domingo, 10 de novembro de 2013

Basta 3 semanas... 3 sinais...


É, não deu pra me manter aqui toda santa semana como – eu juro – que pretendia, afinal eu tenho o digníssimo – agora – imortal Marroco como diretor, sendo assim, 40 e tantas páginas eram o meu dever de casa semanal – porque sim, atores tem deveres a cumprir, conteúdos a estudar, sendo suas ferramentas de trabalho seu maior objeto de estudo: a voz, o corpo... enfim – assim sendo, ficou humanamente impossível me manter aqui ao mesmo tempo.
Mas se não me falha a memória, eu avisei que não seria fiel à pontualidade, mas sim à lealdade que devo manter, portanto.... fim da DR. Vamos pro que realmente interessa:



Nesse meio tempo em que sumi, rolou de tudo: muito disso aí no vídeo – uma das minhas primeiras referências e inspiração de ser Joana. Tapa, pescotapa, empurrão, socos e supapos e toda a sorte de impropérios, o maior desafio de todos – e nem é só de cantoria que estou falando.
De cara, já vou confessar que não cumpri o que prometi, me rasguei toda de novo – ainda estou pegando o jeito, mas evoluí legal já nesse sentido, não que me garanta ser A expert, até porque a matéria-prima do meu trabalho como atriz é a emoção, por isso, tudo se torna um tanto vulnerável – e definitivamente se teve um estado em que eu permaneci nessas semanas foi na vulnerabilidade: minha estrutura ameaçou ruir, quis desabar, tremeu. – método próprio desenvolvido por Carlos Marroco que chama...
Teve dia de ficar de canto, à espera – não de um milagre – em standby mesmo e teve dia de partir pra cima feito uma besta danada – piada interna há – e terminar frágil feito a própria gota d’água. Tive também meus momentos de glória – além dos de luta no meio de toda a história – começando por conseguir estourar o balão com a boca e não foi só um: foram DOIS! – menos um trauma na lista da mamãe aqui o/ – e continuando por cada uma das sensações que descrevi antes, o que resumido de uma forma simples e altamente compreensível fica: fui da imobilidade ao ataque, da vida à morte – em todos os sentidos – e do sangue que ferve à pressão em negativo. – aprendi, Marroco?
Deixei a Joana vir à tona pra que todos vissem, se revelar de dentro pra fora no meio desse turbilhão de Chico Buarque, Paulo Pontes e senhor Carlos Marroco, ah! senti o Jasão e ele me fez sentir mais Joana – muuuuuuuito obrigada, seu Felipe Küchler Biro Birooo –  em dias de paixão, de agonia, de tortura, de fúria e ressaca, de vida na sua mais absoluta INTENSIDADE e essência que eu respirei, senti em cada um dos meus poros!
Passaram-se meses, pares de meses e eu estou aqui sem acreditar que se passou tanto em tão pouco, a riqueza da sequência dos detalhes eu perdi, mas das sensações que eu vivi e de que essa é a MAIOR experiência que eu já vivi – literalmente eu VIVI – NUNCA nem que eu quisesse poderia esquecer, apagar de mim. Ganhei novos olhos, ombros pesados, uma nova metade, um sonho de presente, um compromisso de marcar a minha carreira... a minha história....
Sei que pode parecer meio confuso, mas é tudo – e nada – que posso revelar no momento, nas entrelinhas se traduz no vídeo ali de baixo:



Mais uma de minhas grandes inspirações que de novo se encaixa perfeitamente na trama e em toda a proposta marroquinizante – traduzindo marroquina de Marroco + eletrizante – com a qual eu e meus colegas de cena devemos nos apresentar, é nesse nível bem nesse patamar e falta muito pouco... tão pouco pros 3 sinais...



Se você quiser conferir de perto, basta dar o ar da graça em plena sexta-feira – dia 29 de novembro – no Teatro da Ubro em Florianópolis na sessão das 20h. Ingressos R$15 e R$30. Maiores informações aqui.

Mas eu volto antes.... durante... depois...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ela vai cair de novo...


Eis a razão de todo o suspense no capítulo anterior, mas não é o fim do dito cujo... – já explico...

A famigerada da Gota D’Água vai cair de novo em minha vida.... ah vaiiii!
E simmmm, eu tive a mesma reação que você está tendo agora quando o Marroco anunciou este como o seu mais novo projeto, de cara – não tenho ideia da cara que fiz – me espantei com o meu destino de ter ela de novo na minha vida em menos de um ano depois e me convenci que aí tinha um karma pra resgatar, algo do gênero....  – de fato, muito eu queria ter feito e não pude realizar naquela época.... eu senti que ficou faltando algo...
Agora eu NUNCA podia imaginar que ela voltaria pra minha vida e que ia ser com ela a minha primeira vez em cima do palco pós-DRT, justamente ela, a tragédia musical de Chico Buarque de novo e mais uma vez....
E a coincidência começa e termina no nome da peça e no texto – até a página vinte, afinal ele ganhará uma nova adaptação – porque a direção é completamente oposta e inversa: a gota não vai cair, meus caros leitores: vai despencar no mais puro estilo marroquino!  
Agora, queria eu chegar aqui nesse ponto da história e dizer quem vou ser dessa vez, só que não.... meu diretor não me permitiu isso!
Quando cheguei para o ensaio esbaforida – porque... adiviiiinhaaa... –, eu dei foi de cara com a benção de estar unida à todos na "alegria" e na tristeza de estar totalmente atrasada!
Isso já garantiu o primeiro – só o primeiro de muitos – soco no estômago, a primeira chamada pra responsabilidade que se tem que se ter, afinal não importa o motivo que você tenha para não chegar na hora, você tem que estar lá. – ao contrário do que imaginam as más línguas, temos nossos horários, prazos e curtos deadlines a cumprir como qualquer profissional, a pontualidade faz parte da nossa carreira como artista. Fora que deve se adiantar, porque tem uma voz pra aquecer, um corpo pra alongar, enfim...
E a decisão que já estava tomada – e que nunca saberei qual era – foi abortada, estávamos em teste-surpresa e lá se foram as dinâmicas marroquinas de INTENSIDADE, sempre explorando o andar, a postura, só que agora o corpo devia ter percussão e de uma forma aleatória e “desorganizada” com que devíamos nos movimentar, se abriria no meio de todos um espaço e ele chamaria quem quisesse pra preencher esse vazio entre a gente, com texto e a intenção dirigida por ele....
Adivinha quem foi a primeira a ir pra fogueira? – sem piada interna.... ahhh vá, talvez uns 50% – Eu mesma! E como sempre, ele me queria quebrando tudo, indo até o telhado – com a voz, que fique beeeeem claro – com as palavras de Joana – sim, fui pra cima dela de novo!
Rasguei o que dava no momento – literalmente, e, crianças, não façam isso em casa – e foi se seguindo um a um, até finalizar todos....
Aí começou a parte de começar a rabiscar o que seria o espírito da coisa – do espetáculo, enfim – , só um pequeno aperitivo com as cenas iniciais, algumas marcações provisórias e pitadas de direção marroquina... dessa vez, quando tive a deixa, eu me voluntariei pra ir pra fogueira, e fui ser Joana, e deu pra sentir mais ou menos o que poderia ser...
Extamente: MAIS OU MENOS, porque com Marroco tudo é sempre indefinido.... nada se adivinha, se supõe, tudo se cria e se transforma até mesmo no mesmo dia – fora que toda semana, tudo muda e nada definitivamente, é definitivo!
Na base daquela agonia delícia.... só que não... se passaram os dias e quando acreditava eu – e todo o povo do elenco – que nosso último encontro serviu de teste e que a escalação de elenco iria ser definida, lá veio a pegadinha do Marroco:
Simmm, ele tinha dito antes que queria ter 2 opções para cada personagem, deixou claro que nada seria fixo e que qualquer um podia mudar de papel dependendo do desempenho, desenvoltura, postura, enfim, o que nunca passaria na minha cabeça nem no meu MAIS DELIRANTE de todos os delírios é que ele iria querer uma disputa entre papéis, ou seja, todos os personagens principais teriam 2 atores interpretando entre si por um mês...
Resumo da ópera: eu era Joana e a Karoll – meu Joanete – também era... Jasão também tinham 2 e assim sucessivamente....

Pausa dramática, que me senti subitamente em Smash...

Paro, paro, paro, que não é tão simples, esse meu Smash é marroquino, portanto adiciono requintes de Tropa de Elite, porque o que se seguiu foi pra neguinho saber bem com quem estava lidando e se fosse pra pedir pra sair a hora era aquela!

Agora sim, mais no clima...


Pera, que eu me adiantei um pouco, deixa eu rebobinar... inicialmente formamos nossos núcleos – cada um com um ator em um personagem, contando com todos os principais juntos – e devíamos montar uma dinâmica de cenas onde todos apareciam, cruzando as presenças com uma seqüência lógica em 3... 2.. 1... – porque com ele é assim, irmão!
Daí sim, veio o momento Tropa de Elite que anunciei precocemente, em duplas de Joanas, Jasões e toda a quadrilha – piada interna – , ganhamos um circuito sensacional de preparação: era tentar andar com o outro te segurando pelos ombros dando texto até chegar do outro lado da sala, depois era só fazer flexão dando o texto, abdominal – sem voltar, encostando as costas no chão – dando texto e enfim levantar e encher um balão até estourar... sem dar o texto né.... – e ai, preciso confessar que nunca estourei um balão na boca na vida, fora que estava precisando de um outro naquele exato momento: de oxigênio! – e quem disse que eu estourei a criança? Me faltou o ar, não conseguia manter a boca na boca do balão , tive que escapar pra puxar ar e passei mal... não cheguei a ver a luz, mas foi puxado... caos e enfim, meu querido Jasão – Elizandro – fez o favor de estourar meu balão “cá mão” no mais puro estilo “quantos anos você tem, 4?”...
Depois disso, fomos convocados a apresentar nossa seqüência de cenas de núcleo – aquelas esquematizadas e decoradas na base do susto – e quando eu me apresentei... MORRI completamente! – ainda no feeling de que a preparação tinha me sugado ao invés de exibir tudo que ela me fez sentir no sentido energético da coisa – fiquei com raiva de mim na hora, como se estivesse desperdiçando tudo aquilo que tive a oportunidade – e fiz o sacrifício – de sentir pra fazer acontecer o que era pra ter acontecido ali – ahhh as frustrações... sempre assombrando a vida... a carreira... – e, assim que tive uma segunda oportunidade, já fui me portando mais como deveria.... como a Joana pedia...
Dali em diante, tinha nosso primeiro ensaio com texto de fato pela frente. O texto dividido em 3 partes e o primeiro terço era pro mesmo... a adaptação deve ser feita por nós atores em conjunto com o Marroco a medida que formos avançando... mas enfim, eram por hora 64 deliciosas páginas e eu cheia dos bifes suculentos... ai ai...
E depois de tanto confete... opa... depois de tanto aguardar: chegou o grande dia, o primeiro e oficial primeiro dia de ensaio de todos! Dimensões do palco riscadas no chão – isso já tavam desde o último encontro, só eu que esqueci de mencionar – aquecimento e alongamentos à parte e experimentações pela frente.... coro pra lá... Joana pra cá, depois pra lá.... revezamento, primeiro Karoll, depois eu.... e enfim, a marcação que eu jamais imaginaria na vida – de novo, e mais uma vez, Marroco me matando de surpresa e susto... susto e surpresa, não sei nem definir a ordem das coisas, digo dos sentimentos – , querendo que a Joana esteja presente o tempo inteiro em cena, sabe como? – não vou contar, não vou contar, vai ter que ir ver com seus próprios olhos ouuuuu esperar pela confissão da estréia MUAHAHAHAHAH....
Mas enfimmm, o que dá pra adiantar é tudo o que eu senti, quando finalmente tive eu que assumir a proposta do homem: senti o popular “falando de mim pelas costas” na minha cara, meu ex com a outra na minha cara, meus pseudo amigos e inimigos se divertindo com a “minha” – minha, enquanto Joana – desgraça e enfim, RESPIREI isso tudo... BUFANDO inclusive.... resultado? Queria explodir com tudo, todo mundo, mas infelizmente não conseguimos ir até a minha entrada oficial em cena e eu fiquei só na expectativa e no feeling viceral do negócio....
Fora que antes dessa parte, quase esqueci de contar: tinha a entrada que ele criou – bem legaaal... de verdade mesmo, sem ironia – que me exigia uma estrutura e uma consciência fora do comum – de repente comum pra quem está tecnicamente treinado, o que não é meu caso que estou me adaptando ainda pra não ser partida ao meio já já... porque ele pode, o Marroco pode fazer isso comigo em dois tempos – pra estar em prantos, urrando praticamente do útero, numa entrada de altíssimo impacto e efeito... e pra eu fazer isso tudo e manter a técnica toda necessária? Uhhhhhhhhhhhh... posso garantir uma coisa, que iniciamente foi frustrante... experimentei o que dava na hora e errado, me rasguei toda – de novo... feio, muito feio, eu sei...

Mas corri atrás dessa parte e tenho a grande ambição de colocar em prática ainda hoje direitinho como manda o figurino....  mais tarde, eu conto.... 
segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Definitivamente Marroquinizada!



Acabou...
Não é que 2012 acabou, já estamos passando da metade de 2013 e eu ainda não voltei aqui?
Muitas emoções... MUITAS, eu garanto!
Confesso que me cocei pra voltar aqui muitas vezes, mas um pouco de silêncio não faz tanto mal assim.... afinal deu aquela saudade gostosa e enfimmmmm, depois de muito pensar, aqui estou eu!
Simmmmmmmm, depois de MUITO pensar e refletir.... 
Me tornar uma profissional devidamente registrada, me fez sentir a responsabilidade bater fundo, a liberdade é tentadora, mas a censura – com o perdão da licença poética – se faz necessária. A de parar e pensar bem antes de tomar qualquer iniciativa, pra ser mais exata.
As palavras tem poder e já não me sentia – sinto – tão à vontade pra usar e abusar delas como sempre fiz...
Não dá – nunca deu – pra se expor tudo, tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, o bendito do pudor também é necessário, pois se corre riscos – e riscos beeeem sérios – afinal de contas, as palavras ferem, marcam e resistem ao tempo – pra te condenar ou te assombrar – , além de que existe principalmente a questão de ter de se preservar pra sobreviver, do sigilo necessário quanto à projetos e toda uma sorte de subtextos que passaram a me envolver a partir do momento que assumi o compromisso pessoal e profissional de me tornar uma profissional – agora, com o perdão da redundância.
Por mais que achem que a carreira artística e a exposição andem de mãos dadas, acreditem: é uma querendo derrubar a outra.
Há que se ter filtro....  
Para tanto, minhas intenções mudaram: a maior é fazer esse espaço aqui crescer junto comigo e ultrapassar as expectativas de quando criei – pura e simplesmente para registro da que considero ter sido minha primeira faculdade: JP Talentos.
Não vou perder a graça – juro – nem vou ficar chata ou deixar de confessar, nada disso! Só não vou mais ter nenhum compromisso com a pontualidade, aqui vou abusar do charme de contar tudo "atrasada", sem fidelidade nenhuma com o tempo... e o que tiver – e puder – contar antes e durante, aqui estará...
O esquema agora é sem regras, com moderação!

Já sei... depois de tanto suspense, tantos meses e essa dose cavalar de filosofia, vocês querem é saber o que se sucedeu comigo né mesmo? O que finalmente aconteceu com a atriz depois de conquistar o DRT? Como é depois dele, afinal?
Bommmmm... meses se passaram e nada! – vida real, meus queridos, de gado!
Claro que tecnicamente não fiquei parada, estudei nesse meio tempo, fiz oficina de monólogos com o brilhante diretor Carlos Marroco e emendei estudos regulares com ele e seu método marroquino. Com ele garanti até minhas primeiras cenas – inteeeensas – em inglês, acentos marroquinos de agudo, um andar de cena, cocada – piada interna – , fui siamesa depravada, diaba, mocinha, advogada e até gralha metida à corvo; além de ter feito o Avançado da JP com o Gringo Starr, ter sido de época, o grande amor de um melhor amigo, feito DR, improviso, virado traficante e prostituta de minha própria autoria e finalmente filmado meu primeiro curta-metragem – "Sou eu e você" de Jeam Pierre que foi apresentado mezzo cinema, mezzo teatro no IV Encontro de Alunos da JP Talentos e está em fase de finalização – fora meu primeiro contato com a dublagem – o que pra mim foi um capítulo à parte, me encantou profundamente, pena aqui onde me encontro (Florianópolis, SC) não ter por onde me aprofundar – , enfim, confiram tudo em fotos, rolando daqui pra baixo!


Oficina de Monólogos com o Marroco




Elisabeth - If The Sun Tells Me Good Morning


Elisabeth versus Magdalen



















Natasha - Avançado JP
Dublando Natasha
...

Até que em um sábado despretensioso de junho, recebi uma mensagem dele – Marroco – no meu celular me fazendo a proposta de ser performer na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho, interpretando uma mendiga que deveria abordar o público pedindo esmolas e entregando o programa da peça que ele iria estrear com um GRANDE elenco: Homens de Papel.
Primeiramente? Quase infartei! Era meu primeiro trabalho!!! Em segundo lugar, continuei infartando, pois vi a mensagem com atraso e apavorei! Achei que poderia estar fatalmente atrasada – o que cá entre nós, é meu charme hahah – respondi a mensagem ansiosa, no fundo queria mesmo era telefonar, mas como já era tarde da noite.... enfimmm....
Ele me respondeu e acabamos conversando pelo telefone, deu tudo certo, tudo acertado e combinado! Daí se seguiram dias de pura obsessão na construção da caracterização da personagem: era um tal de cata roupa daqui, fotografa de lá, pentelha o diretor, repetir todas essas etapas freneticamente até encontrar com o diretor pra ele bater o martelo e fechar a bendita combinação fatal! – que só estaria completa de fato pós sessão de maquiagem trash que estava garantida para o grande dia!


A inspiração

E lá fui eu estrear – finalmente era a primeira vez que ia para o TAC trabalhar, literalmente trabalhar – ,  no esquema da pegadinha, como você nunca me viu.... mas guenta aí, que antes de partir pra hora h, ainda aconteceu coisa....

Claro, passadinha estratégica no camarim pra uns comes e bebes – simmmm, atores comem, bebem – , ajudar em alguns por menores – porque sempre existe algo que precisa da sua mãozinha e teatro se faz à mil mãos, produção não é Big Brother pra ter olho pra tudo quanto em canto o tempo todo, proatividade a gente se liga em você – , ganhar inclusive meus 5 minutos de assistente de direção, e, enfim, partir pra minha tão esperada sessão de maquiagem trash! – e eu estava tão, tão, TÃO ANSIOSA POR ELA!

Foi dos sonhos: saí toda imunda e mulambenta! Olheiras aprofundadas tipo panda, unhas, roupa, não sobrou praticamente nada meu que não tivesse preto! – e eu adorei!
Depois de exibir para todos os colegas de elenco meu estado, fiquei aguardando com meu parceiro de núcleo e cena, a nossa hora...

E enfimmmmm, parti pra realidade do negócio propriamente dito....


Lucicreide e Josemilso prontos para atacar no TAC


Matei muita gente de susto – vide foto ao lado – , e pasmém: ganhei dinheiro! – meu couvert artístico, cá entre nós!
Teve de tudo: quem desse o dinheiro por livre e espontânea vontade ou por livre e espontânea pressão, quem oferecesse comida – inclusive, deixei uma marmita no esquema pro final da noite –, quem tentasse me chamar pra mim – eu enquanto Renata, a atriz – , quem me reconhecesse e aí é que morava o perigo...
Porque quem me reconhecia, esperava minha resposta pessoal, como se estivesse me encontrando casualmente, só que não, eu não era eu! E além disso, manter o foco e a concentração de ser estranha diante das reações espontâneas de quem tentava ter um contato natural comigo, era O desafio da noite! Não vou dizer que me mantive um monge em alfa de tanta concentração, tive meus momentos de quebra, mas conseguia dar as reviravoltas necessárias, amém!
Agora, uma unanimidade: todos ficaram com nojiiiiinho da Lucicreide – ahhh esqueci de dizer que meu parceiro Jarves me batizou e eu em troca batizei ele?... pois então, surgem Lucicreide e Josemilso! – , as pessoas tentavam desviar e me obrigavam a fazer da subida da escadaria do teatro uma parábola – ê meus tempos de equação de segundo grau – daquelas literalmente triste, sabe? – pra quem não está por dentro dos macetes de cursinho da vida, equivale à boquinha do smile triste, vulgo :(
E quando eu pegava no braço então? Nossa....
Aí quando descobriam finalmente que era uma performance e que eu era atriz, desarmavam e queriam puxar conversa comigo como se eu estivesse fantasiada – notem: mesma postura de quem já me conhecia e reconhecia...
Mas enfim, dada a entrada de todo o público e a inevitável espera até o soar dos sinais, parti pra segunda parte do show – por minha conta – : continuar distraindo a galera, e lá fui eu – altamente trabalhada na comédia – me intrometer no meio das pessoas e conversar, pedir mais dinheiro, e dar – de improviso – várias risadas!


Num tem uma moedinha pra completar meu cachorro quente?

Confesso que, por isso, talvez tudo tenha ficado tão leve e eu não tenha sentido tanto a rejeição, eu percebi ela, mas não me deixei atingir por ela, não mergulhei tão fundo à esse ponto – ainda bem – e no fim, quebrei a seriedade que tentei manter de cara e parti pra comédia, onde tudo fica sempre bem mais leve!
Eu tive liberdade pra criar, e como estava livre, deu no que deu!
Fiquei bastante orgulhosa, cheia de moedinhas – das grandes – na mão e da primeira fila assisti o espetáculo incrível que o elenco fez no palco... ao final, subi pra me encontrar com eles e receber os aplausos, a missão foi cumprida com louvor! Não esqueçam que eu tive a proposta de ganhar marmita no final, fora os feedbacks que me mataram.... – muuuuuito obrigada, Marroco!
Meu primeiro espetáculo pós-DRT foi do tamanho de um, pra cada um que abordava, um solo – já que eu e meu parceiro íamos cada um em uma direção, tendo algumas raras ocasiões em que nos uníamos pra cercar os fujões mais impetuosos hahahah – de improviso e um senhor desafio, que não é pra qualquer um, de fato minha cara de pau e eu estamos de parabéns! HAHAHAH
Foi uma oportunidade e tanto! – muuuuito obrigada de novo, Marroco! 
Ahhhh! Antes que eu me esqueça, no meio disso tudo nasceu meu site – calma, calma, muita calma nessa hora que aqui não deixará de existir, é só mais um espaço! – , confiram aí renatacavalcant.wix.com/atriz o/
Quê mais? Mais alguns testes, algumas decepções e vários hiatus se passaram e cá estou eu me preparando para... eu conto.... na próxima! – isso mesmo, pra ficarem com água na boca!

MUAHAHAHAHAH

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes que acabe, preciso confessar....



Confessar que corri um campo inteiro de futebol, corri cantando sem repertório, corri cantando o hino nacional, corri ao redor de um chafariz cantando Mundo Ideal, cantei em público pela primeira vez na vida, e pela primeira vez de novo, peguei num microfone pra cantar de verdade, eu atingi um agudo! – praticamente lírico , eu juro....
Mas antes do agudo, entre ele e tanto correr, eu aprendi a respirar de novo, a me equilibrar numa base nova, a pegar coreografia de verdade! Fui do céu ao inferno, em todos os sentidos, me arrastei num limbo de berros desesperados e berrei – como berrei – fiz de três pontos um conto tragicômico, trabalhei panturrilha, fiz flexão, até abdominal inverti!
Cantei, dancei, atuei de uma só vez, fiz musical – mesmo que rudimentalmente – pela primeira vez... eu dirigi, aprendi a rir dos meus erros e a deixar meus devaneios de perfeccionista de lado pra variar....


Eu me preparei... me preparei pra um grande sonho, que começou no sonho de alguém e no encanto que se fez quando assisti The Best Of Broadway, meu primeiro musical, estou me preparando: teatro físico, clown, pequena sereia na pedra, sapatilhas mágicas, saltos do tamanho do mundo! Por que sim, agora eu tenho! Sapatos de dança me dei, pra riscar meus novos passos.....
Passos de uma base firme, de pés bem colados ao chão, distanciados pela largura dos ombros, firmes, cabeça ereta no ar e olhar ao horizonte, e toda a tensão do mundo que vá pra coxa, pés, chão, fuja de mim!
Apoio, respirar, puxar ar pela boca, guardar nas costelas pra cutucar os cotovelos, fazer o ar dançar, fazer miséria, virar nota, bater no peito, na nuca, no alto da cabeça, juntinho do nariz, e sair em forma de canção..... eu fiz.... lições de canto até isso eu fiz....
Passei por poucas e boas, boas e poucas.... estou inspirada, bastante inspirada, avançando.... saltando entre ensinamentos, aprendizados e mestres – entre eles o meu galã – para hoje estar de volta ao berço, à JP Talentos, ser uma das crias de Gringo Starr, de novo um bebê em frente às câmeras, além de um bebê de palco – depois de um convite daqueles – .... um bebê da Broadway..... eu confesso!
As primeiras palmadas já foram, o primeiro chorinho e o primeiro berro também... tudo que tinha de primeiro e intenso pra ser feito, e que eu nunca me imaginaria fazendo, eu fiz.... e confesso que vou continuar fazendo..... – a não ser que acabe realmente tudo de vez! 
quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Até que a morte nos separe... e eu fuuuuuui a noiva do Oscar!



É chegada a hora, minha gente....eu escrevi, escrevi e escrevi mais de 50 páginas..... e todas com um único objetivo: essa noite....  essa grande noite!
Me casar com o ofício de ser atriz... e foi nesse sábado que passou – dia 15/9 – que finalmente me uni pela lei dos homens e do Sindicato dos Artistas à categoria de Artista/Atriz profissional,  numa grande cerimônia de coroação desses 18 meses de preparação com o Advogado do Diabo e sua supervisão atenta. 
Fomos unidos à profissão por meio de um documento registrado, carimbado, assinado e extremamente ansiado por 9 de cada 10 atores e atrizes: o Registro Profissional – o famoso DRT.
E essa história dessa nossa união estável, matrimônio com a carreira num é que me subiu à cabeça?.... Tanto que, literalmente, eu fui a noiva da noite! Não só pela 1 hora e meia de atraso – eu disse 1 HORA E MEIA DE ATRASO – que acabou atrasando tudo, mas estava eu desde a véspera, na noite anterior, pegando esse espírito da coisa, sem conseguir dormir nem parar de pensar – principalmente de ansiedade, por não saber como iria ser minha make, pra ser bem franca.... confesso que estava completamente mulherzinha na expectativa.... 
Independentemente disso, meu dia começou muito antes, caindo da cama às 6h pra dar tempo de organizar minha humilde residência e dar plantão na frente da lavanderia pra fazer o resgate do vestido de noiva quase perdido, nisso, perder carona pra ir fazer a organização da estrutura pra grande noite, correr pra fazer depilação – mulher sofre – e ir de cabide no bus rumo ao salão, porque a organização, mesas, toalhas, cadeiras e arranjos ainda me esperavam..... além de um churrasco político de terrorismo com as minhas narinas, me tirando o foco da labuta organizadora.... com direito à puxão de orelha e tudo e tals.... afinal deveria me comportar bem, não importasse à agressão que meus sentidos recebessem, ou qualquer espécie de traição que me provocassem....
Enfim.... depois de tudo muito lindo, bem arrumado, organizado e extremamente transparente,  nos separamos e partimos cada um para o almoço. Do almoço à produção, um caso à parte..... – vamos focar na produção, produção? 
Ai... ai.... essa foi digna de noiva, eram dois profissionais no cabelo, uma na make e outra nas unhas.... teve momentos em que estavam todos em mim, todas atenções voltadas na minha pessoa, me senti importante e curti muuuuuuito meu momento de Penélope Charmosa, terminando Beyoncé: de moicano – topetão, now put your hands up o/ – num rabo de cavalo daqueles de levantar qualquer crina, litros de spray, quilos de make importada, resumo da ópera saí que era uma estrela pronta pra brilhar e balançar o coreto, estremecer o cronograma..... correndo contra o tempo.....
Nunca me vesti tão rápido na vida e ainda saí sem nem me despedir direito, pra ir de encontro com o trânsito morbidamente lento da BR..... praticamente infartando no carro de tanto nervoso e ansiedade – noiva feelings – ainda “deu tempo” – hahaha – de me perder e eu cheguei – como já estraguei a surpresa – exatamente uma hora e meia além do programado.
Tipo: a noiva entrando e causando, com direito a entrada anunciada e tudo. Ainda deu pra recuperar o fôlego, bater uma, duas fotos, apertar o nó frouxo atrás do vestido e me preparar pra desfilar até meu assentinho marcado próximo ao altar..... – diga-se de passagem, eu como modelo sou uma excelente atriz....
Todo um cerimonial em nossa honra, com apresentações que variaram entre discursos motivacionais, poéticos, muita música e até piada – eu mesma, me auto-ridicularizando..... bulliyingnando ai.. ai....
Enfim, consegui de improviso fazer – o que eu acredito depois que me assisti – stand up.... caí nas graças, provocando algumas gargalhadas gostosas quando resolvi dar conta bem do meu jeito de homenagear o Advogado do Diabo.... e me convenci que se não acabar em nenhuma novela, em nenhuma companhia, dá pra me virar como comediante e não morrer de fome.... – dilema de sobrevivência resolvido, pai, mãe, a palhaça da casa se sustenta na base da palhaçada, oh que beleza!

 
Concordam? 
Bem, depois de mim.... veio mais uma pessoa ainda render homenagens ao Jeam, depois ainda, se não me engano, vieram duas colegas minhas apresentar um texto que eu escrevi – à pedidos, sob encomenda – em homenagem aos pais, uma delas não se conteve e deixou as lágrimas rolarem quando tinha que dizer em voz alta algum trecho, que agora eu não vou lembrar qual era, mas enfim, me matou por dentro ver aquela loira linda e deslumbrante – Rapha, que dúvida – sem se importar com a maquiagem ou o que fosse, com os olhinhos claros inundados, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto, isso realmente me comoveu, me tocou bastante, e me provou definitivamente – caso eu não tenha percebido ou duvidasse – que minhas palavras causam efeito . Logo mais, algumas palavras em vídeo do nosso grande cerimonialista de coração, o gordo – WMarcão – e por fim palavras de Jeam. Para encerrar de fato, a voz de diamante do meu galã – mezzo playback, mezzo a capella de surpresinha...
Enfim, uma noite encantadora, que encerrou uma era. A nossa era. 
De quebrar todos os recordes da história e da carreira do Jeam, sendo a maior turma que ele já formou, e, com direito à toda pompa e circunstância!...Marcamos ele, e, definitivamente, saímos marcados por ele!
Eternamente abomináveis...
Um título, um espírito de ser, um orgulho que vou carregar pra sempre de ter sido: uma das Abomináveis,  preparada por Jeam Pierre Kuhl – a honra foi toda minha!

Sem ele, não haveria começo, não haveriam os caminhos que percorri e que me levaram para os que estou hoje..... difícil de parar..... 

domingo, 9 de setembro de 2012

Season finale de Pierre, DRT em minha vida.... e mais inspiração.....



Tanto se passou... tudo se passou... finalmente fiz a prova final do Jeam, que de prática não teve nada e foi extremamente intrigante – inteligente, aliás a mais que fiz nos últimos tempos – depois veio a do SATED – Sindicato dos Artistas – que perto da do Jeam até me decepcionou.... mas enfim, como vocês estão de prova – sem trocadilho com as avaliações – meu caminho até o famoso DRT – Registro Profissional de Atriz – foi chorado, suado e sangrado, não foi só de uma ou duas avaliações dissertativas. 
Considero todo o processo, os 18 meses inteirinhos, pra fechar a conta... e eu fechei.... com sucesso! Saí mais consciente e ciente do que realmente é ser uma Atriz e profissional, graças ao choque de realidade que levei do Advogado do Diabo, à ele mesmo!
Tirei meu registro profissional, mas estou longe de ser uma, pessoalmente, sinto que cresci, envelheci e rejuvenesci – nasci de novo. Parece que tudo está começando... e está.... agora virei adulta na profissão mas ainda me sinto uma criança por dentro e por fora.... só vou me sentir grande mesmo, quando conseguir ser completa, uma artista completa.... – interpretando, cantando e dançando....
 Isso quer dizer que a inspiração não terminou.... e recomeça aí – claro que nesse meio tempo me envolvi em um projeto que me trouxe um dia para respirar e relembrar como era de verdade gostoso fazer uma leitura de mesa com direito à saga atrás de comer após.... no fim, terminamos num final precoce porém nada infeliz, já que me envolveu onde estou agora..... e é bom sair dos parênteses, não é mesmo?
Então, hoje estou envolvida em um novo estilo de preparação de atores, de musical! Minha preparadora não tem nada de diabólica, é o extremo oposto: minha fada-madrinha-musical Tina Yoshizato!
Com ela, tudo é mágico.... encantador.... a profissão toma forma, cor... trilha sonora.... tudo se transformou... eu já me transformei em 1 mês, que foi uma loucuuuuuura.... 
E, me lembrar que conversando num passado não muito distante, eu temia o que seria de mim depois do curso.... depois do Jeam.... Hoje não só continuo firme no propósito de ser uma atriz profissional, como ganhei o novo de ser completa – sem querer me repetir, já me repetindo....
Mas não vou estragar a surpresa.... em breve vou revelar passo a passo dessa preparação nova... dessa nova estrada que estou ousando me arriscar a percorrer....  enquanto issooo, fiquem com um pequeno teaser do me inspirou a entrar nesse novo universo – BROADWAAAY....


Foi a partir daí, do primeiro musical que assisti na vida "The Best of Broadway", que eu me vi no palco  –  até aí nenhuma surpresa, isso sempre ocorre quando estou assistindo uma peça  –  mas eu me vi com aquele cabelo, aquele figurino, aquela maquiagem.... dançando..... não precisava estar cantando  –  porque eu tenho bom senso  –  enfim, me vi como a protagonista real da história, que queria abandonar esse mundo pra viver naquele de sonho que se apresentava no palco.... 
E o que antes era só admiração por ver alguém cantar – Jamil Vigano, Tiffy e cia Grito ilimitada – e uma vontade que eu tinha de começar a fazer aulas  –  pentelhando séculos o  próprio Jamil a respeito –  tudo passou a se encaixar numa única performance.... ali naquele palco, tudo passou a fazer sentido.... e o universo conspirou.... agora é só confessar.....
segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As cortinas fecham, abrem e vem a luz.... Aquela gota que faltava....





E tudo começou com uma bacia, depois virou um foco de luz... mentiiiiiiiiira!
Começou mesmo aprendendo a andar e caminhar, montando na sela no cavalo – maneira meiga de associar rapidamente o andar cênico no teatro. Temperaturas e mais temperaturas de voz e movimento.... Alongamento, Absurdo, Brecht, Stanislavski, teste e reviravolta na vida pessoal, provocando meu afastamento por um mês – eu disse UM MÊS FORA DOS ENSAIOS.
Um processo completamente avesso à tudo que já vivi no teatro antes, um tanto enlouquecedor com um fundo de enriquecimento – não posso negar – mais requintes de uma estranha solidão – independente da minha ausência em si – já que o teatro é em essência uma arte de grupo, coletiva por natureza. Sensação de falta de comunicação, direção e marcação. Proposital, sei que não foi – até porque isso foi me dito com todas as letras – mas teve um propósito bastante intrigante, que eu não sei se entendi até agora.
No fim, ensaiar sozinha, por minha conta, adiantava o meu processo.... e um processo que, vou contar pra vocês, que foi uma montanha-russa..... montanha-russa de direção, marcação e cena – porque não?
O que era só uma cena de água com bacia, virou bacia e água, várias nuances, até chegar na bacia com água e música! Num misto de Iemanjá e Samara (O Chamado), eu – repito – quase enlouqueci tentando acompanhar o raciocínio da diretora, tentando me encontrar dentro do espetáculo que ela via na cabeça dela.
Nos apresentamos duas vezes – ao menos, eu considero assim – uma bastante intimista só pra calouro ver, numa das salas do Doze e a outra no palco do Pedro Ivo – mas dessa eu vou falar já já....
Quero falar da primeira, primeiro – que oficialmente só foi um ensaio geral com público – pois pra mim foi a mais intensa, a que mais bateu fundo, era como se eu estivesse no palco, eu sentia como se aquele chão de sempre, tivesse se transformado, e mesmo com tudo improvisado – sem cenário, luz, maquiagem – foi extremamente profissional e me marcou por eu ter trabalhado minha voz como nunca trabalhei antes, fui pro grave – não me pergunte como – e cantei – continue sem fazer perguntas – e dei meu texto, fiz minha cena com uma paixão, que eu nunca tinha encontrado antes!


Não consegui agradar muito minha diretora – não agradei mesmo – com toda essa performance que fugiu de tudo que ela queria, mas fui notada, percebida e elogiada por uma das presentes, o que me surpreendeu de um jeito e me envaideceu ao ponto de fazer meu olho brilhar diferente, me fazer iluminar de dentro pra fora – sem perder a linha.
Mesmo assim, a maior interessada não estava feliz, e como pra atriz aqui, autoridade máxima é a direção, dei meu jeito de desconstruir toda a cena uma semana antes de ir ao palco – sendo que num ensaio extra as marcações e a cena em si se transformou completamente 2 dias antes...
Enfim, cheguei ao Pedro Ivo..... passei lá com meus colegas de cena e palco um dia inteiro até finalmente cair a noite e soarem os três sinais – intermináááááveis – numa escuridão dos infernos entre reclames da JP – chamadas mais chamadas sem fim....
E no fim, entre a tensão muscular e distensão – no sentido de relaxar mesmo – finalmente a cortina se abriu ao som do samba que abriu nosso espetáculo e a luz que faltava atrás das cortinas se revelou na ribalta fulminante – não querendo quebrar seu encanto, mas já quebrando, se você me viu chorando no início da peça, não foi emoção, foi a luz mesmo que me feriu os olhos. 
Foi diferente.... diferente daquela primeira apresentação.... diferente de todas as vezes que já pisei num palco.... eu estava calma.... estranhamente calma.... fria....
Antes, me encantei com o teatro que era lindo, com a marcação de luzes – que não me lembrava de já ter feito – me dando conta que ia ter um foco todo em cima de mim – efeito inédito na vida, que dirá na carreira.....


Na hora h, pra valer, enchi minha bacia além da conta necessária, e quando saí, tinha um peso muito maior pra carregar até a minha marca, o que se traduz num rastro molhado da coxia – bastidor, lateral de palco, por onde atores entram e saem, meus queridos – isso tudo, com meu cabelo completamente na cara – como a foto mostra – no meu melhor estilo Samara saindo do poço, repousei minha bacia lindamente – nem sei se foi tão lindo assim – e lá fui eu me lavar – estranhamente quase sem me molhar – cantando o samba que me deram, abri os cabelos e encarei o vulto de imensa escuridão na minha frente – sentindo pouco calor humano bem próximo e imaginando no fundo da minha consciência que o teatro estava completamente vazio...
Num dado ponto do monólogo – também primeiro da minha vida num palco – começaram a rir e não era por mim, era pelo estilo Samara adentrando o palco, mas na hora eu encarei como se estivessem achando graça do meu drama – ao menos na minha cabeça era isso que eu estava fazendo e aí eu fiquei com raiva e o resto todo saiu espumando pela boca..... – e eu de tanto levar a sério o que dizia, não percebi a graça que tinha na desgraça de texto que eu anunciava com os lábios.... – sentiram a sutileza?


Queriam que eu assustasse, acabou que saiu ao natural – o objetivo da cena era fazer quem me visse se sentir mal... horrorizado – consegui um efeito beeeeeem significativo, quando me levantei e fiquei de pé, realizando toda a energia raivosa que estava – vide foto de cima – senti o ar pesar e parar de expectativa e até um suspiro alto eu escutei e aí tudo se encaminhou pro fim da minha participação solando.
Depois voltei à cena para fazer composição de cenário – cenas que pedem mais gente pra dar credibilidade ao que está acontecendo ou aonde está acontecendo, nosso caso era o que estava acontecendo: barraco – e voltei ativamente para fazer a cena da macumba – ahhhh a cena da macumba – de desfecho da nossa história, agora eu era praticamente a vingança da minha personagem – porque voltava ainda nela, só que em pleno terreiro – mudei a postura, o “penteado” – taquei o cabelo todo pro lado – e fui tacando pétala de rosa vermelha pelo palco, finalmente resolvi destoar do “coro” – de coral – das macumbeiras e dei vida à um daqueles gritinhos clássicos “Valei-me meu pai” e riram.... e eu me espantei – estranhamente e de novo, só que dessa vez, não tive acesso de raiva – cheguei a pensar em repetir a dose, só que ponderei se ficaria de bom tom e me auto-sabotei, me dei uma censurada básica....
Muito mais tarde, descobri que minha colega, que era a última a entrar jogando as flores e cantando, voltou pra trás – pra coxia – pra respirar fundo por conta do bendito gritinho e eu morri de rir, mais ainda quando finalmente descobriram que fui eu a autora do grande caco da noite – improviso, texto que surge na hora, que não tava no script...
As cortinas tinham se fechado, a gota que faltava finalmente caiu, o copinho transbordou.... fomos aplaudidos de pé pelo público e pela crítica – de quem mais? Advogado do Diabo e a Luz que era nossa diretora – sobrevivemos, enfim....
Eu sobrevivi, mesmo achando que estava mergulhada no caos – e realmente estava profissionalmente e pessoalmente falando – mas eu consegui segurar as pontas, não desistir, arranjar forças, inspiração – na Joana de Ana, na Ana enfim. 
Conquistei meu espaço sem saber que tinha conquistado um de fato, quando me revelaram que jamais pensaram em me cortar do elenco pelas minhas faltas, pois eu conquistei um artigo de luxo durante o processo: respeito.
Senti meu espaço aumentar e curti cada instante que me confiaram, me senti honrada com as palavras que escutei na nossa última noite de feedback final e eu vi a Luz brilhar.... até nas últimas palavras de feedback do Advogado do Diabo, que viriam logo depois, vieram calmas e extremamente coerentes.
Agora eu sei.... devo ir além... muito mais além!

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

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