.... 
A diferença dessa vez, é que a “minha” mágoa virava ressentimento e esse ressentimento se tornava ignorância, agressividade, violência em forma de ironia e sarcasmo – a dupla infalível..... 
E eu me aproveitei, tirei vantagem de mim, da minha bagagem – da vilã interior – dos olhos, da força no olhar do Cris e eu consegui.... – com ele, Cristian Moura e sem o boom – nascer de novo.
É.... eu nasci em cena, e sem o tapinha no bumbum, dei meu grito de liberdade e me libertei – soltei a minha voz... ela se desavergonhou, o que, não foi um milagre, já que ela estava trabalhada no sarcasmo....
Eu dei uma sorte imensa, já que foi o Jeam que escolheu nossos parceiros pra cena, e quando ele escolheu o Cris pra mim, eu suspirei – por dentro – e consegui toda a minha desenvoltura.... evolução....
Aliás evolução foi a palavra-chave da nossa noite seguinte, quando sentamos pra receber um feedback – finalmente com cara de retorno – e nos assistir, não necessariamente nessa mesma ordem.... – invertida.
Sentamos pra nos assistir... e eu me vi, no formato de vilã.... uma vilã no início de carreira, cheia de agressividade, amargura e ironia.... – parece repetitivo, mas não dá pra escapar dessa palavra e daquela outra mágica: sarcasmo. Não vi nada de extraordinário, mas eu me ouvi e isso sim, foi extraordinário... minha voz soava em alto e bom som, e não só para o meu eu interior – sendo que nem ele mesmo sequer escutava – as intenções estavam lá, os erros também, mas que se dane... – com o perdão dos maus termos.... 
A perfeição é inatingível, ela está longe, fora do alcance.... é uma mera ilusão e que só faz enlouquecer, quem a persegue... eu quero largar ela de mão – a intenção eu tenho, de resto, só você me vendo de fora pra saber e me dizer se eu reflito ela nas minhas atitudes....
Enfim, ficou mais claro, o Advogado do Diabo resolveu – finalmente – nos dizer tintim por tintim, colocar o preto no branco, todos os pingos nos seus devidos is: fomos alertados para a questão do ritmo, em como trabalhar com a voz para se chegar aonde se quer, e, pra isso, pontuar as intenções, partindo de momentos-chave, que devem atingir quem quer que esteja nos assistindo.... da análise do texto.... como terminar uma frase, entonar e passar batido pelo que não interessa, ser objetivo, enfático, resumindo a ópera: aprendemos a dar ênfase na hora certa, no lugar certo, pra pessoa certa – você, querida platéia, que ainda é a alma do nosso negócio!
Agora aqui, cá entre nós, eu acho que se colocar no lugar da platéia faz a diferença, porque é ignorando todo o processo de criação que te envolve, que você pode saber se está funcionando ou não do jeito que você quer... e que não seja ignorando, mas pedindo uma segunda opinião, que seja, já vai ser valiosa pra você ganhar uma noçãozinha de realidade – coisinha que ator e atriz se desapega.... principalmente quando se envolve demais.... 
Não temos controle – eu não tenho – mas queremos aprender a ter e eu acredito que essa seja uma das formas de se tomar as rédeas....
Voltando aos reclames, tivemos além do aprendizado, as orelhas puxadas uma a uma.... e eu, na minha vez, soube – do que já desconfiava – que precisava de mais ritmo, mais andamento, acabamento no meu gogó de meu Deus – aulas de canto, estou precisada, Jamil... socorro!!!
Ai... e no fim.... – se é que realmente foi no fim e não foi no meio – massagearam o nosso ego – e quando digo nosso, é o meu junto com a minha turma inteira – e a palavrinha mágica saiu dos lábios de Jeam Pierre e nos fez – me fez – ganhar a noite: Evolução.... 
Evoluímos.... quer dizer, que estamos crescendo.... e não queremos mais parar.... – eu não quero.
A noite terminou em uma grande promessa.... a maior de todas..... junto com ela, a palavra do homem voltando atrás.... 
O texto não tinha acabado, íamos gravar mais uma vez.... e com um convidado muito, muito especial....
sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Deja vu... e dos grandes....


E foi além da dor que senti quando faltei, daquela que senti quando a enchente que me fez ficar em silêncio por uma semana... e foi aquém de tudo que eu poderia imaginar...
Não morri, não literalmente, mas sem perdão, vou abusar da licença poética e dizer que morri aos poucos há três quintas atrás, exatamente onde parei....
Na primeira noite do grande close, da primeira gravação com o maior drama de todos...
Eu revivi um dos momentos, que do curso inteiro, eu preferia ter esquecido que vivi algum dia – mas me fizeram questão de lembrar.... Eu revivi tudo de novo, desde o momento que pisei naquela sala, com o coração querendo arrebentar o peito, sangrar e sair vibrando no chão frio – nem estava no clima do texto.... profuuuuunda... passa....
Meu peito estava disparado diante daquele tripé com a câmera a postos e a TV imensa, com as cadeiras de frente, garantindo a platéia, junto com o fato de eu ter eu corrido feito uma condenada – já que estava atrasada... pra variar... e talvez não quebrar meu encanto... vai, pode rir que eu deixo....
Agora, voltando... essa foi uma noite que eu preferia esquecer e que por um triz não manti em silencio só pra mim... as palavras se viraram contra mim e pareciam não existir pra fazer um sentido, que desse a dimensão do que tinha sido e tinha sentido... ou talvez, eu não quisesse fazê-las existir...
No fim – hoje – eu entendo que a inspiração que me deram não foi de escrever, foi de refletir.... refletir... e eu refleti....
Muitos... bastantes foram meus equívocos, meus erros.. lá estava eu, no meu primeiro vídeo de novo – praticamente morrendo por dentro e por fora – sem saber.
Inicialmente eram duplas, tentando se testar.... descobrir no outro, o reflexo das suas intenções... Depois, eram duplas completamente aleatórias, formadas por ele, que vocês sabem bem quem... – se não souber, acabou de chegar agora, estou falando do meu mestre e preparador Jeam Pierre, que eu ainda prefiro chamar... cá entre nós.... de Advogado do Diabo...
E dessas duplas, escolhidas por ele, um só membro ficava exposto à câmera, o outro recebia o texto... foi uma aula extremamente técnica, carregada de conteúdo, sobre posicionamentos e olhares.... era divertido de assistir e observar a teoria e a prática se completando e existindo... mas deixou de ser, a partir do momento em que eu fui convocada à berlinda...
Deja vu.. deja vu... 1000 VEZES DEJA VU: eu de novo me perdi... estava fora de mim.... e não era ninguém... escutei um CORTAAAAAAA estridente, praticamente de cara, me deu um choque... e depois... me perdi de uma vez por todas... e a culpa não era da voz baixa, rouca, intensa demais a ponto de me fazer perder o ar... eu simplesmente passei do ponto... passei longe, milhas além... e não cheguei a lugar nenhum...
Aí, eu, de repente, cheguei aonde não imaginava... um filme – Black Swan (Cisne Negro) com Natalie Portman e eu recomendo – me ajudou a ver tudo com toda a luz e a escuridão que eu precisava, pra refletir...
Aquele filme perturbador – e que não me saiu da cabeça por dias e que só de escrever, já me faz lembrar – me fez ver e analisar toda a loucura que eu vivi nessa noite... e a analisar, me analisar, eu cheguei à conclusão de que de nada me adianta tentar perseguir o belo cisne se o negro dos diabos, é que me dá a força necessária, para realmente ir além...
A minha força eu reencontrei no fundo... no fundo... no meu próprio filme. Ele passou na minha cabeça, em cenas e porquês.... no porquê de eu ter ido fazer um teste com o Jeam, no porquê que estava em todos os pequenos – grandes – momentos que narrei aqui, dentro e fora das quintas da minha vida.... e um dos traços mais marcantes da minha personalidade se fez presente e latente – senão também latente e decisivo – a minha teimosia.... não dei o braço a torcer antes e não ia dar agora... não inventei ser Atriz, eu sou desde meus 10 anos de idade, estando dentro ou fora do palco – porque eu carrego ele comigo pra onde quer que eu vá...
Mesmo que eu largasse disso e desistisse, ainda sim, seria uma parte de mim....
quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nem duas linhas...


Não estava mentindo quando disse que com o que fiz não gastaria nem duas linhas escrevendo... mas e com o que senti? Várias.... mas prefiro uma única palavra: DECEPÇÃO. Além da técnica e da preparação perdida, o parceiro me frustrou. Pensa numa atriz perdida? Era eu, entrando como a traidora, nos 45 do segundo tempo já era a traída e nos acréscimos já era uma terceira personagem pra compor uma história que nem sabia qual era. Fazer por fazer pra mim, simplesmente não rola, me broxa. Como você sente algum prazer em interpretar, olhando nos olhos de alguém, cheios de lágrimas e encarar um vácuo, um vazio, um NADA. E eu sei o porquê dessa sensação: não existia intenção ali. Como eu ia me encontrar numa cena a dois, de dois que se amavam, se meu parceiro não sabia o que estava fazendo, onde estava e, principalmente, o que queria passar, pra mim e pra quem quer que visse?
Tenho pra mim, que nós temos um propósito de sensibilizar, em dois tempos, com segundas e terceiras intenções. Nosso encanto está em deixarmos as emoções tão à flor da pele, que sejam capaz de tocar além de nós mesmos. Emoções que acompanham palavras, e que são seguidas dessas intenções e de sentimentos, que devemos ser capazes de despertar além de em nós, como em quem possa estar nos assistindo.
Eu não menti nem me trai ao dizer aqui tudo que disse... ainda considero que tenha me confessado essa semana que passou ao vivo, não aqui... mas pra quem não estava presente, ao meu lado, mas aqui, que possa entender, e quem sabe sentir nas minhas palavras, o tamanho da raiva que senti e que carreguei comigo... até a página vinte....
sexta-feira, 3 de junho de 2011

And every second I waste is more than I can take... E cada segundo eu que disperdiço é mais do eu posso suportar...


Estou morrendo de vergonha. E pra quem achava que eu não tinha.... minha vergonha ontem foi tamanha, que tenho vergonha até de postar hoje. Estou dramática? Quem sabe é um efeito colateral com delay de ontem... do que poderia.. deveria ter sido e não foi.... Minha tensão foi anunciada antecipadamente via Twitter, minha noite de sono se perdeu e garantiu mais um post. Minha insônia até me lembrou minhas noites pré-estréia no teatro, que sempre eram assim: eu nunca dormia bem. Mas dessa vez foi diferente: eu simplesmente não dormi. Não ensaiei o quanto queria e devia, e todas as vezes que ensaiei não encontrei uma única vez que desse um feeling do tipo "agora tá ficando bom".... muito menos o bom de verdade... não me sentia boa, me sentia tensa.... minha voz não encaixava num texto que pra mim era redondo, tanto lendo quanto mentalizando.... porque pra ser sincera, eu estudei mais no trajeto casa-faculdade, do que em casa... e nesse tipo de cenário, eu não podia erguer a minha voz. Então, pra não correr o risco do constrangimento em público... desnecessário... Eu lia, e tentava me escutar, dentro da minha cabeça, sussurrando pra mim mesma como se dissesse tudo... mas não dizia nada... No chuveiro, também nada funcionava, nem ele me salvava. E enfim, ontem chegou, e eu pra começar bem, me atrasei... Mais tensa? Impossível. Me senti amedrontada o tempo todo. Um porque? Iria fazer o que nunca fiz: um drama. E diante de uma câmera. Começou a me bater todos os fantasmas. Será que eu vou dar conta do recado? Será que não sou nada do que pensava? Enganei todo mundo esse tempo todo? Ou me enganei? Antes, até as palavras do Joaz me vieram a cabeça, que essa é a profissão da insegurança, um ator sempre vai se sentir inseguro. E não sou eu quem sempre se diz segura na insegurança? Essa frase é minha e eu a honrei por anos, não ontem. Me deixei tomar por tudo que podia haver de ruim, e fui péssima. Minha voz não se encaixava nas palavras, prendi minhas mãos nas minhas costas inicialmente, me prendia inteira, estava fora de mim e ganhei um CORTAAA muito bem merecido, alguns puxões de orelha muito bem dados e um empurrãozinho... numa segunda tomada, já estava um tanto mais solta.. mas esquecia, disfarçava respirando, mas errando as viradas, na hora errada.... puxava o ar, como se o ar fossem as palavras que me escapavam do pensamento... e eu pensava? Não.. Eu sofria... essas foram as palavras do meu grande amigo que me acompanhou sala de gravação a dentro... E não era pra sofrer? Eu não tinha um drama nas mãos? Err... era esse o meu grande problema. Nunca dramatizei antes... em cena... (sentiram a ironia? um pequeno toque de humor...) e pra mim ali podia provar se eu era uma atriz de verdade, daquelas que independem da mídia em que estão, elas bastam, ou se eu era só a palhacinha da coxia, a atriz só pra teatro. Não que eu esteja me colocando contra o teatro, que é uma das minhas maiores paixões e que se não fosse por ele, eu não estaria nem aqui escrevendo hoje... Mas é que o meu desejo ao me colocar nas mãos do Jeam, é eu poder. Isso, ter o poder de me sentir inteira sem faltar nenhum pedaço diante de qualquer câmera, set ou um palco que seja, mas ser completa. Entrei nessas aulas com o intuito de evoluir, só assim posso me chamar de profissional um dia e então ser....
Pulei, mas minhas pernas estavam quebradas... fui péssima... estava fora de mim.... mas de três, a última de todas foi a escolhidas pro feedback de semana que vem. E essa minha ópera termina? Daqui a duas semanas, além feedback, quando vou gravar pela segunda e última vez a mesma história. E pra isso vou precisar renunciar...sono... tempo... porque é ele que me falta... comprometimento e perfeccionismo me sobram... aliás ele, o perfeccionismo me deu um encontrão ontem pela primeira vez tão intenso, como eu nunca senti em onze semanas... preciso controlá-lo e me controlar, a ponto de ensaiar e ensaiar e finalmente poder dizer "agora tá ficando bom"...

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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