É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro
– que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como
diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal –
porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas
ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim –
assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel
à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR.
Vamos pro que realmente interessa:
Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí
no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De
cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo –
ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me
garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a
emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre – em
standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna
há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história – começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram
DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações
que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os
sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o
Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler
Biro Birooo – em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais
absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar
que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das
sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi –
literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim.
Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um
compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada – que posso revelar no momento, nas entrelinhas se
traduz no vídeo ali de baixo:
Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa
perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina
de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos
apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco
pros 3 sinais...
Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em
plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão
das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.
Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...
A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha
vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o
Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara
que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e
me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero.... – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar
naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do
palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma
vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no
texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação – porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai
despencar no mais puro estilo marroquino!
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só
que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque...
adiviiiinhaaa... –, eudei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na
tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no
estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal
não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar
lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra
alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual
era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas
marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora
o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se
abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher
esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50% – Eu mesma! E
como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que
fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de
novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças,
não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito
da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu
me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou
menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que
toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela
agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser
definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem,
deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel
dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na
minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria
querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais
teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu
Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....
Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...
Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de
Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e
se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!
Agora sim, mais no clima...
Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um
personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica
de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica
em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei
precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna
– , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro
te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois
era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas
no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso
confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava
precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que
eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do
balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a
ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro – fez o favor de estourar
meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência
de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no
feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me
fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse
desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir
pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações...
sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda
oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de
fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o
último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à
parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra
lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu
jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de
surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas,
digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro
em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com
seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti,
quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando
de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus
pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana –
desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo,
todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em
cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e
manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito
feio, eu sei...
Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de
colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino.... mais
tarde, eu conto....
Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da
metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu
garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um
pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir....
Me tornar uma profissional devidamente
registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é
tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto – tão à vontade pra
usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu – pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do
sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram
a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da
redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar
as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade:
JP Talentos.
Não vou perder a graça –juro – nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!
Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês
querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e
nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio
tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei
estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas
primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um
andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogadae até gralha metida à corvo;além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem– "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização – fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar – , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!
Oficina de Monólogos com o Marroco
Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning
Elisabeth versus Magdalen
Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...
Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem
dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na
entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria
abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele
iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!!
Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e
apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é
meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar,
mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo
acertado e combinado! Daí se seguiram diasde pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um
tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas
essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo
e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!
A inspiração
E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia
para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – , no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....
Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!
Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...
E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....
Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC
Matei muita gente de susto – vide foto ao lado – , e pasmém: ganhei
dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea
vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite –, quem
tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava
o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se
estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além
disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas
de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou
dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos
de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide
– ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca
batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas
tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma
parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste,
sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale
à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e
que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu
estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável
espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta – : continuar distraindo
a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio
das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!
Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?
Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu
não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela,
não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a
seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica
sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no
que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes –
na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no
palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a
missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra
cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma
direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões
mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de
fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco!
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram
e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra
ficarem com água na boca!
Confessar que corri um campo inteiro de futebol, corri
cantando sem repertório, corri cantando o hino nacional, corri ao redor de um
chafariz cantando Mundo Ideal, cantei em público pela primeira vez na vida, e
pela primeira vez de novo, peguei num microfone pra cantar de verdade, eu atingi
um agudo! – praticamente lírico , eu juro....
Mas antes do agudo, entre ele e tanto correr, eu aprendi a
respirar de novo, a me equilibrar numa base nova, a pegar coreografia de
verdade! Fui do céu ao inferno, em todos os sentidos, me arrastei num limbo de
berros desesperados e berrei – como berrei – fiz de três pontos um conto
tragicômico, trabalhei panturrilha, fiz flexão, até abdominal inverti!
Cantei, dancei, atuei de uma só vez, fiz musical – mesmo que
rudimentalmente – pela primeira vez... eu dirigi, aprendi a rir dos meus erros
e a deixar meus devaneios de perfeccionista de lado pra variar....
Eu me preparei... me preparei pra um grande sonho, que começou
no sonho de alguém e no encanto que se fez quando assisti The Best Of Broadway,
meu primeiro musical, estou me preparando: teatro físico, clown, pequena sereia
na pedra, sapatilhas mágicas, saltos do tamanho do mundo! Por que sim, agora eu
tenho! Sapatos de dança me dei, pra riscar meus novos passos.....
Passos de uma base firme, de pés bem colados ao chão,
distanciados pela largura dos ombros, firmes, cabeça ereta no ar e olhar ao
horizonte, e toda a tensão do mundo que vá pra coxa, pés, chão, fuja de mim!
Apoio, respirar, puxar ar pela boca, guardar nas costelas
pra cutucar os cotovelos, fazer o ar dançar, fazer miséria, virar nota, bater
no peito, na nuca, no alto da cabeça, juntinho do nariz, e sair em forma de
canção..... eu fiz.... lições de canto até isso eu fiz....
Passei por poucas e boas, boas e poucas.... estou inspirada,
bastante inspirada, avançando.... saltando entre ensinamentos, aprendizados e
mestres – entre eles o meu galã – para hoje estar de volta ao berço, à JP
Talentos, ser uma das crias de Gringo Starr, de novo um bebê em frente às câmeras,
além de um bebê de palco – depois de um convite daqueles – .... um bebê da Broadway.....
eu confesso!
As primeiras palmadas já foram, o primeiro chorinho e o
primeiro berro também... tudo que tinha de primeiro e intenso pra ser feito, e
que eu nunca me imaginaria fazendo, eu fiz.... e confesso que vou continuar
fazendo..... – a não ser que acabe realmente tudo de vez!
É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e
escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa
noite.... essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional, numa grande
cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e
sua supervisão atenta.
Fomos unidos à profissão por meio de um documento
registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores
e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que
acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na
noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente
de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava
completamente mulherzinha na expectativa....
Independentemente disso, meu dia
começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência
e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da
estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda
me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas
narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão
de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e
extremamente transparente, nos separamos
e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção?
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no
cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em
mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti
muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano –
topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de
spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra
brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me
despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da
BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings
– ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e
meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e
tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás
do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao
altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que
variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu
mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito
depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas
gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o
Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em
nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... –
dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na
base da palhaçada, oh que beleza!
Concordam?
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render
homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas
apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos,
sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida – sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse – que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do
nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras
de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a
capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era.
A nossa era.
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam,
sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e
circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar
pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis, preparada por Jeam
Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!
Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que
percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de
parar.....
Tanto se passou... tudo se passou... finalmente fiz a prova
final do Jeam, que de prática não teve nada e foi extremamente intrigante –
inteligente, aliás a mais que fiz nos últimos tempos – depois veio a do SATED –
Sindicato dos Artistas – que perto da do Jeam até me decepcionou.... mas enfim,
como vocês estão de prova – sem trocadilho com as avaliações – meu caminho até
o famoso DRT – Registro Profissional de Atriz – foi chorado, suado e sangrado,
não foi só de uma ou duas avaliações dissertativas.
Considero todo o processo, os 18 meses inteirinhos, pra
fechar a conta... e eu fechei.... com sucesso! Saí mais consciente e ciente do
que realmente é ser uma Atriz e profissional, graças ao choque de realidade que
levei do Advogado do Diabo, à ele mesmo!
Tirei meu registro profissional, mas estou longe de ser uma,
pessoalmente, sinto que cresci, envelheci e rejuvenesci – nasci de novo. Parece
que tudo está começando... e está.... agora virei adulta na profissão mas ainda
me sinto uma criança por dentro e por fora.... só vou me sentir grande mesmo,
quando conseguir ser completa, uma artista completa.... – interpretando, cantando
e dançando....
Isso quer dizer que a
inspiração não terminou.... e recomeça aí – claro que nesse meio tempo me
envolvi em um projeto que me trouxe um dia para respirar e relembrar como era
de verdade gostoso fazer uma leitura de mesa com direito à saga atrás de comer
após.... no fim, terminamos num final precoce porém nada infeliz, já que me
envolveu onde estou agora..... e é bom sair dos parênteses, não é mesmo?
Então, hoje estou envolvida em um novo estilo de preparação
de atores, de musical! Minha preparadora não tem nada de diabólica, é o extremo
oposto: minha fada-madrinha-musical Tina Yoshizato!
Com ela, tudo é mágico.... encantador.... a profissão toma
forma, cor... trilha sonora.... tudo se transformou... eu já me transformei em
1 mês, que foi uma loucuuuuuura....
E, me lembrar que conversando num passado não
muito distante, eu temia o que seria de mim depois do curso.... depois do Jeam....
Hoje não só continuo firme no propósito de ser uma atriz profissional, como
ganhei o novo de ser completa – sem querer me repetir, já me repetindo....
Mas não vou estragar a surpresa.... em breve vou revelar
passo a passo dessa preparação nova... dessa nova estrada que estou ousando me
arriscar a percorrer.... enquanto
issooo, fiquem com um pequeno teaser do me inspirou a entrar nesse novo
universo – BROADWAAAY....
Foi a partir daí, do primeiro musical que assisti na vida "The Best of Broadway", que eu me vi no palco
– até aí nenhuma surpresa, isso sempre ocorre quando estou assistindo uma peça
– mas eu me vi com aquele cabelo, aquele figurino, aquela maquiagem.... dançando..... não precisava estar cantando
– porque eu tenho bom senso
– enfim, me vi como a protagonista real da história, que queria abandonar esse mundo pra viver naquele de sonho que se apresentava no palco....
E o que antes era só admiração por ver alguém cantar – Jamil Vigano, Tiffy e cia Grito ilimitada – e uma vontade que eu tinha de começar a fazer aulas
– pentelhando séculos o próprio Jamil a respeito
– tudo passou a se encaixar numa única performance.... ali naquele palco, tudo passou a fazer sentido.... e o universo conspirou.... agora é só confessar.....
E tudo começou com uma bacia, depois virou um foco de luz...
mentiiiiiiiiira!
Começou mesmo aprendendo a andar e caminhar, montando na
sela no cavalo – maneira meiga de associar rapidamente o andar cênico no
teatro. Temperaturas e mais temperaturas de voz e movimento.... Alongamento, Absurdo, Brecht, Stanislavski, teste e reviravolta na vida pessoal, provocando meu afastamento por um mês – eu
disse UM MÊS FORA DOS ENSAIOS.
Um processo completamente avesso à tudo que já vivi no
teatro antes, um tanto enlouquecedor com um fundo de enriquecimento – não posso
negar – mais requintes de uma estranha solidão – independente da minha ausência em
si – já que o teatro é em essência uma arte de grupo, coletiva por natureza.
Sensação de falta de comunicação, direção e marcação. Proposital, sei que não
foi – até porque isso foi me dito com todas as letras – mas teve um propósito
bastante intrigante, que eu não sei se entendi até agora.
No fim, ensaiar sozinha, por minha conta, adiantava o meu
processo.... e um processo que, vou contar pra vocês, que foi uma montanha-russa.....
montanha-russa de direção, marcação e cena – porque não?
O que era só uma cena de água com bacia, virou bacia e água,
várias nuances, até chegar na bacia com água e música! Num misto de Iemanjá e Samara
(O Chamado), eu – repito – quase enlouqueci
tentando acompanhar o raciocínio da diretora, tentando me encontrar dentro do
espetáculo que ela via na cabeça dela.
Nos apresentamos duas vezes – ao menos, eu considero assim –
uma bastante intimista só pra calouro ver, numa das salas do Doze e a outra no
palco do Pedro Ivo – mas dessa eu vou falar já já....
Quero falar da primeira, primeiro – que oficialmente só foi
um ensaio geral com público – pois pra mim foi a mais intensa, a que mais bateu
fundo, era como se eu estivesse no palco, eu sentia como se aquele chão de
sempre, tivesse se transformado, e mesmo com tudo improvisado – sem cenário,
luz, maquiagem – foi extremamente profissional e me marcou por eu ter
trabalhado minha voz como nunca trabalhei antes, fui pro grave – não me
pergunte como – e cantei – continue sem fazer perguntas – e dei meu texto, fiz
minha cena com uma paixão, que eu nunca tinha encontrado antes!
Não consegui agradar muito minha diretora – não agradei mesmo – com
toda essa performance que fugiu de tudo que ela queria, mas fui notada, percebida
e elogiada por uma das presentes, o que me surpreendeu de um jeito e me
envaideceu ao ponto de fazer meu olho brilhar diferente, me fazer iluminar de
dentro pra fora – sem perder a linha.
Mesmo assim, a maior
interessada não estava feliz, e como pra atriz aqui, autoridade máxima é a
direção, dei meu jeito de desconstruir toda a cena uma semana antes de ir ao
palco – sendo que num ensaio extra as marcações e a cena em si se transformou
completamente 2 dias antes...
Enfim, cheguei ao Pedro Ivo..... passei lá com meus colegas
de cena e palco um dia inteiro até finalmente cair a noite e soarem os três
sinais – intermináááááveis – numa
escuridão dos infernos entre reclames da JP – chamadas mais chamadas sem
fim....
E no fim, entre a tensão muscular e distensão – no sentido
de relaxar mesmo – finalmente a cortina
se abriu ao som do samba que abriu nosso espetáculo e a luz que faltava atrás
das cortinas se revelou na ribalta fulminante – não querendo quebrar seu
encanto, mas já quebrando, se você me viu chorando no início da peça, não foi
emoção, foi a luz mesmo que me feriu os olhos.
Foi diferente.... diferente
daquela primeira apresentação.... diferente de todas as vezes que já pisei num
palco.... eu estava calma.... estranhamente calma.... fria....
Antes, me encantei com o teatro que era lindo, com a marcação
de luzes – que não me lembrava de já ter feito – me dando conta que ia ter um foco
todo em cima de mim – efeito inédito na vida, que dirá na carreira.....
Na hora h, pra valer, enchi minha bacia além da conta
necessária, e quando saí, tinha um peso muito maior pra carregar até a minha
marca, o que se traduz num rastro molhado da coxia – bastidor, lateral de
palco, por onde atores entram e saem, meus queridos – isso tudo, com meu cabelo
completamente na cara – como a foto mostra – no meu melhor estilo Samara saindo
do poço, repousei minha bacia lindamente – nem sei se foi tão lindo assim – e lá
fui eu me lavar – estranhamente quase sem me molhar – cantando o samba que me
deram, abri os cabelos e encarei o vulto de imensa escuridão na minha frente –
sentindo pouco calor humano bem próximo e imaginando no fundo da minha
consciência que o teatro estava completamente vazio...
Num dado ponto do monólogo – também primeiro da minha vida
num palco
– começaram a rir e não era por mim, era pelo estilo Samara
adentrando o palco, mas na hora eu encarei como se estivessem achando graça do
meu drama – ao menos na minha cabeça era isso que eu estava fazendo e aí eu
fiquei com raiva e o resto todo saiu espumando pela boca..... – e eu de tanto
levar a sério o que dizia, não percebi a graça que tinha na desgraça de texto
que eu anunciava com os lábios.... – sentiram a sutileza?
Queriam que eu assustasse, acabou que saiu ao natural – o objetivo da cena era fazer quem me visse se sentir mal... horrorizado – consegui um efeito beeeeeem significativo, quando me levantei e fiquei de pé, realizando toda a energia raivosa que estava – vide foto de cima – senti o ar pesar e parar de expectativa e até um suspiro alto eu escutei e aí tudo se encaminhou pro fim da minha participação solando.
Depois voltei à cena para fazer composição de cenário –
cenas que pedem mais gente pra dar credibilidade ao que está acontecendo ou aonde está acontecendo, nosso caso era o que estava acontecendo: barraco – e voltei
ativamente para fazer a cena da macumba – ahhhh a cena da macumba – de desfecho da
nossa história, agora eu era praticamente a vingança da minha personagem –
porque voltava ainda nela, só que em pleno terreiro – mudei a postura, o “penteado”
– taquei o cabelo todo pro lado – e fui tacando pétala de rosa vermelha pelo
palco, finalmente resolvi destoar do “coro” – de coral – das macumbeiras e dei vida à um daqueles gritinhos clássicos “Valei-me meu pai” e riram.... e eu me espantei
– estranhamente e de novo, só que dessa vez, não tive acesso de raiva – cheguei
a pensar em repetir a dose, só que ponderei se ficaria de bom tom e me
auto-sabotei, me dei uma censurada básica....
Muito mais tarde, descobri que minha colega, que era a última
a entrar jogando as flores e cantando, voltou pra trás – pra coxia – pra respirar
fundo por conta do bendito gritinho e eu morri de rir, mais ainda quando
finalmente descobriram que fui eu a autora do grande caco da noite – improviso,
texto que surge na hora, que não tava no script...
As cortinas tinham se fechado, a gota que faltava finalmente
caiu, o copinho transbordou.... fomos aplaudidos de pé pelo público e pela
crítica – de quem mais? Advogado do Diabo e a Luz que era nossa diretora –
sobrevivemos, enfim....
Eu sobrevivi, mesmo achando que estava mergulhada no caos –
e realmente estava profissionalmente e pessoalmente falando – mas eu consegui segurar
as pontas, não desistir, arranjar forças, inspiração – na Joana de Ana, na Ana
enfim.
Conquistei meu espaço sem saber que tinha conquistado um de fato, quando
me revelaram que jamais pensaram em me cortar do elenco pelas minhas faltas,
pois eu conquistei um artigo de luxo durante o processo: respeito.
Senti meu espaço aumentar e curti cada instante que me
confiaram, me senti honrada com as palavras que escutei na nossa última noite
de feedback final e eu vi a Luz brilhar.... até nas últimas palavras de
feedback do Advogado do Diabo, que viriam logo depois, vieram calmas e
extremamente coerentes.
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!