sábado, 11 de fevereiro de 2012

Thuruleft...thuruleft.....


E depois da bonança, vem a tempestade... – se até a gente vira do avesso com o Jeam, que dirá a sabedoria.... – um desafio morre, para dar lugar a outro maior.... para todo o sempre – não é só luxo de Pierre, é a sina de quem realmente quer não só seguir, como perseguir e abraçar a carreira de atriz.... ator... enfim...
Hoje depois de mais uma DR – é, o relacionamento está ficando cada vez mais sério aqui, tão pensando o quê... – de sermos colocados em nossos devidos lugares... – eu aposto que fomos... eu não me lembrooo maaaaais... e não, eu não estou de piadinha com o texto – ganhamos mais um diálogo e uma nova parceria, que antes de ser firmada, formada, enfim... deu lugar à prática de um esporte, que eu já praticava e não sabia: a leitura dramática*!
*lê-se: parar e ler um texto, lendo ele com a intenção de como se já tivesse ele na ponta da língua – mesmo ele estando nas suas mãos, diante dos seus olhos – acompanhada do elenco todo que lê, além de quem contracena-lendo com você...
E enfim, eu li dramaticamente, pela primeira vez, tendo a consciência – agora – de... já que eu já fiz disso, sem saaaabeeeer... há seis e lá vai pedradaaaadaaaa.... – tá, fim do momento paródia de música espontânea.... saudaaaaaaade, Selma – acompanhada do Tiago.
Fizemos a leitura, para termos a primeira impressão – e eu, as minhas primeiras, segundas e terceiras, é claro – do texto. Era mais uma delícia dessa vez: desilusão, fossa, mais dramalhão, só que agora era à dois... – se formariam casais....
E como esse mundo é injusto e quase não existe mais homem pra tanta mulher – a proporção da realidade enfraquece – acabei eu fazendo casal com a Taís. A injustiça nem era tanta, tendo em vista que ganhei a oportunidade de retomar e reforçar uma comunhão que nasceu por livre e espontânea pressão em cena – quem não se lembra da dupla de 2 inesquecível: Alice e Rosinha, formada gravando e ao acaso? Levanta o braço aê!...ahhh é? Não lembra?... mesmo? Então, vai ler, vai meu queriiiiiido... minha queriiiiida! – saí mais no lucro que no prejuízo.... mesmo, que ainda achando que um homem ao meu lado surtiria todo um efeito – pronto, confessei – homem tem força, tem explosão, tem pegada.... mulher é toda melindroosa, delicaaaaada em cena... – tirando eu que arranco pedaço dos meus coleguinha..... mentiiiira!... mas enfim, eu sou mesmo uma exceção à regra feminina... nessas horas profissionais... profissionais, eu disse!... mas enfim...
Chegou a nossa vez de ir para o nosso quadrado e ler juntas no mesmo esquema. De cara, eu seria a mocinha desiludida, desamparada pelo deslumbramento do “machoman” que amei tanto – juuuura?
Aí eu me dei conta de que eu não podia com esse papel... – não nesse momento.... – eu vinha de uma louca bem sucedida, de uma insanidade que me valeu o Redbull que nunca tomei – me deuu asaaaaaaas.....
E eu não queria andar pra trás, não queria morrer de novo em cena... e pra isso eu precisava ser o vilão – era um homem, no script – da história... assim como eu fui no duelo dos veteranos e que infelizmente não foi capturados pelas lentes de uma camera.... finalmente saciar o meu desejo, tendo uma pra capturar: e pronto, eu GANHEEEEI – quantos anos eu tenho mesmo?.... brincadeirinha – se inverteram os papéis. Assumimos um risco juntas, afinal, já tínhamos lido algumas vezes e já estávamos quase lá, avançando rumo às falas decoradas – elas estavam querendo ser – quando resolvemos dar um tapa na mesa e virar o jogo... e já sabíamos que se derrubar era penalidaaade máxima! Mas não foi....
Uma mesa foi colocada com duas cadeiras e fomos convidados a cercá-la, sentando ao seu redor. Minha colega de cena queria porque queria se jogar e ir lá de cara.... e eu, da onde estava, analisando, sabia que já tínhamos nos arriscado o suficiente com a inversão de papéis para termos a pretensão de mergulhar no abismo de graça, observar era mais prudente... e eu segurei ela, acalmei, e observamos: agora dupla a dupla ia, se sentava na mesa e fazia a leitura dramática da cena, com todo mundo de fora, de platéia.
Na nossa vez – que não tardou muito, foi logo depois dos primeiros... lá pelo meio.... enfim, fomos, sem ser as primeiras – sentamos e fizemos o grande teste finalmente de como seria eu no papel do algoz e ela da sofredora, e deu certo, até a página vinte...
Mal sabia eu que o maior desafio não seria o texto todo demarcado e previamente dirigido, nem a gravação, seria me encaixar na agenda da minha colega e companheira de cena doutoranda em psicologia das couves – é que não sei o nome da especialidade da especialidade, sacam? – na federal, professora dos pepinos na graduação de psicologia do Cesusc, orientadora de mestrado de não sei quem em não sei o que lá, também de psicologia.. na federal de novo... além de atriz de propaganda nas horas vagas – que deviam ser de quê, de quê, de quê? ENSAIO... mas ensaio dá dinheiro? NÃOOOOO.... dá pra deixar de trabalhar? NÃOOOOO... então, comofaz?
...tchuruleft..... tchuruleft.... que que você faz da meia-noite às seis?
Então eu madruguei... maaa-druu-guei.... e fui lá pros lados do Pantanal – e não foi pra ensaiar com os jacarés, meus queriiiidos – fui lá pra percorrer 95% do caminho que eu precisava pra me encontrar com a minha personagem e minha Beyoncé... Sasha Fierce.... interior. Me encontrei com o clipe de Thuruleft... digo Irreplaceable.... repetindo os mesmos gestos, mesmos olhares e até pareceu de caso pensado, mas foi completamente espontâneo e inconsciente, eu juro! Tentei adquirir uma naturalidade, já que teria a casa invadida – na história – queria estar com a atenção concentrada e me dar ao luxo – oportunidade – de ser pega desprevenida, como a história realmente pedia.... resultado: eu lixando as unhas, quando ela entra – entrando – invadindo meu pedaço... me mantenho na minha pose.... como se minhas unhas fossem muito mais interessantes que ela... – e realmente eram.... – eu me tornei um alter ego de um antigo grande amor, uma pessoa transformada pelo deslumbramento da fama e do culto a si mesma... alguém que se perdeu no meio do caminho, cega diante da ambição e do “poder”, capaz de se revelar mesquinha, pequena, pobre de espírito... – uma vaaaaaaaaca.... aplaaausos!
E eu não tive a intenção de fazer um cover ou coisa parecida, não me inspirei nela antes.... – aliás nem sei no quê eu me inspirei antes dos ensaios – foi durante e subconscientemente – e eu ri sozinha, quando ia embora e me dei conta.... morri de rir sozinha no meu caminho de volta e quando parei pra conferir, desencarnei diante da constatação cabal do play – e encarando tudo agora, do ponto que estou, analisando friamente, eu vejo o encaixe perfeito do alter ego da minha cantora preferida que se manifesta em cena, com o ego apresentado pela minha personagem – que não deixa de ser alter – ela é o alter ego – de si própria – em pessoa, é a personalidade avessa que todos nós temos, o mal que habita dentro de nós e que tentamos conter, combater, dominar, sufocando.... E aí, um alter ego de inspiração faz todo sentido do mundo, quando a pessoa a ser apresentada e representada se torna o próprio alter ego em pessoa, essa era a minha personagem, a minha vilã – dessa vez, desde o início do processo e não por provocação de direção, um caso pensado.... calculado nos seus mínimos detalhes.
Sozinha com ela, eu percorri quase nada, deixei pra desenvolver e evoluir dos ensaios pra frente e eu fiquei muito satisfeita – grau real e palpável de felicidade, vide Luthors – com todo o processo, com toda a personagem que construí, com as reações que provocava em quem dividia a cena e em toda a cena que construímos juntas: porque eu fiz questão disso! No final, trocamos e somamos, nos dividindo, inclusive, em nos analisar e nos dar nosso feedback. Por isso que eu insisti, fui extremamente irritante e dei o meu jeito de penetrar da agenda impossível da pobre da Taís, invadir a casa dela – sentiram o trocadilho? – porque eu queria isso, queria fazer bonito – e não tenho a menor vergonha de assumir isso – e o mais bonito ainda – lindo – é que queria que ela conseguisse, que conseguíssemos e conseguimos. Que não importava se foram só algumas horas, de um ou dois dias de ensaios... mas que éramos capazes de fazer render, de construir, fazer.... e com receita de bolo dessa vez, porque sabíamos exatamente o tom, o ritmo, a intenção e as emoções – yeaaah, nós tivemos parênteses, direção de cena – que cada fala deveria ter.
E nosso bolinho cresceu e cheirou gostoooooso! Ainda recheamos e colocamos cobertura, quando finalmente gravamos.... e eu já estou parando por aqui, já que não vai ter graça nenhuma se vocês não salivarem, e vocês devem.... portanto: salivem daí, vão por mim!.... e aguardem!... me aguardem! 
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sangue, suor e lágrimas... super ultra mega power Atriz ativaaaar!


Por dentro, eu estava contando os dias para poder vir aqui confidenciar o que aconteceu no dia em que fui gravar meu primeiro diálogo, incorporando minha persona insana non grata. Os caminhos que me levaram até esse dia e o que ele representou na minha vida abominável, inclusive o retorno disso tudo, formam o conjunto da minha obra, de maior sucesso – só perdendo pra Alice.... até porque a Alice é or concour!
Antes de tudo, antes de já chegar chegando, gravando, ensaiamos por nossa conta e risco – o Everson e eu – e tentamos construir uma cena, também por nossa conta e risco – porque em se tratando de Jeam Pierre: prepare-se para o impreparável, meu amor – além de enfrentarmos o texto mais desafiador de todos – não por densidade, profundidade – era uma grande pegadinha em forma de.... parecia um cordel... um trava-língua... um enlouquecedor de atores – e eu já era a louca heeeeeeein, oh que sortuda eu!
Decorar uma peça – não, não quis dizer montagem de teatro, daaaaaaar – dessas, realmente foi meu maior desafio, porque as falas eram curtas e completamente sem nexo – aliás pra quê?... num passa de adereço isso né Jeam Pierre? – que pediam a fala do outro, dependiam dela pra existir e era – não, não tem outra palavra... – LOUCURA!
Mas enfim, voltando... ensaiamos nessas duas semanas que tivemos – traduzindo 2 últimas confissões – ai que mentiiiiiiira!.... na realidade da situação, os planos eram lindos, mas o bicho pegou para o meu lado e o que eram duas semanas garantidas de ensaio, de encontros marcados, se resumiu a apenas dois, espremidos em uma única semana, porque na seguinte o bicho pegou pro meu lado!
Comecei a apresentar sinais – sintomas, pra ser mais franca – que me fizeram crer que eu ia dar um tiute: a virose pirou minha cabeça e o coração....? Quis morrer.... – força de expressão, é claro – desmarquei os ensaios com meu companheiro de cena, morrendo de remorso – é, eu sou dessas – e quase matei o homem do coração – ele apavorou, disse que sem mim, ele não era ninguém.... não com ESSAS palavras.... mas quis dizer.... e eu como não posso perder as oportunidades que me dão, já entrego logo.... e foi liiiiiiindo isso!
Minha garganta pegava e o meu pavor não ficava muito atrás... foi se aproximando o dia e nada... o dia chegou e eu decidi procurar um médico e o querido profissional da saúde me fez tomar o fim da picada – a própria – no bumbum mais soro na veia. Saí de lá intimada a descansar e desistir de ir gravar – não pelo médico, mas pela poderosa chefona que eu tenho em casa – e eu batia pé que me sentia bem, que estava em condições, tentava me defender do indefensável... no fim, me rendi.... – e porque estou aqui escrevendo... ainda?
Até a página vinte, foi até aí o limite dos pontinhos – minúsculos – que entreguei... depois de uma ligação e muita reflexão – incluindo a lembrança do que senti na única vez que faltei na vida – e eu já sabia que a dor de ser obrigada – mesmo que pelo bom senso – a ficar era mil vezes mais dilacerante do que a real que eu poderia sentir. Dor real, eu não sentia, mas me sentia apreensiva, e muuuuuuuito impressionada! No fim, vocês já sabem....
Eu me rendi e saí nos 45 do segundo tempo pra correr atrás do prejuízo... e eu não pensei só em mim, no quanto eu sentiria não gravar, ainda mais depois de já ter tido a oportunidade de me apresentar pra galeeeera – feelings de seu boneco, eu confesso – também pesava ter de deixar o meu companheiro na mão, ele estar lá me esperando e terminar abandonado e frustrado, não seria justo com ele, muito menos comigo, e, contra tudo e contra todos: EU FUUUUUUUUUUUUUUI – ooooowooooo.... tá, parei....
Chegando lá, jurava que estava bem e jurava que achavam o mesmo – o que é o pior – mas não era bem assim... e eu só iria descobrir depois.... no meu presente, meu agora, eu tinha um apoio e estava segura do que queria.... segura na minha insegurança – como eu mesma digo – era o meu tudo ou nada!
Deixei as cartas na mesa e fui franca com o meu companheiro, eu não estava em perfeitas condições – crianças não façam isso em casa – não sentia, mas estava impressionada, vulnerável, frágil, não era cem por cento, mas a força que eu não sei de onde eu tirei, era maior.... maior do que eu....
Ele me aceitou, sabendo disso. E a sorte estava lançada para nós dois. Observamos o jogo todo de cena mudar de figura – e não, não era pegadinha do Advogado do Diabo – as marcações mudaram em cima da hora, o cenário virou mais de um e até à figurantes – nós – e holofotes tivemos direito. O negócio era mais dinâmico e ainda engenhava a construção de uma equipe de filmagem – cameraman + apoio do cameraman + caboman+boom – todos unidos com um único objetivo: gravar sem derrubar o Jeam Pierre e passar com o boom na frente da camera.... ihhhhhh, foram dois...
Enfim, de tanta observação e entre ser figurante e parte da “equipe técnica” da coisa – cena – fomos, finaaaaalmente, fazer a coisa engrenar com a nossa cara. Chegou a nossa vez de gravar e.... faiouuuu.... entrada deu errado, fui autorizada a repetir e daí foi só correr pro abraço: cerca daqui, cerca dali, corre atrás, provoca.... e COOOOOORRRRRRRRTAAAAAAAAAAAAA! Acaba de repente e você fica pensando porque passa tão rápido? Passou.... eu não assimilei.... minha ficha não caiu.... eu só senti.... senti a maravilha que era estar ali, ter feito a minha cena, que era poderosa por ter enfrentado um mundo, e, principalmente à mim para estar ali.... que estar ali me provava do que eu era capaz pelo meu sonho de menina, eu era poderosa – super atriiiiiz ativaaaaaaaar.... não resisti...
Nas nuveeeeens... além das incertezas, inseguranças, na segurança de saber, de ser uma atriz de verdade, sem fugir da raia, jamais! Mesmo entupida e entorpecida – como disseram as más línguas por aí – eu estava presente e mais viva do que nunca em cena, eu vi isso! 
Assisti de camarote e ninguém diria, sequer suspeitaria das minhas reais condições.... não antes de um longo discurso de frear qualquer perfeccionismo e estimular o espírito errante – de errar mesmo – de se arriscar sem medo, de desejar o erro, na certeza de que correr em direção à ele, nos fizesse mais humanos, mais atores.... antes que nos tornássemos múmias, enroladas nas faixas que criamos pra nos atar e sufocar no rumo da perfeição, que é de vez em sempre, inatingível.
Fomos convidados – e mais uma vez – desafiados a caçar o que tínhamos de bom, pra variar, já que o que tinha de ruim já estava sempre em pauta e estávamos ficando irritantemente repetitivos e obsessivos autocríticos. Não precisávamos de ninguém pra quebrar nossas pernas, que já tínhamos nos engessado, entendem?
Analisando com menos crueldade a nós mesmos, nos assistimos.... e eu me maravilhei com o que consegui, até minha voz afinou num ponto em que jamais se confundiria como a Alice, eu soava uma retardada completa e estava extasiada!
Ainda escutei as palavras de anjo do Diabo em forma de preparador.... “sem dúvida, esse foi o melhor vídeo da turma... da noite”.... e aí o êxtase foi total e irrestrito, o prazer não caberia nem em cinqüenta páginas – que vocês sabem muito bem que eu seria capaz de escrever.... mas eu não preciso... a felicidade dispensa palavras.... e eu me basto com essas....
Sei que se morresse ali, naquele momento, morreria.... – feliz? – sem um Oscar.... ou no mínimo.... um Melhores do Ano né, Fausto?... um Quiquito.....? Nem morta, santa!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Aqui me tens de regresso.... LOKALOKALOKA!!!!!


E ele voltou, voltou para ficar, porque aqui – caqui – é o seu lugar!.... Enfim, o Advogado do Diabo, poderoso chefão, nosso preparador virado no Nelson Rodrigues estava de volta pra fazer ver a vida como ela é.
Voltamos as atenções para o nosso primeiro diálogo – de maluco – que ganhamos – e mal ensaiamos – pra fazer, e, em dupla. A minha tinha se formado muito antes da decisão soberana de Pierre – não sei se lembram daquele teste com cara de desafio, que me fez pensar e encarar a carreira feito gente grande?... o do beijo técnico.... pois é, foi com ele.. – portanto não teria nenhum mistério  – certo?...Errado, aí é que vocês se enganam  – o desafio persistia – sina de nós dois contracenando?...eu hein  – no texto. Dessa vez era literalmente coisa de maluco, era um duelo de palavras que não se encaixavam, como falar sem querer dizer coisa nenhuma e o nexo disso era que um era completamente dependente do outro pra quem sabe fazer algum sentido – mesmo que no final, continuasse sem fazer nenhum.
Avançamos do estágio do tentar, para o fazer... texto mais na ponta da língua, aquela coisa... e avançamos mais na direção... da direção mesmo! – é, tivemos direção explícita, meu povo!
E com tudo que tínhamos direito: marcação de cena, “de texto” – se é que isso existe, se não, eu inventei – parênteses e ai, como eu estava morrendo de saudade deles! Ok... ok... vou parar de girar o blog, antes que queiram descer: marcação de cena é como se fosse coreografia de dança, só que é pra atores e a tal de texto – os parênteses – são quando as intenções do personagem estão escritas por entre as falas, por elas você sabe quando tem que falar baixinho ou gritar, quando deve amar ou odiar.... e por aí vai... agora vamos desligar a teclinha SAP e voltar ao que realmente interessa?... porque depois dizem por aí que não sei ser sucinta....
Fomos instruídos de toda a movimentação que deveríamos ter, incluindo as famosas deixas – palavras-chave que nos fariam sentar, levantar, sair andando... não necessariamente nessa mesma ordem. E depois de assistir uma vezinha só o Jeam fazendo, depois uma dupla seguindo as instruções dele, foi a nossa vez de nos separar do resto do mundo, num canto só nosso e passar a ensaiar com a faca e o queijo na mão – as deixas e a marcação.
No nosso canto ficamos, eu e meu colega de cena, meu colega de cena e eu ensaiaaaando... até o Jeam passar os olhos e por um cisco de segundo achar que a Alice não morreu – eu já sabia que ele ia achar assim.... afinal não posso querer mais afinar minha voz nessa vida sem ser Alice outra vez.... HUM – e cortar – achar que estava cortando – meu barato – porque não, senhoras e senhores, a Alice não estava em cena.... eu escutei um OHHHHHHHHHHHHH? – mas ele não foi embora de cara, ele ficou ali observando – ...urubuservando... – corrigindo e descorrigindo... pra no fim, nos escolher como um dos que se apresentariam no fim dos trabalhos pra todos verem – será que agradamos?... hummmmmmm....
Fato é que finalizados os ensaios, já sabíamos que íamos nos apresentar com outras duas duplas – se não me engano, porque a minha memória tá de Dolly hoje... vide Nemo – e nos apresentamos nesse nosso duelo enlouquecedor de palavras e gênios opostos, ele como um homem comum e eu completamente louca. Confesso que não foi difícil pra mim encontrar minha louca interior – já vivo muuuuuuito próxima disso... da Monga entãooo.. vixi.... enfim – ser louca não foi sacrifício nenhum, foi um prazer imenso.... e que não ia acabar ali, ia render pro próximo encontro... permanecendo e se prolongando... GRAVAAAAAAANDO!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Me dá, me dá, me dá.... me dá flic flac, flic flac, dá?


Depois de ter ensaiado um ensaio com meu mais novo – e nem tão novo assim... e não pela idade, mas por conhecimento de causa HAN – colega de cena, travando guerra em cavalo de batalha: tentando ler, ler e contracenar, ler e contracenar e gravar falas; ler e contracenar e gravar falas, concentrando nas instruções.... até que... enfim.... – ufa – finalmente demos uma pausa de Jeam Pierre – porque o Diabo quis assim... mentiiira, foi o diretor dele – e chamamos um break...

Que tinha gosto de danoninho… 
tinha... 
gostinho de infância....
tinha... 
cheirinho de nostalgia.... 
só por uma noite... 
só por uma noite... 
um miniflashback dentro do outro, please?

...Eu voltei no tempo – dentro do tempo que já estou voltando, já que... estou falando de um ano já virado, passado enquanto falamos... o presente virou passado e trazer ele a tona me fez ir pro passado de novo.... deu pra entender? – e me senti menina de novo, descobrindo a magia – vamos ignorar o episódio da Branca de Neve, ok? Mesmo sendo essa a grande prova de que eu já era desde pequena uma atriz nata... ou no mínimo que eu não era do mundo real desde Renatinha... créditos ao Dudu, filho da Naiara Vianna, pela inspiração... mas enfim, voltando... – e desejando ser parte dela, ser atriz, feliz pra sempre!
Foi numa noite como essa – transformada em dia – que eu comecei a sonhar no que eu queria ser quando crescer... o verdadeiro começo de tudo isso aqui que agora eu vivo, e, narro que vivi. E isso tudo, me veio à tona de um encontro diferente, um encontro de teatro.
É.... porque toda santa vez que eu me aproximo do teatro, eu rejuvenesço, volto a ser menina.
Eu tinha dez anos quando – oficialmente – comecei a fazer teatro – de verdade – no colégio e depois da minha primeira peça à serio – além Branca de Neve – e a minha primeira grande decisão na vida: ser atriz e ponto. Dali em diante, a decisão em forma de encanto e corpo de sonho, estava feita.
E o teatro é encanto, é como um conto de fadas sem fim e mesmo assim, com final feliz. E eu já estava há muito tempo  – longos anos e uma distância forçada – sem me sentir nele – encantada.
E foi nesse agora com cara de ontem e espírito de anteontem, que se fez de novo toda a magia pra mim e eu tive meu pequeno dejavu com cara de comercial de danoninho... – disfarçado de encontro com o professor Cleber e seus companheiros: o flic e o flac – e viajei-eeeeei nesse meu túnel do tempo... só meu.... – eu acho...
E foi bom... bom voltar no tempo, inclusive de vida abominável, voltando a perder o eixo, o equilíbrio e me fazer de boba – pra variar – brincar de transformar cenas – um tanto complexo de diretora incubado aí, daí... – e de me desorientar toda quando me apresentaram o flic, depois o flac, depois os dois juntos... e aí os dois juntos e misturados – literalmente.
Aliás, juntos e misturados, era a sensação de tudo, de toda a brincadeira – porque aula...
Pela primeira vez, deu pra sentir o tamanho de nós, a força do número de quantos somos, do que realmente significava todos nós juntos. E o impacto foi grande – e o barulho... – somos grandes, um grande conjunto... conjunto... tá aí, um pequeno, porém grande detalhe: somos um conjunto e dependendo dele, vem – ou não – a obra.... E é aí que mora o perigo, meu medo – o maior medo de todos. Dela ser grande, por ser só números... – confesso que partindo de toda uma insegurança de sermos tantos e de me sentir incerta se somos capazes ou não de nos fazer fortes e coesos o suficiente, para sermos e estarmos seguros mesmo assim... uma equipe.... incertezas.... – eram mato....
Hummmmm... sabe o que ficou faltando...?... – suspense now –
BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM...
E acabou-se o que era doce.... já era, já foi...
Enfim, tanto faz, como tanto fez.... hora de dar tchau e voltar pro mundo real: acabou o recreio.... o intervalinho feliz... a boa vida! – e a paranóia....
Era tudo só uma pausa, – não era? – uma pequena pausa – minúscula – diante de tudo que ainda estaria – e está – por vir... grandes promessas... e que eu garanto: garantem a sua – e até a minha – audiência!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Da onde vêm os bebês.... as emoções?


Agora estávamos entre nós – os mesmos abomináveis-calouros de sempre – e o script não mudou... mas a dinâmica.... quaaanta diferença!
Aquele drama – o maior de todos – ganhou corpo, forma. Agora, partimos com ele pro corpo a corpo – e não é nada do que estão pensando hein.... HAM – divididos em duplas começamos a trazer ele pro nosso corpo – o verdadeiro condutor das emoções que fazem ele surgir, pra começo de conversa, mas vamos com calma, que ela vai ser looonga....
Pra efeito de início dela, começo dizendo que é... simples! É... são elas, as emoções que constroem os castelos de areia com os quais brincamos de viver – interpretar, sermos atores. Atuar é como moldar montinhos de areia para fazer castelos – faz de conta que fazemos de conta que são de verdade, nossas histórias de fazer rir ou chorar... – mas a nossa areia é diferente: ela é feita de emoções. Ao mesmo tempo ela é como a areia de verdade, porque ela também vem do chão, cercado pelo mar... das certezas – que quem controla é a nossa cabeça.
Muitos acreditam que as emoções vêm das nossas memórias, inventaram até uma tal de memória emotiva, um lugar onde teoricamente ficam registradas todas as emoções que já vivemos e da onde podemos tirar inspiração, senão a salvação na hora do aperto, em que você parece estar insensível e precisa se emocionar – afinal, nós, atores, também temos nossas crises, baixos.... E eu não duvido desse lugar, dessa fonte, acredito que só podemos interpretar aquilo que vivemos, e só interpretamos se vivemos, ponto.
Interpretar é viver, viver de novo, viver mais uma vez, entretanto, contudo, porém, todavia não é viver de novo – a não ser que estejamos repetindo uma cena, alterando o plano, mas enfim.... vamos voltar ao que interessa – é uma vida a mais, uma vida além da que se vive, do zero, à parte de você mesmo e tendo você como parte integrante ao mesmo tempo. É um labirinto profundo, onde se sabe como se entra, mas não se sabe como saí.... – até se sabe, quando se tem técnica e auto-controle, mas essa é uma conversa pra já, já....
E nesse nosso labirinto, dessa vez, não buscamos em alguém à frente, mas no toque de alguém, a fonte de inspiração para sentir e se emocionar, trazer pros olhos e a voz, a vida e a verdade que cada palavra queria dizer, todas as suas intenções e o seu drama.
E nessas duplas todas, eu de novo, fiquei com a bella loirinha Bella. E com ela, minha ironia e meu sarcasmo de antes se transformou numa seriedade misturada com agressividade, que deu pra sentir o quanto eu fiquei mexida com a história, vivi ela – se não me engano...
O grande desafio era trabalhar com o que o corpo trazia e como provocar ele e o do outro a trazer algo: o toque. Aprender a tocar e trazer vida à cena. Nos viramos num empurra-empurra – O empurra-empurra. E teve mais duelo, o duelo dos abraços desejados e indesejados, de se afastar e se aproximar sem querer, querendo e querendo, sem querer. Toda uma loucura – que só podia ser patrocinada por quem? – e o mais gostoso disso tudo é que não importava a dimensão ou o tamanho – se era empurrão ou empurrãozinho – funcionava do mesmo jeito que o papai ou a mamãe já fez alguma vez na vida, pra você balançar mais alto, ir mais alto.
Essa era a moral da história e foi daí que a minha ironia deu lugar a uma seriedade, que de tão séria, se tornou agressiva, porque tinha ali dor, mágoa, de ter sido abandonada, esquecida, mesmo diante de uma grande promessa – sentiram o drama?
Parece loucura, mas tudo faz sentido, a provocação faz todo o sentido do mundo, o toque, e a técnica que esteve ali o tempo, por trás dele, disfarçada de provocação, e no fim, toda ela em forma de dinâmica. Deu pra ver com ela o outro lado da moeda de uma tal vilã... que só era assim, porque estava ferida e por se sentir assim, tinha o impulso e a necessidade de ferir.
Por isso, fui quem fui antes, no duelo de abomináveis – velha guarda versus do amanhã – eu acho... não sei... Só sei que minhas intenções se transformaram – as primeiras, segundas, terceiras.... E a personagem se foi a mesma eu não sei... mas se foi, ela ganhou alma e eu, um castelo... lindo!
E nele tinha uma princesa loira dos olhos claros – errr não sei se eram verdes ou azuis, falha nossa – forte e destemida, além de mim, uma aprendiz de bruxa má, quase provando do próprio veneno e mordendo da própria maçã encantada.
Acabaram-se os empurrões, pescotapas, escoriações – mentiiira – e paramos pra discutir a relação. Já estava na hora né? Meses de relacionamento, tanta coisa entalada na garganta, que já não descia mais, então era melhor sentar e conversar, antes de acabar dando um tempo e acabando com tudo de uma vez – dramááática....
Enfim, sentamos pra colocar os pingos nos seus devidos is e não foi na hora, no fim de mais uma dinâmica em uma roda de fim de aula, dessa vez partimos pra mais de meio bloco de capítulo... de aula... em um embate acalorado pra colocar a cabeça no lugar – ou tentar... mais uma vez....
Se passou, portanto, uma semana entre o castelo de areia construído da base do empurrão e do faz de conta e nossa primeira DR prática da teórica. Isso mesmo: nossa DR foi toda de teorias em cima da técnica.
Sentamos dispostos a quebrar todos os tabus – pelo menos o Advogado do Diabo estava, né Jeam Pierre? – foram lançados na mesa: a bendita fonte de emoções – a memória emotiva- das próprias santas emoções e o misterioso subtexto, além de tudo da técnica e das emoções – que eu já falei taaaanto.
Mas afinal de contas: o que era o tal do subtexto? Até onde euuuu sabia, era a historinha por dentro da historinha, que eu criava pra dar vida à vida que tinha que viver. E acho, que aqui, parando e pensando – depois de todo o tempo real que se passou – esse mistério pra mim ainda continua um mistério. Porque ainda fica valendo pra mim, o feeling – a sensação – que tenho quando leio o texto em si, em primeiro lugar como expectadora e em segundo, como atriz – e criança – que busca descobrir o tesouro no meio das palavras, a aventura que ninguém nunca antes imaginou, que simplesmente o autor, diretor e o preparador nos dá aos pouquinhos e em pistas, que devemos perseguir. É brincar de descobrir, descobrir e brincar de sentir.
As emoções – eu sei que já falei demais delas hoje – são necessárias, mas antes de tudo devem ser vivas, e, acima de tudo, devem ser vividas. Nesse dia ou depois, não me lembro muito bem, eu só sei que me foi dito e repetido praticamente com as mesmas palavras, as máximas do Jeam – e eu acredito em todas elas; já acreditava, quando tinha ouvido só da boca dele e só veio à reforçar todas as outras bocas importantes que também disseram... – que no fim, é o corpo e o olhar que nos dão as ferramentas e que são elas.
Nossa alma se reflete através do olhar, e ela se alimenta do nosso espírito, que é espiritual, emocional, enfim.... e o corpo reage, quando não provoca todas as emoções que sentimos, ele prova o tamanho, a cor e a forma das emoções que nos tomam.
Naquela última quinta, partiu do desaforo, um abraço, e esse abraço soou mais desaforado que o próprio desaforo, o impulso de empurrar, de querer afastar ir pra longe, ir pra longe, enquanto no fundo se quer estar perto, tudo isso a história pedia, mas no fim, foram mandamentos da dinâmica, foi o corpo a corpo necessário pra chegar ao desequilíbrio, um desequilíbrio orientado, guiado – santo seja quem inventou a preparação de atores!
No fundo, no fundo, essa é que é a grande moral da história de ser ator/atriz: é aprender a se desequilibrar pra se equilibrar, perder o controle, sabendo se controlar, aprender a viver com script, o que nega todo o nosso natural impulso de viver de um improviso simples de viver... – sem querer ser redundante, mas já sendo...licença poética valei-me – porque todos os passos que você dá, daí em diante, não serão mais seus e serão dados com antecedência, com uma emoção pré-definida, pré-programada – no script.
Sem exagero meu, discutimos o ouro da mina: como encontrar os caminhos – esses caminhos todos que acabei de falar – que se encontram e se perdem na tal da técnica. Ela é famosa – não é atoa – é a grande manha, artimanha e malandragem que faz possível, uma vida ser vivida de forma tão bela, capaz de ser admirada e assistida nos seus mínimos detalhes...
E no fim de tudo, um novo desafio, novas parcerias se firmaram, novas duplas se formaram. E dessa vez, eu pude escolher meu cavalheiro andante, de armadura reluzente e cavalo branco – que já vinha de outros carnavais extra-classe – e minha escolha ser uma ordem – submetida ao poderoso chefão, é claro!
Grandes promessas se fizeram... em forma inédita de texto... aceno de marcação e direção de cena... e tempo.... a mais valiosa de todas as ferramentas, pra se trabalhar...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Partindo pros finalmente...


Assistam ...de um lado ele, imenso e veterano de temporadas-luz – eles, mais de um: os nossos....
Do outro, ela, linda, loira e terrível, nada mais, nada menos que uma caloura da temporada atual – nós, os abomináveis de hoje, do amanhã... menos né? ... hummm... me auto-contrariando: eu e minha turma.
Em uma noite de duelo e espetáculo, com ares e poeira de faroeste.... – se perdeu, bebê? Segue aqui a tia.... em mais um, do meu, do seu, do nosso....
MINIFLASHBACK!!!!!
TAAAAAAN –TAAAAN-TAAAAAAAAAAN....
A luta do século, o grande duelo surgiu do nosso convidado especial.... – eu disse que ia ter, não disse? Só não sabia que ele viria ao avesso e o oposto do esperado.
E como se isso, não bastasse, ele veio em série, de bando: eram os veteranos abomináveis, abomináveis veteranos – ainda estou tentando decidir....
E falando em decidir, pra começar a dar o rumo desse faroeste em forma de confissão, serve de começo, pra começar, que veio deles – os alunos que se formam esse final de ano em sabedoria Pierre para Interpretação – a decisão de vir assistir à uma das nossas aulas – dividir, fazer com a gente, pra ser mais exata – tudo idéia, caraminhola, lançada por ele, o grande W... Marcão – ahhhha achou que era mais uma piadinha de gordo né? TE PEGUEI!!!
Acabou, acabando, que todos que se juntaram à ele e arregaçaram as manguinhas da camisa da JP Talentos – ok, eu sei que não dá pra arregaçar, porque não tem manga suficiente, mas me dá a licença poética de dramatizar? Brigada, afinal isso aqui é, ou, não é um blog de atriz, neim? – foram postos, a postos, para contracenar conosco.
A princípio, em uma fila, e, nós ganhamos a preferência, pra se candidatar a fazer o sacrifício, e de escolher com quem duelar uma contracena.... digo contracenar um duelo.... NÃOOO... contracenar.. fazer cena – ai, ufa! 
Nada mais justo, já que o dia era nosso, o pedaço também – ai juro que me senti bandida e mafiosa falando assim – e acabava aí.... A partir do momento em que se fechava o cerco e eram definidos os nomes, vinha a intervenção – com cara e corpo de direção – do nosso Advogado do Diabo, disfarçado de preparador, com pretensões de explorar todos os nossos tendões de Aquiles....
E quando eu digo tendões de Aquiles – pontos cruciais e fatais, que se atingidos, podem quebrar as pernas de um – , eu digo de cadeira, porque fui testemunha dali em diante de lutas-cenas de todos os naipes, indo desde rinha de galo à briga de pitbull, passando por uma zebra que deu, que me arrepiou a alma – atriz falando...
E falando assim, até parece jogo do bicho, de azar né.... mas deu uma sorte... me deu uma sorte.... – pensaram que eu fugi da raia, né? Nem morta.
Enquanto eu assisti, tinha quem – vulgo Cris de Moura, Cris Moura – ficasse me cutucando e cutucando, num cutuque estimulante até... porque ele queria que eu fosse pra arena, lutar, encenar, contracenar... e eu... prolongava a agonia e a ansiedade do meu amigo, só estudando o terreno, analisando o território, sabem como é...
No fim, eu escolhi fazer da minha entrada, triunfal, na hora exata para escolher como meu ‘adversário’-parceiro de cena, aquele com quem eu sempre quis contracenar, desde que a brincadeira começou: o Meeedooooo – simplesmente Lucas Machado, os créditos, seus créditos.
Eu fiz da vez, a minha, me colocando prontamente a postos ao lado do Jeam e escolhendo sem titubear o Lucas e então.... era aguardar... aguardar.... e aguardar mais um pouquinho.... até que finalmente, o Advogado do Diabo terminou de dirigir meu ‘rival’. Foi dada a congada – juro que também pensei a largada, mas nem encaixava aqui... então, vejam a figurante de figurino (estilo pano de bunda) a passar com a plaquinha de primeiro round.... aí sim, cabe no imaginário de vocês e no meu, no nosso contexto... – e enfim, a minha cena começou, óbvia que precedida do ritual do cumprimento mais tradicional da espécie abominável – o abraço – , assim, quebra-se o gelo – entre dois desconhecidos que vão contracenar – antes de se ousar tentar quebrar as pernas; Acabadas as tradições, cena, enfim, e surpresa, surpresa: o meu calcanhar de Aquiles não era mais meu, agora era do meu ‘adversário-parceiro e rival’, ele era meu reflexo e eu era sua maior vilã – ainda mantendo a mesma personagem de antes, time que ganha... não... eu estava sendo coerente e fazendo de verdade meu sonho de consumo em forma de personagem.
A estratégia de me colocar diante do meu reflexo, demonstrando todos os meus piores traços – toda a minha insegurança e meu medo perfeccionistas que me fazem me atacar e sofrer de perseguição de mim mesma... ufa – que me impediam de brilhar e me tornavam um zumbi desgarrado e que fugiu de Thriller, com a única e exclusiva intenção de minar as minhas forças, foi muito inteligente – realmente –, mas não chegou ao fracasso – já que esse nunca foi o seu intento pois foi meu combustível para ser mais quem eu mais quis ser: a má de toda aquela história, daquela cena.... 
E eu consegui em alto e bom som.... e foi um prazerrrrr.... imenso e todo meu.... – mentira, funciona assim: prazer meu + prazer que vem de quem contracena comigo + prazer de cada um que assiste = grande prazer de atuar e encenar.
A brincadeira é séria, eu sempre disse isso, não disse? E é.... mais do que pensam.... vive-se uma vida inteira assim, de viver mais de uma vez em cada cena e de se sentir uma vida inteira dentro de um espaço de tempo que se chama.... cena.
Quem venceu?...Quem perdeu?.... Ninguém. Nessa noite, nesse faroeste de elenco, de gerações com um único propósito, se veio pra ganhar e se saiu vencendo. Venceram todos, sem exceção, porque deram a cara a tapa, as pernas a quebrar e no fim, se abraçaram na merda! – pra bom entendedor, a meia piada já basta né?
quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Direto do túnel do tempo...


Difícil negar que eu levei um baque.... que me abalei e que cheguei ao silêncio, pra me encontrar, refletindo diante daquilo tudo que nunca vou me esquecer....
Ficaram marcas, até aqui.... e eu juro que dispensava.... as semanas foram passando e minhas memórias se embaralharam e eu já não tenho mais meus mínimos detalhes, pra brincar.... mas não vou rasgar páginas, colocando elas em branco – porque isso não deixaria de ser...
Quero retomar tudo, as rédeas, desse meu livro aberto, até o ponto em que parei e as reticências que deixei pra trás....
Miniflashback, por favor
...Comecei me inspirando na Beyoncé e essa faixa de trilha sonora dela, me veio de imediato e não foi só pela música em sim, foi pelo clipe – que parece que saiu de dentro do texto – e depois, por ela, que embalava as entrelinhas em que eu acreditava – de negação, hesitação diante do medo de se entregar e se decepcionar.... enfim, incerteza – e dela, eu parti pra dança e encontrei uma, em forma de duelo apresentada pelo Kent, na sétima temporada daquele reality – que vocês conhecem muito bem, e se não vide – uma coreografia contemporânea para dois homens, que tem como fundo a história de dois amigos e uma traição – a punhalada pelas costas – eu me envolvi com o personagem do Kent – o amigo de boa fé, traído.. de camisa branca – porque ele se envolvia com a minha também... e parecia que tudo se encaixava com o maior drama de todos e se envolvia com ele.... com o meu também.... – e eu errei....
Escrevendo, achando que estava seguindo as mais recomendadas instruções, na minha zona de conforto – afinal, eu voltei a escrever.... – eu acabei me desnorteando, pelo norte que eu tentei criar, estabelecer pra mim.... e me arruinei... – até a página vinte....
Diante disso, eu encontrei – como sempre – as forças, a luz e o caminho para me safar, me achar de novo e sobreviver.... Sair dessa posição, dessa inércia, que a minha pretensão, minha falta de preparo e meus nervos me colocaram e me deixaram.... Bateu aquela vontade negra – alimentada pelo meu diabinho interior e o exterior – de fraquejar e abandonar.... mas eu ainda tenho um santo forte, que me ergueu e me levou ao encontro do Cris na noite em que eu gravei esse texto pra valer....
Pra gravar, eu abandonei a minha história, todas as minhas inspirações antigas, desconstruí.... e de repente, não mais que de repente, fui dirigida – antes de tudo, da cena – eu ganhei aquele empurrão, aquele estímulo, que eu precisava, e finalmente vi a luz.... a luz pra construir em cima do que sempre sonhei, mas ainda não tinha a coragem, nem via a oportunidade: ser uma vilã....
E para a minha vilã, requintada de ironia, sarcasmo e doses fartas de ignorância, Adele foi a minha trilha da vez... a música dela era a ideal para embalar essa minha mais nova personalidade, personagem.... e eu não busquei mais dança alguma, porque aquela – do duelo entre os homens – ainda sim, era perfeita para essa minha realidade – subtexto, pra não dizer que nunca usei do termo.... mas vocês só vão entender do que eu estou falando confissões além.... – de traição pelas costas, decepção, dor e mágoa.... 
A diferença dessa vez, é que a “minha” mágoa virava ressentimento e esse ressentimento se tornava ignorância, agressividade, violência em forma de ironia e sarcasmo – a dupla infalível..... 
E eu me aproveitei, tirei vantagem de mim, da minha bagagem  da vilã interior  dos olhos, da força no olhar do Cris e eu consegui.... – com ele, Cristian Moura e sem o boom – nascer de novo.
É.... eu nasci em cena, e sem o tapinha no bumbum, dei meu grito de liberdade e me libertei – soltei a minha voz... ela se desavergonhou, o que, não foi um milagre, já que ela estava trabalhada no sarcasmo....
Eu dei uma sorte imensa, já que foi o Jeam que escolheu nossos parceiros pra cena, e quando ele escolheu o Cris pra mim, eu suspirei – por dentro – e consegui toda a minha desenvoltura.... evolução....
Aliás evolução foi a palavra-chave da nossa noite seguinte, quando sentamos pra receber um feedback – finalmente com cara de retorno – e nos assistir, não necessariamente nessa mesma ordem.... – invertida.
Sentamos pra nos assistir... e eu me vi, no formato de vilã.... uma vilã no início de carreira, cheia de agressividade, amargura e ironia.... – parece repetitivo, mas não dá pra escapar dessa palavra e daquela outra mágica: sarcasmo. Não vi nada de extraordinário, mas eu me ouvi e isso sim, foi extraordinário... minha voz soava em alto e bom som, e não só para o meu eu interior – sendo que nem ele mesmo sequer escutava – as intenções estavam lá, os erros também, mas que se dane... – com o perdão dos maus termos.... 
A perfeição é inatingível, ela está longe, fora do alcance.... é uma mera ilusão e que só faz enlouquecer, quem a persegue... eu quero largar ela de mão – a intenção eu tenho, de resto, só você me vendo de fora pra saber e me dizer se eu reflito ela nas minhas atitudes....
Enfim, ficou mais claro, o Advogado do Diabo resolveu – finalmente – nos dizer tintim por tintim, colocar o preto no branco, todos os pingos nos seus devidos is: fomos alertados para a questão do ritmo, em como trabalhar com a voz para se chegar aonde se quer, e, pra isso, pontuar as intenções, partindo de momentos-chave, que devem atingir quem quer que esteja nos assistindo.... da análise do texto.... como terminar uma frase, entonar e passar batido pelo que não interessa, ser objetivo, enfático, resumindo a ópera: aprendemos a dar ênfase na hora certa, no lugar certo, pra pessoa certa – você, querida platéia, que ainda é a alma do nosso negócio!
Agora aqui, cá entre nós, eu acho que se colocar no lugar da platéia faz a diferença, porque é ignorando todo o processo de criação que te envolve, que você pode saber se está funcionando ou não do jeito que você quer... e que não seja ignorando, mas pedindo uma segunda opinião, que seja, já vai ser valiosa pra você ganhar uma noçãozinha de realidade – coisinha que ator e atriz se desapega.... principalmente quando se envolve demais.... 
Não temos controle – eu não tenho – mas queremos aprender a ter e eu acredito que essa seja uma das formas de se tomar as rédeas....
Voltando aos reclames, tivemos além do aprendizado, as orelhas puxadas uma a uma.... e eu, na minha vez, soube – do que já desconfiava – que precisava de mais ritmo, mais andamento, acabamento no meu gogó de meu Deus – aulas de canto, estou precisada, Jamil... socorro!!!
Ai... e no fim.... – se é que realmente foi no fim e não foi no meio – massagearam o nosso ego – e quando digo nosso, é o meu junto com a minha turma inteira – e a palavrinha mágica saiu dos lábios de Jeam Pierre e nos fez – me fez – ganhar a noite: Evolução.... 
Evoluímos.... quer dizer, que estamos crescendo.... e não queremos mais parar.... – eu não quero.
A noite terminou em uma grande promessa.... a maior de todas..... junto com ela, a palavra do homem voltando atrás.... 
O texto não tinha acabado, íamos gravar mais uma vez.... e com um convidado muito, muito especial....

Making of do Making of

Making of do Making of
Eu queria falar, dizer tudo que sentia, vivia, guardar de algum jeito cada pequeno detalhe, que me transformava em uma mulher, uma Atriz. Assim, eu criei esse espaço... tão meu.... seu.... nosso.... Aqui, eu tenho a minha coxia em forma de livro... um livro aberto de minha autoria — Renata Cavalcante, 28 anos, carioca da gema, prazer.... — narrando os bastidores da minha memória viva desde a preparação de Jeam Pierre até me tornar atriz da Cia. Grito de Teatro de Santa Catarina, numa evolução que vai do querer ser profissional a ser oficialmente reconhecida como tal — o antes e o depois do DRT, aqui pra você!

Ibope