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sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora  o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Vale a pena cair DE NOVO!



E num é que o ano começou e começou pra valer como NUNCA? Pela primeira vez encerrei o ano, com expectativa de PALCO – sabendo que em fevereiro voltaria com a Joana ao palco da Ubro – e já está aí batendo na porta...

TOC TOC - Saiba mais em www.facebook.com/events/199197863611907 
BASTA UM DIA – literalmente – e na véspera do cabelo armar e ganhar vida própria, de eu deixar de ser dona de mim e das luzes e os três sinais comandarem minha existência – inclusive quando respiro ou não – me deu essa vontade irresistível de vir aqui e escrever!
Porque a experiência pede, é inédito na minha carreira – ok, agora já dá pra chamar assim... só não me questionem se me sinto profissional, porque aí, já são outros quinhentos – retornar a apresentar um espetáculo que já apresentei e apresentar além de um dia – eu até já apresentei 3 sessões num mesmo dia na época da “Partilha”, mas como eu mesma disse foram no MESMO DIA.... e mesmo eu tendo ir apresentar mais uma vez, fora das dependências do Colégio, no Teatro de fato, ainda sim, definitivamente não é a mesma coisa.... –, um dia seguido do outro não.... e retornar aos ensaios? Outro processo à parte...
Parece que é fácil retomar aquilo que você já conhece, reviver o que já viveu? – sendo que isso não se leva tão ao pé da letra, já que sempre se acha o que ajustar, surpresas pra providenciar, principalmente prevendo aquela parcela do público que conquistamos ao ponto de querer bis! 
Não, não é! O buraco passa a ser bem mais embaixo e fundo do que se pensa! As imperfeições ficam evidentes – principalmente depois que você confere aquele cineminha de feedback com todo o elenco e todos reagem junto e além de você, dando a dimensão real de cada uma das cagadas, acertos e improvisos – e as direções mudam, nuances, pequenos detalhes, fora a dança de cadeiras no elenco mesmo, sempre tem quem se vá, quem chegue, como se fosse um trem trocando de interior por parar em uma determinada estação....
Enfim, a ordem é se adaptar aos efeitos colaterais dos que se foram, do que foi feito e revisado, pra que se reinvente e se faça algo novo diante de todas as expectativas já criadas por quem foi e pretende retornar e de quem ouviu falar e já vai com aquela imagem... repetindo: não, NÃO é fácil! Ainda mais quando se tem uma obra tão densa e tão intensa como essa, e alguém como eu tenho pra dar vida, mas não é que se consegue achar forças pra ler e reler, alterar o tom, a intenção, receber novos desafios e com eles novos estímulos e impulso pra recriar e fazer disso um novo espetáculo por um novo ângulo...
E muito – se não tudo – dessa construção vem do sopro de vida que vem com as novas personas que passaram a nos acompanhar – os que vieram e garantiram assento na dança das cadeiras – porque à cada pessoa nova, vem uma carga, uma bagagem, um ângulo de interpretação completamente diferente! Cada um dá a vida de fato, sua essência e isso renova e restaura as nossas habilidades – as minhas pelo menos, que viro de novo uma expectadora, ansiosa pra conferir as novidades...
É tão ou mais suado que o trabalho inicial de uma estreia, a bendita da reestreia vem com peso extra  de no mínimo não decepcionar diante do que já foi e de evoluir....
Ah, evoluir.... 
Da minha parte garanto que haverá sutis mudanças, fiquem atentos!
Bem, enfim, vou-me lá desabar de novo e já já eu volto....

A quem for conferir com seus próprios olhos, não se apresse em deixar o teatro, que eu prometo não me demorar pra ir ao seu encontro... e quem for me acompanhar por aqui mesmo, me aguarde, que quando tudo acabar, é pra cá que eu vou voltar... é pra cá que eu SEMPRE volto! 
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Caiu.... DESPENCOU!




fotografia de Elizandro Souza


É, eu esperei mais do que os três sinais que não terminavam nunca com aquele soluço que não findava nunca, passar todo o suspense, o drama por trás do drama, o flash de tudo se passando, a ressaca de tudo – dela – e a ficha cair.... e enfim, depois de esperar isso tudo, nada caiu nem as palavras parecem se encontrar direito no meu pensamento, mas o instinto pede que meus dedos se movimentem e cá estou.

fotografia de Rafael Fernandes

Confesso em primeiro lugar que não me reconheço nem nas fotos – vide acima – nem com a imagem em movimento, muito menos nas palavras que recebi, nas reações que decifrei nos rostos que se aproximaram de mim.  Ao mesmo tempo que sei que falam de mim, parece não ser de mim que estão falando... é estranho... porque se sonha em ter reconhecimento e quando ele vem é tão surreal, tão intimidador e tão intrigante.... parece uma teia que te envolve e quer te sufocar  – seja no bom ou no mau sentido....
Sei que mereço, tenho meu merecimento: fui além de mim, das minhas forças – literalmente , tanto que retornei ao treino físico por conta de um dos ensaios – fui além do que achava que era capaz de fazer  – cantar é o exemplo, fiz, mas não acredito que... se me perguntarem, respondo que interpretei as canções, não vão me escutar dizer eu cantei, por não me considero cantando – incluindo, inclusive, além dos meus limites físicos, os emocionais, toda uma preparação que tive que ter, uma estrutura – técnica – que precisei adquirir em tempo recorde, consegui chegar no que estava lá na cabeça do gênio-criador-excêntrico-louco-maravilhoso que eu chamo de meu diretor – o recém imortalizado Carlos Marroco – e eis aí a missão mais impossível de todas que cumpri e custo a acreditar que – mesmo com o próprio me informando do feito – consegui dosar o tanto de instinto e o tanto de técnica, mesmo me sentindo como me senti na penumbra, no escuro até o breu total...


fotografia de Manuella Pelegrinello


Desse breu todo ao breu do teatro, das pessoas entrando, do calor do foco, das luzes pra marcar, de toda a batalha pra fazer do meu cabelo mais uma obra à parte, do meu rosto uma máscara, do meu corpo um instrumento tocado por fora: por espasmos, por falta de movimento, de som, o desespero, a agonia de tudo... do tempo que parecia ter parado nas minhas mãos e como administrar na base do soluço, tapas e socos, do mais puro improviso.... assim tudo começou....
Daí pro novo breu, me erguer de sobressalto pra me revelar no mais completo caos, alimentado por tudo aquilo que acabei de dizer, combustível que pude abastecer no tempos dos 3 sinais – aqueles mesmos famosos e tão ansiados 3 sinais que anunciam a entrada do público e a contagem regressiva para o início de fato de um espetáculo – e dessa explosão toda eis eu a ruir de novo, antes é claro, trombando em algum coleguinha de elenco e me arrastando literalmente para chegar no foco – pra quê mesmo fiquei contando os passos?

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Passada essa louca transição entre parar, conter, crescer, explodir e ruir pra depois explodir.... e ter que ouvir e sentir tudo que falavam ao meu respeito em cena e só poder reagir respirando até enfim a deixa pra poder crescer, explodir e ruir.... depois conter pra explodir e tentar não me perder no timbre da voz – até agora espero ter sido no mínimo coerente – do início ao fim, construir uma unidade, alguém mesmo e não várias em um...

fotografia de Manuella Pelegrinello
fotografia de Manuella Pelegrinello


fotografia de Manuella Pelegrinello



A única dó que tive foi de sair de cena – eu não queria sair mais – em contrapartida, se não houvesse saído, não existiria minha cena favorita onde o ego e o alter ego – Joana e Medéia ou Medéia e Joana – se encontravam e juntos se fortaleciam para atacar o inimigo e havia ali uma enlevação da “minha” pessoa e o conjunto todo da obra que por isso ficou prima – eleito o clímax da noite!

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Foi complexo, tudo tão complexo, tão intenso, que desconfio que nem esteja conseguindo me expressar direito nem me fazendo entender, muito disso é culpa também de como me senti, como tudo está se processando em mim AINDA, se passou tão rápido.... – tirando o início de tudo que me veio de presente e que pareceu durar uma eternidade –  numa agilidade, na velocidade da luz e eu fui no limite do meu fôlego, senti as pernas tremerem, os pensamentos se esvaírem, sumirem no ar, vivi literalmente aqueles momentos, e só tinha cabeça funcionando pra saber quando devia falar e tudo saía da minha boca como se nem tivesse que pensar nem respirar, mas respirava e tinha os pés bem fincados no chão.
Olhando de longe, não reconheci nem humanidade ali, é como se fosse uma criatura, algo perdido de algum documentário, do tempo, que saiu das cavernas, era uma força da natureza, um grito, um desespero... Joana foi meu inferno, meu céu.... paraíso desejado e calculado, purgatório de todos os pecados... foi tudo, foi nada... combustível, me fez eu me sentir viva, sobreviver... meu maior desejo de todos!
Foi “alguém” e alguém por quem fui longe, por quem arrisquei, passando inclusive da linha da racionalidade, tomada de uma paixão minha pela personagem e por uma boa dose de coragem não propriamente minha, enfim, resolvi bancar a cega e passional.
Eu sei que arrisquei muito, corri o risco de encerrar a carreira tentando começar, porque com “Gota” não existiria um meio termo: ou era sucesso ou fracasso. Não digo isso pelo volume e a densidade do texto que me era familiar e queira ou não eu tinha fresco na minha memória, mas era pela densidade orgânica de dramaticidade – tentando traduzir o que seria o método próprio do Marroco – que me foi exigida, da linha de concepção da direção e por conta dela como tive que me preparar, fora as músicas que de início me amedrontaram, mas que aos poucos senti e percebi que não seriam minhas nem cantadas por mim, muito menos cantadas, elas foram dramatizadas, interpretadas, talvez por isso tenha conseguido dar conta – aparentemente – do recado, sem passar vergonha – esse era o meu grande objetivo... – não envergonhar ninguém, muito menos à mim diante de mim e da minha exigência fora dos padrões, encontrar a minha linha, a minha expressividade sem ser caricata nem esbarrar em toda teoria que investi em aprender pra TV, enfim, me descobrir como uma atriz, como uma profissional de fato...

Se sou, não realizei – mesmo sendo – mas sei que estou muito perto disso – de sentir e realizar –, pelo menos o maior desafio de todos eu venci – ele e todos os outros que me foram feitos em forma de proposta de cena, em poucos termos: imobilidade, queda, altura, intensidade, força, fraqueza, sedução... – que era ousar passear na montanha-russa de Chico Buarque e Carlos Marroco....

Por pouco – medo – não deixo em exibição as imagens e que elas falassem por mil palavras nas linhas e entrelinhas.... mas ao mesmo tempo, precisava vir aqui, precisava me abrir pra filosofar à minha maneira, mesmo que confusa, abstrata e até poética, porque é desse turbilhão de emoções e intenções que sou feita e é desse mesmo turbilhão de intensidades que foi feita a MINHA Joana.....

fotografia de Manuella Pelegrinello


domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre  em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história  começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ela vai cair de novo...


Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...

A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero....  – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação  porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai despencar no mais puro estilo marroquino!  
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque... adiviiiinhaaa... –, eu dei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50%  Eu mesma! E como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças, não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem, deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....

Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...

Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!

Agora sim, mais no clima...


Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna – , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro  fez o favor de estourar meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações... sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas, digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti, quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana – desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo, todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito feio, eu sei...

Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino....  mais tarde, eu conto.... 
segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Definitivamente Marroquinizada!



Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir.... 
Me tornar uma profissional devidamente registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto tão à vontade pra usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....  
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade: JP Talentos.
Não vou perder a graça juro nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!

Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogada e até gralha metida à corvo; além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem – "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!


Oficina de Monólogos com o Marroco




Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning


Elisabeth versus Magdalen



















Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...

Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!! Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar, mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo acertado e combinado! Daí se seguiram dias de pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!


A inspiração

E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – ,  no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....

Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!

Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...

E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....


Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC


Matei muita gente de susto – vide foto ao lado  , e pasmém: ganhei dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite , quem tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide – ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste, sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta : continuar distraindo a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!


Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?

Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela, não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes – na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco! 
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra ficarem com água na boca!

MUAHAHAHAHAH

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes que acabe, preciso confessar....



Confessar que corri um campo inteiro de futebol, corri cantando sem repertório, corri cantando o hino nacional, corri ao redor de um chafariz cantando Mundo Ideal, cantei em público pela primeira vez na vida, e pela primeira vez de novo, peguei num microfone pra cantar de verdade, eu atingi um agudo! – praticamente lírico , eu juro....
Mas antes do agudo, entre ele e tanto correr, eu aprendi a respirar de novo, a me equilibrar numa base nova, a pegar coreografia de verdade! Fui do céu ao inferno, em todos os sentidos, me arrastei num limbo de berros desesperados e berrei – como berrei – fiz de três pontos um conto tragicômico, trabalhei panturrilha, fiz flexão, até abdominal inverti!
Cantei, dancei, atuei de uma só vez, fiz musical – mesmo que rudimentalmente – pela primeira vez... eu dirigi, aprendi a rir dos meus erros e a deixar meus devaneios de perfeccionista de lado pra variar....


Eu me preparei... me preparei pra um grande sonho, que começou no sonho de alguém e no encanto que se fez quando assisti The Best Of Broadway, meu primeiro musical, estou me preparando: teatro físico, clown, pequena sereia na pedra, sapatilhas mágicas, saltos do tamanho do mundo! Por que sim, agora eu tenho! Sapatos de dança me dei, pra riscar meus novos passos.....
Passos de uma base firme, de pés bem colados ao chão, distanciados pela largura dos ombros, firmes, cabeça ereta no ar e olhar ao horizonte, e toda a tensão do mundo que vá pra coxa, pés, chão, fuja de mim!
Apoio, respirar, puxar ar pela boca, guardar nas costelas pra cutucar os cotovelos, fazer o ar dançar, fazer miséria, virar nota, bater no peito, na nuca, no alto da cabeça, juntinho do nariz, e sair em forma de canção..... eu fiz.... lições de canto até isso eu fiz....
Passei por poucas e boas, boas e poucas.... estou inspirada, bastante inspirada, avançando.... saltando entre ensinamentos, aprendizados e mestres – entre eles o meu galã – para hoje estar de volta ao berço, à JP Talentos, ser uma das crias de Gringo Starr, de novo um bebê em frente às câmeras, além de um bebê de palco – depois de um convite daqueles – .... um bebê da Broadway..... eu confesso!
As primeiras palmadas já foram, o primeiro chorinho e o primeiro berro também... tudo que tinha de primeiro e intenso pra ser feito, e que eu nunca me imaginaria fazendo, eu fiz.... e confesso que vou continuar fazendo..... – a não ser que acabe realmente tudo de vez! 
domingo, 12 de fevereiro de 2012

...E eu... me lixei, sem me lixar.


Declaro o fim do festival saliva e agora vou contar como gravei no estilo nem se lixando... nem se lixando pro drama, nem se lixando pro texto – cacos à la vantè, pra desespero de uns, né Jeam Pierre – e pra personagem na minha frente. Considerei desconsiderar ela muito mais interessante e natural, como se fosse respirar. E nem foi só aí que minha consideração foi posta em cheque: todo o entendimento de cena que tínhamos construído, toda a dinâmica, todo o engenho foi pro ralo... – encurralado na dimensão dos ensaios.... – a lixa estava banida do set.
Porquê? Simples: minha casa não ia ser invadida, a intrusa não ia entrar porta a dentro, eu é que ia chegar em casa e constatar que ela já estava lá, de braços cruzados à minha espera. Me desapontei por um lado e não me abalei por outro – quem sabe já estava na personagem e não sabia...?... nada disso!... – fui chegando à conclusão mais racional – o que, pra mim é uma raridaaade – de que não adiantava me desgastar diante do imutável, dar murros em ponta de faca, não ia fazer o Jeam aceitar nosso raciocínio, tendo em vista, que nos equivocamos, então.... se é pra se virar nos 30.... eu me virei!
Com platéia – colaboração de um convidado especial, integrante da equipe do Jeam, produtor dele, que fez as honras de cameraman e nos deu... pra variar... um oooutro ângulo de captura – fui leviana, deslumbrada, cega, má... ruim... péssima! Fiz questão de provocar a Taís o tempo todo – assim como eu já tinha feito durante os nossos ensaios – de fazer ela querer me fuzilar com os olhos, desejar me pegar e me fazer perder o rumo de casa – como eu tive a oportunidade de fazer, quando o texto me permitia e eu ainda me dei a honra de transgredir e ultrapassar todos os limites, pegando ela pelos braços e sacudindo ela firme, pra depois largar e deixar ela completamente perdida, sem chão e tremendo... uma delícia – porém, contudo, entretanto, todavia.... o texto não dava à ela a menor deixa – que peninha.... mentiiiraaaa... nenhuma!... e não, eu não estou na personagem agora.
O prazer de saber que abalava as estruturas dela, a ponto dela começar a me empurrar, querendo me derrubar – e quase conseguindo, porque isso não estava combinado – era meu, da minha personagem, uma coisa muito louca.... e difícil de explicar! Ser má é ser livre, sem pudores, sem cesura, é a personagem mais libertadora que existe, com ela – a maldade – se brinca de verdade, se toca nos pontos mais cruciais, se traça o conflito e o clímax de qualquer história, traz reflexão.... sem ela, não há história... graça. E pra mim, encaixa como uma luva, me dêem só um parêntese, uma indicação mínima ou o mínimo de liberdade que eu me transfiguro com o maior prazer do mundo, porque prefiro trabalhar com as minhas sombras à sofrer – mesmo que esse seja meu maior desafio....
Confesso que estava na minha zona de conforto ali, queria – tinha plena consciência – abalar, destruir, trazer pro chão e eu trouxe o coração dela, a esperança eu fiz questão de matar, fazendo ela não me reconhecer nem como eu... nem como o grande amor que eu – enquanto personagem – fui pra ela um dia, eu era outra mulher. Uma mulher que desesperava ela, que fazia mal, causava repulsa. Eu inventava, criei a partir de uma personalidade que eu construí, linhas que fugiam e ultrapassavam as linhas delimitadas do texto, porque cabiam nos lábios dela – a minha personagem – e as outras eram limitadas demais.
Limites foram realmente discutíveis nessa gravação. Errada ou não, eu fiz a minha colega de cena tremer em cena, e isso, meus amigos, é de um desprendimento que poucos são capazes: demonstrar fraqueza – e seja ela como for e porque for...
Eu adorei sentir o prazer extra-cena – além da... – quando fui atravessar a fiação da camera e recebi o feedback do meu primeiro expectador – o cameraman, aquele amigo do Advogado do Diabo meu preparador querido – dizendo sarcááááásssssstica hein e me deixando boba... mal sabia ele que era tudo que eu queria ouvir e quando a platéia aumentou, paramos pra assistir – eu na posição de diaba, do lado esquerdo do Jeam – e aquele sussurro de quem se deu conta de que eu criei em cima do texto – arrisquei, porque quis dar e dei voz à minha personagem – entrecortado pelo grito final que me chamava – enquanto personagem – de VAAAAAAAACA... foi música para os meus ouvidos!
Ali, pra mim, eu já tinha atingido exatamente o que queria: minha concepção de sucesso. Contrariando, e sem pedir licenças para roubar as suas palavras, mestre Pierre, CAGUEI... ela cagou, minha personagem... cagou pro seu texto, ela se arriscou com a própria voz – fazer o quê? – além do meu aval, e deixou explícitas as suas próprias vontades, a sua verdade. Eu me arrisquei, confesso, mas não me arrependo nem um pouquinho, e sabe.... sabem por quê? É partindo dele, do risco e do erro, que alguém se torna capaz de acertar, não perseguindo os acertos freneticamente, porque assim eles não se deixam alcançar, fogem. E a razão mais importante de todas: ela foi feliz, eu fui, nós duas fomos juntas!
Em cada passo, em cada quadro, em cada reação, em cada retorno que recebi, dentro e fora de cena. Fui vista pelo meu neném – pra quem não sabe, é assim que eu chamo carinhosamente ao Jull Vigano, o irmão do Jamil, que já dispensa apresentações, né messssssmo*?
*lê-se o original, recuse imitações....
.... e não só vista, como reconhecida por ele e pelo cameraman, e sinto muito – naaada – mas eu ganhei a minha noite: me lixando... e sem me lixar hein. 
Um dos meus maiores e melhores momentos dos últimos – todos – os tempos!
sábado, 11 de fevereiro de 2012

Thuruleft...thuruleft.....


E depois da bonança, vem a tempestade... – se até a gente vira do avesso com o Jeam, que dirá a sabedoria.... – um desafio morre, para dar lugar a outro maior.... para todo o sempre – não é só luxo de Pierre, é a sina de quem realmente quer não só seguir, como perseguir e abraçar a carreira de atriz.... ator... enfim...
Hoje depois de mais uma DR – é, o relacionamento está ficando cada vez mais sério aqui, tão pensando o quê... – de sermos colocados em nossos devidos lugares... – eu aposto que fomos... eu não me lembrooo maaaaais... e não, eu não estou de piadinha com o texto – ganhamos mais um diálogo e uma nova parceria, que antes de ser firmada, formada, enfim... deu lugar à prática de um esporte, que eu já praticava e não sabia: a leitura dramática*!
*lê-se: parar e ler um texto, lendo ele com a intenção de como se já tivesse ele na ponta da língua – mesmo ele estando nas suas mãos, diante dos seus olhos – acompanhada do elenco todo que lê, além de quem contracena-lendo com você...
E enfim, eu li dramaticamente, pela primeira vez, tendo a consciência – agora – de... já que eu já fiz disso, sem saaaabeeeer... há seis e lá vai pedradaaaadaaaa.... – tá, fim do momento paródia de música espontânea.... saudaaaaaaade, Selma – acompanhada do Tiago.
Fizemos a leitura, para termos a primeira impressão – e eu, as minhas primeiras, segundas e terceiras, é claro – do texto. Era mais uma delícia dessa vez: desilusão, fossa, mais dramalhão, só que agora era à dois... – se formariam casais....
E como esse mundo é injusto e quase não existe mais homem pra tanta mulher – a proporção da realidade enfraquece – acabei eu fazendo casal com a Taís. A injustiça nem era tanta, tendo em vista que ganhei a oportunidade de retomar e reforçar uma comunhão que nasceu por livre e espontânea pressão em cena – quem não se lembra da dupla de 2 inesquecível: Alice e Rosinha, formada gravando e ao acaso? Levanta o braço aê!...ahhh é? Não lembra?... mesmo? Então, vai ler, vai meu queriiiiiido... minha queriiiiida! – saí mais no lucro que no prejuízo.... mesmo, que ainda achando que um homem ao meu lado surtiria todo um efeito – pronto, confessei – homem tem força, tem explosão, tem pegada.... mulher é toda melindroosa, delicaaaaada em cena... – tirando eu que arranco pedaço dos meus coleguinha..... mentiiiira!... mas enfim, eu sou mesmo uma exceção à regra feminina... nessas horas profissionais... profissionais, eu disse!... mas enfim...
Chegou a nossa vez de ir para o nosso quadrado e ler juntas no mesmo esquema. De cara, eu seria a mocinha desiludida, desamparada pelo deslumbramento do “machoman” que amei tanto – juuuura?
Aí eu me dei conta de que eu não podia com esse papel... – não nesse momento.... – eu vinha de uma louca bem sucedida, de uma insanidade que me valeu o Redbull que nunca tomei – me deuu asaaaaaaas.....
E eu não queria andar pra trás, não queria morrer de novo em cena... e pra isso eu precisava ser o vilão – era um homem, no script – da história... assim como eu fui no duelo dos veteranos e que infelizmente não foi capturados pelas lentes de uma camera.... finalmente saciar o meu desejo, tendo uma pra capturar: e pronto, eu GANHEEEEI – quantos anos eu tenho mesmo?.... brincadeirinha – se inverteram os papéis. Assumimos um risco juntas, afinal, já tínhamos lido algumas vezes e já estávamos quase lá, avançando rumo às falas decoradas – elas estavam querendo ser – quando resolvemos dar um tapa na mesa e virar o jogo... e já sabíamos que se derrubar era penalidaaade máxima! Mas não foi....
Uma mesa foi colocada com duas cadeiras e fomos convidados a cercá-la, sentando ao seu redor. Minha colega de cena queria porque queria se jogar e ir lá de cara.... e eu, da onde estava, analisando, sabia que já tínhamos nos arriscado o suficiente com a inversão de papéis para termos a pretensão de mergulhar no abismo de graça, observar era mais prudente... e eu segurei ela, acalmei, e observamos: agora dupla a dupla ia, se sentava na mesa e fazia a leitura dramática da cena, com todo mundo de fora, de platéia.
Na nossa vez – que não tardou muito, foi logo depois dos primeiros... lá pelo meio.... enfim, fomos, sem ser as primeiras – sentamos e fizemos o grande teste finalmente de como seria eu no papel do algoz e ela da sofredora, e deu certo, até a página vinte...
Mal sabia eu que o maior desafio não seria o texto todo demarcado e previamente dirigido, nem a gravação, seria me encaixar na agenda da minha colega e companheira de cena doutoranda em psicologia das couves – é que não sei o nome da especialidade da especialidade, sacam? – na federal, professora dos pepinos na graduação de psicologia do Cesusc, orientadora de mestrado de não sei quem em não sei o que lá, também de psicologia.. na federal de novo... além de atriz de propaganda nas horas vagas – que deviam ser de quê, de quê, de quê? ENSAIO... mas ensaio dá dinheiro? NÃOOOOO.... dá pra deixar de trabalhar? NÃOOOOO... então, comofaz?
...tchuruleft..... tchuruleft.... que que você faz da meia-noite às seis?
Então eu madruguei... maaa-druu-guei.... e fui lá pros lados do Pantanal – e não foi pra ensaiar com os jacarés, meus queriiiidos – fui lá pra percorrer 95% do caminho que eu precisava pra me encontrar com a minha personagem e minha Beyoncé... Sasha Fierce.... interior. Me encontrei com o clipe de Thuruleft... digo Irreplaceable.... repetindo os mesmos gestos, mesmos olhares e até pareceu de caso pensado, mas foi completamente espontâneo e inconsciente, eu juro! Tentei adquirir uma naturalidade, já que teria a casa invadida – na história – queria estar com a atenção concentrada e me dar ao luxo – oportunidade – de ser pega desprevenida, como a história realmente pedia.... resultado: eu lixando as unhas, quando ela entra – entrando – invadindo meu pedaço... me mantenho na minha pose.... como se minhas unhas fossem muito mais interessantes que ela... – e realmente eram.... – eu me tornei um alter ego de um antigo grande amor, uma pessoa transformada pelo deslumbramento da fama e do culto a si mesma... alguém que se perdeu no meio do caminho, cega diante da ambição e do “poder”, capaz de se revelar mesquinha, pequena, pobre de espírito... – uma vaaaaaaaaca.... aplaaausos!
E eu não tive a intenção de fazer um cover ou coisa parecida, não me inspirei nela antes.... – aliás nem sei no quê eu me inspirei antes dos ensaios – foi durante e subconscientemente – e eu ri sozinha, quando ia embora e me dei conta.... morri de rir sozinha no meu caminho de volta e quando parei pra conferir, desencarnei diante da constatação cabal do play – e encarando tudo agora, do ponto que estou, analisando friamente, eu vejo o encaixe perfeito do alter ego da minha cantora preferida que se manifesta em cena, com o ego apresentado pela minha personagem – que não deixa de ser alter – ela é o alter ego – de si própria – em pessoa, é a personalidade avessa que todos nós temos, o mal que habita dentro de nós e que tentamos conter, combater, dominar, sufocando.... E aí, um alter ego de inspiração faz todo sentido do mundo, quando a pessoa a ser apresentada e representada se torna o próprio alter ego em pessoa, essa era a minha personagem, a minha vilã – dessa vez, desde o início do processo e não por provocação de direção, um caso pensado.... calculado nos seus mínimos detalhes.
Sozinha com ela, eu percorri quase nada, deixei pra desenvolver e evoluir dos ensaios pra frente e eu fiquei muito satisfeita – grau real e palpável de felicidade, vide Luthors – com todo o processo, com toda a personagem que construí, com as reações que provocava em quem dividia a cena e em toda a cena que construímos juntas: porque eu fiz questão disso! No final, trocamos e somamos, nos dividindo, inclusive, em nos analisar e nos dar nosso feedback. Por isso que eu insisti, fui extremamente irritante e dei o meu jeito de penetrar da agenda impossível da pobre da Taís, invadir a casa dela – sentiram o trocadilho? – porque eu queria isso, queria fazer bonito – e não tenho a menor vergonha de assumir isso – e o mais bonito ainda – lindo – é que queria que ela conseguisse, que conseguíssemos e conseguimos. Que não importava se foram só algumas horas, de um ou dois dias de ensaios... mas que éramos capazes de fazer render, de construir, fazer.... e com receita de bolo dessa vez, porque sabíamos exatamente o tom, o ritmo, a intenção e as emoções – yeaaah, nós tivemos parênteses, direção de cena – que cada fala deveria ter.
E nosso bolinho cresceu e cheirou gostoooooso! Ainda recheamos e colocamos cobertura, quando finalmente gravamos.... e eu já estou parando por aqui, já que não vai ter graça nenhuma se vocês não salivarem, e vocês devem.... portanto: salivem daí, vão por mim!.... e aguardem!... me aguardem! 

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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