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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Reencontro


Vamos escrever 48h aqui... 48h após 48h de observação/maturação.... 48h que valem 2 anos....
Primeiramente? Uma loucura, retomar contato após anos com O cara que me formou e me deu um norte do que era esta minha vocação, de como era uma profissão. Neste momento, eu sabia que já tinha vivido tantas viradas – mas TANTAS – na minha vida pessoal e que a profissional estava querendo perder o rumo, eu senti o alerta e fui de novo na mesma fonte que me tirou de 6 anos de hiato por pura imaturidade – mesmo sendo eu idosa de alma, de nascença – eu sabia que sozinha, eu não iria além da página 20 e como todo mundo sabe – até ele – : eu sempre quis ir além.
Por que além? Primeiro ir além de mim, além de uma vida, além de uma história, tocar além dos que me cercam, poder me doar além, me doar mais, ir além dos meus limites, pensar além e fazer pensar além, fazer as pessoas conversarem além e até brigarem além, mas não queria ser indiferente nem que estivessem indiferentes ao meu redor, e, magicamente, aos 10, instintivamente eu me apaixonei, como se num truque de mágica ao sair de cena pela primeira vez, eu tivesse encontrado a missão da minha vida. Então, aos 21, depois de anos de teimosia e vamos colocar a palavrinha mágica que aprendi há pouco – maturar – eu fui atrás e encontrei a realidade de ser além da sonhadora, uma profissional com o grande mestre abominável Jeam Pierre. Me formei e todo um mar passou, ressacas, dias azuis, conquistas e o mais temido de todos os movimentos: a falta de...
Eu me desconectei com aquela parte de mim que eu só experimentei enquanto me formava pra me registrar profissionalmente, a linguagem que conheci ali na JP Talentos, aquela que desafiava diferente do teatro, que me dava uma adrenalina diferente, uma pulsação de outro gênero...
E eis que com uma boa dose de intuição e conspiração do universo se abriu esta nova oportunidade, estas 48h... mas foi além dessas 48h, porque aconteceu todo um processo comigo desde o estalo de ir atrás, a preparação, vários micro-objetivos que fui alcançando – como gravar de novo e descobrir que instintivamente, eu tinha maturado, FINALMENTE entendido o que era a linguagem, finalmente não fui over, fui right HAHAHAHA – e o planejamento, até finalmente começar a viver as 48h propriamente ditas.
Quando eu falo em preparação, foi um processo à parte, onde eu dando vida ao meu próprio nome mais uma vez: renasci, me encontrei de uma maneira e em um momento, que eu sabia exatamente o que queria e trabalhei todas as ferramentas – TODAS – para me alinhar, abraçando esta oportunidade com toda a minha força.
Semanas de ensaio com direito a trilha sonora estratégica de preparação se passaram e chegou a hora, eu viajei... eu LITERALMENTE viajei.
Em 48h, eu embarquei numa jornada, onde fui expectadora de mim mesma, me perdi de mim mesma, caí em armadilhas que nunca imaginei que cairia – que eu mesma criei – e briguei comigo mesma e ainda estou tentando decifrar enquanto escrevo estas linhas. Magicamente, tudo que eu preparei, evaporou e eu zerei... nasci de novo? Renasci, como se estivesse pequena, frágil e completamente nua e chorando pra dentro, sem conseguir jogar pra fora. Fui chicoteada, nocauteada por mim mesma e minha mente sabotadora ou uma força maior, não sei... E eu renasci de novo, porque essa mesma força cuidou de mim, eu me senti cuidada por várias mãos muito sábias, no momento em que eu me senti mais vulnerável... e renasci de novo ao descobrir e redescobrir conhecimentos, ao ultrapassar o pânico de me expor vocalmente durante uma prática de técnica, ao mesmo em um turbilhão, entorpecida e perdida, eu consegui ouvir, ressignificar ouvir, ouvir outra pessoa, zerei a cabeça, me ausentei de pensamentos, renasci como uma folha em branco...
Eu renasci em palavras que mesmo cercada por dezenas de pessoas, pareciam ter sido pensadas e dirigidas pra mim, foi como se estivessem me espionado nas últimas semanas, e não no sentido de me assistirem, mas de estarem dentro da minha cabeça e confirmando tudo que eu estava sentindo e auto-dirigindo, o que queria – quero – minhas forças, que iria além, simplesmente porque QUERIA e dane-se o que eu tivesse que fazer pra chegar lá e o universo dava – e deu – sinais de que eu estava trilhando o caminho certo e eu segui confiante à frente, eu ouvi isso, eu senti isso e eu vivi isso!
Eu acreditei e me fiz de ímã até chegar nessas 48h, depois que elas chegaram, tive que renascer de novo, sim, de todas maneiras que eu acabei de dizer, e, mais uma vez, quando as palavras não pararam nesta quase narração de todo o processo que eu tinha vivido pra estar ali, elas me persuadiram do para quê eu estava ali e como eu ia continuar, fui estapeada, esbofeteada, deslumbrantemente nocauteada ao sentir que falhava... falhava?
Por mais que eu pudesse ter feito mais, além, diferente da minha parte, no que diz respeito até onde eu podia ir pra talvez chegar no resultado que eu desejava naquele momento, eu só iria até a página 20, não é? Além da 21, não era comigo...
Sim, a perfeccionista dentro de mim me diz que eu poderia ter feito assim ou assado, mas além dela, eu sei e eu sinto que fui cuidada, preservada, poupada... estava sem condições por razões que a minha própria razão desconhece e, muito provavelmente, eu poderia arruinar em outro desfecho e as consequências poderiam ser mais danosas para mim, não me fazer bem profissionalmente... pessoalmente...
É difícil, não é fácil realizar que às vezes, é melhor que não seja do que seja, porque não existe nada que aconteça ou deixe de acontecer que não seja pro nosso bem e eu ACREDITO que tudo que aconteceu, mesmo que estranhamente, foi dirigido e conduzido para o meu bem e é isso que me importa.
Eu definitivamente não saí sem saber o que fazer, não foi um ponto final, muito menos uma interrogação, estou tentando decidir entre reticências ou uma vírgula...
Delas, ou dela, das palavras que eu ouvi, eu tive o meu primeiro contato real com o coaching, este termo que todo mundo  usa, que parece fácil, mas não é e me fez renascer mais uma vez, porque me revelou talvez o segredo de um milhão de dólares, ou – abaixando o meu tom agudo de dramaticidade – da vida: de que você precisa tomar as rédeas, quem manda é você, não é mais ninguém, se você não se cuidar, você desaba, e foi aí a minha falha, mas foi importante falhar aí, pra saber que preciso redobrar a minha atenção e os meus cuidados comigo, sem olhos pros lados mais pra dentro de mim. Não existe sucesso em nenhum sentido se não estiver tudo muito bem aqui dentro.
Daqui de dentro parte o maior encanto de todos, o próprio sucesso, porque se estiver tudo em ordem, equilibrado, com a frequência devidamente sintonizada, você vira uma ímã e você vira um campo de força e você atrai e logo, você forma uma equipe ao seu redor e com você, que acredita no mesmo, em você e te leva além, indo além junto com você.
Eu ainda estou no primeiro passo e meio da jornada e ainda vou além, porque eu ACREDITO.
Queria abraçar todos os profissionais que estiveram comigo nessas 48h, abraçar forte e dizer que eles me fizeram renascer, me deram uma nova vida de consciência, me orientaram e agradecer por isso. Muito obrigada por cuidarem de mim e me colocarem num lugar que eu nunca poderia imaginar. – especialmente você, Jeam Pierre, o grande responsável por tudo, mais 2 anos, 2 anos em 2 dias....
Foi intenso, difícil de entender, de colocar em palavras, mas foi necessário e eu quis traduzir e deixar aqui registrado que foi inspirador, pra que não se perca toda essa imensidão, ressignificação...  
Deram mais de uma vida ao meu nome, a sabedoria de que essa é a minha alma, de tudo que eu faço e que é o que é capaz de me fazer ir pra frente, meu nome e sobrenome: renascer e ser intensa.

Agora, é maturar – melhor palavra dos últimos tempos do último final de semana – e dar mais meio passo, depois mais um passo... outro passo.... outro passo... outro passo... e andar. Andar, caminhar, antes de correr e ir além.


sábado, 1 de março de 2014

A maré foi e voltou, PAÓ...


BRASAS... 
SIMMMMM, eu entrei pisando em brasas, mas terminei me unindo à elas e me virei em chamas e fui fui fui fui me alastrando tablado à fora, feito uma boa e bela labareda que vai sorrateira lambendo e tomando conta de tudo até incendiar tudo de vez – me incendiando junto!
Fui o fogo e toda a sua força, fui força e vivi a performance mais forte da minha carreira, a mais intensa e a mais desafiadora nas primeiras 24 horas dessas 48 que prometiam ser as mais decisivas de toda ela.  
Agarrei pra mim com todas as forças essas 48 horas, como se elas fossem me dar as respostas que eu nunca tive.... e eu recebi....  uma a uma... ao seu tempo...
Antes dos três sinais, uma em uma mensagem no celular – segredo que não pretendo revelar agora... quem sabe... em breve... – e muito antes deles, o estimulo do avesso, digno de Medeia/Joana, a direção perfeita para o caos, TUDO que eu precisava para descobrir do que era capaz e eu fui fui fui....
FUI disposta à me aproveitar desse tudo, de mim e me fiz ressaca: como as ondas que a Joana se entitula na obra, fui presa, me tornei solta e tão forte quanto me imaginavam – nessa me incluo, afinal a incerteza de ser profissional me atormentava, lembram? Eu disse ATORMENTAVA.... – fraca...
FUI com a sede de não só me desbravar, como de provocar ressaca – e eu nunca fui tão bem sucedida nas minhas intenções... primeiras.... segundas... terceiras... quartas....
Embora, eu não tenha gostado tanto de como conduzi a abertura, muito menos de ter engasgado no meio de uma fala, ter literalmente cagado minha marcação na cena nova ao ponto de ter dado vida à expressão “andando feito uma barata tonta” – e pra eu me comparar à uma barata é porque realmente.... 
Só não cair porque meu santo é forte, Deus deixou meu anjo de guarda fazendo hora extra, algo do gênero, pois só o outro mundo, a força que a gente sente mas não vê, pra explicar como a gravidade não me fez beijar o tablado daquele palco enquanto eu ia e vinha berrando e ia e vinha berrando com as pernas vacilando e a base quase me abandonando por justa causa.... – de repente, foi isso....
Mas enfim, tiveram também meus quase infartos com as falha-nossa dos meus queridos colegas de cena... – ah os canos raspando as tiras de coco, não é mesmo, Cacetão?... sorry, piada interna do elenco!
Contudo... entretando... todavia... toda a imperfeição e toda loucura, foi ali, logo depois da minha primeira saída de cena, enquanto eu respirava que eu pude sussurrar pra mim aquela que de todas as respostas, era a mais importante: eu nasci pra isso.... se seguindo de sussurrar – não só agora – o efeito colateral daquela primeira resposta, aquela da mensagem no celular.... 
E assim que terminei de interpretar/cantar minha primeira canção dando a deixa pra minha primeira saída de coxia, que se seguia com a volta completa até encontrar na coxia do outro lado, no meu filho loiro emprestado da Joana, a terceira inesperada e mais arrabetadora resposta: um abraço apertado imediato assim que me viu, seguido de um beijo e da admiração escancarada nos olhos, que me encheu de orgulho e ali me vi como se servisse de exemplo e talvez até inspiração pra um menino que quer ser ator e que estava em seu primeiro trabalho – acredito eu.... pois ele veio de longe e começamos a ter contato poucos dias antes da estreia.... – ou mesmo que fosse só por achar que eu saí de cena pra não voltar mais e fazer questão de me cumprimentar – o que acho muito mais provável – mesmo assim, me tocou tanto e tão fundo...
Enfim, terminei minha noite, cantando, rebolando, batendo forte o tambor e finalmente batendo foto com todo o elenco no camarim – sonho antigooooo...


BY Elizandro Souza

E pensam que acabou aí? Que nada.... 48 horas, lembram?
Me arranjei e vim de cabelo de Joana pra casa, dormi com ele amortecendo meu travesseiro, fui com ele amortecendo assento de transporte público, enfim, partamos pras considerações das próximas 24 horas, as da segunda noite:
Como toda boa discípula de Jack Bauer, além da ação, também sei viver de um bom drama e fiz das ultimas 24 horas mais desafiadoras da minha vida, as mais emocionantes também, porque pra mim essa foi a palavra de ordem: EMOÇÃO. Me peguei pela emoção, me senti mais mulherzinha – comparada à fortaleza de antes...
E eu me conquistei, tanto que me apeguei mais nesse aspecto do que em saber/analisar o tanto que pequei, não ignoro ter caído no palco – fato inédito e que quase não me quebra as pernas, não literalmente, porque virei o pé mas fiquei bem, estou bem; mas por quase ter me feito perder a concentração, mas a sorte foi ter encaixado no contexto que resolvi inventar de improviso na hora: de desmaiar – ou de ter enrolado a língua e travado numa fala, de ter deixado o apoio escapar – não sei nem precisar o quanto, nem se cheguei a usar o mesmo... – , eu juro...
O que acontece é que consegui me envolver, me emocionar, eu chorei – e vocês sabem bem o que isso significa....
Consegui domar os 3 sinais muito melhor que antes, contracenar em cenas que pra mim eram um desafio imenso – de não cair de volta em mim – inclusive atingi um outro nível de movimentação na marcação que tinha executado feito "barata tonta", tive base e me senti inteira e intensa pra tudo.... – como se fosse a última... mesmo já sabendo que não....
E mesmo que tenha falhado tecnicamente, incrível como eu me agradei, agradei à minha expectadora interior – uma fulaninha extremamente exigente, chata e perfeccionista, dona de um senso crítico absurdo – e me satisfiz num grau.... que nem sei como definir em uma palavra!
Comecei FORÇA e terminei EMOÇÃO... fui caos... tragédia... arrepiei e fui de dar medo – como alguém na plateia fez questão de dizer em voz alta, apontando pra mim, literalmente – e isso é o que me marca: Joana se provou ser minha prova maior, minha banca maior, meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, minhas dádivas, com ela eu me revirei do avesso desde a raiz do cabelo até a força que não sabia que tinha pra arrancar de mim e as emoções, respostas que não encontrava....


Eu sou grata à todos – meu diretor Carlos Marroco, meu produtor Rafael Fernandes e meus colegas de cena – os responsáveis e culpados por todo o processo, pois me revelaram pra mim em 3 grandes lições, essas que chamam de apresentações.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Caiu.... DESPENCOU!




fotografia de Elizandro Souza


É, eu esperei mais do que os três sinais que não terminavam nunca com aquele soluço que não findava nunca, passar todo o suspense, o drama por trás do drama, o flash de tudo se passando, a ressaca de tudo – dela – e a ficha cair.... e enfim, depois de esperar isso tudo, nada caiu nem as palavras parecem se encontrar direito no meu pensamento, mas o instinto pede que meus dedos se movimentem e cá estou.

fotografia de Rafael Fernandes

Confesso em primeiro lugar que não me reconheço nem nas fotos – vide acima – nem com a imagem em movimento, muito menos nas palavras que recebi, nas reações que decifrei nos rostos que se aproximaram de mim.  Ao mesmo tempo que sei que falam de mim, parece não ser de mim que estão falando... é estranho... porque se sonha em ter reconhecimento e quando ele vem é tão surreal, tão intimidador e tão intrigante.... parece uma teia que te envolve e quer te sufocar  – seja no bom ou no mau sentido....
Sei que mereço, tenho meu merecimento: fui além de mim, das minhas forças – literalmente , tanto que retornei ao treino físico por conta de um dos ensaios – fui além do que achava que era capaz de fazer  – cantar é o exemplo, fiz, mas não acredito que... se me perguntarem, respondo que interpretei as canções, não vão me escutar dizer eu cantei, por não me considero cantando – incluindo, inclusive, além dos meus limites físicos, os emocionais, toda uma preparação que tive que ter, uma estrutura – técnica – que precisei adquirir em tempo recorde, consegui chegar no que estava lá na cabeça do gênio-criador-excêntrico-louco-maravilhoso que eu chamo de meu diretor – o recém imortalizado Carlos Marroco – e eis aí a missão mais impossível de todas que cumpri e custo a acreditar que – mesmo com o próprio me informando do feito – consegui dosar o tanto de instinto e o tanto de técnica, mesmo me sentindo como me senti na penumbra, no escuro até o breu total...


fotografia de Manuella Pelegrinello


Desse breu todo ao breu do teatro, das pessoas entrando, do calor do foco, das luzes pra marcar, de toda a batalha pra fazer do meu cabelo mais uma obra à parte, do meu rosto uma máscara, do meu corpo um instrumento tocado por fora: por espasmos, por falta de movimento, de som, o desespero, a agonia de tudo... do tempo que parecia ter parado nas minhas mãos e como administrar na base do soluço, tapas e socos, do mais puro improviso.... assim tudo começou....
Daí pro novo breu, me erguer de sobressalto pra me revelar no mais completo caos, alimentado por tudo aquilo que acabei de dizer, combustível que pude abastecer no tempos dos 3 sinais – aqueles mesmos famosos e tão ansiados 3 sinais que anunciam a entrada do público e a contagem regressiva para o início de fato de um espetáculo – e dessa explosão toda eis eu a ruir de novo, antes é claro, trombando em algum coleguinha de elenco e me arrastando literalmente para chegar no foco – pra quê mesmo fiquei contando os passos?

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Passada essa louca transição entre parar, conter, crescer, explodir e ruir pra depois explodir.... e ter que ouvir e sentir tudo que falavam ao meu respeito em cena e só poder reagir respirando até enfim a deixa pra poder crescer, explodir e ruir.... depois conter pra explodir e tentar não me perder no timbre da voz – até agora espero ter sido no mínimo coerente – do início ao fim, construir uma unidade, alguém mesmo e não várias em um...

fotografia de Manuella Pelegrinello
fotografia de Manuella Pelegrinello


fotografia de Manuella Pelegrinello



A única dó que tive foi de sair de cena – eu não queria sair mais – em contrapartida, se não houvesse saído, não existiria minha cena favorita onde o ego e o alter ego – Joana e Medéia ou Medéia e Joana – se encontravam e juntos se fortaleciam para atacar o inimigo e havia ali uma enlevação da “minha” pessoa e o conjunto todo da obra que por isso ficou prima – eleito o clímax da noite!

fotografia de Manuella Pelegrinello

fotografia de Manuella Pelegrinello


Foi complexo, tudo tão complexo, tão intenso, que desconfio que nem esteja conseguindo me expressar direito nem me fazendo entender, muito disso é culpa também de como me senti, como tudo está se processando em mim AINDA, se passou tão rápido.... – tirando o início de tudo que me veio de presente e que pareceu durar uma eternidade –  numa agilidade, na velocidade da luz e eu fui no limite do meu fôlego, senti as pernas tremerem, os pensamentos se esvaírem, sumirem no ar, vivi literalmente aqueles momentos, e só tinha cabeça funcionando pra saber quando devia falar e tudo saía da minha boca como se nem tivesse que pensar nem respirar, mas respirava e tinha os pés bem fincados no chão.
Olhando de longe, não reconheci nem humanidade ali, é como se fosse uma criatura, algo perdido de algum documentário, do tempo, que saiu das cavernas, era uma força da natureza, um grito, um desespero... Joana foi meu inferno, meu céu.... paraíso desejado e calculado, purgatório de todos os pecados... foi tudo, foi nada... combustível, me fez eu me sentir viva, sobreviver... meu maior desejo de todos!
Foi “alguém” e alguém por quem fui longe, por quem arrisquei, passando inclusive da linha da racionalidade, tomada de uma paixão minha pela personagem e por uma boa dose de coragem não propriamente minha, enfim, resolvi bancar a cega e passional.
Eu sei que arrisquei muito, corri o risco de encerrar a carreira tentando começar, porque com “Gota” não existiria um meio termo: ou era sucesso ou fracasso. Não digo isso pelo volume e a densidade do texto que me era familiar e queira ou não eu tinha fresco na minha memória, mas era pela densidade orgânica de dramaticidade – tentando traduzir o que seria o método próprio do Marroco – que me foi exigida, da linha de concepção da direção e por conta dela como tive que me preparar, fora as músicas que de início me amedrontaram, mas que aos poucos senti e percebi que não seriam minhas nem cantadas por mim, muito menos cantadas, elas foram dramatizadas, interpretadas, talvez por isso tenha conseguido dar conta – aparentemente – do recado, sem passar vergonha – esse era o meu grande objetivo... – não envergonhar ninguém, muito menos à mim diante de mim e da minha exigência fora dos padrões, encontrar a minha linha, a minha expressividade sem ser caricata nem esbarrar em toda teoria que investi em aprender pra TV, enfim, me descobrir como uma atriz, como uma profissional de fato...

Se sou, não realizei – mesmo sendo – mas sei que estou muito perto disso – de sentir e realizar –, pelo menos o maior desafio de todos eu venci – ele e todos os outros que me foram feitos em forma de proposta de cena, em poucos termos: imobilidade, queda, altura, intensidade, força, fraqueza, sedução... – que era ousar passear na montanha-russa de Chico Buarque e Carlos Marroco....

Por pouco – medo – não deixo em exibição as imagens e que elas falassem por mil palavras nas linhas e entrelinhas.... mas ao mesmo tempo, precisava vir aqui, precisava me abrir pra filosofar à minha maneira, mesmo que confusa, abstrata e até poética, porque é desse turbilhão de emoções e intenções que sou feita e é desse mesmo turbilhão de intensidades que foi feita a MINHA Joana.....

fotografia de Manuella Pelegrinello


domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre – em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história – começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada – que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Definitivamente Marroquinizada!



Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir.... 
Me tornar uma profissional devidamente registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto – tão à vontade pra usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu – pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....  
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade: JP Talentos.
Não vou perder a graça – juro – nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!

Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogada e até gralha metida à corvo; além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem – "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização – fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar – , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!


Oficina de Monólogos com o Marroco




Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning


Elisabeth versus Magdalen



















Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...

Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!! Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar, mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo acertado e combinado! Daí se seguiram dias de pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!


A inspiração

E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – ,  no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....

Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!

Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...

E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....


Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC


Matei muita gente de susto – vide foto ao lado – , e pasmém: ganhei dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite –, quem tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide – ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste, sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta – : continuar distraindo a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!


Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?

Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela, não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes – na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco! 
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra ficarem com água na boca!

MUAHAHAHAHAH

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Até que a morte nos separe... e eu fuuuuuui a noiva do Oscar!



É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa noite....  essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional,  numa grande cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e sua supervisão atenta. 
Fomos unidos à profissão por meio de um documento registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava completamente mulherzinha na expectativa.... 
Independentemente disso, meu dia começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e extremamente transparente,  nos separamos e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção? 
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano – topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings – ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... – dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na base da palhaçada, oh que beleza!

 
Concordam? 
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos, sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida – sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse – que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era. A nossa era. 
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam, sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis,  preparada por Jeam Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!

Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de parar..... 

domingo, 14 de agosto de 2011

Do país das Maravilhas à mulher-macho – prazer, Alice... Edelcio e o prazer é todo meu!


Você recebe uma provocação... o que faz? Responde à altura. Dependendo da sua idade, sua resposta é instintiva ou inteligente. Raros são os que conseguem fazer a perfeição que é essa combinação – fatal. Independente do tipo de resposta que alcance e de reação que você tenha, passivo é que você não fica. A questão é... se você vai usar o instinto a serviço da inteligência ou a inteligência a serviço do instinto – me emprestando aqui da sabedoria de Glória Perez em uma de suas obras.
E quando a provocação é em forma de texto?
Pois bem, na minha vidinha mais ou menos, mas pra mais do que pra menos – créditos à Jeam Pierre por esse trecho de sabedoria – posso me dar ao luxo de usar meu instinto a serviço da inteligência e transformar tudo em brincadeira – é um dom – mas diante de um texto, não. A brincadeira é séria. Nossa vida não exige planejamento, raciocínio perante atitudes, não, a ponto de encará-las pausadamente e mecanicamente, apelidando de takes, pausas e marcações. 
Quando inventamos de brincar de ser outro alguém, temos um meio – texto – para se chegar a determinados fins... e, para nós, sim, “os fins justificam os meios”.
Viver outro alguém requer estudar esse meio, através dele, entender quem você irá arrancar de si. A partir de uma história que estão te contando, você consegue sentir as emoções, nas entrelinhas, decifrar a história desse alguém. E para isso, você acaba aliando instinto e inteligência, mas principalmente abusa da inteligência a serviço do instinto. Nos programamos para essa nova vida, de acordo com o script.
E o meu script dessa semana gritava. As palavras tinham peso próprio e se faziam vivas de uma forma pouco ortodoxa: eram extremamente profanas, mundanas. E qual era a orientação, Advogado do Diabo? Ignorar e ir para o lado oposto da força: a inocência. E eu fui.
Em meu oposto, busquei a menina que ainda habita em mim e a inocência perdida, criando a partir dela, alguém que diria essas palavras sem a menor noção do peso que elas tinham, alguém acima de qualquer suspeita e que jamais se imaginaria dizendo tais coisas: Alice.
A maior loucura de todas foi que eu acabei me divertindo com ela e sua história, coloquei meus óculos e ensaiei. Agora até sinto uma chama ardendo dentro de mim, é prazer e por mais estranho que possa parecer, é a prova de que ela está viva aqui dentro.
Agora, não vou falar de agora, porque a intenção mesmo é voltar direto pro túnel do tempo: última quinta. Levei a Alice comigo, mas inicialmente ela ficou de canto, pois passamos pouco mais de 1 hora dando um feedback sobre o grande encontro. Passado ele, partimos em grupos menores – meninos versus meninas – para fazer dos nossos monólogos, cena. Com quem estava, eu comecei, colocando a Alice pra fora. CORTAAA. Segundo passo, uma colega de cena fazer do mesmo jeito que eu, só que além de me imitar, tinha que exagerar – fazer uma prima da Alice no superlativo. Confesso que aí eu me diverti. A loirinha que me imitou, minha colega de cena – Isabella – foi no ponto. Depois, troca-troca. Agora tínhamos que estar em grupinhos unissex – homens e mulheres juntos. Com a nova formação, eu novamente representei o monólogo feminino e a Alice deu a ar de sua graça mais uma vez. Depois um dos meninos, colega de cena, foi representar o seu Edelcio e logo tratou de arranjar sua Cilene.
Acabados os trabalhos, terminamos em uma roda. 
E tchaaaaaaaaaaraaaaaaaam... A grande surpresa da noite, o grande momento: tapão na mesa e a brincadeira tava invertida; inversão de monólogos – antes que alguém se perca, menina vira menino e menino vira menina. Uau?
Esse Jeam, ainda me mata. Sei que ele me torturou até me permitir ser macha de uma vez. Eu parecia uma pipoca ambulante até ele finalmente me dar comando de ação, que nem uma criança, inclusive verbalizando Ahhhhh eu quero fazer, Jeam me deixa fazer..... Mas aí tinha um porém, eu tinha que seguir o que me foi apresentado em grupo. Ok. Como mandava o script que me deram, me arranjei com a minha Cilene e protagonizei uma das cenas mais hilárias desses meses todos de aula. Não me reprimi não e expulsei toda a minha testosterona reprimida – que loucuuuuura – entre gargalhadas femininas, por vezes – bem disfarçadas – masculinas – juuuuura – eu falei palavra por palavra com a boca cheia, ali saiu o meu teatro todo pelos poros, sem pudor e eu fui feliz... mesmo sem ter a oportunidade de falar bate cachorra bate...
Aplausos, eu ganhei e feedback garantido de olhinhos que brilharam, me admirando de frente e outros que se arregalaram, sorrisos... um prazer.... imenso e todo meu....
E o que mais essa atriz aqui pode querer? Ir além, mais além ainda...
segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não gafearás!


É hora de tirar o pé do acelerador e dar uma freiada... a última quinta foi em clima de talkshow, estilo Altas Horas...
Montamos uma mesa redonda improvisada e começamos a conversar, no que foi nosso primeiro laboratório profissional.... mesmo não sendo para um personagem....
E a minha impressão era de que tinha um quê de orientação de conduta e boas maneiras no ar, me senti numa aula de etiqueta pra atores. Vocês podem até pensar que não, mas nós também precisamos dela, principalmente quando temos um grande encontro à vista. É importante não colocar os cotovelos na mesa, palitar os dentes, fazer barulhos desagradáveis - chupar os dentes, sopa -quando se está nela, equivalendo à nós a sacar a arma poderosa da palavra engatilhada na ponta da língua ou se favorecer da arte de se silenciar...
O que, resumindo, se trata de repertório, pertinência e muito, bastante, desconfiômetro. Existem assuntos entre atores e diretores, e, todos, sem exceção, se classificam entre os extremos: ou proibidos ou interessantes.
Informação é poder, e não se desperdiça. E com esse poder habilmente manuseado, se conquista conhecimento e inteligência. E não existe nada mais abominável que um ator burro, não é? A burrice em si já é abominável.
Daqui, particularmente, eu já garanti as minhas conquistas, e a partir delas, formei um manual de etiqueta, mandamentos, incluindo pecados capitais, aqui na minha cabeça. E ele é, claro, confidencial. Afinal segredo é alma do negócio e pré-requisito pra não se rescindir um contrato. Mas um segredo eu posso revelar: com ele, gafes no more, baby!

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

Ibope